Textos sobre Intuição

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Textos de intuição escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

A Inteligência e o Sentido Moral

A intelig√™ncia √© quase in√ļtil para aqueles que s√≥ a possuem a ela. O intelectual puro √© um ser incompleto, infeliz, pois √© incapaz de atingir aquilo que compreende. A capacidade de apreender as rela√ß√Ķes das coisas s√≥ √© fecunda quando associada a outras actividades, como o sentido moral, o sentido afectivo, a vontade, o racioc√≠nio, a imagina√ß√£o e uma certa for√ßa org√Ęnica. S√≥ √© utiliz√°vel √† custa de esfor√ßo.
Os detentores da ciência preparam-se longamente realizando um duro trabalho. Submetem-se a uma espécie de ascetismo. Sem o exercício da vontade, a inteligência mantém-se dispersa e estéril. Uma vez disciplinada, torna-se capaz de perseguir a verdade. Mas só a atinge plenamente se for ajudada pelo sentido moral. Os grandes cientistas têm sempre uma profunda honestidade intelectual. Seguem a realidade para onde quer que ela os conduza. Nunca procuram substituí-la pelos seus próprios desejos, nem ocultá-la quando se torna opressiva. O homem que quiser contemplar a verdade deve manter a calma dentro de si mesmo. O seu espírito deve ser como a água serena de um lago. As actividades afectivas, contudo, são indispensáveis ao progresso da inteligência. Mas devem reduzir-se a essa paixão que Pasteur chamava deus inteiror, o entusiasmo.

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N√£o Existe um Verdadeiro Sistema de Pensamentos

Enfaticamente, n√£o pode existir um verdadeiro sistema de pensamentos, pois nenhum sinal pode substituir a realidade. Pensadores profundos e honestos chegam sempre √† conclus√£o de que toda a cogni√ß√£o √© condicionada a priori pela sua pr√≥pria forma e nunca pode alcan√ßar aquela que as palavras significam… E este ignorabimus tamb√©m est√° em conformidade com a intui√ß√£o de todo o verdadeiro s√°bio: que os princ√≠pios abstractos da vida s√£o aceit√°veis somente como formas de express√£o, m√°ximas banais de uso quotidiano sob as quais a vida corre, como sempre correu, para a frente. Em √ļltima an√°lise, a ra√ßa √© mais forte do que as l√≠nguas, e √© assim que, debaixo de todos os grandes nomes, houve pensadores, que s√£o personalidades, e n√£o sistemas, que s√£o mut√°veis, que produziram efeito sobre a vida.

Captar a Essência

Para perceberes tudo o que existe para lá do óbvio, é necessário estares atento aos sinais e que te permitas sentir para lá do normal. E isso só é possível se te alienares da matemática da mente e da racionalidade do que vês e do que ouves.

Conhe√ßo perfeitamente a magia de saber ouvir a intui√ß√£o. E sim, refiro-me a magia porque √© necess√°rio alienarmo-nos do vis√≠vel para lhe termos acesso. Quem apenas se limita a acreditar no que v√™, nunca lhe achar√° sentido. A interpreta√ß√£o do que acontece √† nossa volta tem m√ļltiplas faces, por√©m existe uma ou outra que nos transcende para outros patamares de entendimento. Na vida tudo acontece ao mesmo tempo e com as mais variadas pessoas, no entanto podemos captar a ess√™ncia do que verdadeiramente acontece e que n√£o √© vis√≠vel se estivermos despertos. E estar desperto √© estar consciente, atento ao mais pequeno sinal que a vida ou os outros nos d√£o.

As maiores oportunidades, assim como as grandes tomadas de consciência, nascem dessa ligação ao invisível, dessa passagem para lá do óbvio. As peças encaixam-se quando transcendes a matriz do que te foi ensinado para o mundo daquilo que é sentido.

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Quem Confia Supera-se

Quanto mais confiante fores, maior ameaça és.

Quem confia supera-se, é maior e mais alto. Conquista mais, é mais forte e vê mais longe. Sabe por onde caminhar, sabe melhor o que não quer e sabe antecipar-se. Vive, portanto, melhor preparado para resistir a tudo e persistir perante qualquer adversidade.

Quem confia sempre alcança.

Somos uma sombra na vida dos encolhidos. Um despertador que n√£o para de lhes gritar aos ouvidos express√Ķes como: ¬ęmexe-te¬Ľ, ¬ęv√™s como eles conseguem¬Ľ, ¬ęn√£o vales nada¬Ľ ou ¬ęquem te dera ser como eles¬Ľ. E isto, naturalmente, incomoda-os. D√°-lhes a volta ao est√īmago. Mas em vez de tal chamariz de verdade os acicatar e os empurrar para a a√ß√£o, acabam por escolher transformar isso em inveja, raiva e √≥dios de estima√ß√£o ao ponto de olharem para ti, n√£o como uma for√ßa inspiradora capaz de lutar por tudo o que quer, mas como um alvo a abater. √Č como se o objetivo das suas vidas passasse a ser a destrui√ß√£o do chato despertador que n√£o para de lhes zumbir a realidade, em lugar de ser a realiza√ß√£o das suas pr√≥prias e eventuais vontades.

Dito isto, prepara-te para teres de lidar com eles todos os dias.

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Com Quantos Tenho que Casar?

Querida íbis:

Desculpa o papel impr√≥prio em que te escrevo; √© o √ļnico que encontrei na pasta, e aqui no Caf√© Arcada n√£o t√™m papel. Mas n√£o te importas, n√£o?
Acabo de receber a tua carta com o postal, que acho muito engraçado.

Ontem foi ‚ÄĒ n√£o √© verdade? ‚ÄĒ uma coincid√™ncia engra√ßad√≠ssima o facto de eu e minha irm√£ virmos para a Baixa exactamente ao mesmo tempo que tu. O que n√£o teve gra√ßa foi tu desapareceres, apesar dos sinais que eu te fiz. Eu fui apenas deixar minha irm√£ ao Avda. Palace, para ela ir fazer umas compras e dar um passeio com a m√£e e a irm√£ do rapaz belga que a√≠ est√°. Eu sa√≠ quasi imediatamente, e esperava encontrar-te ali pr√≥ximo para falarmos. N√£o quiseste. Tanta pressa tiveste de ir para casa de tua irm√£!

E, ainda por cima, quando saí do hotel, vejo a janela de casa de tua irmã armada em camarote (com cadeiras suplementares) para o espectáculo de me ver passar! Claro está que, tendo visto isto, segui o meu caminho como se ali não estivesse ninguém. Quando eu pretendesse ser palhaço (para o que, aliás,

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O Comportamento Simbólico e o Comportamento Inequívoco

Na verdade, encontramos desde as origens da hist√≥ria humana estas duas formas de comportamento, a simb√≥lica e a inequ√≠voca. O ponto de vista do inequ√≠voco √© a lei do pensamento e da ac√ß√£o despertos, que domina quer uma conclus√£o irrefut√°vel da l√≥gica quer o c√©rebro de um chantagista que pressiona passo a passo a sua v√≠tima, uma lei que resulta das necessidades da vida, √†s quais sucumbir√≠amos se n√£o fosse poss√≠vel dar uma forma inequ√≠voca √†s coisas. O s√≠mbolo, por seu lado, √© a articula√ß√£o de ideias pr√≥prias do sonho, √© a l√≥gica deslizante da alma, a que corresponde o parentesco das coisas nas intui√ß√Ķes da arte e da religi√£o; mas tamb√©m tudo o que na vida existe de vulgares inclina√ß√Ķes e avers√Ķes, de concord√Ęncia e repulsa, de admira√ß√£o, submiss√£o, lideran√ßa, imita√ß√£o e seus contr√°rios, todas estas rela√ß√Ķes do homem consigo e com a natureza, que ainda n√£o s√£o puramente objectivas e talvez nunca venham a s√™-lo, s√≥ podem ser entendidas em termos simb√≥licos.
Aquilo a que se chama a humanidade superior mais não é, com certeza, do que a tentativa de fundir estas duas metades da vida, a do símbolo e a da verdade, cuidadosamente separadas antes. Mas quando separamos num símbolo tudo aquilo que talvez possa ser verdadeiro do que é apenas espuma,

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A Imoralidade das Biografias

O g√©nio, o crime e a loucura prov√™m, por igual, de uma anormalidade, representam, de diferentes maneiras, uma inadapta√ß√£o ao meio. Se repousam, por√©m, sobre um igual fundo degenerativo, se o g√©nio constitui, de por si, uma esp√©cie nosogr√°fica ‚ÄĒ s√£o cousas que n√£o sabemos. Manifesta√ß√£o especial de epilepsia larvada, como precipitadamente quis Lombroso, ou manifesta√ß√£o de uma diatese degenerativa, o certo √© que o g√©nio √©, de sua natureza, uma anormalidade.
Sucede que a imagina√ß√£o simplista das multid√Ķes n√£o destrin√ßa de instinto entre o que na personalidade do homem superior constitui, ou representa, superioridade, e o que nela resulta de concomitante, ou intercorrente, anormalidade ps√≠quica, patentemente tal. No fundo, esta intui√ß√£o espont√Ęnea √© justa. Na personalidade tudo se liga, se inter-relaciona. N√£o podemos “separar”, salvo por um processo anal√≠tico conscientemente truncador da realidade, na personalidade de Goethe, por exemplo, a modalidade espec√≠fica da sua idea√ß√£o liter√°ria e a tend√™ncia alucinativa que, como se sabe, obriga √† autoscopia externa; nem podemos separar na personalidade de Shakespeare a intui√ß√£o dram√°tica de, por ex., a invers√£o sexual.

Inteligência e Intuição

O instinto √© simpatia. Se esta simpatia pudesse alargar o seu objecto e tamb√©m reflectir sobre si mesma, dar-nos-ia a chave das opera√ß√Ķes vitais – do mesmo modo que a intelig√™ncia, desenvolvida e reeducada, nos introduz na mat√©ria. Porque, n√£o √© de mais repeti-lo, a intelig√™ncia e o instinto est√£o orientados em dois sentidos opostos: aquela para a mat√©ria inerte, este para a vida. A intelig√™ncia, por meio da ci√™ncia, que √© obra sua, desvendar-nos-√° cada vez mais completamente o segredo das opera√ß√Ķes f√≠sicas; da vida apenas nos d√°, e n√£o pretende ali√°s dar-nos outra coisa, uma tradu√ß√£o em termos de in√©rcia. Gira em derredor, obtendo de fora o maior n√ļmero de vis√Ķes do objecto que chama at√© si, em vez de entrar nele. Mas √© ao interior mesmo da vida que nos conduzir√° a intui√ß√£o, quero dizer o instinto tornado desinteressado, consciente de si mesmo, capaz de reflectir sobre o seu objecto e de o alargar indefinidamente.
Que um esforço deste género não é impossível, é o que demonstra já a existência no homem de uma faculdade estética ao lado da percepção normal. O nosso olhar apercebe os traços do ser vivo, mas justapostos uns aos outros, e não organizados entre si.

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A Génese de um Poema

A maior parte dos escritores, sobretudo os poetas, preferem deixar supor que comp√Ķem numa esp√©cie de espl√™ndido frenesim, de ext√°tica intui√ß√£o; literalmente, gelar-se-iam de terror √† ideia de permitir ao p√ļblico que desse uma espreitadela por detr√°s da cena para ver os laboriosos e incertos partos do pensamento, os verdadeiros planos compreendidos s√≥ no √ļltimo minuto, os in√ļmeros balbucios de ideias que n√£o alcan√ßaram a maturidade da plena luz, as imagina√ß√Ķes plenamente amadurecidas e, no entanto, rejeitadas pelo desespero de as levar a cabo, as op√ß√Ķes e as rejei√ß√Ķes longamente ponderadas, as t√£o dif√≠ceis emendas e acrescentas, numa palavra, as rodas e as empenas, as m√°quinas para mudan√ßa de cen√°rio, as escadas e os al√ßap√Ķes, o vermelh√£o e os posti√ßos que em 99% dos casos constituem os acess√≥rios do histri√£o liter√°rio.
(…) No que a mim diz respeito, n√£o compartilho da repugn√Ęncia de que falei e nunca senti a m√≠nima dificuldade em rememorar a marcha progressiva de todas as minhas obras. Escolho O Corvo por ser a mais conhecida. Proponho-me demonstrar claramente que nenhum pormenor da sua composi√ß√£o se pode explicar pelo acaso ou pela intui√ß√£o, que a obra se desenvolveu, a par e passo, at√© √† sua conclus√£o com a precis√£o e o rigor l√≥gico de um problema matem√°tico.

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Felicidade Divina

Digam-nos desde j√°: se a alma se extingue na sepultura, de onde nos vem o desejo de felicidade que nos atormenta? As nossas paix√Ķes terrenas facilmente se fartam: amor, ambi√ß√£o, c√≥lera, tem uma segura plenitude de gozo; a √Ęncia de felicidade √© a √ļnica que carece de satisfa√ß√£o como objecto, porque se n√£o sabe o que √© esta felicidade que se quer. For√ßa √© concordar que, se tudo √© mat√©ria, a natureza, neste caso enganou-se estranhamente, fez um sentimento sem aplica√ß√£o.
√Č certo que a nossa alma deseja eternamente; apenas alcan√ßa o objecto da sua cobi√ßa, deseja de novo; o universo inteiro n√£o a sacia. O infinito √© o campo √ļnico que lhe conv√©m; apraz-se em desorientar-se no labirinto dos n√ļmeros, e conceber as m√°ximas e as m√≠nimas dimens√Ķes. Em fim, repleta, mas n√£o saciada do que devorou, atira-se ao seio de Deus, onde convergem as ideias do infinito em perfei√ß√£o, em tempo, e em espa√ßo; ela, por√©m, n√£o se ingolfa na Divindade sen√£o porque essa Divindade √© cheia de trevas, Deus absconditus.
Se lhe fosse clara a intuição divina, desdenha-la-ia como a tudo que está sujeito à sua compreensão. E com razão talvez; porque se a alma se explicasse ao justo o eterno princípio,

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O Amor é o Elixir da Juventude

O amor √© um poema. D√≥i e canta c√° dentro. Tem a filosofia das √°rvores, a li√ß√£o do mar, os ensinamentos que as aves recolhem quando migram para l√° dos desertos, de onde h√£o-de regressar mais s√°bias e seguras. O amor √© uma causa. Uma luta excessiva com a divindade dos dias e a sua fogueira obscura. Mas tamb√©m contra o mist√©rio de si mesmo, uma paz que nos d√° o cansa√ßo e a loucura infeliz da felicidade, esse primitivo terror dos sinos que tocam como um aviso aos densos nevoeiros s√ļbitos do mar.

O amor √© uma casa. Erguida com os beijos, com os versos da noite e o gemido das estrelas. Casa cujas paredes vestem o nosso j√ļbilo, a nossa intui√ß√£o, a nossa vontade, sobretudo o nosso instinto e a nossa sabedoria. Onde se acende e brilha a luz suplicante da pele comprometida dos amantes. O amor √© um gigantesco pequeno mist√©rio, uma estranha generosidade que faz com que, quanto mais damos, com mais ficamos para dar.

Só o amor é o elixir da juventude. Não esse que sempre se procurou nas indecifráveis formulas dos antigos livros de magia e de alquimia, mas aquele que está tão perto de nós que,

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O Elogio da História

Nenhuma realidade √© mais essencial para a nossa autocertifica√ß√£o do que a hist√≥ria. Mostra-nos o mais largo horizonte da humanidade, oferece-nos os conte√ļdos tradicionais que fundamentam a nossa vida, indica-nos os crit√©rios para avalia√ß√£o do presente, liberta-nos da inconsciente liga√ß√£o √† nossa √©poca e ensina-nos a ver o homem nas suas mais elevadas possibilidades e nas suas realiza√ß√Ķes impercept√≠veis.
Não podemos melhor aproveitar os nossos ócios do que familiarizando-nos com as magnificências do passado, conservando viva essa recordação e, ao mesmo tempo, contemplando as calamidades em que tudo se subverteu. A experiência do presente compreende-se melhor reflectida no espelho da história. O que a história nos transmite vivifica-se à luz da nossa época. A nossa vida processa-se no esclarecimento recíproco do passado e do presente.
S√≥ de perto, na intui√ß√£o concreta e sens√≠vel, e prestando aten√ß√£o aos pormenores, a hist√≥ria realmente interessa. Filosofando procedemos a considera√ß√Ķes que se mant√™m abstractas.

O Homem de Génio (II)

O homem de g√©nio √© um intuitivo que se serve da intelig√™ncia para exprimir as suas intui√ß√Ķes. A obra de g√©nio ‚ÄĒ seja um poema ou uma batalha ‚ÄĒ √© a transmuta√ß√£o em termos de intelig√™ncia de uma opera√ß√£o superintelectual. Ao passo que o talento, cuja express√£o natural √© a ci√™ncia, parte do particular para o geral, o g√©nio, cuja express√£o natural √© a arte, parte do geral para o particular. Um poema de g√©nio √© uma intui√ß√£o central n√≠tida resolvida, n√≠tida ou obscuramente (conforme o talento que acompanhe o g√©nio), em transposi√ß√Ķes parciais intelectuais. Uma grande batalha √© uma intui√ß√£o estrat√©gica n√≠tida desdobrada, com maior ou menor ci√™ncia, conforme o talento do estrat√©gico, em transposi√ß√Ķes t√°cticas parciais.
O g√©nio √© uma alquimia. O processo alqu√≠mico √© qu√°druplo: 1) putrefa√ß√£o; 2) alba√ß√£o; 3) rubifica√ß√£o; 4) sublima√ß√£o. Deixam-se, primeiro, apodrecer as sensa√ß√Ķes; depois de mortas embranquecem-se com a mem√≥ria; em seguida rubificam-se com a imagina√ß√£o; finalmente se sublimam pela express√£o.

Inspiração e Perseverança no Homem que Pensa

N√£o h√° nada de mais dif√≠cil em literatura do que descrever um homem a pensar. Um grande inventor respondeu um dia a quem lhe perguntava como fazia para ter tantas ideias novas: ¬ępensando ininterruptamente nelas¬Ľ. E de facto bem pode dizer-se que as ideias inesperadas nos v√™m porque est√°vamos √† espera delas. S√£o, em grande parte, o resultado conseguido de um car√°cter, de certas inclina√ß√Ķes constantes, de uma ambi√ß√£o tenaz, de uma incessante ocupa√ß√£o com elas. Que t√©dio, uma perseveran√ßa assim! Mas, vista de outro √Ęngulo, a solu√ß√£o de um problema intelectual n√£o acontece de modo muito diferente, como um c√£o que traz um pau na boca e quer passar por uma porta estreita; vira a cabe√ßa para a esquerda e para a direita tantas vezes at√© que consegue passar com o pau; o mesmo acontece connosco, apenas com a diferen√ßa de que n√£o fazemos tantas tentativas ao acaso, mas sabemos j√°, por experi√™ncia, mais ou menos como fazer as coisas. E se uma cabe√ßa inteligente, como √© √≥bvio, revela muito mais habilidade e experi√™ncia nas voltas que d√° do que uma cabe√ßa est√ļpida, o momento em que consegue passar n√£o √© para ela menos surpreendente; de repente estamos do outro lado,

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O Dinheiro é o Coroamento de uma Existência Moral e Racional

A riqueza moral tem estreitas afinidades com a material; (…) n√£o √© dif√≠cil perceber por que raz√£o isso acontece. √Č que a moral substitui a alma pela l√≥gica; quando uma alma tem moral, deixam de existir para ela problemas morais, todos s√£o problemas l√≥gicos; pergunta-se se aquilo que quer fazer obedece a este ou √†quele mandamento, se a sua inten√ß√£o deve ser interpretada de uma maneira ou de outra, e coisas semelhantes. Seria como se uma horda ca√≥tica de gente se transformassse numa classe de gin√°stica disciplinada que, a um sinal do monitor, obedecesse √†s ordens de tor√ß√£o √† direita, esticar os bra√ßos ou flectir os joelhos. Mas a l√≥gica pressup√Ķe experi√™ncias pass√≠veis de repeti√ß√£o; √© √≥bvio que, no momento em que os acontecimentos mudassem num torvelinho em que nada se repete, nunca chegar√≠amos a poder expressar a profunda intui√ß√£o de que A √© igual a A, ou de que o que √© maior n√£o pode ser menor, mas limitar-nos-√≠amos a sonhar – um estado que qualquer pensador detesta. E o mesmo se pode dizer da moral, pois se n√£o existisse nada que se pudesse repetir, nada nos poderia ser prescrito, e sem poder prescrever nada √†s pessoas a moral n√£o teria gra√ßa nenhuma.

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Escrever com Intuição e Instinto

Outra coisa que n√£o parece ser entendida pelos outros √© quando me chamam de intelectual e eu digo que n√£o sou. De novo, n√£o se trata de mod√©stia e sim de uma realidade que nem de longe me fere. Ser intelectual √© usar sobretudo a intelig√™ncia, o que eu n√£o fa√ßo: uso √© a intui√ß√£o, o instinto. Ser intelectual √© tamb√©m ter cultura, e eu sou t√£o m√° leitora que, agora j√° sem pudor, digo que n√£o tenho mesmo cultura. Nem sequer li as obras importantes da humanidade. Al√©m do que leio pouco: s√≥ li muito, e li avidamente o que me ca√≠sse nas m√£os, entre os treze e os quinze anos de idade. Depois passei a ler esporadicamente, sem ter a orienta√ß√£o de ningu√©m. Isto sem confessar que ‚Äď dessa vez digo-o com alguma vergonha ‚Äď durante anos eu s√≥ lia romance policial. Hoje em dia, apesar de ter muitas vezes pregui√ßa de escrever, chego de vez em quando a ter mais pregui√ßa de ler do que de escrever.
Literata também não sou porque não tornei o fato de escrever livros uma profissão, nem uma carreira. Escrevi-os só quando espontaneamente me vieram, e só quando eu realmente quis.

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A Força da Intuição

Para adquirirmos o bilhete de ida ao amor que somos basta estarmos atentos e confiarmos nos sinais que recebemos de dentro e de fora. S√£o pistas, s√£o oportunidades, aut√™nticos tesouros que nos devolvem a casa. Ser√° que est√°s desperto para isto? Ser√° que consegues reconhecer-te enquanto sabedoria superior? Repito, todos os dias te surgem novas oportunidades. Todos os dias! Se existe for√ßa que nunca desiste √© a nossa intui√ß√£o. Todos os dias se faz ouvir e pode manifestar-se nas mais simples sensa√ß√Ķes.
Desde cedo que aprendi a escutar-me e a interpretar os sinais que a vida me dava. N√£o me sinto superior a ningu√©m, mas a consciencializa√ß√£o desta verdade coloca-nos num patamar distinto, de visibilidade maior e certezas absolutas. Certezas pr√≥prias, a nosso respeito, claro est√°. Convic√ß√Ķes que nos catapultam para estados prolongados de felicidade e que nos permitem antecipar acontecimentos, habilitando-nos com um apurado leque de escolhas acertadas e condizentes com aquilo que verdadeiramente somos. Ou seja, j√° n√£o vamos a todas, s√≥ vamos onde sentimos que devemos ir e onde sabemos que se encontram fragmentos nossos. Isto √© ser espiritual.

Civilização Construída ao Acaso

A civiliza√ß√£o moderna encontra-se em m√° posi√ß√£o porque n√£o nos conv√©m. Foi constru√≠da sem conhecimento da nossa verdadeira natureza. Deve-se ao capricho das descobertas cient√≠ficas, do apetite dos homens, das suas ilus√Ķes, das suas teorias e dos seus desejos. Apesar de ter sido edificada por n√≥s, n√£o foi feita √† nossa medida.
Na verdade, √© evidente que a ci√™ncia n√£o seguiu nenhum plano. Desenvolveu-se ao acaso, com o nascimento de alguns homens de g√©nio, a forma do seu esp√≠rito e o caminho que tomou a sua curiosidade. N√£o se inspirou de modo nenhum no desejo de melhorar o estado dos seres humanos. As descobertas produziram-se ao sabor da intui√ß√£o dos cientistas e das circunst√Ęncias mais ou menos fortuitas das suas carreiras.
Se Galileu, Newton ou Lavoisier tivessem aplicado os poderes do seu espírito ao estudo do corpo e da consciência, talvez o nosso mundo fosse diferente do que é hoje. Os cientistas ignoram para onde vão. São guiados pelo acaso, por raciocínios subtis, por uma espécie de clarividência. Cada um deles é um mundo à parte, governado pelas suas próprias leis. De tempos a tempos, certas coisas, obscuras para os outros, tornam-se claras para eles. Em geral, as descobertas são feitas sem nenhuma revisão das consequências.

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Direito não é Lógica

A vida do direito n√£o tem sido a l√≥gica; tem sido a experi√™ncia. As necessidades sentidas em cada √©poca, a moral e as teorias pol√≠ticas dominantes, as intui√ß√Ķes da pol√≠tica p√ļblica expressas ou inconscientes, mesmo os preconceitos que os ju√≠zes partilham com os seus concidad√£os t√™m contado mais do que o silogismo na determina√ß√£o das leis pelas quais os homens devem ser regidos. O direito incorpora a hist√≥ria do desenvolvimento duma na√ß√£o ao longo de muitos s√©culos e n√£o pode ser tratado como se contivesse apenas os axiomas e as regras dum livro de matem√°tica. Para sabermos o que ele √© temos de saber o que ele foi e o que ele tem tend√™ncia a ser no futuro.

A Natureza Subjectiva do Tempo

O tempo, tal como o espa√ßo, √© uma forma pura da intui√ß√£o ou percep√ß√£o sens√≠vel. √Č a condi√ß√£o de toda a percep√ß√£o activa imediata, e tamb√©m de tudo o que √© percepcionado, isto √©, de toda a experi√™ncia e de tudo o que √© experimentado. A natureza √© feita de tempo e de espa√ßo, e √© um processo. Quando salientamos o seu aspecto espacial, estamos conscientes da sua natureza objectiva; quando salientamos o seu aspecto temporal, tornamo-nos conscientes da sua natureza subjectiva. Tal como a percepcionamos, a natureza √© um processo de devir infind√°vel e cont√≠nuo. As coisas chegam e partem no tempo, mas s√£o tamb√©m temporais – o tempo √© o seu modo de exist√™ncia.