Textos sobre Julgamentos de Gustave Le Bon

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Textos de julgamentos de Gustave Le Bon. Leia este e outros textos de Gustave Le Bon em Poetris.

O Desejo como Consequência do Prazer e da Dor

O prazer e a dor suscitam o desejo. Desejo de alcançar o prazer e de evitar a dor. O desejo é o móbil principal da nossa vontade e, portanto, dos nossos atos. Do pólipo aos homens, todos os seres são movidos pelo desejo. Inspira a vontade, que não pode existir sem ele, e depende da sua intensidade. O desejo fraco suscita, naturalmente, uma vontade fraca.
Cumpre, no entanto, não confundir vontade e desejo, como fizeram muitos filósofos, tais como Condillac e Schopenhauer. Tudo quanto é querido é, evidentemente, desejado; mas desejamos muitas coisas que, sabemos, não podíamos querer. A vontade traduz deliberação, determinação e execução, estados de consciência que não se observam no desejo.
O desejo estabelece a escala dos nossos valores, variável, aliás, com o tempo e as raças. O ideal de cada povo é a fórmula do seu desejo.
Um desejo que invade todo o entendimento, transforma a nossa concep√ß√£o das coisas, as nossas opini√Ķes e as nossas cren√ßas. Spinoza muito bem disse julgamos uma coisa boa, n√£o por julgamento, mas porque a desejamos.

Não existindo em si mesmo o valor das coisas, ele é apenas determinado pelo desejo e proporcionalmente à intensidade desse desejo.A variável apreciação dos objetos de arte fornece desse fato uma prova diária.

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Cont√°gio Mental

O cont√°gio mental representa o elemento essencial da propaga√ß√£o das opini√Ķes e das cren√ßas. A sua for√ßa √©, muitas vezes, bastante consider√°vel para fazer agir o indiv√≠duo contra os seus interesses mais evidentes. As inumer√°veis narra√ß√Ķes de mart√≠rios, de suic√≠dios, de mutila√ß√Ķes, etc., determinados por cont√°gio mental fornecem uma prova disso.
Todas as manifesta√ß√Ķes da vida ps√≠quica podem ser contagiosas, mas s√£o, especialmente, as emo√ß√Ķes que se propagam desse modo. As ideias contagiosas s√£o s√≠nteses de elementos afectivos.
Na vida comum, o cont√°gio pode ser limitado pela ac√ß√£o inibidora da vontade, mas, se uma causa qualquer – violenta mudan√ßa de meio em tempo de revolu√ß√£o, excita√ß√Ķes populares, etc. – v√™m paralis√°-la, o cont√°gio exercer√° facilmente a sua influ√™ncia e poder√° transformar seres pac√≠ficos em ousados guerreiros, pl√°cidos burgueses em terr√≠veis sect√°rios. Sob a sua influ√™ncia, os mesmos indiv√≠duos passar√£o de um partido para outro e empregar√£o tanta energia em reprimir uma revolu√ß√£o quanto em foment√°-la.
O contágio mental não se exerce somente pelo contacto direto dos indivíduos. Os livros, os jornais, as notícias telegráficas, mesmo simples rumores, podem produzi-lo.
Quanto mais se multiplicam os meios de comunicação tanto mais se penetram e se contagiam. A cada dia estamos mais ligados àqueles que nos cercam.

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