Cita√ß√Ķes de Nicolas Malebranche

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Nicolas Malebranche para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

A Vaidade d√° √ćmpeto √† Maioria das Ac√ß√Ķes

Os homens n√£o est√£o cientes do calor que emana do seu cora√ß√£o, embora ele d√™ vida e movimento a todas as outras partes do seu corpo. (…) O mesmo se d√° com a vaidade: ela √© t√£o natural para o homem que ele n√£o a percebe. E, embora seja isso que d√™, por assim dizer, vida e movimento √† maioria dos seus pensamentos e des√≠gnios, isso ocorre de um modo que √© impercept√≠vel para o sujeito. (…) Os homens n√£o percebem suficientemente que √© a vaidade que d√° √≠mpeto √† maioria de suas ac√ß√Ķes.

A Razão é um Instrumento do Prazer

N√£o existe objecto das nossas paix√Ķes, n√£o importa qu√£o vil ou despre¬≠z√≠vel possa parecer, que deixemos de julgar como bom quando senti¬≠mos prazer em possu√≠-lo. (…) Todas as coisas s√£o merecedoras de amor ou avers√£o, seja em si mesmas, seja por meio de algo a que este¬≠jam associadas; e, quando somos movidos por alguma paix√£o, n√≥s rapidamente descobrimos no objecto o bem ou o mal que a alimenta. (… ) Isso √© suficiente para fazer a raz√£o, comumente um instrumento do prazer, funcionar de modo a defender a causa desse prazer.

O Efeito da Reputação

Tudo o que nos proporciona uma certa eleva√ß√£o em rela√ß√£o aos outros porque nos torna mais perfeitos, como, por exemplo, a ci√™ncia e a virtude, ou porque nos confere uma certa autoridade sobre eles tornando-nos mais poderosos, como as honras e as riquezas, parece fazer-nos independentes em certa medida. Todos os que est√£o abaixo de n√≥s nos temem e reverenciam; est√£o sempre prontos a fazer o que nos agrada para a nossa preserva√ß√£o, e n√£o ousam prejudicar-nos ou resistir aos nossos desejos. […] A reputa√ß√£o de ser rico, culto e virtuoso produz na imagina√ß√£o daqueles que nos cercam ou dos que nos s√£o mais √≠ntimos disposi√ß√Ķes de esp√≠rito que s√£o muito vantajosas para n√≥s. Ela deixa-os prostrados aos nossos p√©s; instiga-os a nos agradar; inspira neles todos os impulsos que tendem √† preserva√ß√£o da nossa pessoa e ao aumento da nossa grandeza. Assim, os homens preservam a sua reputa√ß√£o tanto quanto necess√°rio a fim de viver confortavelmente neste mundo.

Excesso de Leitura

Existem dois modos distintos de ler os autores: um deles √© muito bom e √ļtil, o outro, in√ļtil e at√© mesmo perigoso. √Č muito √ļtil ler quando se medita sobre o que √© lido; quando se procura, pelo esfor√ßo da mente, resolver as quest√Ķes que os t√≠tulos dos cap√≠tulos prop√Ķem, mesmo antes de se come√ßar a l√™-los; quando se ordenam e comparam as id√©ias umas com as outras; em suma, quando se usa a raz√£o. Pelo contr√°rio, √© in√ļtil ler quando n√£o entendemos o que lemos, e perigoso ler e formar conceitos daquilo que lemos quando n√£o examinamos suficientemente o que foi lido para julgar com cuidado, sobretudo se temos mem√≥ria bastante para reter os conceitos firmados e imprud√™ncia bastante para concordar com eles. O primeiro modo de ler ilumina e fortifica a mente, aumentando o entendimento. O segundo diminui o entendimento e gradualmente o torna fraco, obscuro e confuso. Ocorre que a maior parte daqueles que se vangloriam de conhecer as opini√Ķes dos outros estuda apenas do segundo modo. Quando mais l√™em, portanto, mais fracas e mais confusas se tornam as suas mentes.

As Impress√Ķes da Mem√≥ria

Da mesma forma que os ramos de uma √°rvore que permaneceram por algum tempo curvados de uma determinada forma conservam uma certa facilidade para serem curvados novamente da mesma maneira, as fibras do c√©rebro, uma vez tendo recebido certas impress√Ķes por interm√©dio dos esp√≠ritos animais e pela ac√ß√£o dos objectos, conservam por bastante tempo alguma facilidade para receber essas mesmas disposi√ß√Ķes. Ora, a mem√≥ria consiste apenas nessa facilidade, j√° que se pensa nas mesmas coisas quando o c√©rebro recebe as mesmas impress√Ķes.