Passagens sobre Reconhecimento

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Frases sobre reconhecimento, poemas sobre reconhecimento e outras passagens sobre reconhecimento para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Os Homens não Sabem o que é o Amor

De forma geral, os homens não sabem o que é amor, é um sentimento que lhes é totalmente estranho. Conhecem o desejo, o desejo sexual em estado bruto e a competição entre machos; e depois, muito mais tarde, já casados, chegam, chegavam antigamente, a sentir um certo reconhecimento pela companheira quando ela lhes tinha dado filhos, tinha mantido bem a casa e era boa cozinheira e boa amante Рentão chegavam a ter prazer por dormirem na mesma cama. Não era talvez o que as mulheres desejavam, talvez houvesse aí um mal-entendido, mas era um sentimento que podia ser muito forte Рe mesmo quando eles sentiam uma excitação, aliás cada vez mais fraca, por esta ou aquela mulher, já não conseguiam literalmente viver sem a mulher e, se acontecia ela morrer, eles desatavam a beber e acabavam rapidamente, em geral uns meses bastavam. Os filhos, esses, representavam a transmissão de uma condição, de regras e de um património. Era evidentemente o que acontecia nas classes feudais, mas igualmente com os comerciantes, camponeses, artesãos, de forma geral com todos os grupos da sociedade. Hoje, nada disso existe.
As pessoas são assalariadas, locatárias, não têm nada para deixar aos filhos.

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A educa√ß√£o (…) criou uma vasta popula√ß√£o capaz de ler, mas incapaz de reconhecer o que vale a pena ser lido.

A rotina n√£o basta ao cora√ß√£o do homem. O grande desafio √©, em cada dia, voltar a olhar tudo pela primeira vez, deslumbrando-se com a surpresa dos dias. √Č reconhecer que este instante que passa √© a porta por onde entra a alegria.

Agora j√° n√£o acredito que os segredos das pessoas sejam definidos e comunic√°veis, ou os seus sentimentos plenamente amadurecidos e f√°ceis de reconhecer.

Um Bom Pai

Um bom pai não é aquele que nunca perde a paciência, mas é aquele que dialoga muito com os seus filhos, que tem prazer em entrar no mundo deles, que não os deixa do lado de fora da sua história. Ninguém tem filhos sabendo o que é ser pai. Ser pai exige um constante treino, em que os erros corrigem as rotas e as lágrimas acertam os caminhos. Educar filhos é uma tarefa complexa. Costumo brincar e dizer que os melhores filhos para serem educados são os dos outros e não os nossos. E fácil educar os filhos dos outros, pois não temos vínculos nem dificuldades com eles. Sem vínculo, o amor não cresce, mas onde há vínculos há sempre problemas e atritos. Não acredite em manuais mágicos de educação. Acredite na sua sensibilidade.

A melhor educa√ß√£o que os pais podem dar aos seus filhos √© dividir a sua hist√≥ria com eles. O melhor treino da emo√ß√£o √© falar das suas frustra√ß√Ķes, dos seus momentos de hesita√ß√£o, das suas conquistas, dos seus sonhos, dos seus erros. Nunca houve tantos div√≥rcios, mas o ser humano n√£o deixa de se unir. Porqu√™? Porque viver em fam√≠lia √© uma das experi√™ncias mais prazerosas da exist√™ncia.

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Os Amantes n√£o Contam Nada de Novo uns aos Outros

A alma s√≥ acolhe o que lhe pertence; de certo modo, ela j√° sabe de antem√£o tudo aquilo por que vai passar. Os amantes n√£o contam nada de novo uns aos outros, e para eles tamb√©m n√£o existe reconhecimento. De facto, o amante n√£o reconhece no ser que ama nada a n√£o ser que √© transportado por ele, de modo indescrit√≠vel, para um estado de dinamismo interior. E reconhecer uma pessoa que n√£o ama significa para ele trazer o outro ao amor como uma parede cega sobre a qual cai a luz do Sol. E reconhecer uma coisa inerte n√£o significa identificar os seus atributos uns a seguir aos outros, mas sim que um v√©u cai ou uma fronteira se abre, e nenhum deles pertence ao mundo da percep√ß√£o. Tamb√©m o inanimado, desconhecido como √©, mas cheio de confian√ßa, entra no espa√ßo fraterno dos amantes. A natureza e o singular esp√≠rito dos amantes olham-se nos olhos, e s√£o as duas direc√ß√Ķes de um mesmo agir, um rio que corre em dois sentidos, um fogo que arde em dois extremos.
E então é impossível reconhecer uma pessoa ou uma coisa sem relação connosco próprios, pois o acto de tomar conhecimento toma das coisas qualquer coisa;

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√Č Preciso Repensar a Nossa Vida

√Č preciso repensar a nossa vida. Repensar a cafeteira do caf√©, de que nos servimos de manh√£, e repensar uma grande parte do nosso lugar no universo. Talvez isso tenha a ver com a posi√ß√£o do escritor, que √© uma posi√ß√£o universal, no lugar de Deus, acima da condi√ß√£o humana, a nomear as coisas para que elas existam. Para que elas possam existir‚Ķ Isto tem a ver com o poeta, sobretudo, que √© um demiurgo. Ou tem esse lado. Numa forma simples, essa maneira de redimensionar o mundo passa por um aspecto muito profundo, que n√£o tem nada a ver com aquilo que existe √† flor da pele. Tem a ver com uma experi√™ncia radical do mundo.
Por exemplo, com aquela que eu faço de vez em quando, que é passar três dias como se fosse cego. Por mais atento que se seja, há sempre coisas que nos escapam e que só podemos conhecer de outra maneira, através dos outros sentidos, que estão menos treinados… Reconhecer a casa através de outros sentidos, como o tacto, por exemplo. Isso é outra dimensão, dá outra profundidade. E a casa é sempre o centro e o sentido do mundo. A partir daí,

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A criança deve exercitar-se a reconhecer [a autoridade] na palavra do educador e a submeter-se ao seu ascendente; é por meio dessa condição que saberá, mais tarde, encontrá-la na sua consciência e aí se conformar a ela.

A Cólera dos Bondosos e a Cólera das Almas Fracas

Podemos distinguir duas esp√©cies de c√≥lera: uma que √© muito s√ļbita e se manifesta muito no exterior, mas mesmo assim tem pouco efeito e pode facilmente ser apaziguada; e outra que inicialmente n√£o aparece tanto, por√©m corr√≥i mais o cora√ß√£o e tem efeitos mais perigosos. Os que t√™m muita bondade e muito amor s√£o mais sujeitos √† primeira. Pois ela n√£o prov√©m de um √≥dio profundo, e sim de uma s√ļbita avers√£o que os surpreende, porque, sendo levados a imaginar que as coisas devem desenrolar-se da forma como julgam ser a melhor, t√£o logo acontece de forma diferente; eles ficam admirados e frequentemente se ofendem com isso, mesmo que a coisa n√£o os atinja pessoalmente, porque, tendo muita afei√ß√£o, interessam-se por aqueles a quem amam, da mesma forma que por si mesmos. Assim, o que para outra pessoa seria apenas motivo de indigna√ß√£o √© para eles um motivo de c√≥lera. E como a inclina√ß√£o que t√™m para amar faz que tenham muito calor e muito sangue no cora√ß√£o, a avers√£o que os surpreende n√£o pode impelir para este t√£o pouca bile que isso n√£o cause inicialmente uma grande emo√ß√£o no sangue. Mas tal emo√ß√£o pouco dura, porque a for√ßa da surpresa n√£o se prolonga e porque,

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Igualdade √© o reconhecimento p√ļblico, efetivamente expresso em institui√ß√Ķes e modos, do princ√≠pio de que um grau igual de aten√ß√£o √© devido √†s necessidades de todos os seres humanos.

Há um certo reconhecimento profundo que não nos desobriga de favores recebidos, mas que faz até que os nossos amigos nos devam quando lhes pagamos o que lhes devemos.

A Convicção é Sempre Cega

O intelecto humano, quando assente numa convic√ß√£o (ou por j√° bem aceite e acreditada porque o agrada), tudo arrasta para seu apoio e acordo. E ainda que em maior n√ļmero, n√£o observa a for√ßa das inst√Ęncias contr√°rias, despreza-as, ou, recorrendo a distin√ß√Ķes, p√Ķe-nas de parte e rejeita, n√£o sem grande e pernicioso preju√≠zo. Gra√ßas a isso, a autoridade daquelas primeiras afirma√ß√Ķes permanece inviolada. E bem se houve aquele que, ante um quadro pendurado no templo, como ex-voto dos que se salvaram dos perigos de um naufr√°gio, instado a dizer se ainda se recusava a a√≠ reconhecer a provid√™ncia dos deuses, indagou por sua vez:¬ęE onde est√£o pintados aqueles que, a despeito do seu voto, pereceram?¬Ľ Essa √© a base de praticamente toda a supersti√ß√£o, trate-se de astrologia, interpreta√ß√£o de sonhos, aug√ļrios e que tais: encantados, os homens, com tal sorte de quimeras, marcam os eventos em que a predi√ß√£o se cumpre; quando falha – o que √© bem mais frequente – negligenciam-nos e passam adiante.
Esse mal insinua-se de maneira muito mais subtil na filosofia e nas ciências. Nestas, o de início aceite tudo impregna e reduz o que se segue, até quando parece mais firme e aceitável. Mais ainda: mesmo não estando presentes essa complacência e falta de fundamento a que nos referimos,

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Ser espiritual é saber reconhecer a nossa essência, tratá-la bem e obedecer-lhe acima de tudo e de todas as coisas; é viver o momento, é a sede de aprender e a humildade quando se ensina, é sonhar, inspirar e respeitar o que somos.

Quero

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado,
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até à exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
N√£o exijo sen√£o isto,
isto sempre, isto cada vez mais.

Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a n√£o ser esta
de reconhecer o dom amoroso.

O Gosto pela Cultura

√Č mais dif√≠cil encontrar um gentleman que um g√©nio. A marca mais distintiva de um homem culto √© a possibilidade de aceitar um ponto de vista diferente do seu; p√īr-se no lugar de outra pessoa e ver a vida e os seus problemas dessa perspectiva diferente. Estar disposto a experimentar uma ideia nova; poder viver nos limites das diverg√™ncias intelectuais; examinar sem calor os problemas escaldantes do dia; ter simpatia imaginativa, largueza e flexibilidade de esp√≠rito, estabilidade e equil√≠brio de sentimentos, calma ponderada para decidir – √© ter cultura.
(…) A cultura vem da contempla√ß√£o da natureza; do estudo da Literatura, Arte e Arquitectura com letras grandes; e do conhecimento pessoal das realidades emocionais da exist√™ncia. √Č uma escala de valores, ou m√©ritos, diferente da usada nas esferas dominadas pela ci√™ncia e pelo com√©rcio. Vivemos numa cultura onde o sucesso √© medido pelos bens materiais. √Č importante alcan√ßar objectivos materiais, mas ainda √© mais importante ser-se cidad√£o amadurecido, bem equilibrado e culto.

A cultura (…) est√° em n√≥s e n√£o sepultada em estranhas galerias. Significa bondade de esp√≠rito e √© a base de um bom car√°cter. A plenitude da vida n√£o vem das coisas exteriores a n√≥s;

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A Ilusão da Consistência da Obra do Escritor

O homem n√£o √© permanentemente igual a si mesmo. A velha concep√ß√£o dos car√°cteres rectil√≠neos e das mentalidades cristalizadas em sistemas imut√°veis abriu fal√™ncia. Tudo muda, no espa√ßo e no tempo. Para um organismo vivo, existir – mesmo no ponto de vista som√°tico – √© transformar-se. Quando come√ßamos cedo e envelhecemos na actividade das letras, n√£o h√° um n√≥s apenas um escritor; h√°, ou houve, escritores sucessivos, m√ļltiplos e diversos, representando estados de evolu√ß√£o da mesma mentalidade incessantemente renovada. Ao chegar a altura da vida em que a estabiliza√ß√£o se opera, olhamos para tr√°s, e muitas das nossas pr√≥prias obras parecem-nos escritas por um estranho, t√£o longe se encontram j√°, n√£o apenas dos nossos processos liter√°rios, mas do nosso esp√≠rito, das nossas tend√™ncias, da nossa orienta√ß√£o, dos nossos pontos de vista √©ticos e est√©ticos.
Nesse exame retrospectivo, por vezes doloroso, se de algumas coisas temos de louvar-nos Рobras a que a nossa mocidade comunicou a chama viva do entusiasmo e da paixão -, de outras somos forçados a reconhecer a pobreza da concepção, os vícios da linguagem, as carências da técnica, e tantas vezes (poenitet me!) as audácias, as incoerências, as injustiças, as demasias, a licença de certas pinturas de costumes e o erro de certas atitudes morais.

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A Verdade é Amor

A verdade √© amor ‚ÄĒ escrevi um dia. Porque toda a rela√ß√£o com o mundo se funda na sensibilidade, como se aprendeu na inf√Ęncia e n√£o mais se p√īde esquecer. √Č esse equil√≠brio interno que diz ao pintor que tal azul ou vermelho est√£o certos na composi√ß√£o de um quadro. √Č o mesmo equil√≠brio indiz√≠vel que ao fil√≥sofo imp√Ķe a verdade para a sua filosofia. Porque a filosofia √© um excesso da arte. Ela acrescenta em raz√Ķes ou explica√ß√Ķes o que lhe imp√īs esse equil√≠brio, resolvido noutros num poema, num quadro ou noutra forma de se ser artista. Assim o que exprime o nosso equil√≠brio interior, gerado no impens√°vel ou impensado de n√≥s, √© um sentimento est√©tico, um modo de sermos em sensibilidade, antes de o sermos em. raz√£o ou mesmo em intelig√™ncia. Porque s√≥ se entende o que se entende connosco, ou seja, como no amor, quando se est√° ¬ęfeito um para o outro¬Ľ. S√≥ entra em harmonia connosco o que o nosso equil√≠brio consente. E s√≥ o consente, se o amar. Porque mesmo a verdade dos outros ‚ÄĒ a pol√≠tica, por exemplo ‚ÄĒ se temos improvavelmente de a reconhecer, reconhecemo-la talvez no √≥dio, que √© a outra face do amor e se organiza ainda na sensibilidade.

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