Todos os ideais e todas as ambições são um desvairo de comadres homens. Não há império que valha que por ele se parta uma boneca de criança.
Passagens de Fernando Pessoa
1382 resultadosNão é o trabalho, mas o saber trabalhar, que é o segredo do êxito no trabalho. Saber trabalhar quer dizer: não fazer um esforço inútil, persistir no esforço até ao fim, e saber reconstruir uma orientação quando se verificou que ela era, ou se tornou, errada.
Bate a Luz no Cimo…
Bate a luz no cimo
Da montanha, vê…
Sem querer eu cismo
Mas não sei em quê….Não sei que perdi
Ou que não achei…
Vida que vivi,
Que mal eu a amei !…Hoje quero tanto
Que o não posso ter,
De manhã há o pranto
E ao anoitecer…Tomara eu ter jeito
Para ser feliz…
Como o mundo é estreito,
E o pouco que eu quis !Vai morrendo a luz
No alto da montanha…
Como um rio a flux
A minha alma banha,Mas não me acarinha,
Não me acalma nada…
Pobre criancinha
Perdida na estrada !…
Segue teu destino, rega tuas plantas, Ama as tuas rosas. O resto é sombra de árvores alheias….. Vê de longe a vida. Nunca a interrogues. Ela nada pode dizer-te. A resposta, está além dos Deuses.
Quanto amei ou deixei de amar, é a mesma saudade em mim.
Eu não sei o que o amanhã trará. É a última frase escrita no idioma no qual foi educado, o inglês: I know not what tomorrow will bring (Eu não sei o que o amanhã trará).
O tédio é a falta de uma mitologia. A quem não tem crenças, até a dúvida é impossível, até o cepticismo não tem força para desconfiar.
Sonho. Não sei quem sou neste momento. Durmo sentindo-me. Na hora calma Meu pensamento esquece o pensamento, Minha alma não tem alma.
Hei-de por força dizer o que me parece, visto que sou eu.
Conta a Lenda que Dormia
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.Mas cada um cumpre o Destino —
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera,
A cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
Cansa tanto viver! Se houvesse outro modo de vida!
A grande falha da cultura francesa não é tanto ser superficial como falsamente profunda.
Esculpir em silêncio nulo todos os nossos sonhos de falar!
Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.
Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto.
Eram dois e belos e desejavam ser outra coisa; o amor tardava-lhes no tédio do futuro, e a saudade do que haveria de ser vinha já sendo filha do amor que não tinham tido.
Não sabemos da alma senão da nossa; As dos outros são olhares, são gestos, são palavras, com a suposição de qualquer semelhança no fundo.
Dorme Enquanto Eu Velo…
Dorme enquanto eu velo…
Deixa-me sonhar…
Nada em mim é risonho.
Quero-te para sonho,
Não para te amar.A tua carne calma
É fria em meu querer.
Os meus desejos são cansaços.
Nem quero ter nos braços
Meu sonho do teu ser.Dorme, dorme, dorme,
Vaga em teu sorrir…
Sonho-te tão atento
Que o sonho é encantamento
E eu sonho sem sentir.
Acontece-me às vezes, (…) um cansaço tão terrível da vida que não há sequer hipótese de dominá-lo.
A consciência da inconsciência da vida é o mais antigo imposto à inteligência. Há inteligências inconscientes – brilhos do espírito, correntes do entendimento, mistérios e filosofias – que têm o mesmo automatismo que os reflexos corpóreos, que a gestão que o fígado e os rins fazem de suas secreções.