Cita√ß√Ķes sobre Bombardeamentos

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O Amor e a Memória

O amor e a mem√≥ria conspiram juntos. √Č por n√£o nos conseguirmos lembrar de quem amamos que temos de estar sempre junto dela. A olhar para ela. Cada vez que a vejo sou apanhado de surpresa. Baque do costume. J√° chateia. √Č sempre diferente, mais bonita, mais interessante do que eu pensava.
Porque √© que eu n√£o me consigo lembrar da cara dela? J√° tentei. J√° fiz tudo. Fiquei acordado a tentar aprend√™-la de cor. Estudei-a. Sobrancelha por sobrancelha. Dez minutos para cada uma. Tomei apontamentos. Escrevi-a num caderno. Tirei-lhe fotografias. Pendurei-a na parede. Decorei o meu quarto (e os interiores do meu cora√ß√£o) com ela, mas mesmo assim n√£o a consigo ver. No momento em que tiro os olhos dela, desaparece. Os meus olhos prendem-se a ela, mas os olhos dela n√£o param dentro de mim. Isto assusta-me. Ela impressiona-me tanto. Mas n√£o deixa impress√£o. Deixa um vazio. √Č isso que o amor faz. Tro√ßa de n√≥s. Ou se calhar ela √© como um bombardeamento que presencio e esque√ßo. Como um soldado cheio de medo, escondido na minha trincheira, varro-a da mem√≥ria. E depois ela volta quando come√ßo a sonhar.

Notícias do Bloqueio

Aproveito a tua neutralidade,
o teu rosto oval, a tua beleza clara,
para enviar notícias do bloqueio
aos que no continente esperam ansiosos.

Tu lhes dirás do coração o que sofremos
nos dias que embranquecem os cabelos…
tu lhes dirás a comoção e as palavras
que prendemos – contrabando – aos teus cabelos.

Tu lhes dirás o nosso ódio construído,
sustentando a defesa à nossa volta
– √ļnico acolchoado para a noite
florescida de fome e de tristezas.

Tua neutralidade passar√°
por sobre a barreira alfandeg√°ria
e a tua mala levar√° fotografias,
um mapa, duas cartas, uma l√°grima…

Dirás como trabalhamos em silêncio,
como comemos silêncio, bebemos
silêncio, nadamos e morremos
feridos de silêncio duro e violento.

Vai pois e noticia com um archote
aos que encontrares de fora das muralhas
o mundo em que nos vemos, poesia
massacrada e medos à ilharga.

Vai pois e conta nos jornais di√°rios
ou escreve com √°cido nas paredes
o que viste, o que sabes, o que eu disse
entre dois bombardeamentos j√° esperados.

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