Passagens sobre Argumentos

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Frases sobre argumentos, poemas sobre argumentos e outras passagens sobre argumentos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Ignor√Ęncia Propaga-se Mais R√°pidamente Que a Intelig√™ncia

Voltaire preferia a monarquia √† democracia; na primeira basta educar um homem, na segunda h√° necessidade de educar milh√Ķes – e o coveiro leva-os a todos antes que dez por cento concluam o curso. Raro percebemos as partidas que a limita√ß√£o da natalidade prega aos nossos argumentos. A minoria que consegue educar-se reduz o tamanho da fam√≠lia; a maioria sem tempo para se educar procria com abund√Ęncia; quase todos os componentes das novas gera√ß√Ķes prov√™m de fam√≠lias cujas rendas n√£o permitiram a educa√ß√£o da prole. Da√≠ a perp√©tua futilidade do liberalismo pol√≠tico; a propaga√ß√£o da intelig√™ncia n√£o est√° em compasso com a propaga√ß√£o dos ignorantes. Da√≠ ainda a decad√™ncia do protestantismo; uma religi√£o, do mesmo modo que um povo, n√£o vinga em consequ√™ncia das guerras que vence, sen√£o que dos filhos que gera.

Respeito pelo Advers√°rio ?

Tratar o seu adversário com respeito é dar-lhe uma vantagem para a qual não está intitulado. A maior parte dos homens não julga através de argumentos racionais, e são impressionados pelo carácter; de forma que, se você permitir ao seu adversário um carácter respeitável, ele pensará que, embora você difira dele, pode estar errado. Tratar o seu adversário com respeito é o mesmo que golpear de forma macia numa batalha.

√Č uma Tolice Desculpar um Falhado

√Č uma tolice desculpar um falhado com argumentos de meio, √©poca, sa√ļde, idade, etc. O verdadeiro triunfador cria as condi√ß√Ķes da sua realiza√ß√£o. Que se importa a gente com as doen√ßas de Beethoven, e que pesam elas na sua obra? A natureza, quando d√° g√©nio, d√° for√ßas, tempo e coragem para vencer todos os obst√°culos que o n√£o deixem desabrochar. N√£o h√° malogrados. O √ļnico argumento a favor da sua exist√™ncia √© a idade. Ora na idade de malogrados morreram Keats, Ces√°rio e Rafael…
Construir uma vida e uma obra parece ter sido sempre a fa√ßanha dos grandes. E se Goethe precisou de oitenta anos para se cumprir, Shelley pediu um prazo mais curto √† natureza. O que tinha a dizer, dizia-se mais depressa…

Nenhuma verdade me parece mais evidente que os animais serem dotados de pensamento e raz√£o tal como os homens. Os argumentos neste caso s√£o t√£o √≥bvios, que nunca escapam aos mais est√ļpidos e ignorantes.

Esperanças de um Vão Contentamento

Esperanças de um vão contentamento,
por meu mal tantos anos conservadas,
é tempo de perder-vos, já que ousadas
abusastes de um longo sofrimento.

Fugi; c√° ficar√° meu pensamento
meditando nas horas malogradas,
e das tristes, presentes e passadas,
farei para as futuras argumento.

J√° n√£o me iludir√° um doce engano,
que trocarei ligeiras fantasias
em pesadas raz√Ķes do desengano.

E tu, sacra Virtude, que anuncias,
a quem te logra, o gosto soberano,
vem dominar o resto dos meus dias.

Não é possível discutir racionalmente com alguém que prefere matar-nos a ser convencido pelos nossos argumentos.

A publicidade é o moderno substituto do argumento; a sua função é fazer o pior parecer o melhor.

A Piedade

A piedade √© um sentimento natural, que, moderando em cada indiv√≠duo a actividade do amor de si pr√≥prio, concorre para a conserva√ß√£o m√ļtua de toda a esp√©cie. √Č ela que nos leva sem reflex√£o em socorro daqueles que vemos sofrer; √© ela que, no estado de natureza, faz as vezes de lei, de costume e de virtude, com a vantagem de que ningu√©m √© tentado a desobedecer √† sua doce voz; √© ela que impede todo o selvagem robusto de arrebatar a uma crian√ßa fraca ou a um velho enfermo a sua subsist√™ncia adquirida com sacrif√≠cio, se ele mesmo espera poder encontrar a sua alhures; √© ela que, em vez desta m√°xima sublime de justi√ßa raciocinada, faz a outrem o que queres que te fa√ßam, inspira a todos os homens esta outra m√°xima de bondade natural, bem menos perfeita, por√©m mais √ļtil, talvez, do que a precedente: faz o teu bem com o menor mal poss√≠vel a outrem. Em uma palavra, √© nesse sentimento natural, mais do que em argumentos subtis, que √© preciso buscar a causa da repugn√Ęncia que todo o homem experimentaria em fazer mal, mesmo independentemente das m√°ximas da educa√ß√£o. Embora possa competir a S√≥crates e aos esp√≠ritos da sua t√™mpera adquirir a virtude pela raz√£o,

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Do Contraditório como Terapêutica de Libertação

Recentemente, entre a poeira de algumas campanhas pol√≠ticas, tomou de novo relevo aquele grosseiro h√°bito de polemista que consiste em levar a mal a uma criatura que ela mude de partido, uma ou mais vezes, ou que se contradiga, frequentemente. A gente inferior que usa opini√Ķes continua a empregar esse argumento como se ele fosse depreciativo. Talvez n√£o seja tarde para estabelecer, sobre t√£o delicado assunto do trato intelectual, a verdadeira atitude cient√≠fica.
Se há facto estranho e inexplicável é que uma criatura de inteligência e sensibilidade se mantenha sempre sentado sobre a mesma opinião, sempre coerente consigo próprio. A contínua transformação de tudo dá-se também no nosso corpo, e dá-se no nosso cérebro consequentemente. Como então, senão por doença, cair e reincidir na anormalidade de querer pensar hoje a mesma coisa que se pensou ontem, quando não só o cérebro de hoje já não é o de ontem, mas nem sequer o dia de hoje é o de ontem? Ser coerente é uma doença, um atavismo, talvez; data de antepassados animais em cujo estádio de evolução tal desgraça seria natural.
A coer√™ncia, a convic√ß√£o, a certeza s√£o al√©m disso, demonstra√ß√Ķes evidentes ‚ÄĒ quantas vezes escusadas ‚ÄĒ de falta de educa√ß√£o.

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Os argumentos são, quase sempre, mais verdadeiros do que os factos. A lógica é o nosso critério de verdade, e é nos argumentos, e não nos factos, que pode haver lógica.

A Guerra como Revolta da Técnica

Todos os esfor√ßos para estetizar a pol√≠tica convergem para um ponto. Esse ponto √© a guerra. A guerra e somente a guerra permite dar um objectivo aos grandes movimentos de massa, preservando as rela√ß√Ķes de produ√ß√£o existentes. Eis como o fen√≥meno pode ser formulado do ponto de vista pol√≠tico. Do ponto de vista t√©cnico, a sua formula√ß√£o √© a seguinte: somente a guerra permite mobilizar na sua totalidade os meios t√©cnicos do presente, preservando as actuais rela√ß√Ķes de produ√ß√£o. √Č √≥bvio que a apoteose fascista da guerra n√£o recorre a esse argumento. Mas seria instrutivo lan√ßar os olhos sobre a maneira como ela √© formulada. No seu manifesto sobre a guerra colonial da Eti√≥pia, diz Marinetti: ¬ęH√° vinte e sete anos, n√≥s futuristas contestamos a afirma√ß√£o de que a guerra √© antiest√©tica (…) Por isso, dizemos: (…) a guerra √© bela, porque gra√ßas √†s m√°scaras de g√°s, aos megafones assustadores, aos lan√ßa-chamas e aos tanques, funda a supremacia do homem sobre a m√°quina subjugada. A guerra √© bela, porque inaugura a metaliza√ß√£o on√≠rica do corpo humano. A guerra √© bela, porque enriquece um prado florido com as orqu√≠deas de fogo das metralhadoras. A guerra √© bela, porque conjuga numa sinfonia os tiros de fuzil,

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Mas não vamos exagerar, já que é este o problema: eu estou aqui e sei muito bem que aceito todos os argumentos, pelo preço de poder viver.

N√£o se Reconquista o Amor com Argumentos

Não te esqueças de que a tua frase é um acto. Se desejas levar-me a agir, não pegues em argumentos. Julgas que me deixarei determinar por argumentos? Não me seria difícil opor, aos teus, melhores argumentos.
Já viste a mulher repudiada reconquistar-te através de um processo em que ela prova que tem razão? O processo irrita. Ela nem sequer será capaz de te recuperar mostrando-te tal como tu a amavas, porque essa já tu a não amas. Olha aquela infeliz que, nas vésperas do divórcio, teve a ideia de cantar a mesma canção triste que cantava quando noiva. Essa canção triste ainda tornou o homem mais furioso.
Talvez ela o recuperasse se o conseguisse despertar tal como ele era quando a amava. Mas para isso precisaria de um génio criador, porque teria de carregar o homem de qualquer coisa, da mesma maneira que eu o carrego de uma inclinação para o mar que fará dele construtor de navios. Só assim cresceria essa árvore que depois se iria diversificando. E ele havia de pedir de novo a canção triste.
Para fundar o amor por mim, faço nascer em ti alguém que é para mim. Não te confessarei o meu sofrimento,

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S√≥ h√° um problema filos√≥fico verdadeiramente s√©rio: o suic√≠dio. Julgar se a vida merece ou n√£o ser vivida √© responder uma quest√£o fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem tr√™s dimens√Ķes, se o esp√≠rito tem nove ou doze categorias, vem depois. Trata-se de jogos; √© preciso primeiro responder. E se √© verdade, como quer Nietzsche, que um fil√≥sofo, para ser estimado, deve pregar com o seu exemplo, percebe-se a import√Ęncia dessa reposta, porque ela vai anteceder o gesto definitivo. S√£o evid√™ncias sens√≠veis ao cora√ß√£o, mas √© preciso ir mais fundo at√© torn√°-las claras para o esp√≠rito. Se eu me pergunto por que julgo que tal quest√£o √© mais premente que tal outra, respondo que √© pelas a√ß√Ķes a que ela se compromete. Nunca vi ningu√©m morrer por causa do argumento ontol√≥gico. Galileu, que sustentava uma verdade cient√≠fica importante, abjurou dela com a maior tranq√ľilidade assim que viu sua vida em perigo. Em certo sentido, fez bem. Essa verdade n√£o valia o risco da fogueira. Qual deles, a Terra ou o Sol gira em redor do outro, √©-nos profundamente indiferente.

O Que Sou e o Que Faço Neste Mundo

Involuntariamente, inconscientemente, nas leituras, nas conversas e at√© junto das pessoas que o rodeavam, procurava uma rela√ß√£o qualquer com o problema que o preocupava. Um ponto o preocupava acima de tudo: por que √© que os homens da sua idade e do seu meio, os quais exactamente como ele, pela sua maior parte, haviam substitu√≠do a f√© pela ci√™ncia, n√£o sofriam por isso mesmo moralmente? N√£o seriam sinceros? Ou compreendiam melhor do que ele as respostas que a ci√™ncia proporciona a essas quest√Ķes perturbadoras? E punha-se ent√£o a estudar, quer os homens, quer os livros, que poderiam proporcionar-lhe as solu√ß√Ķes t√£o desejadas.
(…) Atormentado constantemente por estes pensamentos, lia e meditava, mas o objectivo perseguido cada vez se afastava mais dele. Convencido de que os materialistas nenhuma resposta lhe dariam, relera, nos √ļltimos tempos da sua estada em Moscovo, e depois do seu regresso √† aldeia, Plat√£o e Espinosa, Kant e Schelling, Hegel e Schopenhauer. Estes fil√≥sofos satisfaziam-no enquanto se contentavam em refutar as doutrinas materialistas e ele pr√≥prio encontrava ent√£o argumentos novos contra elas; mas, assim que abordava – quer atrav√©s das leituras das suas obras, quer atrav√©s dos racioc√≠nios que estas lhe inspiravam – a solu√ß√£o do famoso problema,

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