Passagens sobre Argumentos

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Frases sobre argumentos, poemas sobre argumentos e outras passagens sobre argumentos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

De Que Vale a Sabedoria ?

Os homens que se entregam à sabedoria são de longe os mais infelizes. Duplamente loucos, esquecem que nasceram homens e querem imitar os deuses poderosos, e a exemplo dos Titãs, armados com as ciências e as artes, declaram guerra à Natureza. Ora, os menos infelizes são aqueles que mais se aproximam da animalidade e da estupidez.
Tentarei fazer-vos entender isto, usando, em vez dos argumentos dos est√≥icos, um exemplo crasso. Haver√°, pelos deuses imortais, esp√©cie mais feliz que os homens a quem o vulgo chama loucos, parvos, imbecis, cognomes bel√≠ssimos, na minha opini√£o? Esta afirma√ß√£o poder√° a princ√≠pio parecer insensata e absurda e, no entanto, nada h√° de mais verdadeiro. Tais homens n√£o receiam a morte, e, por J√ļpiter! isso j√° n√£o representa pequena vantagem! A sua consci√™ncia n√£o os incomoda. As hist√≥rias de fantasmas n√£o os aterrorizam, nem os afecta o medo das apari√ß√Ķes e espectros, nem os males que os amea√ßam ou a esperan√ßa dos bens que poder√£o vir a receber. Nada, em resumo, os atormenta, isentos dos mil cuidadeos de que a vida √© feita. Ignoram a vergonha, o medo, a ambi√ß√£o, a inveja e chegam mesmo, se s√£o suficientemente est√ļpidos, a gozar o privil√©gio, segundo os te√≥logos,

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√Č um argumento dos aristocratas, esse dos crimes que uma revolu√ß√£o implica. Eles esquecem-se sempre dos que se cometiam em sil√™ncio antes da revolu√ß√£o.

Saber Zangar-se

O que me parece √© que as pessoas, em geral, como que deixaram de saber zangar-se. Deixaram de saber zangar-se com aquilo que consideram errado ‚Äď e, pior ainda, deixaram de saber diz√™-lo na cara umas das outras. A n√£o ser, naturalmente, que haja uma agenda.

Ainda nos zangamos muito, √© verdade. Mas zangamo-nos mal. Com a maior das facilidades nos zangamos contra inimigos abstractos, como ¬ęo Governo¬Ľ, ¬ęo capitalismo selvagem¬Ľ ou mesmo apenas ¬ęa crise¬Ľ. Com a maior das facilidades nos zangamos com aqueles que entendemos como nossos subordinados, no trabalho e na vida em geral (afinal, os nossos ¬ęsuperiores¬Ľ acabam de p√īr-nos a pata em cima. algu√©m vai ter de pagar a conta). Com aqueles que est√£o, de alguma forma, em ascendente sobre n√≥s, j√° n√£o nos zangamos: amuamos, que √© a forma mais cobarde de nos zangarmos. Aos nossos iguais simplesmente n√£o dizemos nada: engolimos e tornamos a engolir, convencendo-nos de que do outro lado est√°, afinal, um pobre diabo, t√£o pobre que nem sequer merece uma zanga ‚Äď e, quando enfim nos zangamos, √© para dar-lhe um tiro na cabe√ßa, como todos os dias nos mostram os jornais.

A impress√£o com que eu fico √© que tudo isto vem dessa mania das social skills e do team building e dos demais chav√Ķes moderninhos que os gurus dos livros de Economia nos enfiaram pela garganta abaixo,

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O Significado da Vida

Terá a vida algum significado, algum sentido ou valor? A pergunta é: a vida, viver, terá algum propósito? Será que viver nos fará chegar, um dia, a algum lado? Viver é um meio. A meta, o objetivo, esse lugar muito distante situado algures, é o fim. E é esse fim que lhe confere sentido. Se não houver um fim, a vida não terá, certamente, sentido, e será preciso criar um Deus para lhe dar sentido.
Primeiro, foi preciso separar os fins dos meios. Isto divide a nossa mente. A nossa mente est√° sempre a perguntar porqu√™? Para qu√™? E tudo o que n√£o consegue dar uma resposta √† pergunta ¬ęPara qu√™?¬Ľ vai perdendo lentamente valor para n√≥s. Foi assim que o amor se tornou algo sem valor. Que sentido faz o amor? Onde poder√° levar-nos? Que alcan√ßaremos com ele? Chegaremos a alguma utopia, a algum para√≠so? √Č evidente que, encarado dessa maneira, o amor n√£o faz nenhum sentido. √Č v√£o.

Que sentido tem a beleza? Contemplamos um p√īr do sol e ficamos deslumbrados com a sua grande beleza, mas qualquer idiota pode perguntar-nos, ¬ęQue significa um p√īr do sol?¬Ľ, e n√£o teremos uma resposta para lhe dar.

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O Jogo da Conformidade Ofusca a Vis√£o

A objec√ß√£o contra o conformar-se a usos que se tornaram peremptos para ti √© a de que dissipam a tua for√ßa. Fazem-te perder tempo e borram a nitidez do teu car√°cter. Se mant√©ns uma Igreja morta; se contribuis para uma Sociedade B√≠blica morta; se votas com um grande partido tanto a favor como contra o governo; se p√Ķes a mesa de igual modo ao das donas de casa mesquinhas – tenho dificuldade em descobrir, sob todos esses mantos, a tua exacta personalidade. E, claro est√°, muita e muita for√ßa √©-te subtra√≠da da tua pr√≥pria vida.
Mas age, que te conhecerei. Executa o teu trabalho e te fortificar√°s. Um homem deve ter em mente que o jogo da conformidade ofusca a vis√£o.
Se conheço a tua seita, antecipo o teu argumento.

N√£o adianta discutir com o inevit√°vel. O √ļnico argumento dispon√≠vel contra o vento de leste √© vestir o sobretudo.

Os Erros do Nosso Tempo

√Č dif√≠cil havermo-nos com os erros do nosso tempo. Se os enfrentamos ficamos desacompanhados, e se nos deixamos apanhar por eles n√£o ganhamos com isso nem gl√≥ria nem alegria.
Para destruir servem todos os falsos argumentos. Para construir, não. O que não é verdade não é construtivo.

Reivindico o Meu Direito Próprio de Pensar

Queixas-te de teres a√≠ falta de livros. N√£o interessa a quantidade, mas sim a qualidade: a leitura √© proveitosa se for met√≥dica, se apenas for variada torna-se um mero divertimento. Quem deseja chegar √† meta que se prop√īs deve seguir um s√≥ caminho, e n√£o vaguear por v√°rios: de outro modo n√£o viaja, deixa-se ir ao acaso.
(…) Confio, e muito, no pensamento dos grandes homens, mas reivindico o meu direito pr√≥prio de pensar. De resto eles n√£o nos legaram verdades acabadas, mas sim sujeitas √† investiga√ß√£o; e porventura teriam descoberto o essencial se n√£o tivessem investigado tamb√©m temas sup√©rfluos. Mas gastaram tempo imenso em jogos de palavras, em discuss√Ķes capciosas que agu√ßam inutilmente o engenho. Construimos argumentos tortuosos, empregamos termos de significa√ß√£o amb√≠gua, finalmente desatamos toda a trama. Temos assim tanto tempo livre? J√° sabemos como encarar a vida e a morte? O que devemos procurar, com todas as for√ßas, √© o modo de nos n√£o deixarmos enganar pelas coisas, e n√£o pelas palavras.
Para qu√™ analisar as diferen√ßas entre palavras sin√≥nimas, que n√£o causam dificuldade a ningu√©m a n√£o ser em discuss√Ķes de escola? As coisas enganam-nos: aprendamos a observ√°-las. Tomamos por bens coisas que o n√£o s√£o,

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Suportar a Adversidade

Das ocorr√™ncias indesejadas, falando de maneira gen√©rica, algumas acarretam naturalmente dor e vexa√ß√£o, mas, na maior parte dos casos, √© falsa a no√ß√£o que nos habituou a nos enfadarmos com elas. Como espec√≠fico contra este tipo de ocorr√™ncia, √© conveniente ter √† m√£o um dito de Menandro: ¬ęNada te aconteceu de facto enquanto n√£o te importares muito com o ocorrido¬Ľ. Isso quer dizer que n√£o h√° motivo para o teu corpo e a tua alma se mostrarem afectados se, por exemplo, o teu pai √© de baixa extrac√ß√£o, a tua mulher cometeu adult√©rio, tu mesmo te viste privado de alguma coroa honor√≠fica ou privil√©gio especial, pois nada disso te impede de prosperar de corpo ou alma.
Para a primeira categoria – doen√ßas, priva√ß√Ķes, a morte de amigos ou filhos -, que parece acarretar naturalmente dor e vexa√ß√£o, esta linha de Eur√≠pedes deve estar √† m√£o: “Ai! por que ai? √Č o quinh√£o da mortalidade que nos coube”. Nenhum outro argumento l√≥gico pode romper de forma t√£o efectiva a espiral descendente das nossas emo√ß√Ķes, do que a reflex√£o de que somente atrav√©s da compuls√£o comum da Natureza, um dos elementos da sua constitui√ß√£o f√≠sica, √© que o homem se torna vulner√°vel √† Fortuna;

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A Ilus√£o Pol√≠tica das Grandes Manifesta√ß√Ķes Populares

Nisto de manifesta√ß√Ķes populares, o mais dif√≠cil √© interpret√°-las. Em geral, quem a elas assiste ou sabe delas ingenuamente as interpreta pelos factos como se deram. Ora, nada se pode interpretar pelos factos como se deram. Nada √© como se d√°. Temos que alterar os factos, tais como se deram, para poder perceber o que realmente se deu. √Č costume dizer-se que contra factos n√£o h√° argumentos. Ora s√≥ contra factos √© que h√° argumentos. Os argumentos s√£o, quase sempre, mais verdadeiros do que os factos. A l√≥gica √© o nosso crit√©rio de verdade, e √© nos argumentos, e n√£o nos factos, que pode haver l√≥gica.
Nisto de manifesta√ß√Ķes ‚ÄĒ ia eu dizendo ‚ÄĒ o dif√≠cil √© interpret√°-las. Porque, por exemplo, uma manifesta√ß√£o conservadora √© sempre feita por mais gente do que toma parte nela. Com as manifesta√ß√Ķes liberais sucede o contr√°rio. A raz√£o √© simples. O temperamento conservador √© naturalmente avesso a manifestar-se, a associar-se com grande facilidade; por isso, a uma manifesta√ß√£o conservadora vai s√≥ um reduzido n√ļmero da gente que poderia, ou mesmo quereria, ir. O feitio ps√≠quico dos liberais √©, ao contr√°rio, expansivo e associador; as manifesta√ß√Ķes dos “avan√ßados” englobam, por isso, os pr√≥prios indiferentes de sa√ļde,

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O retractar-se não é argumento de não saber, mas de saber que muitas vezes pode acertar o menos douto no que o mais letrado não advertiu.

O Prestígio da Poesia

O prest√≠gio da poesia √© menos ela n√£o acabar nunca do que propriamente come√ßar. √Č um in√≠cio perene, nunca uma chegada seja ao que for. E ficamos estendidos nas camas, enfrentando a perturbada imagem da nossa imagem, assim, olhados pelas coisas que olhamos. Aprendemos ent√£o certas ast√ļcias, por exemplo: √© preciso apanhar a ocasional distrac√ß√£o das coisas, e desaparecer; fugir para o outro lado, onde elas nem suspeitam da nossa consci√™ncia; e apanh√°-las quando fecham as p√°lpebras, um momento, r√°pidas, e rapidamente p√ī-las sob o nosso senhorio, apanhar as coisas durante a sua fortuita distrac√ß√£o, um interregno, um instante obl√≠quo, e enriquecer e intoxicar a vida com essas misteriosas coisas roubadas. Tamb√©m roub√°mos a cara chamejante aos espelhos, roub√°mos √† noite e ao dia as suas inextric√°veis imagens, roub√°mos a vida pr√≥pria √† vida geral, e fomos conduzidos por esse roubo a um equ√≠voco: a condena√ß√£o ou condana√ß√£o de inquilinos da irrealidade absoluta. O que excede a insolv√™ncia biogr√°fica: com os nomes, as coisas, os s√≠tios, as horas, a medida pequena de como se respira, a morte que se n√£o refuta com nenhum verbo, nenhum argumento, nenhum latroc√≠nio.
Vivemos demoniacamente toda a nossa inocência.

Os seres humanos serão sempre capazes de encontrar argumentos a favor da confrontação e do não compromisso. Porém, nós, os seres humanos, somos capazes de razão, compaixão e mudança.

A Sabedoria do Sofrimento

O sofrimento n√£o tem menos sabedoria do que o prazer: tal como este, faz parte em elevado grau das for√ßas que conservam a esp√©cie. Porque se fosse de outra maneira h√° muito que esta teria desaparecido; o facto de ela fazer mal n√£o √© um argumento contra ela, √© muito simplesmente a sua ess√™ncia. Ou√ßo nela a ordem do capit√£o: ¬ęAmainem as velas¬Ľ. O intr√©pido navegador homem deve treinar-se a dispor as suas de mil maneiras; de outro modo, n√£o tardaria a desaparecer, o oceano havia de o engolir depressa. √Č preciso que saibamos viver tamb√©m reduzindo a nossa energia; logo que o sofrimento d√° o seu sinal, √© chegado o momento; prepara-se um grande perigo, uma tempestade, e faremos bem em oferecer a menor ¬ęsuperf√≠cie¬Ľ poss√≠vel.
H√° homens, contudo, que, quando se aproxima o grande sofrimento, ouvem a ordem contr√°ria e nunca t√™m ar mais altivo, mais belicoso, mais feliz do que quando a borrasca chega, que digo eu! E a pr√≥pria tempestade que lhes d√° os seus mais altos momentos! S√£o os homens her√≥icos, os grandes ¬ępescadores da dor¬Ľ, esses raros, esses excepcionais de que √© necess√°rio fazer a mesma apologia que se faz para a pr√≥pria dor!

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