Frases de Agustina Bessa-Luís

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Frases de Agustina Bessa-Luís. Conheça este e outros autores famosos em Poetris.

O amor dos animais contém muito da desaprovação pelos seres humanos e é próprio dum melindroso estado de revolta que não encontrou a sua linguagem.

Pode-se n√£o recordar os insultos; mas guarda-se deles um amargo de experi√™ncia, feia como uma cicatriz. E isso envelhece a alma, torna-a ruinosa e in√ļtil.

H√° tr√™s maneiras de viver numa civiliza√ß√£o: com as convic√ß√Ķes partid√°rias, com o julgamento din√Ęmico do homem livre, ou com os impulsos do cora√ß√£o. Todas elas podem ser honrosas ou infames; depende da inspira√ß√£o que sofrem umas das outras. Pois nada √© completamente necess√°rio sen√£o na medida em que depende duma outra realidade.

Uma nação não nasce de uma ideia nobre, embora esteja preparada para provar a sua nobreza em qualquer conjectura adversa aos seus direitos de justiça.

A arte de oprimir os povos foi-se modificando. A ambi√ß√£o sofreu grandes altera√ß√Ķes. Agora os homens usam de conte√ļdo cultural, violador de multid√Ķes na sua conduta; n√£o √© a for√ßa do bra√ßo nem o nome de fam√≠lia que alimentam o seu prest√≠gio – √© antes a energia duma convic√ß√£o que se imponha pela utilidade que prometem.

As revolu√ß√Ķes s√≥ se det√™m com as guerras. As na√ß√Ķes, cada vez mais enredadas nas suas embara√ßosas decis√Ķes, h√£o-de por fim querer sair delas atrav√©s dum risco cego, duma experi√™ncia que pare√ßa resumir a verdade conjuntural.

Que a extravag√Ęncia n√£o seja nada de pr√°tico √© o que se acredita e se divulga. Mas, na verdade, trata-se duma virtude pela qual o homem pr√°tico, o aut√™ntico, dar√° todo o sangue das suas veias.

Quase ningu√©m repara em ningu√©m. Em parte porque o espa√ßo que nos circunda est√° cheio de chamadas, de perigos e de j√ļbilos; o ser humano, longe do que se pensa, √© o que menos se nota no mundo.

Uma na√ß√£o n√£o nasce duma ideia. Nasce dum contrato de homens livres que se inspiram nas insubmiss√Ķes necess√°rias ao minist√©rio dos povos sobre os seus infort√ļnios.

Os tempos s√£o ligeiros e n√≥s pesados, porque nos sobram recorda√ß√Ķes. Quem se alimenta delas sofre e descuida as alegrias, mesmo que sejam r√°pidas e se escondam da nossa raz√£o.

C√≥lera – liberta o cora√ß√£o para raz√Ķes que prolongam o desejo de viver. Quem n√£o se encoleriza acaba por pedir socorro por meio de doen√ßas, obsess√Ķes e livros de viagens.

Um povo j√° n√£o acredita nas promessas dos governantes, porque perdeu a vontade fan√°tica que o levava a acreditar e a tecer raz√Ķes para isso.

Os homens t√™m necessidade da culpa porque ela funciona como um excitante para criar. T√™m que criar as excita√ß√Ķes da culpa. T√™m que ser criminosos. √Č t√£o simples como isso.

A arte n√£o pode ser pol√≠tica, nem sujei√ß√£o social, nem glosa duma ideia que faz √©poca; nem mesmo pode estar de qualquer forma aliada ao conceito ¬ęprogresso¬Ľ. √Č algo mais. √Č o pr√≥prio alento humano para l√° da morte de todas as quimeras, da fadiga de todas as perguntas sem solu√ß√£o.

N√£o h√° exemplo duma ideia que, por excelente que seja, se desenvolva ao n√≠vel do quotidiano. Sofre de toda a esp√©cie de muta√ß√Ķes antes de entrar na carreira do lugar-comum, que √© onde acabam todas as grandes ideias.

Animais Рeles são a medida da nossa paz com o mundo criado; eles são um dado de consolação porque não mudam para como quem tanto muda como nós, humanos.

Na experiência humana não há unidade, tudo são esforços inéditos; só que muito frequentemente o fracasso os torna iguais entre si.

A rapidez que as pessoas imprimem √†s suas vidas faz com que simplifiquem a realidade e fabriquem o que se chama a ¬ępersonalidade do momento¬Ľ. Sobretudo nos pol√≠ticos e homens √† escala governativa, isso exprime-se por manifesta√ß√Ķes impulsivas, peculiares a cada hora, vinculadas √†s situa√ß√Ķes proteiformes.