Cita√ß√Ķes sobre Contesta√ß√£o

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O Fim do Amor Tr√°gico e Rom√Ęntico?

Vivemos, de facto, numa √©poca em que a no√ß√£o de amor tr√°gico e rom√Ęntico, que herd√°mos do s√©culo dezanove, se tornou inactual, embora continue ainda a ser vivida por muitos – e at√© com o car√°cter de constru√ß√£o moral e est√©tica – essa rela√ß√£o extremamente apaixonada, exigente e exclusiva. A reclama√ß√£o da liberdade er√≥tica n√£o me parece que de algum modo tenda a degradar a vida, conquanto possa dessublimiz√°-la e do mesmo passo desmistific√°-la, precisamente no prop√≥sito de a tornar mais l√ļcida e mais generosa. Afigura-se-me que na contesta√ß√£o de todas as prepot√™ncias firmadas em preconceitos, em princ√≠pios estabelecidos aprior√≠sticamente, h√° sempre um nexo muito √≠ntimo entre a reinvindica√ß√£o da liberdade er√≥tica, da liberdade no trabalho e da liberdade pol√≠tica. E, naturalmente, quando se d√° uma explos√£o desta esp√©cie, √© como uma pedra que rola e que vai agregando uma s√©rie de materiais e descobrindo a sua pr√≥pria composi√ß√£o at√© √†s zonas mais profundas da sua estrutura.

Literatura Libertadora

A literatura é um processo de libertação e, por conseguinte, aspira à liberdade. Quer dizer que o seu ponto de partida é uma recusa aos constrangimentos. Quer dizer, ainda, que os constrangimentos estão na sua génese ou no desencadear da sua explosão, como tem sido proclamado por tantos criadores.
Homem livre, pois, o escritor – ou que visceralmente deseja s√™-lo. T√£o livre, ou t√£o necessitado de o ser, que nem sequer pode estar de acordo com certas situa√ß√Ķes para que ardorosamente contribuiu: seja numa sociedade burguesa, seja numa sociedade prolet√°ria, ele sempre encontrar√° raz√Ķes para a sua insubmiss√£o e para o seu inconformismo, mesmo se, muitas vezes, se trate de uma contesta√ß√£o inconsciente.

A Divinização do Utilitário

O grande conflito de hoje, no dom√≠nio socioecon√≥mico, por exemplo, e contra a previs√£o de um Marx, n√£o √© o que op√Ķe o Capital e o Trabalho, mas o que comanda a m√°quina e o que a serve (Fran√ßois Perroux). Mas o efeito mais vis√≠vel, porque mais extenso, da sua compacta presen√ßa, √© o que degrada os sonhos ao tang√≠vel e utilit√°rio que define a vituperada ¬ęsociedade de consumo¬Ľ. N√£o √© assim o √ļtil ou utili¬≠t√°rio que se condena: √© a sua diviniza√ß√£o. O que surpreende no mundo de hoje n√£o √© a sedu√ß√£o da comodidade, mas que ela esgote todas as sedu√ß√Ķes; n√£o √© o sonho de ¬ęviver bem¬Ľ, mas que s√≥ se viva bem com esse sonho. Decerto o viver bem foi sempre um sonho de quem teve por sorte o viver mal. Mas a realiza√ß√£o em massa dessa ambi√ß√£o instaura-se em plena for√ßa como modelo. E n√£o apenas por ser uma realiza√ß√£o em massa, mas porque aos ¬ęrespons√°veis¬Ľ nenhum valor se imp√Ķe para a esse imporem. O utilitarismo √© um valor negativo; mas con¬≠verte-se em positivo pela negatividade de quem poderia recus√°¬≠-lo. O que nos ¬ęirrespons√°veis¬Ľ √© uma ambi√ß√£o em positivo, √© nos ¬ęrespons√°veis¬Ľ uma aceita√ß√£o em negativo,

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Escolhe Inimigos Que Te Mereçam

Gosto dos valentes; mas não basta bater a torto e a direito; é preciso saber ainda no que se bate. E muitas vezes há mais coragem em se conter e passar adiante, a fim de se reservar para um adversário mais digno. Tende apenas inimigos dignos de ódio, e não inimigos desprezíveis; é necessário que possais estar orgulhosos dos vossos inimigos; já vos ensinei isso.
√Č necess√°rio reservardes-vos para um advers√°rio mais digno, meus amigos; por isso tereis de passar por cima de muitas ofensas, – passar por cima de muita canalha que vos massacrar√° com as palavras povo e na√ß√£o.
Livrai o vosso olhar de se misturar √†s suas contesta√ß√Ķes. √Č um matagal de direitos e de abusos. Ter de consider√°-los irrita. Lan√ßar a√≠ os olhos – atirar-se para a confus√£o – √© a mesma coisa; ide-vos pois para os bosques e deixai dormir a vossa espada!
Segui os caminhos que vos pertencem.

Nunca Competir

Toda a pretens√£o com oposi√ß√£o prejudica o cr√©dito; a competi√ß√£o tira logo a desdourar, para deslustrar. S√£o poucos os que fazem boa guerra. A emula√ß√£o descobre os defeitos que a cortesia esqueceu; muitos viveram acreditados enquanto n√£o tiveram advers√°rios. O calor da contesta√ß√£o aviva ou ressuscita inf√Ęmias mortas, desenterra hediondezas passadas e antepassadas. Come√ßa a competi√ß√£o com manifestos de desdouros, socorrendo-se de tudo o que pode e n√£o deve; e, ainda que √†s vezes, e no mais das vezes, as ofensas n√£o sejam armas proveitosas, delas tira vil satisfa√ß√£o para sua vingan√ßa, e esta sacode com tais ares que faz saltar pelos desares o p√≥ do esquecimento. Sempre foi pac√≠fica a benevol√™ncia e ben√©vola a reputa√ß√£o.