Cita√ß√Ķes sobre Trem

22 resultados
Frases sobre trem, poemas sobre trem e outras cita√ß√Ķes sobre trem para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

O Meu Coração Desce

O meu coração desce,
Um bal√£o apagado…
_ Melhor fora que ardesse,
Nas trevas, incendiado.
Na bruma fastidienta.
Como um caix√£o √† cova…
_ Porque antes n√£o rebenta
De dor violenta e nova?!
Que apego ainda o sustém?
√Ātomo miserando…
_ Se o esmagasse o trem
Dum comboio arquejando!…

O inane, vil despojo
Da alma egoísta e fraca!
Trouxesse-o o mar de rojo,
Levasse-o a ressaca.

Eram cinco da manhã, chovia, e Eric von Lhomon, ferido em Saragoça, tratado a bordo de um navio-hospital italiano, esperava no café da estação de Pisa o trem que o levaria de volta à Alemanha.

Carta a Manoel

Manoel, tens raz√£o. Venho tarde. Desculpa.
Mas n√£o foi Anto, n√£o fui eu quem teve a culpa,
Foi Coimbra. Foi esta paysagem triste, triste,
A cuja influencia a minha alma n√£o reziste,
Queres noticias? Queres que os meus nervos fallem?
V√°! dize aos choupos do Mondego que se callem…
E pede ao vento que n√£o uive e gema tanto:
Que, emfim, se soffre abafe as torturas em pranto,
Mas que me deixe em paz! Ah tu n√£o imaginas
Quanto isto me faz mal! Peor que as sabbatinas
Dos ursos na aula, peor que beatas correrias
De velhas magras, galopando Ave-Marias,
Peor que um diamante a riscar na vidraça!
Peor eu sei lá, Manoel, peor que uma desgraça!
Hysterisa-me o vento, absorve-me a alma toda,
Tal a menina pelas vesperas da boda,
Atarefada mail-a ama, a arrumar…
O vento afoga o meu espirito n’um mar
Verde, azul, branco, negro, cujos vagalh√Ķes
S√£o todos feitos de luar, recorda√ß√Ķes.
√Ā noite, quando estou, aqui, na minha toca,
O grande evocador do vento evoca, evoca
Nosso ver√£o magnifico, este anno passado,
(E a um canto bate,

Continue lendo…

Felicidade e Alegria

N√£o creio que se possa definir o homem como um animal cuja caracter√≠stica ou cujo √ļltimo fim seja o de viver feliz, embora considere que nele seja essencial o viver alegre. O que √© pr√≥prio do homem na sua forma mais alta √© superar o conceito de felicidade, tornar-se como que indiferente a ser ou n√£o ser feliz e ver at√© o que pode vir do obst√°culo exactamente como melhor meio para que possa desferir voo. Creio que a mais perfeita das combina√ß√Ķes seria a do homem que, visto por todos, inclusive por si pr√≥prio, como infeliz, conseguisse fazer de sua infelicidade um motivo daquela alegria que se n√£o quebra, daquela alegria serena que o leva a interessar-se por tudo quanto existe, a amar todos os homens apesar do que possa combater, e √© mais dif√≠cil amar no combate que na paz, e sobretudo conservar perante o que vem de Deus a atitude de obedi√™ncia ou melhor, de disponibilidade, de quem finalmente entendeu as estruturas da vida.
Os felizes passam na vida como viajantes de trem que levassem toda a viagem dormindo; só gozam o trajecto os que se mantêm bem despertos para entender as duas coisas fundamentais do mundo: a implacabilidade,

Continue lendo…

Apocalipse

Porque a lua é branca e a noite
√© simples an√ļncio da aurora;
e porque o mar é o mar apenas
e a fonte n√£o canta nem chora;

e porque o sal se decomp√Ķe
e s√£o de √°gua e carv√£o as rosas,
e a luz é simples vibração
que excita células nervosas;

e porque o som fere os ouvidos
e o vento canta na harpa eólia;
e porque a terra gera os √°spides
entre a papoula e magnólia;

e porque o trem j√° vai partir
e o corvo nos diz never more;
e porque devemos sorrir
antes que o crep√ļsculo descore;

e porque ontem j√° n√£o existe
e o que h√° de vir n√£o mais vir√°,
e porque estamos num balé
sobre o estopim da Bomba H:

n√£o marcharemos contra o muro
das lamenta√ß√Ķes, prantear
a frustração de tudo o que
sonhamos ousar, sem ousar.

Títeres mudados em gnomos,
enfrentemos o Apocalipse
como pilotos da tormenta
entre o terremoto e o eclipse.

Vamos dançar sobre o convés
enquanto o barco n√£o aderna;

Continue lendo…

E viram assombrados o trem enfeitado de flores que, já da primeira vez, chegava com oito meses de atraso. O inocente trem amarelo que tantas incertezas e evidencias, e tantos deleites e desventuras, e tantas mudanças, calamidades e saudades haveria de trazer para Macondo.

Irm√£o

Eu não fiz uma revolução.
Mas me fiz irm√£o de todas as revolu√ß√Ķes.
Eu fiquei irm√£o de muitas coisas no mundo.
Irm√£o de uma certa camisa.
Uma certa camisa que era de um gesto de céu
e com certo carinho me vestia, como se me
vestisse de √°rvore e de nuvens.
Eu fiquei irm√£o de uma vaca, como se ela
também sonhasse. Fiquei irmão de um vira-lata
com o brio com que ele também me abraçava.
Fiquei irmão de um riacho, que é nome
de rio pequeno, um pequeno que cabe
todo dentro de mim, me falando,
me beijando, me lambendo, me lembrando.
Brincava e me envolvia, certos dias eu
girava em torno do redemoinho do cachorro
e do riacho e da vaca, sem às vezes saber
se estava beijando o riacho, o cachorro
ou a vaca, com um grande céu
me entornando, com um grande céu
com a vaca no lombo e com o c√£o,
com o riacho rindo de nós todos.
Eu fiquei irm√£o de livros, de gentes.
Eu fiquei irm√£o de uma certa montanha.

Continue lendo…

Por haver dificuldades é que a alma pode progredir. O trem avança justamente porque os trilhos oferecem resistência.

A Débil

Eu, que sou feio, sólido, leal,
A ti, que és bela, frágil, assustada,
Quero estimar-te sempre, recatada
Numa existência honesta, de cristal.

Sentado à mesa dum café devasso,
Ao avistar-te, h√° pouco, fraca e loura,
Nesta Babel t√£o velha e corruptora,
Tive ten√ß√Ķes de oferecer-te o bra√ßo.

E, quando socorreste um miser√°vel,
Eu, que bebia c√°lices de absinto,
Mandei ir a garrafa, porque sinto
Que me tornas prestante, bom, saud√°vel.

“Ela a√≠ vem!” disse eu para os demais;
E pus-me a olhar, vexado e suspirando,
O teu corpo que pulsa, alegre e brando,
Na frescura dos linhos matinais.

Via-te pela porta envidraçada;
E invejava, ‚ÄĒ talvez que n√£o o suspeites! –
Esse vestido simples, sem enfeites,
Nessa cintura tenra, imaculada.

Ia passando, a quatro, o patriarca.
Triste eu saí. Doía-me a cabeça.
Uma turba ruidosa, negra, espessa,
Voltava das exéquias dum monarca.

Ador√°vel! Tu, muito natural,
Seguias a pensar no teu bordado;
Avultava, num largo arborizado,
Uma est√°tua de rei num pedestal.

Sorriam, nos seus trens,

Continue lendo…

Prova Documental

J√° assumi a solid√£o dos outros
j√° provei do enigma insol√ļvel
j√° calcei as botas do morto
j√° tive segredo e foi de √°gua abaixo.

J√° fugi ao encontro marcado
j√° fui banido, j√° disse adeus
j√° fui soldado, j√° fui rapsodo
já tive inocência e foi de água abaixo.

J√° fui esperto, j√° fui afoito
já puxei faca, já toquei pífaro
j√° fui vaiado depois da briga
j√° tive saudade e foi de √°gua abaixo.

J√° fui √°rcade, j√° fui arcaico
já fui pateta, já fui patético
j√° perdi no jogo e na vida
j√° tive amor e foi de √°gua abaixo.

Já tive pressa, já sentei praça
j√° tive ouro, j√° tive prata
j√° tive lenda, j√° tive fazenda
j√° tive paz e foi de √°gua abaixo.

J√° tive herdade, j√° fui deserdado
já tive episódio, já tive epitáfio
j√° levei o andor de Nosso Senhor
já tive esperança e foi de água abaixo.

J√° tive mando, j√° corri mundo
j√° fui a Roma e n√£o quis ver o Papa
j√° fui pra cama com Ana Bolena
j√° tive inf√Ęncia e foi de √°gua abaixo.

Continue lendo…

O Sentimento dum Ocidental

I

Avé-Maria

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
H√° tal soturnidade, h√° tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O g√°s extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposi√ß√Ķes, pa√≠ses:
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!

Semelham-se a gaiolas, com viveiros,
As edifica√ß√Ķes somente emadeiradas:
Como morcegos, ao cair das badaladas,
Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros.

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquet√£o ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueir√Ķes, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.

E evoco, então, as crónicas navais:
Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!
Luta Cam√Ķes no Sul, salvando um livro a nado!
Singram soberbas naus que eu n√£o verei jamais!

E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!

Continue lendo…

Como se te perdesse nos trens, nas esta√ß√Ķes Ou contornando um c√≠rculo de √°guas Removente ave, assim te somo a mim: De redes e de anseios inundada