Cita√ß√Ķes sobre Drogas

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Frases sobre drogas, poemas sobre drogas e outras cita√ß√Ķes sobre drogas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Amor é Mais Forte

Os amantes de hoje preferem a droga mais leve, o tabaco mais light ou o caf√© descafeinado. J√° ningu√©m quer ficar pedrado de amor ou sofrer de uma overdose de paix√£o. As emo√ß√Ķes fortes s√£o fracas e as pr√≥prias fraquezas revelam-se mais fortes. Os amantes, esses, s√£o igualmente namorados da monotonia e amigos √≠ntimos da disciplina. O que est√° fora de controlo causa-lhes confus√£o, e afecta-lhes uma certa zona do c√©rebro, mas quase nunca lhes toca o cora√ß√£o. O amor devia ser sonhado e devia faz√™-los voar; em vez disso √© planeado, e quanto muito, f√°-los pensar.
Sobre o amor n√£o se tem controlo. √Č um sentimento que nos domina, que nos sufoca e que nos mata. Depois d√°-nos um pouco vida. No amor queremos viver, mas pouco nos importa morrer e estamos sempre dispostos a ir mais al√©m. Deixamo-nos cair em tenta√ß√£o, e n√£o nos livramos do mal, embora procuremos o bem. No amor tamb√©m se tem f√©, mas n√£o se conhecem ora√ß√Ķes: amamos porque cremos, porque desejamos e porque sabemos que o amor existe. Amamos sem saber se somos amados, e por isso podemos acabar desolados, isolados e deprimidos. Que se lixe! O amor n√£o √© justo,

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A Decadência do Espírito de Competição

O esp√≠rito de competi√ß√£o, considerado como a principal raz√£o da vida, √© demasiado inflex√≠vel, demasiado tenaz, demasiado composto de m√ļsculos tensos e de vontade decidida para servir de base poss√≠vel √† exist√™ncia durante mais de uma ou duas gera√ß√Ķes. Depois desse espa√ßo de tempo, deve produzir-se uma fadiga nervosa, v√°rios fen√≥menos de evas√£o, uma procura de prazeres, t√£o tensa e t√£o penosa como o trabalho (pois o afrouxamento tornou-se imposs√≠vel) e finalmente a desapari√ß√£o da ra√ßa devido √† esterilidade. N√£o somente o trabalho √© envenenado pela filosofia que exalta o esp√≠rito de competi√ß√£o mas os √≥cios s√£o-no na mesma medida.
O género de descanso que acalma e restaura os nervos chega a ser aborrecimento. Produz-se fatalmente uma aceleração contínua cujo fim normal são as drogas e a ruína. O remédio consiste na aceitação duma alegria sã e serena como elemento indispensável ao equilíbrio ideal da vida.

Triste Bahia! Oh Qu√£o Dessemelhante

Triste Bahia! oh qu√£o dessemelhante
Est√°s e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado.
Rica te vi eu j√°, tu a mim abundante.

A ti tocou-te a m√°quina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando e tem trocado
Tanto negócio e tanto negociante.

Deste em dar tanto a√ß√ļcar excelente
Pelas drogas in√ļteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.

Oh, se quisera Deus que, de repente,
Um dia amanheceras t√£o sisuda
Que fora de algod√£o o teu capote!

N√£o h√° Felicidade sem Verdadeira Vida Interior

A vida intelectual ocupará, de preferência, o homem dotado de capacida­des espirituais, e adquire, mediante o incremento inin­terrupto da visão e do conhecimento, uma coesão, uma intensificação, uma totalidade e uma plenitude cada vez mais pronunciadas, como uma obra de arte amadurecen­do aos poucos. Em contrapartida, a vida prática dos ou­tros, orientada apenas para o bem-estar pessoal, capaz de incremento apenas em extensão, não em profundeza, contrasta em tristeza, valendo-lhes como fim em si mesmo, enquanto para o homem de capacida­des espirituais é apenas um meio.
A nossa vida pr√°tica, real, quando as paix√Ķes n√£o a movimentam, √© tediosa e sem sabor; mas quando a movi¬≠mentam, logo se torna dolorosa. Por isso, os √ļnicos feli¬≠zes s√£o aqueles aos quais coube um excesso de intelec¬≠to que ultrapassa a medida exigida para o servi√ßo da sua vontade. Pois, assim, eles ainda levam, ao lado da vida real, uma intelectual, que os ocupa e entret√©m ininter¬≠ruptamente de maneira indolor e, no entanto, vivaz. Pa¬≠ra tanto, o mero √≥cio, isto √©, o intelecto n√£o ocupado com o servi√ßo da vontade, n√£o √© suficiente; √© necess√°rio um excedente real de for√ßa, pois apenas este capacita a uma ocupa√ß√£o puramente espiritual, n√£o subordinada ao ser¬≠vi√ßo da vontade.

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√Č uma mania de seu amigo, senhor Ricardo, esta de s√≥ querer cousas nacionais, e a gente tem que ingerir cada droga, chi!

As Infelizes Necessidades do Homem Civilizado

Um autor c√©lebre, calculando os bens e os males da vida humana, e comparando as duas somas, achou que a √ļltima ultrapassa muito a primeira, e que tomando o conjunto, a vida era para o homem um p√©ssimo presente. N√£o fiquei surpreendido com a conclus√£o; ele tirou todos os seus racioc√≠nios da constitui√ß√£o do homem civilizado. Se subisse at√© ao homem natural, pode-se julgar que encontraria resultados muito diferentes; porque perceberia que o homem s√≥ tem os males que se criou para si mesmo, o que √† natureza se faria justi√ßa. N√£o foi f√°cil chegarmos a ser t√£o desgra√ßados. Quando, de um lado, consideramos o imenso trabalho dos homens, tantas ci√™ncias profundas, tantas artes inventadas, tantas for√ßas empregadas, abismos entulhados, montanhas arrasadas, rochedos quebrados, rios tornados naveg√°veis, terras arroteadas, lagos cavados, pantanais dissecados, constru√ß√Ķes enormes elevadas sobre a terra, o mar coberto de navios e marinheiros, e quando, olhando do outro lado, procuramos, meditando um pouco as verdadeiras vantagens que resultaram de tudo isso para a felicidade da esp√©cie humana, s√≥ nos podemos impressionar com a espantosa despropor√ß√£o que reina entre essas coisas, e deplorar a cegueira do homem, que, para nutrir o seu orgulho louco, n√£o sei que v√£ admira√ß√£o de si mesmo,

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O Mais F√°cil de Resolver

De quanta imagina√ß√£o n√£o √© feita uma vida para se compensar o que se n√£o realizou! J√° todos o sabemos e nunca ningu√©m o sabe. Se fosse coisa de se saber, n√£o havia man√≠acos da droga, do fumo ou do √°lcool. Projecta-se milimetricamente uma reac√ß√£o a ter, uma ofensa a vingar, uma desconsidera√ß√£o a menosprezar, uma conquista a fazer. E sai sempre outra coisa: nem nos vingamos porque se interp√īs uma fraqueza, nem menosprez√°mos a desconsidera√ß√£o porque nos menosprezaram o nosso menosprezo, nem conquist√°mos nada porque amanh√£ √© que √©. Mas falhada a nossa reac√ß√£o, logo congeminamos de novo efectiv√°-la e com acr√©scimo de efeito. At√© que o tempo e a morte tudo decidam irremediavelmente por n√≥s. E acabamos por achar que decidiu bem, porque o mais f√°cil de resolver √© sempre o n√£o resolver.

Se voc√™ fosse uma bebida eu repetiria a dose. Se voc√™ fosse uma droga, entraria em overdose. Voc√™ √©, meu v√≠cio sem fim…

Pensar √© bom, pensar com lucidez √© √≥timo, por√©m pensar demais √© uma bomba contra a sa√ļde ps√≠quica, o prazer de viver e a criatividade. N√£o s√£o apenas as drogas psicotr√≥picas que viciam, mas tamb√©m o excesso de informa√ß√£o, de trabalho intelectual, de atividades, de preocupa√ß√£o, de uso do telem√≥vel.

Sempre existiram drogas mais potentes, mais calmantes, mais tranquilizantes, mais alucinógenas do que todas as drogas da farmacopéia antiga e da farmacologia moderna. Essas miracle-drugs, essas drogas-milagre são as palavras.

Dia de Descanso

Hoje reservo o dia inteiro para chorar
√Č o domingo decadente¬†¬†¬† em que muitos
esperam pela morte de pé
√Č o dia do sarro que vem √† boca da mediocridade
circular    dos gestos que andam disfarçados de gestos
dos amores que deram em estribilhos
das correrias peder√°sticas para o futebol em cal√ß√Ķes
mais o melhor fato    e a mesquinhez nacional dos 10%
de desconto em todo o vestu√°rio

E choro   choro   porque a coragem
n√£o me falta para tudo isto e assisto
na nega de me ceder ao braço dado

Precisarei de um cansaço mas
l√° estavam espertas
as mil e n√£o sei quantas lojas abertas
para mo vender!

Mas hoje é domingo
Lá está o chão reluzente de martírio
e nem já o sonho me dá de graça o ter por não ter
j√° nem o amor que suponho me d√° o sonho de ser

E choro de coragem    isto é
as lágrimas hão-de cair sêcas nas minhas mãos
Falo cristalinamente sozinho
procurando entre as paredes e as varandas que v√£o cair
algum acaso    isto é
o eco,

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O Estado de Transe

O estado de transe √© um estado quase normal no ser humano; basta muito pouco para provoc√°-lo. Uma coisa de nada, um pouco de √°lcool no sangue, um pouco de droga, excesso de oxig√©nio, a c√≥lera, o cansa√ßo. Mas este estado √© interessante na medida em que √© orient√°vel. Trata-se de um balan√ßo, mas esse lan√ßa m√£o das regi√Ķes desconhecidas do nosso esp√≠rito. De facto, n√£o h√° fundamentalmente nenhuma diferen√ßa, entre um homem intoxicado pelo √°lcool e um santo que se entregue ao √™xtase. E no entanto h√° apesar de tudo uma diferen√ßa: a da interpreta√ß√£o. O momento de loucura √© preparado por uma etapa onde o assunto √© mergulhado numa esp√©cie de vacila√ß√£o da consci√™ncia, de excita√ß√£o cerebral violenta. √Č esse momento que fabrica verdadeiramente o √™xtase e lhe d√° o sentido. Enquanto o √™xtase em si mesmo √© cego. √Č o vazio total, sem ascens√£o nem queda. A calma plana. Tanto quanto se possa dizer que o santo nunca conhecer√° Deus. Aproxima-O, depois regressa. E estas duas etapas s√£o as que s√£o. Entre as duas, √© o nada. O vazio, a amn√©sia completa. No momento X do √™xtase, o santo e o intoxicado s√£o semelhantes, est√£o no mesmo local.

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Imagina: um drogado diante de um amor; imagina: o drogado a ter de escolher entre a droga e o amor; imagina: o drogado a escolher o amor.

Sei que um homem com um m√≠nimo de volume inspira seguran√ßa a uma mulher. Para dizer a verdade, fa√ßo um julgamento moral dos homens que t√™m demasiado cuidado com o seu aspecto. Num mundo t√£o cheio de tenta√ß√Ķes, em alguma delas se h√°-de cair – e antes na boa mesa do que na droga ou na pol√≠tica.

Alcool

Guilhotinas, pelouros e castelos
Resvalam longamente em prociss√£o;
Volteiam-me crep√ļsculos amarelos,
Mordidos, doentios de roxid√£o.

Batem asas d’aur√©ola aos meus ouvidos,
Grifam-me sons de c√īr e de perfumes,
Ferem-me os olhos turbilh√Ķes de gumes,
Desce-me a alma, sangram-me os sentidos.

Respiro-me no ar que ao longe vem,
Da luz que me ilumina participo;
Quero reunir-me, e todo me dissipo –
Luto, estrebucho… Em v√£o! Silvo pra al√©m…

Corro em volta de mim sem me encontrar…
Tudo oscila e se abate como espuma…
Um disco de ouro surge a voltear…
Fecho os meus olhos com pavor da bruma…

Que droga foi a que me inoculei?
√ďpio d’inferno em vez de para√≠so?…
Que sortilégio a mim próprio lancei?
Como é que em dor genial eu me eterizo?

Nem ópio nem morfina. O que me ardeu,
Foi alcool mais raro e penetrante:
√Č s√≥ de mim que eu ando delirante –
Manh√£ t√£o forte que me anoiteceu.

A leitura é como que uma droga que confere um adormecimento agradável aos contornos da crueldade da vida.