Cita√ß√Ķes sobre Cordeis

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Diz-me a Verdade acerca do Amor

Há quem diga que o amor é um rapazinho,
E quem diga que ele é um pássaro;
H√° quem diga que faz o mundo girar,
E quem diga que é um absurdo,
E quando perguntei ao meu vizinho,
Que tinha ar de quem sabia,
A sua mulher zangou-se mesmo muito,
E disse que isso n√£o servia para nada.

Ser√° parecido com uns pijamas,
Ou com o presunto num hotel de abstinência?
O seu odor faz lembrar o dos lamas,
Ou tem um cheiro agrad√°vel?
√Č √°spero ao tacto como uma sebe espinhosa
Ou é fofo como um edredão de penas?
√Č cortante ou muito polido nos seus bordos?
Ah, diz-me a verdade acerca do amor.

Os nossos livros de história fazem-lhe referências
Em curtas notas crípticas,
√Č um assunto de conversa muito vulgar
Nos transatl√Ęnticos;
Descobri que o assunto era mencionado
Em relatos de suicidas,
E até o vi escrevinhado
Nas costas dos guias ferrovi√°rios.

Uiva como um c√£o de Als√°cia esfomeado,
Ou ribomba como uma banda militar?
Poderá alguém fazer uma imitação perfeita
Com um serrote ou um Steinway de concerto?

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O Mal da Cidade

O Homem pensa ter na Cidade a base de toda a sua grandeza e s√≥ nela tem a fonte de toda a sua mis√©ria. V√™, Jacinto! Na Cidade perdeu ele a for√ßa e beleza harmoniosa do corpo, e se tornou esse ser ressequido e escanifrado ou obeso e afogado em unto, de ossos moles como trapos, de nervos tr√©mulos como arames, com cangalhas, com chin√≥s, com dentaduras de chumbo, sem sangue, sem fibra, sem vi√ßo, torto, corcunda – esse ser em que Deus, espantado, mal pode reconhecer o seu esbelto e rijo e nobre Ad√£o! Na cidade findou a sua liberdade moral: cada manh√£ ela lhe imp√Ķe uma necessidade, e cada necessidade o arremessa para uma depend√™ncia: pobre e subalterno, a sua vida √© um constante solicitar, adular, vergar, rastejar, aturar; rico e superior como um Jacinto, a Sociedade logo o enreda em tradi√ß√Ķes, preceitos, etiquetas, cerim√≥nias, praxes, ritos, servi√ßos mais disciplinares que os dum c√°rcere ou dum quartel… A sua tranquilidade (bem t√£o alto que Deus com ela recompensa os Santos) onde est√°, meu Jacinto? Sumida para sempre, nessa batalha desesperada pelo p√£o, ou pela fama, ou pelo poder, ou pelo gozo, ou pela fugidia rodela de ouro!
Alegria como a haver√° na Cidade para esses milh√Ķes de seres que tumultuam na arquejante ocupa√ß√£o de desejar –

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Cantares Bacantes (I)

O mar lava a concha cava
e cava concha lava o mar
como a língua limpa lava
tua concha antes de amar.

Del√≠rio da estrela d’alva
mistério da preamar
vinda e volta abrindo a aldrava
da concha do paladar.

Oh minhas parcas de mel!
Eu me afogo em mar vinho
à espera de algum batel.

Sou cantador de cordel:
estórias sabor marinho
bacantes da moscatel.

Às Cambalhotas Sempre Anda a Través

Às cambalhotas sempre anda a través
O Mundo, sem poder-se endireitar.
Velho, bêbado e tonto, a cambalear,
Já não pode suster-se sobre os pés.

Tudo nele se vê hoje de invés
Pois seu eixo quebrou, anda a rolar
N√£o h√° homem que o possa consertar:
Só se for, do Arquitecto a mão que o fez.

Tornou-se num pi√£o: qualquer rapaz
O faz dar quatro voltas c’um cordel
E na palma da mão dançar o faz.

O que hoje fez de grande o seu papel,
Amanh√£ representa de Gil Bl√°s
Neste imenso teatro de Babel.