Poemas sobre Noivos

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Poemas de noivos escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Memória

Tudo que sou, no imaginado
silêncio hostil que me rodeia,
é o epitáfio de um pecado
que foi gravado sobre a areia.

O mar levou toda a lembrança.
Agora sei que me detesto:
da minha vida de criança
guardo o prel√ļdio dum incesto.

O resto foi o que eu n√£o quis:
perseguição, procura, enlace,
desse retrato feito a giz
pra que n√£o mais eu me encontrasse.

Tu foste a noiva que n√£o veio,
irm√£ somente prometida!
‚ÄĒ O resto foi a quebra desse enleio.
O resto foi amor, na minha vida.

√öltima Folha

Musa, desce do alto da montanha
Onde aspiraste o aroma da poesia,
E deixa ao eco dos sagrados ermos
A √ļltima harmonia.

Dos teus cabelos de ouro, que beijavam
Na amena tarde as vira√ß√Ķes perdidas,
Deixa cair ao ch√£o as alvas rosas
E as alvas margaridas.

Vês? Não é noite, não, este ar sombrio
Que nos esconde o céu. Inda no poente
N√£o quebra os raios p√°lidos e frios
O sol resplandecente.

Vês? Lá ao fundo o vale árido e seco
Abre-se, como um leito mortu√°rio;
Espera-te o silêncio da planície,
Como um frio sud√°rio.

Desce. Vir√° um dia em que mais bela,
Mais alegre, mais cheia de harmonias,
Voltes a procurar a voz cadente
Dos teus primeiros dias.

Então coroarás a ingênua fronte
Das flores da manh√£, ‚ÄĒ e ao monte agreste,
Como a noiva fant√°stica dos ermos,
Ir√°s, musa celeste!

Ent√£o, nas horas solenes
Em que o místico himeneu
Une em abraço divino
Verde a terra, azul o céu;

Quando, j√° finda a tormenta
Que a natureza enlutou,

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Mensagem РMar Português

MAR PORTUGUÊS

Possessio Maris

I. O Infante

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, j√° n√£o separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

II. Horizonte

√ď mar anterior a n√≥s, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
’Splendia sobre as naus da iniciação.

Linha severa da long√≠nqua costa ‚ÄĒ
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em √°rvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, h√° aves,

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Mimos para Elisa

elisa. elisa tem ancas gordas e beiços carnudos.
elisa gosta de telefonar ao noivo. sentada no so
f√°, com o jo√£ozinho √† beira, marca o n√ļmero e diz:
elisa sim meu bem. entretanto o jo√£ozinho mete o
s dedos por baixo da saia de elisa, mete as m√£os,
mete os braços. elisa diz: sim meu bem. enquanto
elisa se recosta, joãozinho mete a cabeça debai
xo das saias de elisa, e faz que sim, faz vivamen
te que sim, enquanto elisa diz: sim meu bem. sim.
estes telefonemas com o noivo s√£o t√£o longos! se
pararam-se h√° pouco tempo. o noivo suplica: n√£o
chores elisa. não suspires. a separação não será
eterna. elisa acalma-se. jo√£ozinho sai c√° para fo
ra. elisa chega-se muito a ele. jo√£ozinho est√° ag
ora de pé. o noivo fala fala fala. pergunta: elisa
j√° comeste os bombons todos que te mandei minha
gulosa? elisa n√£o responde. est√° com a boca cheia
. mesmo na conchinha do ouvido, muito suavemente,
o noivo chama-lhe gulosa. e outros mimos. outros.

Os Lugares-Comuns

Quando o homem que ia casar comigo
chegou a primeira vez na minha casa,
eu estava saindo do banheiro, devastada
de angelismo e carência. Mesmo assim,
ele me olhou com olhos admirados
e segurou minha m√£o mais que
um tempo normal a pessoas
acabando de se conhecer.
Nunca mencionei o facto.
Até hoje me ama com amor
de vagarezas, s√ļbitos chegares.
Quando eu sei que ele vem,
eu fecho a porta para a grata surpresa.
Vou abri-la como o fazem as noivas
e as amantes. Seu nome é:
Salvador do meu corpo.

Recordam-se Voc√™s do Bom Tempo d’Outrora

(Dedicat√≥ria de introdu√ß√£o a ¬ęA Musa em F√©rias¬Ľ)

Recordam-se voc√™s do bom tempo d’outrora,
Dum tempo que passou e que n√£o volta mais,
Quando íamos a rir pela existência fora
Alegres como em Junho os bandos dos pardais?
C’roava-nos a fronte um diadema d’aurora,
E o nosso coração vestido de esplendor
Era um divino Abril radiante, onde as abelhas
Vinham sugar o mel na bals√Ęmina em flor.
Que doiradas can√ß√Ķes nossas bocas vermelhas
N√£o lan√ßaram ent√£o perdidas pelo ar!…
Mil quimeras de glória e mil sonhos dispersos,
Can√ß√Ķes feitas sem versos,
E que nós nunca mais havemos de cantar!
Nunca mais! nunca mais! Os sonhos e as esp’ran√ßas
S√£o √°ureos colibris das regi√Ķes da alvorada,
Que buscam para ninho os peitos das crianças.
E quando a neve cai j√° sobre a nossa estrada,
E quando o Inverno chega à nossa alma,então
Os pobres colibris, coitados, sentem frio,
E deixam-nos a nós o coração vazio,
Para fazer o ninho em outro coração.
Meus amigos, a vida √© um Sol que chega ao c√ļmulo
Quando cantam em n√≥s essas can√ß√Ķes celestes;

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Os Figos Pretos

РVerdes figueiras soluçantes nos caminhos!
Vós sois odiadas desde os seculos avós:
Em vossos galhos nunca as aves fazem ninhos,
Os noivos fogem de se amar ao pé de vós!

– √ď verdes figueiras! √≥ verdes figueiras
Deixae-o fallar!
√Ā vossa sombrinha, nas tardes fagueiras,
Que bom que é amar!

– O mundo odeia-vos. Ninguem nos quer, vos ama:
Os paes transmittem pelo sangue esse odio aos moços.
No sitio onde medraes, ha quazi sempre lama
E debruçaes-vos sobre abysmos, sobre poços.

– Quando eu for defunta para os esqueletos,
Ponde uma ao meu lado:
Tristinha, chorando, dar√† figos pretos…
De luto pezado!

– Os alde√Ķes para evitar vosso perfume
Sua respira√ß√£o suspendem, ao passar…
Com vossa lenha n√£o se accende, √° noite, o lume,
Os carpinteiros n√£o vos querem aplainar.

– Oh cheiro de figos, melhor que o do incenso
Que incensa o Senhor!
Podesse eu, quem dera! deital-o no lenço
Para o meu amor…

– As outras arvores n√£o s√£o vossas amigas…
M√£os espalmadas, estendidas, supplicantes,

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Purinha

O Espirito, a Nuvem, a Sombra, a Chymera,
Que (aonde ainda n√£o sei) neste mundo me espera
Aquella que, um dia, mais leve que a bruma,
Toda cheia de véus, como uma Espuma,
O Sr. Padre me dar√° p’ra mim
E a seus pés me dirá, toda corada: Sim!
Ha-de ser alta como a Torre de David,
Magrinha como um choupo onde se enlaça a vide
E seu cabello em cachos, cachos d’uvas,
E negro como a capa das viuvas…
(√Ā maneira o trar√° das virgens de Belem
Que a Nossa Senhora ficava t√£o bem!)
E ser√° uma espada a sua m√£o,
E branca como a neve do Mar√£o,
E seus dedos ser√£o como punhaes,
Fuzos de prata onde fiarei meus ais!
E os seus seios ser√£o como dois ninhos,
E seus sonhos ser√£o os passarinhos,
E ser√° sua bocca uma rom√£,
Seus olhos duas Estrellinhas da Manh√£!
Seu corpo ligeiro, t√£o leve, t√£o leve,
Como um sonho, como a neve,
Que hei-de suppor estar a ver, ao vel-a,
Cabrinhas montezas da Serra da Estrella…
E ha-de ser natural como as hervas dos montes
E as rolas das serras e as agoas das fontes…

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Os Sinos

1

Os sinos tocam a noivado,
No Ar lavado!
Os sinos tocam, no Ar lavado,
A noivado!

Que linda criança que assoma na rua!
Que linda, a andar!
Em extasi, o povo commenta que é a Lua,
Que vem a andar…

Tambem, algum dia, o povo na rua,
Quando eu cazar,
Ao ver minha noiva, dirá que é a Lua
Que vae cazar…

2

E o sino toca a baptizado
Que lindo fado?
E o sino toca um lindo fado,
A baptizado!

E banham o anjinho na agoa de neve,
Para o lavar,
E banham o anjinho na agoa de neve,
Para o sujar.

√ď boa madrinha, que o enxugas de leve,
Tem d√≥ d’esses gritos! Comprehende esses ais:
Antes o enxugue a Velha! antes Deus t’o leve!
N√£o soffre mais…

3

Os sinos dobram por anjinho,
Coitadinho!
Os sinos dobram, coitadinho…
Pelo anjinho!

Que aceiada que vae p’ra cova!
Olhae! olhae!
Sapatinhos de sola nova,
Olhae!

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Quero me Casar

Quero me casar
na noite na rua
no mar ou no céu
quero me casar.

Procuro uma noiva
loura morena
preta ou azul
uma noiva verde
uma noiva no ar
como um passarinho.

Depressa, que o amor
n√£o pode esperar!

Sugest√£o

Sede assim ‚ÄĒ qualquer coisa
serena, isenta, fiel.

Flor que se cumpre,
sem pergunta.

Onda que se esforça,
por exercício desinteressado.

Lua que envolve igualmente
os noivos abraçados
e os soldados j√° frios.

Também como este ar da noite:
sussurrante de silêncios,
cheio de nascimentos e pétalas.

Igual à pedra detida,
sustentando seu demorado destino.
E à nuvem, leve e bela,
vivendo de nunca chegar a ser.

√Ä cigarra, queimando-se em m√ļsica,
ao camelo que mastiga sua longa solid√£o,
ao p√°ssaro que procura o fim do mundo,
ao boi que vai com inocência para a morte.

Sede assim qualquer coisa
serena, isenta, fiel.

N√£o como o resto dos homens.

A Casa

√Č um chal√© com alpendre,
forrado de hera.
Na sala,
tem uma gravura de Natal com neve.
N√£o tem lugar pra esta casa em ruas que se conhecem.
Mas afirmo que tem janelas,
claridade de l√Ęmpada atravessando o vidro,
um noivo que ronda a casa
‚ÄĒ esta que parece sombria ‚ÄĒ
e uma noiva l√° dentro que sou eu.
√Č uma casa de esquina, indestrut√≠vel.
Moro nela quando lembro,
quando quero acendo o fogo,
as torneiras jorram,
eu fico esperando o noivo, na minha casa aquecida.
N√£o fica em bairro esta casa
infensa à demolição.
Fica num modo tristonho de certos entardeceres,
quando o que um corpo deseja é outro corpo pra escavar.
Uma ideia de ex√≠lio e t√ļnel.

Dinheiro

Quem quiser ter filhos que doire primeiro
A jarra onde, inteira, caiba alguma flor!
Ai dos que têm filhos, mas não têm herdeiro!
‚ÄĒ Dinheiro! Dinheiro!
√ď can√ß√£o de Amor!

As noivas sorriem, talvez, aos vinte anos.
Os amantes sonham… Sonho passageiro!
M√ļsica de estrelas: √Čtica de enganos;
Ilus√Ķes, perdidas depois dos vinte anos..
E logo outras nascem: Dinheiro! Dinheiro!

Teus pais, teus irm√£os e tua mulher
Cercarão teu leito de herói derradeiro
(Ai de quem, ouvindo-os, nada lhes trouxer!)
E h√£o-de ali pedir-te o que o mundo quer:
‚ÄĒ Dinheiro! Dinheiro!

Deixa-lhes os versos que um dia fizeste,
Amarrado ao lodo, porém verdadeiro.
E eles te dir√£o: ‚ÄĒ P√°ssaro celeste,
Morreste? Morrendo, que bem que fizeste!

√ď can√ß√£o de amor!
Dinheiro! Dinheiro!

Tu Vinhas

N√£o me fizeste sofrer
mas esperar.

Naquelas horas
emaranhadas, cheias
de serpentes,
quando
a alma me caía e eu me afogava,
tu vinhas-te aproximando,
tu vinhas nua e arranhada,
tu chegavas ensanguentada ao meu leito,
noiva minha,
e ent√£o
caminh√°vamos toda a noite dormindo
e, quando acord√°vamos,
estavas intacta e nova,
como se o vento grave dos sonhos
acendesse de novo
o fogo da tua cabeleira
e em trigo e prata submergisse
teu corpo até torná-lo deslumbrante.

Eu n√£o sofri, meu amor,
esperava-te apenas.
Tu precisavas de mudar de coração
e de olhar
depois de tocares a profunda
zona do mar que meu peito te entregou.
Precisavas de sair da √°gua
pura como uma gota erguida
por uma onda nocturna.

Noiva minha, tu precisaste
de morrer e de nascer, eu esperava-te.
N√£o sofri a procurar-te,
sabia que virias,
mas outra, com o que adoro
da mulher que n√£o adorava,
com teus olhos, tuas m√£os e tua boca,
mas com outro coração,

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Amo-te Sempre

Amo-te sempre
com um pouco de barco e de vento
com uma humildade de mar à tua volta
dentro do meu corpo; com o desespero
de ser tempo;

com um pouco de sol e uma fonte
adormecida na ternura.

Merecer este minuto de palavras habitando
o que h√° sem fim no teu retrato;
Este mesmo minuto em que chegam e partem navios
– nesta mesma cidade deste
minuto, desta língua, deste
romance di√°rio dos teus olhos –

(e chegar√£o com armas? refugiados? trigo?
partir√£o com noivas? mission√°rios? guerras? discursos?)

Merecer a densa beleza do teu corpo
que tem água e ternura, células, penumbra,
que dormiu no berço, dormiu na memória,
que teve soluços, febre, e absurdos desejos
maiores que os braços,

merecer os dias subindo das florestas Рe vêm
banhar-se, lentos, nos teus olhos…

Merecer a Igreja, o ajoelhar das palavras,
entre estes cinemas visitando, em duas horas, a alma,
estes eléctricos parando atrás do infinito
para subirem os namorados, a vi√ļva, o cobrador da luz, a
costureira
entre estes homens que ganham dinheiro,

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A Poezia do Outomno

Noitinha. O sol, qual brigue em chammas, morre
Nos longes d’agoa… √ď tardes de novena!
Tardes de sonho em que a poezia escorre
E os bardos, a sonhar, molham a penna!

Ao longe, os rios de agoas prateadas
Por entre os verdes cannaviaes, esguios,
S√£o como estradas liquidas, e as estradas
Ao luar, parecem verdadeiros rios!

Os choupos nus, tremendo, arripiadinhos,
O chale pedem a quem vae passando…
E nos seus leitos nupciaes, os ninhos,
As lavandiscas noivam piando, piando!

O orvalho cae do céu, como um unguento.
Abrem as boccas, aparando-o, os goivos…
E a larangeira, aos repell√Ķes do vento,
Deixa cair por terra a flor dos noivos.

E o orvalho cae… E, √° falta d’agoa, rega
O val sem fruto, a terra arida e nua!
E o Padre-Oceano, l√° de longe, prega
O seu Serm√£o de Lagrymas, √° Lua!

Tardes de outomno! ó tardes de novena!
Outubro! Mez de Maio, na lareira!
Tardes…
L√° vem a Lua, gratiae plena,
Do convento dos céus, a eterna freira!

Esta é a Forma Fêmea

Esta é a forma fêmea:
dos pés à cabeça dela exala um halo divino,
ela atrai com ardente
e irrecusável poder de atração,
eu me sinto sugado pelo seu respirar
como se eu n√£o fosse mais
que um indefeso vapor
e, a n√£o ser ela e eu, tudo se p√Ķe de lado
‚ÄĒ artes, letras, tempos, religi√Ķes,
o que na terra é sólido e visível,
e o que do céu se esperava
e do inferno se temia,
tudo termina:
estranhos filamentos e renovos
incontroláveis vêm à tona dela,
e a acção correspondente
é igualmente incontrolável;
cabelos, peitos, quadris,
curvas de pernas, displicentes m√£os caindo
todas difusas, e as minhas também difusas,
maré de influxo e influxo de maré,
carne de amor a inturgescer de dor
deliciosamente,
inesgotáveis jactos límpidos de amor
quentes e enormes, trémula geléia
de amor, alucinado
sopro e sumo em delírio;
noite de amor de noivo
certa e maciamente laborando
no amanhecer prostrado,
a ondular para o presto e proveitoso dia,
perdida na separação do dia
de carne doce e envolvente.

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Noivado

Vês, querida, o horizonte ardendo em chamas?
Além desses outeiros
Vai descambando o sol, e à terra envia
Os raios derradeiros;
A tarde, como noiva que enrubesce,
Traz no rosto um véu mole e transparente;
No fundo azul a estrela do poente
Já tímida aparece.

Como um bafo suavíssimo da noite,
Vem sussurrando o vento
As árvores agita e imprime às folhas
O beijo sonolento.
A flor ajeita o c√°lix: cedo espera
O orvalho, e entanto exala o doce aroma;
Do leito do oriente a noite assoma
Como uma sombra austera.

Vem tu, agora, ó filha de meus sonhos,
Vem, minha flor querida;
Vem contemplar o céu, página santa
Que amor a ler convida;
Da tua solid√£o rompe as cadeias;
Desce do teu sombrio e mudo asilo;
Encontrar√°s aqui o amor tranq√ľilo…
Que esperas? que receias?

Olha o templo de Deus, pomposo e grande;
L√° do horizonte oposto
A lua, como l√Ęmpada, j√° surge
A alumiar teu rosto;
Os círios vão arder no altar sagrado,
Estrelinhas do céu que um anjo acende;

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Pobre Tysica!

Quando ella passa √° minha porta,
Magra, livida, quazi morta,
E vae até á beira-mar,
Labios brancos, olhos pizados:
Meu coração dobra a finados,
Meu cora√ß√£o poe-se a chorar…

Perpassa leve como a folha,
E suspirando, √°s vezes, olha
Para as gaivotas, para o Ar:
E, assim, as suas pupillas negras
Parecem duas toutinegras,
Tentando as azas para voar!

Veste um habito cor de leite,
Saiinha liza, sem enfeite,
Boina maruja, toda luar:
Por isso, mal na praia alveja,
As mais suspiram com inveja:
¬ęNoiva feliz, que vaes cazar…¬Ľ

Triste, acompanha-a um Terra-Nova
Que, dentro em pouco, √° fria cova
A ir√° de vez acompanhar…
O ch√£o desnuda com cautella,
Que Boy conhece o estado d’ella:
Quando ella tosse, poe-se a uivar!

E, assim, sósinha com a aia,
Ao sol, se assenta sobre a praia,
Entre os b√©b√©s, que √© o seu logar…
E o Oceano, tremulo av√īzinho,
Cofiando as barbas cor de linho,
Vem ter com ella a conversar…

Fallam de sonhos, de anjos,

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