Cita√ß√Ķes sobre Palavras

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Frases sobre palavras, poemas sobre palavras e outras cita√ß√Ķes sobre palavras para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

N√£o Podemos Ter a Certeza de Nada

Somos todos iguais na fragilidade com que percebemos que temos um corpo e ilus√Ķes. As ambi√ß√Ķes que demor√°mos anos a acreditar que alcan√ß√°vamos, a pouco e pouco, a pouco e pouco, n√£o s√£o nada quando vistas de uma perspectiva apenas ligeiramente diferente. Daqui, de onde estou, tudo me parece muito diferente da maneira como esse tudo √© visto da√≠, de onde est√°s. Depois, h√° os olhos que est√£o ainda mais longe dos teus e dos meus. Para esses olhos, esse tudo √© nada. Ou esse tudo √© ainda mais tudo. Ou esse tudo √© mil coisas vezes mil coisas que nos s√£o imposs√≠veis de compreender, apreender, porque s√≥ temos uma √ļnica vida.
‚ÄĒ Porqu√™, pai?
‚ÄĒ N√£o sei. Mas creio que √© assim. S√≥ temos uma √ļnica vida. E foi-nos dado um corpo sem respostas. E, para nos defendermos dessa indefini√ß√£o, transform√°mos as certezas que constru√≠mos na nossa pr√≥pria biologia. Fomos e somos capazes de acreditar que a nossa exist√™ncia dependia delas e que n√£o ser√≠amos capazes de continuar sem elas. Aquilo em que queremos acreditar corre no nosso sangue, √© o nosso sangue. Mas, em consci√™ncia absoluta, n√£o podemos ter a certeza de nada. Nem de nada de nada,

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O Pai

Terra de semente inculta e bravia,
terra onde n√£o h√° esteiros ou caminhos,
sob o sol minha vida se alonga e estremece.

Pai, nada podem teus olhos doces,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as faces.

Escureceu-me a vista o mal de amor
e na doce fonte do meu sonho
outra fonte tremida se reflecte.

Depois… Pergunta a Deus porque me deram
o que me deram e porque depois
conheci a solidão do céu e da terra.

Olha, minha juventude foi um puro
bot√£o que ficou por rebentar e perde
a sua doçura de seiva e de sangue.

O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de a beijar… E o outono.
Pai, nada podem teus olhos doces.

Escutarei de noite as tuas palavras:
… menino, meu menino…

E na noite imensa
com as feridas de ambos seguirei.

Tradução de Rui Lage

O Verdadeiro Rosto da História

O verdadeiro rosto da hist√≥ria afasta-se veloz. S√≥ podemos reter o passado como uma imagem que no instante em que se deixa reconhecer lan√ßa um clar√£o que n√£o voltar√° a ver-se. ¬ęA verdade n√£o nos escapar√°¬Ľ – esta palavra de Gottfried Keller caracteriza com exactid√£o, na concep√ß√£o da hist√≥ria que t√™m os historicistas, o ponto em que o materialismo hist√≥rico realiza o seu avan√ßo atrav√©s dessa imagem. Irrecuper√°vel √©, com efeito, toda a imagem do passado que corre o risco de desaparecer com cada instante presente que nela n√£o se reconheceu. (A feliz not√≠cia trazida pelo ofegante histori√≥grafo do passado sai de uma boca que, talvez no pr√≥prio instante em que se abre, fala j√° no vazio.)

As pessoas acham que uma coisa que não pode ser explicada por palavras não existe. Eles julgam que capacidade de exprimir e existência são sinónimos. Mas não é verdade.

A palavra quando é criação desnuda. A primeira virtude da poesia tanto para o poeta como para o leitor é a revelação do ser. A consciência das palavras leva à consciência de si: a conhecer-se e a reconhecer-se.

O Amor é Mais Forte

Os amantes de hoje preferem a droga mais leve, o tabaco mais light ou o caf√© descafeinado. J√° ningu√©m quer ficar pedrado de amor ou sofrer de uma overdose de paix√£o. As emo√ß√Ķes fortes s√£o fracas e as pr√≥prias fraquezas revelam-se mais fortes. Os amantes, esses, s√£o igualmente namorados da monotonia e amigos √≠ntimos da disciplina. O que est√° fora de controlo causa-lhes confus√£o, e afecta-lhes uma certa zona do c√©rebro, mas quase nunca lhes toca o cora√ß√£o. O amor devia ser sonhado e devia faz√™-los voar; em vez disso √© planeado, e quanto muito, f√°-los pensar.
Sobre o amor n√£o se tem controlo. √Č um sentimento que nos domina, que nos sufoca e que nos mata. Depois d√°-nos um pouco vida. No amor queremos viver, mas pouco nos importa morrer e estamos sempre dispostos a ir mais al√©m. Deixamo-nos cair em tenta√ß√£o, e n√£o nos livramos do mal, embora procuremos o bem. No amor tamb√©m se tem f√©, mas n√£o se conhecem ora√ß√Ķes: amamos porque cremos, porque desejamos e porque sabemos que o amor existe. Amamos sem saber se somos amados, e por isso podemos acabar desolados, isolados e deprimidos. Que se lixe! O amor n√£o √© justo,

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A Tua Boca Adormeceu

A tua boca adormeceu
parece um cais muito antigo
à volta da minha boca.

Mas as palavras querem voltar à terra
ao fogo do silêncio que sustém as pontes
perdidas na sua própria sombra.

E h√° um c√£o de pedra como um fruto
que nos cobre com o seu uivo
enquanto p√°ssaros de ouro com m√£os de marfim
transplantam as √°rvores transparentes
para o ponto mais fundo do mar.

As l√°grimas que n√£o chorei
arrependidas
fazem transbordar a eterna agonia do mar
como um len√ßol f√ļnebre
com que tivesse alguém coberto o rosto metafórico
dos cinco continentes que em nós existem.

Assim é ao mesmo tempo
que sou eu e n√£o o sou
aquele relógio das horas de ouro
que além flutua.

No Corpo

De que vale tentar reconstruir com palavras
O que o ver√£o levou
Entre nuvens e risos
Junto com o jornal velho pelos ares

O sonho na boca, o incêndio na cama,
o apelo da noite
Agora s√£o apenas esta
contração (este clarão)
do maxilar dentro do rosto.

A poesia é o presente.

A vossa palavra seja sempre agrad√°vel, temperada com sal

A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, de modo que saibais como convém responder a cada um.

O principezinho, que me fazia milhares de perguntas, n√£o parecia sequer escutar as minhas. Palavras pronunciadas ao acaso e que foram, pouco a pouco, revelando tudo.

Realidade

Por causa de um livro
vieste ao meu encontro.
Era Ver√£o, n√£o sabias de nada
nem isso interessava. Palavras
amavam-se fora de ti,
no atropelo das emo√ß√Ķes.
L√° chegaria a primeira vez,
o encontro apressado num lugar
p√ļblico. Desfeito o erro
ao toque da pele, n√£o sei
se havia medo, a paix√£o queria-me
no lugar exacto do teu coração.
Palavras enrolam-se na sombra
da vida a dor do sentimento.

Atingido o espírito, o tempo
da inf√Ęncia, a realidade. Em ti
a solid√£o que o prazer
n√£o mata. Quero a beleza
dos versos revelada.
Alguns anos passaram sobre
a nossa história que não acabou.
A tarde envelhece e escrevo isto
sem saber porquê.

quando a ternura for a √ļnica regra da manh√£

um dia, quando a ternura for a √ļnica regra da manh√£,
acordarei entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela.
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for
t√£o distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada
de um velho, estarei contigo e cantar√£o p√°ssaros no parapeito da
nossa janela. sim, cantar√£o p√°ssaros, haver√° flores, mas nada disso
será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi
nem uma palavra, nem o princípio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade.

Sou J√° Meus Pensamentos Mas N√£o Eu

Tornei-me uma figura de livro, uma vida lida. O que sinto é (sem que eu queira) sentido para se escrever que se sentiu. O que penso está logo em palavras, misturado com imagens que o desfazem, aberto em ritmos que são outra coisa qualquer. De tanto recompor-me destruí-me. De tanto pensar-me, sou já meus pensamentos mas não eu. Sondei-me e deixei cair a sonda; vivo a pensar se sou fundo ou não, sem outra sonda agora senão o olhar que me mostra, claro a negro no espelho do poço alto, meu próprio rosto que me contempla contemplá-lo.

Somos Vítimas de uma Prolongada Servidão Colectiva

Produto de dois s√©culos de falsa educa√ß√£o fradesca e jesu√≠tica, seguidos de um s√©culo de pseudo-educa√ß√£o confusa, somos as v√≠timas individuais de uma prolongada servid√£o colectiva. Fomos esmagados (…) por liberais para quem a liberdade era a simples palavra de passe de uma seita reaccion√°ria, por livres-pensadores para quem o c√ļmulo do livre-pensamento era impedir uma prociss√£o de sair, de ma√ß√£os para quem a Ma√ßonaria (longe de a considerarem a deposit√°ria da heran√ßa sagrada da Gnose) nunca foi mais do que uma Carbon√°ria ritual. Produto assim de educa√ß√Ķes dadas por criaturas cuja vida era uma perp√©tua trai√ß√£o √†quilo que diziam que eram, e √†s cren√ßas ou ideias que diziam servir, t√≠nhamos que ser sempre dos arredores…

Provençal

Em um solar de algum dia
Cheiinho de alma e valia,
Foi ali
Que ao gosto de olhos a vi

Como dantes inda vasto
Agora
N√£o tinha pombas nem mel.
E à opulência de outrora,
Esmoronado e j√° gasto,
Pedia m√£os de alvenel.

Foi ali
Que ao gosto de olhos a vi.

O seu chapéu, que trazia
Do calor contra as ardências,
Era o que a pena daria
Num certo sabor e arrimo
Com jeitos de circunferências
A morrer todas no cimo.

Davam-lhe franco nos ombros
As pontas do lenço branco:
E sem que ninguém as ouça,
Eram palavras da moça
Com a voz alta de chamar;

Palavras feitas em gesto,
Igualzinho e manifesto,
Como um relance de olhar.

E bela, fechada em gosto,
Fazia o seu rosto dela
A gente mestre de amar.

Foi num solar de algum dia,
Cheiinho de alma e valia,
Que eu disse de mim para ela
Por este falar assim:

Vem, meu amor!

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