Textos sobre Amargos de Plutarco

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Textos de amargos de Plutarco. Leia este e outros textos de Plutarco em Poetris.

Conduta Apropriada

A maior parte das pessoas deixa-se irritar e exasperar pelos actos de neglig√™ncia, n√£o apenas de parentes e amigos como, inclusive, dos inimigos. Os ralhos, a irascibilidade, a inveja, a malevol√™ncia e o ci√ļme maligno s√£o pr√≥prios, t√£o-somente, das pessoas infectadas por tais pestil√™ncias, que afligem e oprimem gente insensata; brigas de vizinhos, apatia de amigos, mau procedimento de funcion√°rios no desempenho das suas obriga√ß√Ķes, s√£o inst√Ęncias disso. Coloca-te em lugar de destaque na lista das pessoas que abominam semelhante conduta; como os doutores em S√≥focles, que ¬ębile amarga com rem√©dio amargo purgam¬Ľ, exibes indigna√ß√£o e exaspera√ß√£o para fazer parelha com as suas paix√Ķes e destemperos. Isto √© il√≥gico. O neg√≥cio confiado √† tua administra√ß√£o √© realizado, em boa parte, n√£o por pessoas de car√°cter recto e direito, como instrumentos apropriados √† execu√ß√£o de um trabalho, mas por ferramentas tortas e defraudadas. N√£o imagines que seja de tua responsabilidade corrigi-las, ou que tal seja f√°cil de fazer. Mas se as usares de conformidade com o que s√£o, do mesmo modo por que os m√©dicos usam botic√Ķes ou pin√ßas cir√ļrgicas, revestindo-te da calma e da modera√ß√£o exigidas pela situa√ß√£o, o prazer que experimentar√°s com a tua s√°bia conduta ser√° maior do que o teu vexame pela crueza e deprava√ß√£o dos outros.

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Saber Contornar As Vicissitudes

Quando estamos febris, tudo quanto provamos nos parece amargo e desagrad√°vel, mas, ao vermos outrem saborear as mesmas iguarias sem fazer cara feia, n√£o mais culpamos a comida ou a bebida: culpamo-nos a n√≥s mesmos e ao nosso destempero. De modo similar, desistimos de incriminar as circunst√Ęncias e de com elas nos preocupar quando vemos outrem aceitando as mesmas circunst√Ęncias pl√°cida e alegremente. Quando as coisas n√£o correm na medida dos nossos desejos, muito contribuir√° para o nosso contentamento pensarmos nas coisas agrad√°veis e encantadoras que nos pertencem; na mistura, o melhor eclipsa o pior. Quando os nossos olhos s√£o ofuscados pela claridade excessiva, n√≥s acalmamo-los olhando para a verde relva e para as flores; todavia, mantemos a mente absorta com o que √© penoso e for√ßamo-la a remoer sem tr√©gua os vexames, desviando-a violentamente de pensamentos mais reconfortantes.