Poemas sobre Existência de Machado de Assis

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Poemas de existência de Machado de Assis. Leia este e outros poemas de Machado de Assis em Poetris.

A Jovem Cativa

(André Chenier)

‚ÄĒ ‚ÄúRespeita a foice a espiga que desponta;
Sem receio ao lagar o tenro p√Ęmpano
Bebe no estio as l√°grimas da aurora;
Jovem e bela também sou; turvada
A hora presente de infort√ļnio e t√©dio
Seja embora: morrer n√£o quero ainda!

De olhos secos o estóico abrace a morte;
Eu choro e espero; ao vendaval que ruge
Curvo e levanto a tímida cabeça.
Se há dias maus, também os há felizes!
Que mel n√£o deixa um travo de desgosto?
Que mar n√£o incha a um temporal desfeito?

Tu, fecunda ilus√£o, vives comigo.
Pesa em v√£o sobre mim c√°rcere escuro,
Eu tenho, eu tenho as asas da esperança:
Escapa da pris√£o do algoz humano,
Nas campinas do céu, mais venturosa,
Mais viva canta e rompe a filomela.

Deve acaso morrer ? Tranq√ľila durmo,
Tranq√ľila velo; e a fera do remorso
Não me perturba na vigília ou sono;
Terno afago me ri nos olhos todos
Quando apareço, e as frontes abatidas
Quase reanima um desusado j√ļbilo.

Desta bela jornada é longe o termo.

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Embirração

(A Machado de Assis)

A balda alexandrina é poço imenso e fundo,
Onde poetas mil, flagelo deste mundo,
Patinham sem parar, chamando l√° por mim.
N√£o morrer√£o, se um verso, estiradinho assim,
Da beira for do poço, extenso como ele é,
Levar-lhes grosso anzol; então eu tenho fé
Que volte um afogado, à luz da mocidade,
A ver no mundo seco a seca realidade.

Por eles, e por mim, receio, caro amigo;
Permite o desabafo aqui, a sós contigo,
Que à moda fazer guerra, eu sei quanto é fatal;
Nem vence o positivo o frívolo ideal;
Despótica em seu mando, é sempre fátua e vã,
E até da vã loucura a moda é prima-irmã:
Mas quando venha o senso erguer-lhe os densos véus,
Do verso alexandrino h√° de livrar-nos Deus.

Deus quando abre ao poeta as portas desta vida,

Não lhe depara o gozo e a glória apetecida;
E o triste, se morreu, deixando mal escritas
Em verso alexandrino histórias infinitas,
Vai ter lá noutra vida insípido desterro,
Se Deus, por compaix√£o, n√£o d√° perd√£o ao erro;

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