Cita√ß√Ķes sobre Prismas

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Frases sobre prismas, poemas sobre prismas e outras cita√ß√Ķes sobre prismas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Hino à Beleza

Onde quer que o fulgor da tua glória apareça,
‚ÄĒ Obra de g√©nio, flor de hero√≠smo ou santidade, ‚ÄĒ
Da Gioconda imortal na radiosa cabeça,
Num acto de grandeza augusta ou de bondade,

‚ÄĒ Como um pag√£o subindo √† Acr√≥pole sagrada,
Vou de joelhos render-te o meu culto piedoso,
Ou seja o Herói que leva uma aurora na Espada,
Ou o Santo beijando as chagas do Leproso.

Essa luz sem igual com que sempre iluminas
Tudo o que existe em nós de grande e puro, veio
Do mesmo foco em mil par√°bolas divinas:
‚ÄĒ Raios do mesmo olhar, √Ęnsias do mesmo seio.

Alta revelação que, baixando em segredo,
O prisma humano quebra em √Ęngulos dispersos,
Como a √°gua a cair de rochedo em rochedo
Repete o mesmo som, mas em modos diversos.

√Č aud√°cia no Her√≥i; resigna√ß√£o no Santo;
Som e Cor, ondulando em formas imortais;
No m√°rmore rebelde abre em folhas de acanto,
E esmalta de candura a flora dos vitrais.

√ď Beleza! √ď Beleza! as Horas fugitivas
Passam diante de ti, aladas como sonhos…

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Inquérito

Pergunta às árvores da rua
que notícia têm desse dia
filtrado em betume da noite;
se por acaso pressentiram
nas aragens conversadeiras,
√°gil correio do universo,
um calar mais informativo
que toda grave confiss√£o.

Pergunta aos p√°ssaros, cativos
do sol e do espaço, que viram
ou bicaram de mais estranho,
seja na pele das estradas
seja entre volumes suspensos
nas prateleiras do ar, ou mesmo
sobre a palma da m√£o de velhos
profissionais de solid√£o.

Pergunta às coisas, impregnadas
de sono que precede a vida
e a consuma, sem que a vigília
intermédia as liberte e faça
conhecedoras de si mesmas,
que prisma, que diamante fluido
concentra mil fogos humanos
onde era ruga e cinza e n√£o.

Pergunta aos hortos que segredo
de clepsidra, areia e carocha
se foi desenrolando, lento,
no calado rumo do infante
a divagar por entre símbolos
de símbolos outros, primeiros,
e tão acessíveis aos pobres
como a breve casca do p√£o.

Pergunta ao que, n√£o sendo, resta
perfilado à porta do tempo,

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Mais uma metáfora: A Vida são os raios solares, o corpo carnal é o prisma e a mente é o espectro solar produzido quando a Vida atravessa o corpo carnal.

Posso Te Dar

Posso te dar a carta de marinha
mas o traço que nela insinuasse
um entre tantos rumos
n√£o.

Posso te dar as tábuas de marés
mas a leve emoção de cavalgar
onda e onda após onda
n√£o.

Posso te dar os índices das águas
conforme as densidades, mas a branda
flutuação do casco
n√£o.

Posso te dar a rosa e o tim√£o
mas o desequilíbrio concertante
ao balanço de bordo
n√£o.

Posso te dar exemplos de ancoragens
mas o galeio do barco seguro
retesando as amarras
n√£o.

Posso te dar o longe no binóculo
mas acol√° das lentes a paisagem
convidando à viagem
n√£o.

Posso te dar notícia do mar calmo
mas o rumor das franjas no espelhado
junto à roda de proa
n√£o.

Posso te dar o gorro marinheiro
mas a press√£o do linho nos cabelos
enquanto sopra o vento
n√£o.

Posso te dar a direcção da chuva
mas o gosto da baga salitrada
escorrendo no rosto
n√£o.

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Claro E Escuro

Dentro — os cristais dos tempos fulgurantes,
M√ļsicas, pompas, fartos esplendores,
Luzes, radiando em prismas multicores,
Jarras formosas, lustres coruscantes,

P√ļrpuras ricas, galas flamejantes,
Cintila√ß√Ķes e c√Ęnticos e flores;
Promiscuamente férvidos odores,
Mórbidos, quentes, finos, penetrantes.

Por entre o incenso, em límpida cascata,
Dos siderais turíbulos de prata,
Das sedas raras das mulheres nobres;

Clara explos√£o fant√°stica de aurora,
Deslumbramentos, nos altares! — Fora,
Uma falange intérmina de pobres.

Esta Noite Morrer√°s

Esta noite morrer√°s.
Quando a lua vier tocar-me o rosto
ter√°s partido do meu leito
e aquele que procurar a marca dos teus passos
encontra urtigas crescendo
por sobre o teu nome.
Esta noite morrer√°s.
Quando a lua vier tocar-me o rosto
ter√°s partido do meu leito
e uma gota de sangue ressequido
é a marca dos teus passos.
No coração do tempo pulsa um maquinismo ínscio
e na casa do tempo a hora é adorno.
Quando a lua vier tocar-me o rosto a tua sombra extinta marca
o fim de um eclipse hor√°rio de uma partida iminente e o tempo
apaga a marca dos teus passos sobre o meu nome.
Constante.
O mar é isso.
A lua vir tocar-me o rosto e encontrar urtigas crescendo
por sobre o teu nome.
O mar é tu morreste.
O mar é ser noite e vir a lua tocar-me o rosto quando tu par-
tiste e no meu leito crescem folhas sangue.
A febre é uma pira incompreensível como a aparição da lua
e a opacidade do mar.
No meu leito a lua vai tocar-me o rosto e a tua ausência é um
prisma,

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Plenil√ļnio

Vês este céu tão límpido e constelado
E este luar que em f√ļlgida cascata,
Cai, rola, cai, nuns borbot√Ķes de prata…
V√™s este c√©u de m√°rmore azulado…

Vês este campo intérmino, encharcado
Da luz que a lua aos p√°ramos desata…
Vês este véu que branco se dilata
Pelo verdor do campo iluminado…

Vês estes rios, tão fosforescentes,
Cheios duns tons, duns prismas reluzentes,
V√™s estes rios cheios de ardentias…

V√™s esta mole e transparente gaze…
Pois é, como isso me parecem quase
Iguais, assim, às nossas alegrias!

Chuva E Sol

Agrada à vista e à fantasia agrada
Ver-te, através do prisma de diamantes
Da chuva, assim ferida e atravessada
Do sol pelos ven√°bulos radiantes…

Vais e molhas-te, embora os pés levantes:
– Par de pombos, que a ponta delicada
Dos bicos metem n√°gua e, doidejantes,
Bebem nos regos cheios da cal√ßada…

Vais, e, apesar do guarda-chuva aberto,
Borrifando-te colmam-te as goteiras
De pérolas o manto mal coberto;

E estrelas mil cravejam-te, fagueiras,
Estrelas falsas, mas que assim de perto,
Rutilam tanto, como as verdadeiras…