Sonetos sobre Dogma

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Sonetos de dogma escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

A Área

Tudo o que houve, permanece, proeza do corpo
como um sulco bĂĄrbaro da memĂłria dos dias,
ritos, remorsos, sementes futuras, a mudez.
Tudo aconteceu nas lĂĄgrimas e nas veias,

na precisĂŁo das luzes, no lugar mĂłvel da ordem,
no gelo e no lume que entre as coisas navegam,
na palavra deflagrada, na paz das pĂĄginas.
Para onde vai o que nĂŁo se move, o que Ă©

dogma de cal, madeira, pedra ou ferro?
Como chamar Ă  alma, Ă  linguagem, Ă s cores
que de amor pela morte morrem caladas,

na ĂĄrea eterna da casa, a que permanece
na velhice dos anos e dos ossos consumada,
como uma gota do tempo para além dos séculos?

À Revolta

A Cassiano CĂ©sar

O sĂ©culo Ă© de revolta — do alto transformismo,
De Darwin, de LittrĂ©, de Spencer, de Laffite —
Quem fala, quem dĂĄ leis Ă© o rubro niilismo
Que traz como divisa a bala-dinamite!…

Se é força, se é preciso erguer-se um evangelho,
Mais reto, que instrua — estĂ©tico — mais novo
Esmaguem-se do trono os dogmas de um Velho
E lance-se outro sangue aos mĂșsculos do povo!…

O vício azinhavrado e os cérebros raquíticos,
É pĂŽ-los ao olhar dos sĂ©rios analĂ­ticos,
Na ampla, social e esplĂȘndida vitrine!…

À frente!… — Trabalhar a luz da idĂ©ia nova!…
— Pois bem! Seja a idĂ©ia, quem lance o vĂ­cio Ă  cova,
— Pois bem! — Seja a idĂ©ia, quem gere e quem fulmine!…