Recordam-se VocĂȘs do Bom Tempo d’Outrora

(Dedicatória de introdução a «A Musa em Férias»)

Recordam-se vocĂȘs do bom tempo d’outrora,
Dum tempo que passou e que nĂŁo volta mais,
Quando Ă­amos a rir pela existĂȘncia fora
Alegres como em Junho os bandos dos pardais?
C’roava-nos a fronte um diadema d’aurora,
E o nosso coração vestido de esplendor
Era um divino Abril radiante, onde as abelhas
Vinham sugar o mel na balsĂąmina em flor.
Que doiradas cançÔes nossas bocas vermelhas
NĂŁo lançaram entĂŁo perdidas pelo ar!…
Mil quimeras de glĂłria e mil sonhos dispersos,
CançÔes feitas sem versos,
E que nĂłs nunca mais havemos de cantar!
Nunca mais! nunca mais! Os sonhos e as esp’ranças
São åureos colibris das regiÔes da alvorada,
Que buscam para ninho os peitos das crianças.
E quando a neve cai jĂĄ sobre a nossa estrada,
E quando o Inverno chega Ă  nossa alma,entĂŁo
Os pobres colibris, coitados, sentem frio,
E deixam-nos a nós o coração vazio,
Para fazer o ninho em outro coração.
Meus amigos, a vida Ă© um Sol que chega ao cĂșmulo
Quando cantam em nós essas cançÔes celestes;

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