Textos de Hugo von Hofmannsthal

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Textos de Hugo von Hofmannsthal. Conheça este e outros autores famosos em Poetris.

Os Méritos Invisíveis

H√° certos m√©ritos em n√≥s que nunca, como resultado de uma obra produzida, a n√≥s pr√≥prios saltam √† vista, nem mesmo na reac√ß√£o do mundo se tornam percept√≠veis; e, no entanto, s√£o esses os mais valiosos e o tomar consci√™ncias deles levaria o nosso sangue a correr mais leve: captar e devolver essas radia√ß√Ķes constitui a mais delicada tarefa da amizade.

Nada √© Imposs√≠vel nas Rela√ß√Ķes Humanas

Observando o decorrer do tempo, nada, afinal, se considera imposs√≠vel no que concerne √†s rela√ß√Ķes humanas: nenhuma transforma√ß√£o, nenhum retrocesso, nenhuma contradi√ß√£o em si mesma. O que mant√©m tudo junto, o estado humano normal, que em tudo se pode encontrar, √© de longe aquilo que √© mais forte.

Como Vemos os Outros

N√≥s temos em toda a vida, especialmente na esfera da comunica√ß√£o espiritual, o h√°bito errado de emprestarmos √†s outras pessoas muito daquilo que nos √© pr√≥prio, como se tivesse de ser mesmo assim. Mas como elas, al√©m disso, nos mostram tamb√©m o que t√™m de si pr√≥prias, da√≠ resultam, dado que n√≥s procuramos criar uma unidade com as duas partes, aut√™nticos monstros, semelhantes √†queles que, numa casa com muitos cantos, a luz de uma lanterna produz com uma parte de sombras e uma parte de objectos reais. N√£o h√° nenhuma opera√ß√£o mais √ļtil mas, ao mesmo tempo, mais dif√≠cil que deduzir da imagem do outro aquilo que inconscientemente lhe foi emprestado. No entanto, s√≥ assim fazemos dos outros verdadeiras pessoas – ou, dito de uma forma mais breve: o homem julga compreender os homens quando acrescenta a uma suposta e ilimitada analogia com o seu pr√≥prio eu ainda alguma coisa que √© contr√°ria a esse eu. √Č a experi√™ncia que leva cada um a poder lidar com pessoas que tem de imaginar, na sua ess√™ncia, diferentes de si mesmo.

O Mais Raro De Todos

São apreciados, como algo de raro, aqueles que sabem ouvir calma e atentamente; igualmente raro é um verdadeiro leitor e o mais raro de todos é aquele que deixa que os seus semelhantes actuem sobre ele sem, constantemente, com a sua inquietação interior, vaidade ou egoísmo, destruir ou mesmo aniquilar a impressão.

O Bom Narrador

O narrador comum narra como algo poderia acontecer acidentalmente. O bom narrador faz acontecer algo no momento actual diante dos nossos olhos. O mestre narra como se acontecesse de novo algo h√° muito acontecido.

Os Falsos Cultos

A maior parte das pessoas, ao entregarem-se √†s chamadas ocupa√ß√Ķes intelectuais, considerando como tais o ler e o escrever (n√£o o escrever cartas, mas o escrever como autor), n√£o fazem de modo algum o que julgam fazer: porque nem embelezam a sua cultura – ¬ęampliar¬Ľ a sua cultura, como se costuma dizer, √© um disparate horroroso – nem agu√ßam o seu entendimento, nem enriquecem a sua experi√™ncia, e n√£o produzem mais nem nada mais importante que aqueles rapazes que remexem a terra √† beira de um charco, deitam pedras para a √°gua turva, etc., em suma, um nada em grande az√°fama.
Nenhum bocado da superf√≠cie de uma figura pode ser criado sen√£o a partir do seu √Ęmago.

Obedecer ao Seu Génio ou às Suas Insuficiências

Para aquele que produz n√£o h√° nenhuma prova mais s√©ria do que procurar reconhecer se o que, de um passo para outro, o coage e previne √© o seu verdadeiro g√©nio ou a voz pusil√Ęnime das suas insufici√™ncias: se, ao adquirir a forma, obedece ao que nele h√° de mais elevado ou de mais baixo.

Importa Procurar o Perigo

N√£o estamos n√≥s na maior pobreza onde mais seguros estamos, na maior riqueza onde estamos em maior perigo – n√£o √© voltar sempre a procurar o perigo que importa; n√£o existe um h√°lito de morte e de putrefac√ß√£o em torno de todas as institui√ß√Ķes em que a vida √© descurada e preterida pelo mecanismo da vida, tais as reparti√ß√Ķes p√ļblicas, as escolas oficiais, o funcionamento assegurado dos sacerdotes, etc.?

Reconhecimento Indirecto

Uma esp√©cie de reconhecimento indirecto constante √© um ingrediente que nunca pode faltar nas rela√ß√Ķes sociais; o reconhecimento directo √© mais dif√≠cil de suportar: quem nos manifesta directamente o seu reconhecimento d√° assim a entender que se coloca ao mesmo n√≠vel que n√≥s ou pelo menos est√° em condi√ß√Ķes de nos avaliar e ao nosso m√©rito.

A Inconsistência Humana

Quanto mais uma pessoa se aproxima de outra, menos consegue Рa não ser que a veja com os olhos do amor Рachá-la consequente na sua actividade e consistente no seu interior, e a outra retribui-lhe do mesmo modo. Na verdade, porém, a consistência não existe em parte nenhuma, a não ser no que é produtivo.

Consistência Irreal

A principal diferença entre as pessoas reais e as figuras inventadas pelos escritores é a que resulta do facto de estes fazerem todos os esforços para darem às figuras coerência e unidade interior, ao passo que as pessoas vivas podem ir, na incoerência, até ao extremo, dado que o físico lhes mantém a consistência.

O √ćntimo e o Vulgar

A vergonha que leva uma pessoa a n√£o querer falar a ningu√©m das suas rela√ß√Ķes mais √≠ntimas √© uma auto-advert√™ncia do esp√≠rito; em cada confiss√£o, em cada descri√ß√£o, facilmente a distor√ß√£o se insinua e o que √© mais delicado e indiz√≠vel transforma-se num instante em algo vulgar.