Frases de Agustina Bessa-Luís

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Frases de Agustina Bessa-Luís. Conheça este e outros autores famosos em Poetris.

A competição é só civilizadora enquanto estímulo; como pretexto de abater a concorrência, é uma contribuição para a barbárie.

Que é amar senão inventar-se a gente noutros gostos e vontades? Perder o sentimento de existir e ser com delícia a condição de outro, com seus erros que nos convencem mais do que a perfeição?

A guerra é apetecível. Não me venham dizer que a guerra é obra de generais e de caudilhos. A multidão sabe perfeitamente que vai para uma orgia.

A amizade exige a cortesia. Não é como o amor, que, pela sua áurea mudança, se adapta à confidência e ao desembaraço narrativo.

A melhor impressão que a poesia nos pode dar é esta: ficar de coração vagabundo, deixando a vareja estalar na janela as asas grossas, e não dar por isso, como um cão surdo.

Eu admiro os grandes parados. Em geral são pessoas de grande perspicácia. O movimento produz calor, mas não aguça a inteligência.

A existência do homem adulto não encerra senão monotonia. A paixão não procede das pessoas, mas de algo a que elas têm de obedecer para não cumprirem apenas uma vida sem impulso e sem fantasia.

O saber precisa de ser visto com a idiotia que ele próprio comporta, com o jogo de certezas que uma época tem por inevitáveis mas não por permanente. Um mundo sem idiotas é um mundo saturado de falsa dignidade.

O amor dos animais contém muito da desaprovação pelos seres humanos e é próprio dum melindroso estado de revolta que não encontrou a sua linguagem.

Pode-se n√£o recordar os insultos; mas guarda-se deles um amargo de experi√™ncia, feia como uma cicatriz. E isso envelhece a alma, torna-a ruinosa e in√ļtil.

H√° tr√™s maneiras de viver numa civiliza√ß√£o: com as convic√ß√Ķes partid√°rias, com o julgamento din√Ęmico do homem livre, ou com os impulsos do cora√ß√£o. Todas elas podem ser honrosas ou infames; depende da inspira√ß√£o que sofrem umas das outras. Pois nada √© completamente necess√°rio sen√£o na medida em que depende duma outra realidade.

Uma nação não nasce de uma ideia nobre, embora esteja preparada para provar a sua nobreza em qualquer conjectura adversa aos seus direitos de justiça.

A arte de oprimir os povos foi-se modificando. A ambi√ß√£o sofreu grandes altera√ß√Ķes. Agora os homens usam de conte√ļdo cultural, violador de multid√Ķes na sua conduta; n√£o √© a for√ßa do bra√ßo nem o nome de fam√≠lia que alimentam o seu prest√≠gio – √© antes a energia duma convic√ß√£o que se imponha pela utilidade que prometem.

As revolu√ß√Ķes s√≥ se det√™m com as guerras. As na√ß√Ķes, cada vez mais enredadas nas suas embara√ßosas decis√Ķes, h√£o-de por fim querer sair delas atrav√©s dum risco cego, duma experi√™ncia que pare√ßa resumir a verdade conjuntural.

Que a extravag√Ęncia n√£o seja nada de pr√°tico √© o que se acredita e se divulga. Mas, na verdade, trata-se duma virtude pela qual o homem pr√°tico, o aut√™ntico, dar√° todo o sangue das suas veias.

Quase ningu√©m repara em ningu√©m. Em parte porque o espa√ßo que nos circunda est√° cheio de chamadas, de perigos e de j√ļbilos; o ser humano, longe do que se pensa, √© o que menos se nota no mundo.

Uma na√ß√£o n√£o nasce duma ideia. Nasce dum contrato de homens livres que se inspiram nas insubmiss√Ķes necess√°rias ao minist√©rio dos povos sobre os seus infort√ļnios.