Cita√ß√Ķes sobre Falat√≥rio

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Frases sobre falat√≥rio, poemas sobre falat√≥rio e outras cita√ß√Ķes sobre falat√≥rio para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Dostoievski Mais Moderno Que Tolstoi

Qual a raz√£o porque sentimos que o romance de Dostoievski √© mais moderno, por exemplo, que o de Tolstoi? Porque os personagens de Tolstoi quase nunca s√£o o pr√≥prio Tolstoi, enquanto os personagens de Dostoievski s√£o quase sempre o pr√≥prio Dostoievski. Por outras palavras, interessamo-nos mais pelo escritor que pelas suas criaturas. Procurar-se-ia in√ļtilmente em Dostoievski a descri√ß√£o completa duma sociedade como em Guerra e Paz. O grande problema para ele √© o de dar consist√™ncia humana aos seus mais misteriosos e contradit√≥rios instintos. √Č um facto que recentemente tem havido um grande falat√≥rio acerca do subconsciente a prop√≥sito de Dostoievski. Mas n√£o acreditamos que a psican√°lise tenha alguma coisa a ver com a arte, todavia a tentativa de exegese psicanal√≠tica indica a validade de elementos puramente subjectivos perante os quais cai qualquer hip√≥tese de verosimilhan√ßa.

Só há no mundo uma coisa pior do que ser objecto de falatórios: é não o ser.

Estado Frenético de Tagarelice

Assola o pa√≠s uma puls√£o coloquial que p√Ķe toda a gente em estado fren√©tico de tagarelice, numa multiplica√ß√£o ansiosa de duos, trios, ensembles, coros. Desde os p√≠ncaros de Castro Laboreiro ao Ilh√©u de Monchique fervem rumorejos, conversas, vozeios, brados que abafam e escamoteiam a paci√™ncia de alguns, os vagares de muitos e o bom senso de todos. O falat√≥rio √© causa de in√ļmeros despaut√©rios, frouxas produtividades e m√°s-cria√ß√Ķes.
Fala-se, fala-se, fala-se, em todos os sotaques, em todos os tons e décibeis, em todos os azimutes. O país fala, fala, desunha-se a falar, e pouco do que diz tem o menor interesse. O país não tem nada a dizer, a ensinar, a comunicar. O país quer é aturdir-se. E a tagarelice é o meio de aturdimento mais à mão.
(…) Telefones m√≥veis! Soturna apoquenta√ß√£o! Um pa√≠s tagarela tem, de um momento para o outro, dez milh√Ķes de √≠ncolas a querer saber onde √© que os outros param, e a transmitir pensamentos √† dist√Ęncia.
Afortunados ventos que batem todas as altitudes e pontos cardeais e levam as mais das palavras, às vezes frases inteiras, parágrafos, grosas deleas, para as afogar no mar, embeber nos lameiros de Espanha, gelar nos confins da Sibéria,

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