Cita√ß√Ķes sobre P√°tria

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Frases sobre p√°tria, poemas sobre p√°tria e outras cita√ß√Ķes sobre p√°tria para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Portugueses, unam-se pela Pátria: sejamos fortes e mostremos ao mundo e àqueles que nos seguem atentamente com cobiça, que Portugal há-de renascer ainda, numa era de grandeza e prosperidade. Pensemos no País, sem outras ideias do que a que devemos ter sempre presente: Nascemos Portugueses, queremos reviver as glórias passadas, queremos levantar bem alto o nome de Portugal, queremos viver e morrer Portugueses!

O Beija-Flor

Acostumei-me a vê-lo todo o dia
De manh√£zinha, alegre e prazenteiro,
Beijando as brancas flores de um canteiro
No meu jardim – a p√°tria da ambrosia.

Pequeno e lindo, só me parecia
Que era da noite o sonho derradeiro…
Vinha trazer às rosas o primeiro
Beijo do Sol, n’essa manh√£ t√£o fria!

Um dia, foi-se e n√£o voltou… Mas, quando
A suspirar, me ponho contemplando,
Sombria e triste, o meu jardim risonho…

Digo, a pensar no tempo j√° passado;
Talvez, ó coração amargurado,
Aquele beija-flor fosse o teu sonho!

N√£o podemos mendigar ao mundo uma outra imagem. N√£o podemos insistir numa atitude apelativa. A nossa √ļnica sa√≠da √© continuar o dif√≠cil e longo caminho de conquistar um lugar digno para n√≥s e para a nossa p√°tria. E esse lugar s√≥ pode resultar da nossa pr√≥pria cria√ß√£o.

Trova do Vento que Passa

Para António Portugal

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios n√£o me sossegam
levam sonhos deixam m√°goas.

Levam sonhos deixam m√°goas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no ch√£o.
Silêncio Рé tudo o que tem
quem vive na servid√£o.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento n√£o me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha p√°tria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi meu poema na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

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V – A Vida E O Barco

Andar e mais andar é a vida a bordo;
Mal estudo, e apenas eu vou lendo;
A noite com a m√ļsica entretendo;
Deito-me cedo, e mais cedo acordo.

Saudosíssimo a pátria eu recordo,
E, pra consolo versos lhe fazendo,
Desenho terras só aquela vendo,
E para n√£o chorar os l√°bios mordo.

Enfim h√° de chegar, eu bem o sei,
Que o Brasil eu reveja jubiloso;
E, se outrora eu servi-lo só pensei,

Muito mais forte e muito mais zeloso,
Para ainda mais servi-lo, voltarei
T√© que nele encontre o √ļltimo repouso.

Rompeu-Se O Denso Véu Do Atroz Marasmo

Rompeu-se o denso véu do atroz marasmo
E como por fatal, negro hebetismo
De antro sepulcral, de fundo abismo
O povo ressurgiu com entusiasmo!

O Zoilo mazorral se queda pasmo
Sup√Ķe quimera ser, ser cataclismo
Roga, j√° por dobrez, por ceticismo
De néscio, vil truão solta o sarcasmo.

Perd√£o, Filho da Luz, minh’alma exora,
Porém, a pátria diz, somente agora
Os grilh√Ķes biparti de atroz moleza!

E ele, o nosso herói já redivivo
De pé, sem se curvar, sereno, altivo
Co’as raias do porvir mede a grandeza!

Sopra o Sonho

Sopra o sonho por dentro
Das p√°lpebras em viagem
Enceta o curso habitual nocturno
Num corredor sombrio de pestanas

Antes porém cumprimenta
Toda a matéria viva em que tropeça
Sabe o segredo do corpo tem uma p√°tria
Bioquímica extremamente embrionária

A morte j√° habita os seus tecidos
Quando os outros de guarda se abastecem
Pronta ao assalto das células
Como se dormisse

A que fins se destina e a que estranhos
bul√≠cios suas √ļltimas vontades?

N√£o o sabemos

Só mesmo o oceano o incomoda

O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos: minhas primeiras pátrias foram os livros. Em menor escala, as escolas.

A √Ārvore Da Serra

РAs árvores, meu filho, não têm alma!
E esta √°rvore me serve de empecilho…
√Č preciso cort√°-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!

– Meu pai, por que sua ira n√£o se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pos almas nos cedros… no junquilho…
Esta √°rvore, meu pai, possui minh’alma! …

– Disse – e ajoelhou-se, numa rogativa:
“N√£o mate a √°rvore, pai, para que eu viva!”
E quando a √°rvore, olhando a p√°tria serra,

Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!

Poema do Homem Novo

Niels Armstrong p√īs os p√©s na Lua
e a Humanidade saudou nele
o Homem Novo.
No calendário da História sublinhou-se
com espesso traço o memorável feito.

Tudo nele era novo.
Vestia quinze fatos sobrepostos.
Primeiro, sobre a pele, cobrindo-o de alto a baixo,
um colante poroso de rede tricotada
para ventilação e temperatura próprias.
Logo após, outros fatos, e outros e mais outros,
catorze, no total,
de película de nylon
e borracha sintética.
Envolvendo o conjunto, do tronco até aos pés,
na cabeça e nos braços,
confusíssima trama de canais
para circulação dos fluidos necessários,
da água e do oxigénio.

A cobrir tudo, enfim, como um bal√£o ao vento,
um envólucro soprado de tela de alumínio.
Capacete de rosca, de especial fibra de vidro,
auscultadores e microfones,
e, nas m√£os penduradas, tent√°culos programados,
luvas com luz nos dedos.

Numa cama de rede, pendurada
da parede do módulo,
na majestade augusta do silêncio,
dormia o Homem Novo a caminho da Lua.
C√° de longe, na Terra, num borborinho ansioso,

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Os Feitos Simples s√£o os Mais Elogiados e Lembrados

Duas pátrias produziram dois heróis: de Tebas saiu Hércules; de Roma saiu Catão. Foi Hércules aplauso da orbe, foi Catão enfado de Roma. A um admiraram todos, ao outro esquivaram-se os romanos. Não admite controvérsia a vantagem que levou Catão a Hércules, pois o excedeu em prudência; mas ganhou Hércules a Catão em fama. Mais de árduo e primoroso teve o assunto de Catão, pois se empenhou em sujeitar os monstros dos costumes, e Hércules os da natureza; mas teve mais de famoso o do tebano. A diferença consistiu em que Hércules empreendeu façanhas plausíveis e Catão odiosas. A plausibilidade do cargo levou a glória de Alcides (nome anterior de Hércules) aos confins do mundo, e passará ainda além deles caso se alarguem. O desaprezível do cargo circunscreveu Catão ao interior das muralhas de Roma.
Com tudo isto, preferem alguns, e não os menos judiciosos, o assunto primoroso ao mais plausível, e pode mais com eles a admiração de poucos que o aplauso de muitos, sendo vulgares. Os milagres de ignorantes apelam aos empenhos plausíveis. O árduo, o primoroso de um superior assunto poucos o percebem, embora eminentes, sendo assim raros os que nele acreditam. A facilidade do plausível permite-se a todos,

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Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
“Navegar √© preciso; viver n√£o √© preciso”.

Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
N√£o conto gozar a minha vida; nem em goz√°-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.

√Č a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Ra√ßa.

Debaixo Do Tamarindo

No tempo de meu Pai, sob estes galhos,
Como uma vela f√ļnebre de cera,
Chorei bilh√Ķes de vezes com a canseira
De inexorabilíssimos trabalhos!

Hoje, esta √°rvore de amplos agasalhos
Guarda, como uma caixa derradeira,
O passado da flora brasileira
E a paleontologia dos Carvalhos!

Quando pararem todos os relógios
De minha vida, e a voz dos necrológios
Gritar nos notici√°rios que eu morri,

Voltando à pátria da homogeneidade,
Abraçada com a própria Eternidade,
A minha sombra h√° de ficar aqui!

Que Vençais no Oriente tantos Reis

Que vençais no Oriente tantos Reis,
Que de novo nos deis da √ćndia o Estado,
Que escureçais a fama que hão ganhado
Aqueles que a ganharam de infiéis;

Que vencidas tenhais da morte as leis,
E que vencêsseis tudo, enfim, armado,
Mais é vencer na Pátria, desarmado,
Os monstros e as Quimeras que venceis.

Sobre vencerdes, pois, tanto inimigo,
E por armas fazer que sem segundo
No mundo o vosso nome ouvido seja;

O que vos d√° mais fama inda no mundo,
√Č vencerdes, Senhor, no Reino amigo,
Tantas ingratid√Ķes, t√£o grande inveja.

Se o Brasil for condenado, pelos meus representantes, a continuar a ser, diante do mundo, a fábula dos países miseráveis, risíveis e desprezíveis, não será porque eu não tenha exercido as minhas forças em bradar à nossa pátria.

O Solit√°rio

Como alguém que por mares desconhecidos viajou,
assim sou eu entre os que nunca deixaram a sua p√°tria;
os dias cheios est√£o sobre as suas mesas
mas para mim a dist√Ęncia √© puro sonho.

Penetra profundamente no meu rosto um mundo,
t√£o desabitado talvez como uma lua;
mas eles n√£o deixam um √ļnico pensamento s√≥,
e todas as suas palavras s√£o habitadas.

As coisas que de longe trouxe comigo
parecem muito raras, comparadas com as suas ‚ÄĒ:
na sua vasta p√°tria s√£o feras,
aqui sustém a respiração, por vergonha.

Tradução de Maria João Costa Pereira