A Verdade Universal N√£o Existe

Consultei os fil√≥sofos, folheei os seus livros, examinei as suas diversas opini√Ķes; achei-os todos orgulhosos, afirmativos, dog¬≠m√°ticos – mesmo no seu pretenso cepticismo -, n√£o ignorando nada, n√£o demonstrando nada, tro√ßando uns dos outros; e esse ponto, que √© comum a todos eles, pareceu-me ser o √ļnico em que todos concordavam. Triunfantes quando atacam, n√£o t√™m vigor quando se defendem. Se examinais as suas raz√Ķes, s√≥ as t√™m pa¬≠ra destruir; se contais os seus caminhos, cada um est√° limitado ao seu; s√≥ se p√Ķem de acordo para discutir; prestar-lhes ouvidos n√£o era o meio de me livrar da minha incerteza. Compreendi que a insufici√™ncia do esp√≠rito humano √© a pri¬≠meira causa dessa prodigiosa diversidade de sentimentos, e que o orgulho √© a segunda.
N√≥s n√£o temos a medida dessa imensa m√°qui¬≠na, n√£o podemos calcular as suas propor√ß√Ķes; n√£o lhe conhecemos nem as primeiras leis nem a causa final; ignoramo-nos a n√≥s mes¬≠mos; n√£o conhecemos nem a nossa natureza nem o nosso princ√≠pio activo; mal sabemos se o homem √© um ser simples ou composto: mist√©rios impenetr√°veis rodeiam-nos por todos os lados; pairam por cima da regi√£o sens√≠vel; para os compreendermos, supomos ter intelig√™ncia, e apenas temos imagina√ß√£o. Cada um de n√≥s abre¬≠ atrav√©s desse mundo imagin√°rio –

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