Textos de Blaise Pascal

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Textos de Blaise Pascal. Conheça este e outros autores famosos em Poetris.

A Hipocrisia do Amor-Próprio

A natureza do amor-pr√≥prio e deste eu humano √© de s√≥ se amar a si e de s√≥ se considerar a si. Mas que h√°-de fazer? N√£o saberia impedir que este objecto que ama esteja cheio de defeitos e de mis√©rias: quer ser grande e v√™-se pequeno; quer ser feliz e v√™-se miser√°vel; quer ser perfeito – v√™-se cheio de imperfei√ß√Ķes; quer ser objecto do amor e da estima dos homens e v√™ que os seus defeitos s√≥ merecem a sua avers√£o e o seu desprezo. Este embara√ßo em que se encontra produz nele a mais injusta e a mais criminosa paix√£o que √© poss√≠vel imaginar; porque concebe um √≥dio mortal contra esta verdade que o repreende, e que o convence dos seus defeitos. Ele desejaria aniquil√°-la, e n√£o a podendo destruir em si mesma, destr√≥i-a, tanto quanto pode, no seu conhecimento e no dos outros, isto √©, p√Ķe todos os cuidados em encobrir os seus defeitos, aos outros e a si mesmo, e n√£o suporta que lhos fa√ßam ver, nem que lhos vejam.
√Č sem d√ļvida um mal estar cheio de defeitos; mas √© ainda um mal muito maior estar cheio e n√£o os querer reconhecer, visto que √© acrescentar-lhe ainda o de uma ilus√£o volunt√°ria.

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Não se Ama Alguém Senão pelas Qualidades Aparentes

Um homem que se p√Ķe √† janela para ver quem passa, se eu passar, poderei dizer que ele se p√īs l√° para me ver? N√£o, pois ele n√£o pensa em mim em particular. Mas aquele que ama algu√©m por causa da sua beleza, ama-o? N√£o; porque a var√≠ola, que matar√° a beleza sem matar a pessoa, far√° com que ele deixe de a amar.
E se me adiam pelo meu ju√≠zo, pela minha mem√≥ria, amam-me, a mim? N√£o; porque eu posso perder estas qualidades sem me perder a mim mesmo. Onde est√° pois este eu, se n√£o est√° nem no corpo nem na alma? E como amar o corpo ou a alma, sen√£o por essas qualidades que n√£o s√£o o que faz o eu, visto que podem perecer? Pois, amar-se-√° a subst√Ęncia da alma de uma pessoa abstractamente e as qualidades que l√° estiverem? Isso n√£o pode ser e seria injusto. Logo n√£o se ama nunca a pessoa, mas somente as qualidades. Portanto, que n√£o se riam mais daqueles que se fazem honrar pelos cargos e of√≠cios, pois n√£o se ama ningu√©m sen√£o pelas qualidades aparentes.

O Juízo no seu Ponto Natural

Como √© dif√≠cil propor uma coisa ao ju√≠zo alheio, sem lhe corromper o ju√≠zo pela maneira de lha propor! Se se diz: acho-o belo, acho-o obscuro, ou outra coisa semelhante, arrasta-se a imagina√ß√£o a este ju√≠zo, ou, pelo contr√°rio, afastamo-la dele. Vale mais n√£o dizer nada; e ent√£o ele julga conforme o que √©, quer dizer, conforme o que √© ent√£o e o que as outras circunst√Ęncias de que n√£o somos autores lhe tenham sugerido. Mas ao menos n√£o teremos insinuado nada; a n√£o ser que este sil√™ncio tamb√©m produza o seu efeito, conforme a volta e a interpreta√ß√£o que estiver de humor a dar-lhe, ou conforme o que conjecturar dos movimentos de express√£o da cara ou do tom da voz, conforme for fisionomista: t√£o dif√≠cil √© manter um ju√≠zo no seu ponto natural, ou antes, t√£o pouca firmeza e estabilidade h√°!

O Coração Oco do Homem

Sobrecarregam-se os homens desde a inf√Ęncia com o cuidado da sua honra, do seu bem, dos seus amigos, e ainda com o bem e a honra dos seus amigos. Fatigam-se de afazeres, de aprendizagem de l√≠nguas e exerc√≠cios, e faz-se-lhes sentir que n√£o poder√£o ser felizes sem que a sua sa√ļde, a sua honra, a sua fortuna e a dos seus amigos estejam em bom estado e que uma s√≥ coisa que faltasse os tornaria desgra√ßados. Assim d√£o-se-lhes cargos e neg√≥cios que os fazem afadigar-se desde o amanhecer. – A√≠ est√°, direis, uma estranha maneira de os tornar felizes!
Que poderia fazer-se de melhor para os tornar desgraçados? РComo! O que se poderia fazer? Bastava apenas tirar-lhes todos estes cuidados; pois então ver-se-iam a si mesmos, pensariam no que são, donde vêm e para onde vão; e assim não os podem ocupar demais nem desviá-los. E é por isso que, depois de lhes terem preparado tantos afazeres, se têm algum tempo de descanso, os aconselham a empregá-lo a divertir-se, a jogar e a ocupar-se sempre inteiramente.

A Felicidade Encontra-se Fora de Nós

Estamos cheios de coisas que nos lan√ßam para fora. O nosso instinto faz-nos sentir que √© preciso procurar a nossa felicidade fora de n√≥s. As nossas paix√Ķes levam-nos para fora, mesmo quando os objectos se n√£o oferecessem para as excitar. Os objectos de fora tentam-nos por si pr√≥prios e chamam-nos, ainda quando n√£o pensamos neles. E assim, mesmo que os fil√≥sofos digam: ¬ęReco-lhei-vos em v√≥s mesmos, a√≠ encontrareis o vosso bem¬Ľ, n√£o se acredita neles; e aqueles que acreditam s√£o os mais vazios e mais tolos.

Ninguém se Admira com a sua Fraqueza

O que mais me admira ver √© como ningu√©m se admira com a sua fraqueza. Age-se de maneira s√©ria e cada um segue a sua condi√ß√£o, n√£o porque √© bom segui-la, mas porque √© moda; mas como se cada um soubesse de maneira certa onde √© que est√° a raz√£o e a justi√ßa. Encontramo-nos enganados constantemente; e, por uma humildade divertida, julgamos que √© por nossa culpa e n√£o da arte que nos gabamos sempre de ter. Mas √© bom que haja tantas pessoas assim no Mundo, que n√£o sejam pirr√≥nicas, para gl√≥ria do pirronismo, para mostrar que o homem √© bem capaz das mais extravagantes opini√Ķes, visto que √© capaz de crer que n√£o est√° nesta fraqueza natural e inevit√°vel, e crer que est√°, pelo contr√°rio, na sabedoria natural.
Nada fortifica mais o pirronismo do que o facto de haver quem não seja nada pirrónico: se todos o fossem, eles não teriam razão.

A Perspectiva da Verdade e da Moral

Quando se é demasiado jovem, não se julga bem; demasiado velho, o mesmo. Se não se pensa nisso o suficiente, se se pensa demais, teimamos, e encasquetamo-nos. Se se considera a própria obra logo depois de se ter feito, está-se ainda muito preso a ela, se muito tempo depois, não se entra mais nela. Assim os quadros vistos de longe demais e de perto demais; e há apenas um ponto indivisível que é o verdadeiro lugar: os outros estão demasiado perto, demasiado longe, demasiado alto, demasiado baixo. A perspectiva marca-o na arte da pintura.

O Costume Constrange a Natureza

A coisa mais importante de toda a vida √© a escolha do of√≠cio: o acaso prepara-a. O costume faz os pedreiros, soldados, empalhadores. ¬ęE um excelente empalhado¬Ľ, diz-se; e, falando dos soldados: ¬ęEles s√£o loucos¬Ľ, diz-se; e outros pelo contr√°rio: ¬ęN√£o h√° nada maior do que a guerra; o resto dos homens s√£o uns cobardes¬Ľ. √Ä for√ßa de ouvir louvar na inf√Ęncia estes of√≠cios e desprezar todos os outros, escolhe-se; pois naturalmente ama-se a virtude, e detesta-se a loucura; estas palavras emocionam-nos: s√≥ se peca na aplica√ß√£o. √Č t√£o grande a for√ßa do costume que, daqueles que a natureza fez apenas homens, se fazem todas as condi√ß√Ķes dos homens; pois h√° regi√Ķes onde s√£o todos pedreiros, noutras todos soldados, etc. Certamente que a natureza n√£o √© t√£o uniforme. √Č portanto o costume que faz isto, porque constrange a natureza; e algumas vezes a natureza supera-o, e conserva o homem no seu instinto, apesar do costume, bom ou mau.

O Espírito Coxo

Porque ser√° que um coxo n√£o nos irrita, e um esp√≠rito coxo nos irrita? Porque um coxo reconhece que andamos direito, enquanto um esp√≠rito coxo diz que somos n√≥s que coxeamos; se assim n√£o fosse, ter√≠amos pena e n√£o raiva. Epicteto pergunta com muito mais for√ßa: ¬ęPorque √© que n√£o nos zangamos se se diz que nos d√≥i a cabe√ßa, e nos zangamos se se diz que raciocinamos mal, ou que escolhemos mal?¬Ľ. 0 que origina isto √© o estarmos certos de que n√£o nos d√≥i a cabe√ßa e de que n√£o somos coxos; mas n√£o estamos assim t√£o seguros de que escolhemos a verdade. De maneira que, n√£o estando certos sen√£o porque o vemos com os nossos olhos, quando outro v√™ com os seus olhos o contr√°rio, pomo-nos em suspenso e espantamo-nos, e ainda mais quando mil outros se riem da nossa escolha; pois √© preciso preferir as nossas luzes √†s de tantos outros, o que √© temer√°rio e dif√≠cil. Nunca h√° esta contradi√ß√£o no que concerne a um coxo.

O Homem √Č Feito Para Pensar

O homem é visivelmente feito para pensar. Aí reside toda a sua dignidade e todo o seu mérito, e todo o seu dever é pensar com acerto. Porque a ordem do seu pensamento é começar por si, pelo seu autor e pelo seu fim.
Ora em que pensa o mundo? Nunca nessas coisas; mas em dan√ßar, em tocar ala√ļde, em cantar, em fazer versos, em jogar ao anel, etc., em combater, em chegar a rei, sem pensar no que √© ser rei e no que √© ser homem.

A Vida é um Sonho um Pouco Menos Inconstante

Se sonhássemos todas as noites a mesma coisa, ela afectar-nos-ia tanto como os objectos que vemos todos os dias. E, se um artista estivesse seguro de sonhar todas as noites, durante doze horas, que é um rei, creio que seria quase tão feliz como um rei que sonhasse todas as noites, durante doze horas, que era um artista.
Se sonh√°ssemos todas as noites que somos perseguidos por inimigos, e agitados por esses fantasmas penosos, e se pass√°ssemos todos os dias em diversas ocupa√ß√Ķes, como quando se faz uma viagem, sofrer-se-ia quase tanto como se isso fosse verdadeiro, e apreender-se-ia o dormir como se apreende o despertar quando se teme entrar em semelhantes desgra√ßas realmente. E, com efeito, isto faria pouco mais ou menos o mesmo mal que a realidade.
Mas, porque os sonhos s√£o todos diferentes, e porque mesmo um se diversifica, o que se v√™ neles afecta bem menos que o que se v√™ acordado, por causa da continuidade, que n√£o √© contudo t√£o cont√≠nua e igual que n√£o mude tamb√©m, mas menos bruscamente, a n√£o ser raramente, como quando se viaja; e ent√£o diz-se: ¬ęParece-me que sonho¬Ľ; pois a vida √© um sonho um pouco menos inconstante.

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A Ignor√Ęncia

O povo julga bem as coisas, porque est√° na ignor√Ęncia natural, que √© o verdadeiro lugar do homem. A ci√™ncia tem duas extremidades que se tocam. A primeira √© a pura ignor√Ęncia natural, na qual se encontram todos os homens ao nascer. A outra extremidade √© aquela a que chegam as grandes almas que, tendo percorrido tudo quanto os homens podem saber, acham que nada sabem e voltam a encontrar-se nessa mesma ignor√Ęncia da qual tinham partido; mas √© uma ignor√Ęncia s√°bia que se conhece. Os do meio, que sa√≠ram dessa ignor√Ęncia natural e n√£o puderam chegar √† outra, t√™m umas pinceladas dessa ci√™ncia suficiente, e armam-se em entendidos. Esses perturbam o mundo e julgam mal de tudo. O povo e os verdadeiramente s√°bios comp√Ķem a ordem do mundo; estes desprezam-na e s√£o desprezados.

O Presente Inexistente

Nunca nos detemos no momento presente. Antecipamos o futuro que nos tarda, como para lhe apressar o curso; ou evocamos o passado que nos foge, como para o deter: t√£o imprudentes, que andamos errando nos tempos que n√£o s√£o nossos, e n√£o pensamos no √ļnico que nos pertence; e t√£o v√£os, que pensamos naqueles que n√£o s√£o nada, e deixamos escapar sem reflex√£o o √ļnico que subsiste. √Č que o presente, em geral, fere-nos. Escondemo-lo √† nossa vista porque nos aflige; e se nos √© agrad√°vel, lamentamos v√™-lo fugir. Tentamos segur√°-lo pelo futuro, e pensamos em dispor as coisas que n√£o est√£o na nossa m√£o, para um tempo a que n√£o temos garantia alguma de chegar.
Examine cada um os seus pensamentos, e há-de encontrá-los todos ocupados no passado ou no futuro. Quase não pensamos no presente; e, se pensamos, é apenas para à luz dele dispormos o futuro. Nunca o presente é o nosso fim: o passado e o presente são meios, o fim é o futuro. Assim, nunca vivemos, mas esperamos viver; e, preparando-nos sempre para ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos.

Um Verdadeiro Amigo

Um verdadeiro amigo √© uma coisa t√£o vantajosa, mesmo para os maiores senhores, para dizer bem deles e os defender mesmo na sua aus√™ncia, que devem fazer tudo para os ter. Mas que escolham bem; pois, se fizerem todos os seus esfor√ßos por est√ļpidos, isso ser-lhes-√° in√ļtil, por muito bem que digam deles; e mesmo n√£o dir√£o bem se se sentirem mais fracos, pois n√£o ter√£o autoridade; e assim dir√£o tamb√©m mal por companhia.

A Busca da Glória

A maior baixeza do homem √© a busca da gl√≥ria, mas √© tamb√©m o mais seguro sinal da sua excel√™ncia; pois, por mais bens que possua na terra, por melhor sa√ļde e comodidades que tenha, n√£o est√° satisfeito se n√£o for estimado pelos outros homens. D√° tal valor √† raz√£o do homem que, por mais regalias que tenha no mundo, se n√£o estiver favor√°velmente colocado na opini√£o dos homens, n√£o estar√° contente. √Č esse o mais belo lugar do mundo; nada pode desvi√°-lo desse desejo, e √© a qualidade mais indel√©vel do cora√ß√£o do homem.

A Busca das Coisas

S√≥ o combate nos apraz, mas n√£o a vit√≥ria: gostamos de ver os combates de animais, n√£o o vencedor a encarni√ßar-se sobre o vencido; que desej√°mos ver, sen√£o o fim da vit√≥ria? E logo que ela √© alcan√ßada, ficamos saciados. Assim no jogo, assim na busca da verdade. Gostamos de ver, nas disputas, a luta de opini√Ķes; mas n√£o de contemplar a verdade encontrada: para a saudarmos gostosamente temos de v√™-la nascer da disputa. Do mesmo modo, nas paix√Ķes, o que d√° prazer √© assistir ao combate de duas contr√°rias; mas quando uma delas domina, tudo se reduz a brutalidade. Nunca buscamos as coisas, mas sim a busca das coisas.

A Miséria do Divertimento

Se o homem fosse feliz, s√™-lo-ia tanto mais quanto menos divertido, como os Santos e Deus. – Sim; mas n√£o sendo feliz pode animar-se pelo divertimento? – N√£o; porque vem doutro s√≠tio e de fora; e assim √© dependente e, portanto, sujeito a ser perturbado por mil acidentes que tornam as afli√ß√Ķes inevit√°veis.
(…) A √ļnica coisa que nos consola das nossas mis√©rias √© o divertimento, e contudo √© a maior das nossas mis√©rias. Porque √© isto que nos impede principalmente de pensar em n√≥s, e que nos faz perder insensivelmente. Sem isso, estar√≠amos no t√©dio, e este t√©dio levava-nos a procurar um meio mais s√≥lido de sair dele. Mas o divertimento distrai-nos e faz-nos chegar insensivelmente √† morte.

O Monstro Incompreensível

√Č perigoso mostrar ao homem at√© que ponto se assemelha aos animais sem lhe mostrar a sua grandeza. Tamb√©m √© perigoso mostrar-lhe muito a grandeza sem a baixeza. √Č ainda mais perigoso deix√°-lo ignorar uma e outra. Mas √© muito vantajoso representar-lhe as duas.
O homem não é anjo nem besta, e por desgraça quem quer ser anjo acaba por ser besta.
Se se exalta, humilho-o; se ele se humilha, exalto-o: e contradigo-o sempre, até que ele compreenda que é um monstro incompreensível.
Condeno igualmente os que tomam o partido de louvar o homem, e os que tomam de o condenar, e os que tomam o de se divertir; e n√£o posso aprovar sen√£o aqueles que buscam gemendo.

Fé No Sentimento

A raz√£o age com lentid√£o, e com tantas vistas, sobre tantos princ√≠pios, os quais √© mister estejam sempre presentes, que a todo o instante adormece ou perde-se, deixa de ter todos os seus princ√≠pios presentes. O sentimento n√£o age dessa maneira; age instantaneamente, e est√° sempre pronto para agir. √Č preciso, pois, depositar a nossa f√© no sentimento; de outro modo, ela ser√° sempre vacilante.
(…) O √ļltimo passo da raz√£o √© o de reconhecer que existe uma infinidade de coisas que a ultrapassam; se n√£o chegar a isso, √© porque √© fraca.

Concebemos apenas √Ātomos em Compara√ß√£o com a Realidade das Coisas

A primeira coisa que se oferece ao homem ao contemplar-se a si pr√≥prio, √© o seu corpo, isto √©, certa parcela de mat√©ria que lhe √© peculiar. Mas, para compreender o que ela representa e a fix√°-la dentro dos seus justos limites, precisa de a comparar a tudo o que se encontra acima ou abaixo dela. Que n√£o se atenha, pois, a olhar para os objetos que o cercam, simplesmente, mas a contemplar a natureza inteira na sua alta e plena majestosidade. Considere esta brilhante luz colocada acima dele como uma l√Ęmpada eterna para iluminar o universo, e que a Terra lhe apare√ßa como um ponto na √≥rbita ampla deste astro e maravilhe-se de ver que essa amplitude n√£o passa de um ponto insignificante na rota dos outros astros que se espalham pelo firmamento. E se nossa vista a√≠ se det√©m, que a nossa imagina√ß√£o n√£o pare; mais rapidamente se cansar√° ela de conceber, que a natureza de revelar . Todo esse mundo vis√≠vel √© apenas um tra√ßo percept√≠vel na amplid√£o da natureza, que nem sequer nos √© dado a conhecer de um modo vago. Por mais que ampliemos as nossas concep√ß√Ķes e as projectemos al√©m de espa√ßos imagin√°veis, concebemos t√£o somente √°tomos em compara√ß√£o com a realidade das coisas.

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