Cita√ß√Ķes sobre Ascetismo

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A Inteligência e o Sentido Moral

A intelig√™ncia √© quase in√ļtil para aqueles que s√≥ a possuem a ela. O intelectual puro √© um ser incompleto, infeliz, pois √© incapaz de atingir aquilo que compreende. A capacidade de apreender as rela√ß√Ķes das coisas s√≥ √© fecunda quando associada a outras actividades, como o sentido moral, o sentido afectivo, a vontade, o racioc√≠nio, a imagina√ß√£o e uma certa for√ßa org√Ęnica. S√≥ √© utiliz√°vel √† custa de esfor√ßo.
Os detentores da ciência preparam-se longamente realizando um duro trabalho. Submetem-se a uma espécie de ascetismo. Sem o exercício da vontade, a inteligência mantém-se dispersa e estéril. Uma vez disciplinada, torna-se capaz de perseguir a verdade. Mas só a atinge plenamente se for ajudada pelo sentido moral. Os grandes cientistas têm sempre uma profunda honestidade intelectual. Seguem a realidade para onde quer que ela os conduza. Nunca procuram substituí-la pelos seus próprios desejos, nem ocultá-la quando se torna opressiva. O homem que quiser contemplar a verdade deve manter a calma dentro de si mesmo. O seu espírito deve ser como a água serena de um lago. As actividades afectivas, contudo, são indispensáveis ao progresso da inteligência. Mas devem reduzir-se a essa paixão que Pasteur chamava deus inteiror, o entusiasmo.

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Um Autêntico Sonho de Amor

Orgulho, vaidade, despeito, rancor, tudo passa, se verdadeiramente o homem tem dentro de si um autêntico sonho de amor. Essas pequenas misérias são fatais apenas no começo, na puberdade, quando se olha uma janela e se desflora quem está lá dentro. Depois, não. Depois, sofre-se é pelo homem, é pela estupidez colectiva, é por não se poder continuar alegremente num mundo povoado, e se desejar um deserto de asceta. O ascetismo é a desumanização, é o adeus à vida, e é duro ser uma espécie de fantasma da cultura cercado de areias.

Estar no Mundo

Ao corpo colados a silenciosas
colunas de sal pavimentados eis os muros
paralelos eis as r√°pidas deforma√ß√Ķes da
linguagem (c√°lido ascetismo)
de quem arde por dentro ‚ÄĒ estar no mundo
é teu caminho estar na cólera
lavrada
e sobre si mesma dobrada e a guerra
mastigar a morte seca a subalimentada
explos√£o do corpo deforma√ß√Ķes suic√≠dio
quotidiano ‚ÄĒ tal a poesia
se reflecte na luz a eros√£o do poema
o apodrece e movimenta‚ÄĒ cinza mineral
entre restos de m√ļsica e p√£o ‚ÄĒ

O ascetismo √© uma pr√°tica em que o homem, admitindo a exist√™ncia do ‚Äėeu iludido‚Äô, esfor√ßa-se para eliminar sua ilus√£o. O despertar consiste na compreens√£o de que ‚Äėo eu iludido n√£o existe’; esta compreens√£o √© que ocasiona o desaparecimento natural da ilus√£o e o aparecimento natural do ‚ÄėEu eternamente feliz‚Äô. O ascetismo exige sacrif√≠cio, mas o despertar dispensa sacrif√≠cio.

O Car√°cter n√£o se Revela no muito Consumir, mas no muito Criar

A primeira regra do car√°cter √© a unidade – ou, nas palavras de Goethe, ¬ęser um todo ou juntar-se a um todo¬Ľ. E a segunda, avan√ßar, nunca recuar. Essas duas regras tra√ßam uma linha de desenvolvimento em ascens√£o, da qual o homem de valor pode desviar-se numa certa medida, n√£o tanto, por√©m, que os desvios enublem a regra. No primeiro grupo de instintos, por exemplo, poder√° ser admitido o da limpeza, embora seja instinto com ra√≠zes no impulso negativo da repugn√Ęncia. ¬ęNa crian√ßa – diz Nietzsche – o senso da limpeza deve ser estimulado vivamente, porque mais tarde florir√° sobre aspectos novos at√© √†s alturas da virtude.¬Ľ O asseio est√° pr√≥ximo da devo√ß√£o; e como √©, se n√£o h√° deuses? Mas n√£o queremos chegar ao ascetismo de um banho frio perp√©tuo, nem que nos tornemos Apolos do cabelo bem penteado, nem v√≠tima das manicuras; e sentiremos sempre uma secreta inveja daquele estadista te√≥logo que n√£o deixava a sua ortodoxia interferir no seu apetite.
A mesma atitude tomaremos em relação à pugnacidade e à sua espora, o orgulho; temos aqui virtudes, não vícios Рque podamos para que se desenvolvam melhor. Nada de impetuosidade briguenta e de presunção; a presunção é o orgulho da vitória apenas imaginária,

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A Vida Que Nos Escapa Entre os Dedos

Volta-se o rico para os prazeres da carne e a maior parte do mundo faz o mesmo. E n√£o sem acerto, porque todas as coisas agrad√°veis devem ser tidas como inocentes, e at√© que se provem culpadas todas as presun√ß√Ķes pendem a seu favor. A vida j√° √© bastante penosa para que ainda a agravemos com proibi√ß√Ķes e obst√°culos aos seus deleites; t√£o arisca se mostra a felicidade que todas as portas por onde ela queira entrar devem permanecer escancaradas. A carne enfraquece muito precocemente – e os olhos olham com melancolia para os prazeres de outrora. Muito r√°pidamente todas as alegrias perdem a vivacidade – e admiramo-nos de como pudessem ter-nos interessado tanto. O pr√≥prio amor torna-se grotesco logo que atinge os seus fins. Guardemos o ascetismo para a esta√ß√£o pr√≥pria – a velhice.
√Č este o grande drama do prazer; todas as coisas agrad√°veis acabam por amargar; todas as flores murcham quando as colhemos, e o amor morre tanto mais depressa quanto √© mais retribu√≠do. Por isso o passado parece-nos sempre melhor que o presente; esquecemos os espinhos das rosas colhidas; saltamos por cima dos insultos e inj√ļrias e demoramo-nos sobre as vit√≥rias. O presente parece muito mesquinho diante de um passado do qual s√≥ retemos na mem√≥ria o bom,

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As Escolas Filosóficas

Não seria mau que se tornassem a mostrar as almas e que a filosofia deixasse de ser apenas uma disciplina ensinável para voltar a constituir um engrandecimento e uma razão de vida; correria talvez melhor o mundo se escolas de existência filosófica agissem como um fermento, fossem a guarda da pura ideia, dessem um exemplo de ascetismo, de tenacidade na calma recusa da boa posição, de alegria na pobreza, de sempre desperta actividade no ataque de todas as atitudes e doutrinas que significassem diminuição do espírito, ao mesmo tempo se recusando a exercer todo o domínio que não viesse da adesão. Velas incapazes de se deixarem arrastar por ventos de acaso, seguiriam sempre, indicariam aos outros o rumo ascensional da vida, não deixando que jamais se quebrasse o ténue fio que através de todos os labirintos a Humanidade tem seguido na sua marcha para Deus. Seriam poucos, sofreriam ataques dos próprios que simpatizassem com a atitude tomada, quase só encontrariam no caminho incompreensão e maldade; mas deles seria a vitória final; já hoje mesmo provocariam o respeito.