Cita√ß√Ķes de Andrea Dworkin

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Andrea Dworkin para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

Sexismo é a fundação onde toda tirania é construída. Toda forma social de hierarquia e abuso é moldada a partir da dominação do macho sobre a fêmea.

Pornografia √© usada no estupro ‚ÄĒ para planej√°-lo, para execut√°-lo, para coreograf√°-lo, para gerar a excita√ß√£o em cometer o ato.

Pornografia √© a destrui√ß√£o orquestrada de corpos e almas de mulheres; estupro, agress√£o, incesto, e prostitui√ß√£o a impulsionam; desumaniza√ß√£o e sadismo caracterizam-na; ela √© a guerra sobre as mulheres, viola√ß√Ķes em s√©rie na dignidade, identidade, e valor humano; ela √© tirania. Cada mulher que tem sobrevivido sabe da experi√™ncia de sua pr√≥pria vida que pornografia √© escravid√£o ‚ÄĒ a mulher presa na imagem usada sobre a mulher presa onde quer que ele tenha aprisionado ela.

No tempo em que somos mulheres, medo √© t√£o familiar para n√≥s como ar. √Č o nosso elemento. N√≥s vivemos nele, n√≥s inalamos ele, n√≥s exalamos ele, e na maioria do tempo n√≥s nem notamos isso. Ao inv√©s de ‚ÄėEu tenho medo‚Äô, n√≥s dizemos, ‚ÄėEu n√£o quero‚Äô, ou ‚ÄėEu n√£o sei como‚Äô, ou ‚ÄėEu n√£o posso‚Äô.

O fato que todas n√≥s somos treinadas da inf√Ęncia em diante para sermos m√£es significa que n√≥s todas somos treinadas para devotar nossas vidas aos homens, quer eles sejam nossos filhos ou n√£o; que todas n√≥s somos treinadas a for√ßar outras mulheres a exemplificar a falta de qualidades que caracteriza a constru√ß√£o cultural da feminilidade.

Enquanto fofoca entre mulheres é universalmente ridicularizada como baixa e trivial, fofoca entre homens, especialmente se é sobre mulheres, é chamada de teoria, ou ideia, ou fato.

Toda dominação pessoal, psicológica, social e institucionalizada nessa terra pode ser remetida a uma mesma fonte original: as identidades fálicas dos homens.

Somente quando a masculinidade estiver morta ‚ÄĒ e ela perecer√° quando a feminilidade devastada n√£o mais sustent√°-la ‚ÄĒ somente ent√£o n√≥s saberemos o que √© sermos livres.

N√≥s pensamos que vivemos em uma sociedade heterossexual porque a maioria dos homens est√° fixada nas mulheres como objetos sexuais; mas, de fato, n√≥s vivemos em uma sociedade homossexual porque todas as transa√ß√Ķes cr√≠veis de poder, autoridade, e autenticidade realizam-se entre homens; todas as transa√ß√Ķes baseadas em igualdade e individualidade realizam-se entre homens. Homens s√£o reais; portanto, todo relacionamento real acontece entre homens; toda comunica√ß√£o real acontece entre homens; toda reciprocidade real acontece entre homens; toda mutualidade real acontece entre homens.

As mulheres s√£o uma popula√ß√£o escravizada ‚ÄĒ a safra que n√≥s colhemos s√£o crian√ßas, os campos em que n√≥s trabalhamos s√£o casas. As mulheres s√£o for√ßadas a se submeterem em atos sexuais com homens que violam a integridade porque a religi√£o universal ‚ÄĒ desprezo por mulheres ‚ÄĒ tem como seu primeiro mandamento que as mulheres existam puramente como forragem sexual para os homens.

Na proposi√ß√£o da ‚Äúindividualidade de cada alma humana‚ÄĚ, feministas prop√Ķem que mulheres n√£o s√£o o seu sexo; nem seu sexo mais alguma coisinha ‚ÄĒ um aditivo liberal de personalidade, por exemplo; mas que cada vida ‚ÄĒ incluindo a vida de cada mulher ‚ÄĒ deve ser da pr√≥pria pessoa, n√£o predeterminada antes do nascimento dela por id√©ias totalit√°rias sobre a sua natureza e sua fun√ß√£o, nem sujeita a tutela por alguma classe mais poderosa, nem determinada coletivamente, mas desenvolvida por ela mesma, para si mesma. Francamente, ningu√©m sabe muito o que feministas pretendem; a ideia de mulheres n√£o definidas por sexo e reprodu√ß√£o √© an√°tema ou desconcertante. Ela √© a mais simples id√©ia revolucion√°ria j√° concebida, e a mais desprezada.

A genialidade de qualquer sistema escravista se encontra nas din√Ęmicas que isolam os escravos uns dos outros, que ocultam a realidade de uma condi√ß√£o comum, e tornam inconceb√≠vel a rebeli√£o unida contra o opressor.

O desejo de dominação é uma besta voraz. Nunca há corpos quentes suficientes para saciar sua fome monstruosa. Uma vez viva, essa besta cresce e cresce, se alimentando de toda vida ao seu redor, percorrendo a terra para encontrar novas fontes de nutrição. Essa besta vive em cada homem que refestela-se na servidão feminina.

O sadismo sexual efetiva a identidade masculina. Mulheres s√£o torturadas, chicoteadas, e acorrentadas; mulheres s√£o amarradas e amorda√ßadas, marcadas e queimadas, cortadas com facas e fios; mulheres s√£o urinadas e defecadas; agulhas em brasa s√£o cravadas nos peitos, ossos s√£o quebrados, retos s√£o rasgados, bocas s√£o devastadas, bocetas s√£o brutalmente caceteadas por p√™nis ap√≥s p√™nis, vibrador ap√≥s vibrador ‚ÄĒ e tudo isto para estabelecer no macho um sentido vi√°vel de seu valor pr√≥prio.

O amor rom√Ęntico, tanto na pornografia quanto na vida real, √© a m√≠tica celebra√ß√£o da nega√ß√£o feminina. Para uma mulher, o amor √© definido como sua boa vontade para se submeter a sua pr√≥pria aniquila√ß√£o‚Ķ A prova de amor √© que ela est√° disposta a ser destru√≠da por aquele que ela ama, pelo seu bem. Para as mulheres, o amor √© sempre auto-sacrif√≠cio, sacrif√≠cio de sua identidade, desejo e integridade de seu corpo; para que satisfa√ßa e se redima diante da masculinidade de seu amado.

Pornografia materializa supremacia masculina. Ela √© o DNA de domin√Ęncia masculina. Cada regra do abuso sexual, cada nuance do sadismo sexual, cada estrada ou caminho secund√°rio de explora√ß√£o sexual, est√° codificada nela.

O conceito masculino ut√≥pico que √© a premissa da pornografia √© este ‚ÄĒ j√° que a masculinidade √© estabelecida e confirmada contra os corpos brutalizados das mulheres, os homens n√£o precisam agredir uns aos outros; em outras palavras, as mulheres absorvem a agress√£o masculina de modo que os homens fiquem a salvo disto.

Homens t√™m definido os par√Ęmetros de todo assunto. Todos os argumentos feministas, por mais radicais em inten√ß√£o ou consequ√™ncia, est√£o com ou contra afirma√ß√Ķes ou premissas impl√≠citas no sistema masculino, que s√£o feitas acredit√°veis ou aut√™nticas atrav√©s do poder dos homens de nomear.

Homens que querem ajudar as mulheres em nossa luta por liberdade e justiça deviam compreender que não é extraordinariamente importante para nós que eles aprendam a chorar; é importante para nós que eles parem os crimes de violência contra nós.

Antifeminismo est√° tamb√©m operando sempre que qualquer grupo pol√≠tico est√° pronto para sacrificar um grupo de mulheres, uma fac√ß√£o, algumas mulheres, alguns tipos de mulheres, para qualquer elemento de opress√£o de classe-sexual: para a pornografia, para o estupro, para a agress√£o, para a explora√ß√£o econ√īmica, para a explora√ß√£o reprodutiva, para a prostitui√ß√£o. H√° mulheres por todo o espectro pol√≠tico masculino-definido, incluindo as duas extremidades dele, prontas para sacrificar algumas mulheres, geralmente n√£o elas mesmas, para os prost√≠bulos ou os hosp√≠cios. O sacrif√≠cio √© profundamente antifeminista; ele √© tamb√©m profundamente imoral‚Ķ