Cita√ß√Ķes sobre Mercadores

7 resultados
Frases sobre mercadores, poemas sobre mercadores e outras cita√ß√Ķes sobre mercadores para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

A Um Carneiro Morto

Misericordiosíssímo carneiro
Esquartejado, a maldição de Pio
Décimo caia em teu algoz sombrio
E em todo aquele que for seu herdeiro!

Maldito seja o mercador vadio
Que te vender as carnes por dinheiro,
Pois, tua l√£ aquece o mundo inteiro
E guarda as carnes dos que est√£o com frio!

Quando a faca rangeu no teu pescoço,
Ao monstro que espremeu teu sangue grosso
Teus olhos – fontes de perd√£o – perdoaram!

Oh! tu que no Perd√£o eu simbolizo,
Se fosses Deus, no Dia do juízo,
Talvez perdoasses os que te mataram!

A Mentira é mais Interessante que a Verdade

¬ęO que √© a verdade¬Ľ? Perguntava Pilatos gracejando, talvez que n√£o esperasse pela resposta. H√° quem se delicie com a inconst√Ęncia, e considere servid√£o o fixar-se numa cren√ßa; h√° quem se afei√ßoe ao livre-arb√≠trio tanto no pensar como no agir. E se bem que as seitas de fil√≥sofos desta esp√©cie hajam desaparecido, sobrevivem alguns representantes da mesma fam√≠lia, apesar de nas veias n√£o lhes correr tanto sangue como nas dos antigos. N√£o √© somente a dificuldade e a canseira que o homem experimenta ao perseguir a verdade, nem sequer o facto de, uma vez encontrada, se impor aos pensamentos humanos, o que leva a conceder √†s mentiras os maiores favores; √© sim, um natural mas corrompido amor da pr√≥pria mentira. Uma das √ļltimas escolas dos Gregos examinou esta quest√£o, mas deteve-se a pensar no que leva o homem a armar as mentiras, quando n√£o o faz por prazer, como os poetas, ou por utilidade, como os mercadores, mas pelo pr√≥prio mentir.
Não sei como dizê-lo, mas a verdade é uma luz nua e crua que não mostra as máscaras, as cegadas e os cortejos do mundo com metade da altivez e da graciosidade com que aparecem iluminados pelos candelabros.

Continue lendo…

Meteu-me Amor em seu Trato

Meteu-me Amor em seu trato,
P√īs-me os seus gostos na pra√ßa,
Quanto quis me deu de graça.
Mas é caro o seu barato.

Amor, que quis que tivesse
Os males por seu querer,
Deu menos bem, que escolhesse,
Para que quando os perdesse
Tivesse mais que perder.
Depois que em minha esperança
Me viu contra o tempo ingrato
Viver livre da mudança
Por tão grande confiança
Meteu-me Amor em seu trato.

Vi eu logo que convinha
Dar melhor conta do seu
Do que dei da vida minha:
Deixei perder quanto tinha
Por guardar o que me deu.
O desejo e o temor,
A fé, a vontade, a graça,
Tudo pus na m√£o de Amor.
Ele que é mais mercador
P√īs-me seus gostos na pra√ßa.

Entendeu que n√£o sabia
A valia do interesse
Que eu dele ent√£o pretendia:
Perguntou-me o que queria
Antes que nada me desse.
Eu, que n√£o soube o que fiz,
Quis um desprezo e negaça,
Quis uns desdéns senhoris,
E por ser graça o que quis.

Continue lendo…

O Lucro de Um é Prejuízo de Outro

O ateniense Dêmades condenou um homem da sua cidade que tinha por ofício vender as coisas necessárias para os enterros, sob a alegação de que exigia um lucro excessivo e esse lucro não lhe podia vir sem a morte de muitas pessoas. Tal julgamento parece estar mal pronunciado, na medida em que não se obtém benefício algum a não ser com prejuízo de outrem, e que dessa maneira seria preciso condenar toda a espécie de ganho.
O mercador s√≥ faz bem os seus neg√≥cios por causa da devassid√£o dos jovens; o lavrador, pela carestia dos cereais; o arquitecto, pela ru√≠na das casas; os oficiais de justi√ßa, pelos processos e contendas dos homens; mesmo as honras e a actividade dos ministros da religi√£o prov√™m da nossa morte e dos nossos v√≠cios. Nenhum m√©dico se alegra com a sa√ļde mesmo dos seus amigos, diz o antigo c√≥mico grego, nem o soldado com a paz da sua cidade; e assim sucessivamente. E o que √© pior: cada um sonde dentro de si mesmo, e descobrir√° que a maioria dos nossos desejos √≠ntimos nascem e alimentam-se √†s expensas de outrem.
Considerando isso, veio-me à mente que nisso a natureza não contradiz a sua organização geral,

Continue lendo…

A Velha Angra

Olhou sobre a velha Angra, aninhada aos p√©s do Monte Brasil, as arauc√°rias erguendo-se contra o c√©u cinzento. Esquadrinhou com o olhar as suas ruas, os seus solares e pal√°cios, as suas igrejas. Imaginou marinheiros e mercadores, saltimbancos e aventureiros a caminho das sete partidas do mundo. Charlat√£es bebiam vinho com mission√°rios, soldados negociavam servi√ßos com prostitutas, piratas persuadiam navegadores ao servi√ßo do rei sobre novas e mais rent√°veis rotas, de encontro ao Vento Carpinteiro. Havia escravos e b√™bedos, burocratas e crian√ßas furtivas, freiras e casais de condenados com destino ao Brasil, e toda essa gente circulava pela cidade como se fosse o seu sangue, incerto e veloz, bombeado por um cora√ß√£o descompassado que era o pr√≥prio movimento do mar, furioso, naufragando naus e gale√Ķes como numa tela de Vernet.