Cita√ß√Ķes sobre Bombeiros

7 resultados
Frases sobre bombeiros, poemas sobre bombeiros e outras cita√ß√Ķes sobre bombeiros para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Somos Cidadãos Sem Laços de Cidadania

√Č escusado. Em nenhuma √°rea do comportamento social conseguimos encontrar um denominador comum que nos torne a conviv√™ncia harmoniosa. Procedemos em todos os planos da vida colectiva como figadais advers√°rios. Guerreamo-nos na pol√≠tica, na literatura, no com√©rcio e na ind√ļstria. Onde est√£o dois portugueses est√£o dois concorrentes hostis √† Presid√™ncia da Rep√ļblica, √† chefia dum partido, √† ger√™ncia dum banco, ao comando de uma corpora√ß√£o de bombeiros. N√£o somos capazes de reconhecer no vizinho o talento que nos falta, as virtudes de que carecemos. Diante de cada sucesso alheio ficamos transtornados. E vingamo-nos na s√°tira, na mordacidade, na maledic√™ncia. Nas cidades ou nas aldeias, por f√°s e por nefas, n√£o h√° ningu√©m sem alcunha, a todos √© colado um rabo-leva pejorativo. Quem quiser conhecer a natureza do nosso relacionamento, leia as pol√©micas que trav√°mos ao longo dos tempos. S√£o reveladoras. A celebrada carta de E√ßa a Camilo ou a tamb√©m conhecida deste ao conselheiro Forjaz de Sampaio d√£o a medida exacta da verrina em que nos comprazemos no trato di√°rio. Gregariamente, somos um somat√≥rio de cidad√£os sem la√ßos de cidadania.

A Cidade de Palaguin

Na cidade de Palaguin
o dinheiro corrente era olhos de crianças.
Em todas as ruas havia um bordel
e uma multid√£o de prostitutas
frequentava aos grupos casas de ch√°.
Havia dramas e histórias de era uma vez
havia hospitais repletos:
o pus escorria da porta para as valetas.
Havia janelas nunca abertas
e pris√Ķes descomunais sem portas.
Havia gente de bem a vagabundear
com a barba crescida.
Havia cães enormes e famélicos
a devorar mortos insepultos e voantes.
Havia três agências funerárias
em todos os locais de turismo da cidade.
Havia gente a beber sofregamente
a água dos esgotos e das poças.
Havia um corpo de bombeiros
que lançava nas chamas gasolina.

Na cidade de Palaguin
havia crianças sem braços e desnudas
brincando em parques de p√Ęntanos e abismos.
Havia ardinas a anunciar
a falência do jornal que vendiam;
havia cinemas: o preço de entrada
era o sexo dum adolescente
(as m√£es cortavam o sexo dos filhos
para verem cinema).
Havia um trust bem organizado
para a exploração do homossexualismo.

Continue lendo…

Tirania e Liberdade Lado a Lado

Tirania e liberdade n√£o se podem considerar isoladas, mesmo se, vistas temporalmente, se revezam uma √† outra. N√£o h√° d√ļvidas de que se pode dizer que a tirania suprime e aniquila a liberdade – mas, por outro lado, uma tirania s√≥ pode ser poss√≠vel, quando a liberdade se domestica e se volatiliza no seu conveito vazio.
O ser humano tende a confiar no aparelho político ou ainda a submeter-se-lhe, quando devia haurir das suas próprias fontes. O que é uma falha em imaginação. Ele tem de conhecer os pontos nos quais não pode deixar que a sua decisão soberana seja negociada. Enquanto as coisas estiverem em ordem, a água estará canalizada e a corrente eléctrica ligada. Se a vida e a propriedade forem ameaçadas, um grito de alarme fará afluir magicamente Bombeiros e Polícia. O grande perigo está em que o ser humano conta em excesso com estas ajudas e fica desamparado quando lhe faltam. Todo o conforto tem de ser pago. A situação do animal doméstico arrasta atrás de si a do animal de abate.

Prioridades ou Emergências ?

H√° uma pergunta que me parece essencial: movo-me por prioridades ou por emerg√™ncias? Isto √©: ando a correr atr√°s de urg√™ncias, como tantas vezes nos acontece, ou sou capaz de parar e ver o que √© priorit√°rio ser feito? Ser ¬ębombeiro¬Ľ √© simp√°tico, mas ser√° esse o meu papel no mundo, aquela miss√£o que a mais ningu√©m pertence? Podemos ter que andar a ¬ęapagar fogos¬Ľ, mas que o imediato n√£o encubra o essencial e que o contributo espec√≠fico de cada um n√£o se perca.

(

Rel√≠quia √ćntima

Ilustríssimo, caro e velho amigo,
Saber√°s que, por um motivo urgente,
Na quinta-feira, nove do corrente,
Preciso muito de falar contigo.

E aproveitando o portador te digo,
Que nessa ocasi√£o ter√°s presente,
A esperada gravura de patente
Em que o Dante regressa do Inimigo.

Manda-me pois dizer pelo bombeiro
Se às três e meia te acharás postado
Junto à porta do Garnier livreiro:

Sen√£o, escolhe outro lugar azado;
Mas d√° logo a resposta ao mensageiro,
E continua a crer no teu Machado.

Sou como bombeiro. Quando saio num chamado, eu quero apagar um grande fogo, eu não quero apagar um fogo numa caçamba.