Passagens sobre Filhos

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Frases sobre filhos, poemas sobre filhos e outras passagens sobre filhos para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

As M√£es?

Fossem estes dias uma fonte que
brotasse.
Manchas de azul, um rasto de neve em pleno céu,
colmeias,
mel, uma exaltação de asas.

Mas é assim:
metais que revestem a pele e as armaduras,
bronze, ferro, formas que perduram, malhas, ameaçados
tecidos que nos moldam ‚ÄĒ
quem borda ainda,
quem se atreve √† min√ļcia das rendas?

As m√£es?
elas vinham cedo, eram como um rumor de levadas,
atravessando as terras.
Eram as mesmas m√£os trabalhando sedas, afagos e
uma conspiração de cores e agulhas frias,
mães de silêncio bordando a treva e o sono, a longa
noite dos filhos.

Herdei uma beleza amarga,
o temor das sombras, dos rel√Ęmpagos que embatiam
na inf√Ęncia,
no dorso das colinas,
no coração mais triste.

Um estrondo de muralhas, diques, batalhas que
deflagram,
uma ciência aterradora:
não quero outra véspera de espadas, a coroação do
sangue,
patíbulos onde a cabeça se expande,
rolando como a poeira e os astros,
repercutindo como um sino no choro das m√£es.

N√£o quero um bordado de horas antigas,

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Louvor do Esquecimento

Bom é o esquecimento.
Senão como é que
O filho deixaria a m√£e que o amamentou?
Que lhe deu a força dos membros e
O retém para os experimentar.

Ou como havia o discípulo de abandonar o mestre
Que lhe deu o saber?
Quando o saber est√° dado
O disc√≠pulo tem de se p√īr a caminho.

Na velha casa
Entram os novos moradores.
Se os que a construíram ainda lá estivessem
A casa seria pequena de mais.

O fog√£o aquece. O oleiro que o fez
Já ninguém o conhece. O lavrador
N√£o reconhece a broa de p√£o.

Como se levantaria, sem o esquecimento
Da noite que apaga os rastos, o homem de manh√£?
Como é que o que foi espancado seis vezes
Se ergueria do chão à sétima
Pra lavrar o pedregal, pra voar
Ao céu perigoso?

A fraqueza da memória dá
Fortaleza aos homens.

Tradução de Paulo Quintela

Frutas De Maio

Maio chegou — alegre e transparente
Cheio de brilho e m√ļsica nos ares,
De cristalinos risos salutares,
Frio, porém, ó gota alvinitente.

Corre um fluido suave e odorescente
Das laranjeiras, como dos altares
O incenso — e, como a gaze azul dos mares,
Leve — h√° por tudo um beijo, docemente.

Isto bem cedo, de manh√£ — adiante
Pela tarde um sol calmo, agonizante,
P√Ķe no horizonte resplendentes franjas.

H√° carinhos, da luz em cada raio,
Filha — e eu que adoro este frescor de maio
Muito, mas muito — trago-te laranjas.

O Camponês Trata das Leiras

1

O camponês trata das leiras
Mantém em forma as vacas, paga impostos
Faz filhos pra poupar criados e
Está dependente do preço do leite.
Os da cidade falam do amor ao torr√£o
Da sadia cepa campesina e
Que o camponês é o fundamento da Nação.

2

Os da cidade falam do amor ao torr√£o
Da sadia cepa campesina e
Que o camponês é o fundamento da Nação.
O camponês trata das leiras
Mantém em forma as vacas, paga impostos
Faz filhos pra poupar criados e
Está dependente do preço do leite.

Tradução de Paulo Quintela

Ah, a Moral!

Ah, a palavra ¬ęmoral¬Ľ! Sempre que aparece, penso nos crimes que foram cometidos em seu nome. As confus√Ķes que este termo engendrou abarcam quase toda a hist√≥ria das persegui√ß√Ķes movidas pelo homem ao seu semelhante. Para al√©m do facto de n√£o existir apenas uma moral, mas muitas, √© evidente que em todos os pa√≠ses, seja qual for a moral dominante, h√° uma moral para o tempo de paz e uma moral para a guerra. Em tempo de guerra tudo √© permitido, tudo √© perdoado. Ou seja, tudo o que de abomin√°vel e infame o lado vencedor praticou. Os vencidos, que servem sempre de bode expiat√≥rio, ¬ęn√£o t√™m moral¬Ľ.
Pensar-se-√° que, se realmente glorific√°ssemos a vida e n√£o a morte, se d√©ssemos valor √† cria√ß√£o e n√£o √† destrui√ß√£o, se acredit√°ssemos na fecundidade e n√£o na impot√™ncia, a tarefa suprema em que nos empenhar√≠amos seria a da elimina√ß√£o da guerra. Pensar-se-√° que, fartos de carnificina, os homens se voltariam contra os assassinos, ou seja, os homens que planeiam a guerra, os homens que decidem das modalidades da arte da guerra, os homens que dirigem a ind√ļstria de material de guerra, material que hoje se tornou indescrivelmente diab√≥lico. Digo ¬ęassassinos¬Ľ, porque em √ļltima an√°lise esses homens n√£o s√£o outra coisa.

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Riqueza Ilimitada mas Mortal

Eu n√£o posso, pensando bem, descobrir como √© poss√≠vel a n√≥s, que demos tanta import√Ęncia √† riqueza ilimitada e que, para falar a verdade, a divinizamos, n√£o admitir nas nossas almas os males que crescem com ela. Acompanha, com efeito, a riqueza sem medida e sem cora√ß√£o, ligada a ela, e como se diz marchando no mesmo passo, a prodigalidade, e √† medida que a riqueza abre o acesso √†s cidades e √†s casas ela entra junto e coabita. Depois, com o tempo, segundo os s√°bios, esses seres fazem os seus ninhos nas vidas humanas e rapidamente engendram outros seres, no momento da procria√ß√£o, como a cupidez, o orgulho e a lux√ļria, que n√£o s√£o seus bastardos mas filhos leg√≠timos.
Mas se permitir que esses filhos da riqueza avancem na idade, logo para as almas eles engendrar√£o tiranos inexor√°veis, a viol√™ncia, a ilegalidade e a imprud√™ncia. Pois √© assim necessariamente; os homens n√£o olham mais para o alto e n√£o d√£o import√Ęncia ao renome na posteridade, mas a destrui√ß√£o das vidas (dos homens) completa-se pouco a pouco num tal ciclo e a grandeza das almas fenece, enfraquece e n√£o √© mais assunto de emula√ß√£o, quando se reserva a sua admira√ß√£o √†s partes mortais de si mesmo,

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Para eliminar a desarmonia do lar √© preciso que o marido, a mulher, os pais, os filhos, a sogra, a nora, etc. se coloquem um no lugar do outro. O marido deve pensar: ‚ÄėColocando-me no lugar de minha mulher, percebo qu√£o desastrado tenho sido como marido. Perdoe-me, querida‚Äô. A mulher deve pensar: ‚Äė Colocando-me no lugar de meu marido, percebo o quanto tenho sido incompetente como esposa. Perd√£o, querido‚Äô. Deste modo, cada um deve abrir o cora√ß√£o e pedir perd√£o. O ser humano n√£o perde a dignidade s√≥ porque pediu perd√£o. Se algu√©m se sente diminu√≠do quando pede perd√£o √© porque n√£o conhece a Verdade. Pedir perd√£o significa anular o ‚Äėfalso eu‚Äô e fazer renascer o ‚ÄėEu verdadeiro‚Äô (filho de Deus). Nesse momento, a pessoa se torna verdadeiramente forte.

Ao Mundo Esconde O Sol Seus Resplendores

Ao mundo esconde o Sol seus resplendores,
e a m√£o da Noite embrulha os horizontes;
n√£o cantam aves, n√£o murmuram fontes,
n√£o fala P√£ na boca dos pastores.

Atam as Ninfas, em lugar de flores,
mortais ciprestes sobre as tristes frontes;
erram chorando nos desertos montes,
sem arcos, sem aljavas, os Amores.

Vênus, Palas e as filhas da Memória,
deixando os grandes templos esquecidos,
não se lembram de altares nem de glória.

Andam os elementos confundidos:
ah, J√īnia, J√īnia, dia de vit√≥ria
sempre o mais triste foi para os vencidos!

Do Amor e da Morte

Temos l√°bios tenros para o amor
dentes afiados para a morte

Concebemos filhos para o amor
para a guerra os mandamos para a morte

Levantamos casas para o amor
cidades bombardeamos para a morte

Plantamos a seara para o amor
racionamos o trigo para a morte

Florimos atalhos para o amor
rasgamos fronteiras para a morte

Escrevemos poemas para o amor
lavramos escrituras para a morte

O amor e a morte
somos

Pequenina

Eu bem sei que te chamam pequenina
E ténue como o véu solto na dança,
Que és no juízo apenas a criança,
Pouco mais, nos vestidos, que a menina…

Que és o regato de água mansa e fina,
A folhinha do til que se balança,
O peito que em correndo logo cansa,
A fronte que ao sofrer logo se inclina…

Mas, filha, l√° nos montes onde andei,
Tanto me enchi de ang√ļstia e de receio
Ouvindo do infinito os fundos ecos,

Que n√£o quero imperar nem j√° ser rei
Sen√£o tendo meus reinos em teu seio
E s√ļbditos, crian√ßa, em teus bonecos!

Disputa em Família

I

Sai das nuvens, levanta a fronte e escuta
O que dizem teus filhos rebelados,
Velho Jeov√° de longa barba hirsuta,
Solitário em teus Céus acastelados:

¬ę ‚ÄĒ Cessou o imp√©rio enfim da for√ßa bruta!
N√£o sofreremos mais, emancipados,
O tirano, de m√£o tenaz e astuta,
Que mil anos nos trouxe arrebanhados!

Enquanto tu dormias impassível,
Top√°mos no caminho a liberdade
Que nos sorriu com gesto indefin√≠vel…

J√° prov√°mos os frutos da verdade…
√ď Deus grande, √≥ Deus forte, √≥ Deus terr√≠vel.
N√£o passas d’uma v√£ banalidade! ‚ÄĒ ¬Ľ

II

Mas o velho tirano solit√°rio,
De coração austero e endurecido,
Que um dia, de enjoado ou distraido,
Deixou matar seu filho no Calv√°rio,

Sorriu com rir estranho, ouvindo o v√°rio
Tumultuoso coro e alarido
Do povo insipiente, que, atrevido,
Erguia a voz em grita ao seu sacr√°rio:

¬ę ‚ÄĒ Vanitas vanitatum! (disse). √Č certo
Que o homem vão medita mil mudanças,
Sem achar mais do que erro e desacerto.

Muito antes de nascerem vossos pais
D’um barro vil,

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O L√°zaro Da P√°tria

Filho podre de antigos Goitacases,
Em qualquer parte onde a cabeça ponha,
Deixa circunferências de peçonha,
Marcas oriundas de √ļlceras e antrazes.

Todos os cinocéfalos vorazes
Cheiram seu corpo. À noite, quando sonha,
Sente no tórax a pressão medonha
Do bruto embate férreo das tenazes,

Mostra aos montes e aos rígidos rochedos
A hedionda elefant√≠asis dos dedos…
H√° um cansa√ßo no Cosmos… Anoitece,

Riem as meretrizes no Casino,
E o L√°zaro caminha em seu destino
Para um fim que ele mesmo desconhece!

Um Segredo de um Casamento Feliz

Desde que a Maria João e eu fizemos dez anos de casados que estou para escrever sobre o casamento. Depois caí na asneira de ler uns livros profissionais sobre o casamento e percebi que eu não percebo nada sobre o casamento.

Confesso que a minha ambição era a mais louca de todas: revelar os segredos de um casamento feliz. Tendo descoberto que são desaconselháveis os conselhos que ia dar, sou forçado a avisar que, quase de certeza, só funcionam no nosso casamento.

Mas vou dá-los à mesma, porque nunca se sabe e porque todos nós somos muito mais parecidos do que gostamos de pensar.

O casamento feliz n√£o √© nem um contrato nem uma rela√ß√£o. Rela√ß√Ķes temos n√≥s com toda a gente. √Č uma cria√ß√£o. √Č criado por duas pessoas que se amam.

O nosso casamento √© um filho. √Č um filho inteiramente dependente de n√≥s. Se n√≥s nos separarmos, ele morre. Mas n√£o deixa de ser uma terceira entidade.

Quando esse filho é amado por ambos os casados Рque cuidam dele como se cuida de um filho que vai crescendo -, o casamento é feliz. Não basta que os casados se amem um ao outro.

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M√£es! que tendes os vossos filhos doentes pelo erro da vossa n√£o higiene para com eles, n√£o lhes deis o caldinho aconselhado ainda por tantos preconceituosos e inveterados.

Como é que pode várias pessoas batizarem seus filhos de Elvis? Deve ter existido um Elvis e uma razão para este nome

Que o Rudo Engenho Meu me Desengana

De t√£o divino acento em voz humana,
De eleg√Ęncias que s√£o t√£o peregrinas,
Sei bem que minhas obras n√£o s√£o dignas,
Que o rudo engenho meu me desengana.

Porém da vossa pena ilustre mana
Licor que vence as √°guas Cabalinas;
E convosco do Tejo as flores finas
Farão inveja à cópia Mantuana.

E pois a vós, de si não sendo avaras,
As filhas de Mnemósine fermosa
Partes dadas vos têm ao mundo claras;

A minha Musa, e a vossa t√£o famosa,
Ambas se podem nele chamar raras,
A vossa de alta, a minha de invejosa.