Cita√ß√Ķes sobre S√≠nteses

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Frases sobre s√≠nteses, poemas sobre s√≠nteses e outras cita√ß√Ķes sobre s√≠nteses para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Soneto 529 Extra-Expresso

Mandou aquele abraço para o Rio.
De Sampa enalteceu a Freguesia.
Levou compasso e régua da Bahia.
Em Londres troca o Trópico por frio.

Com Jorge, Rita e Marley antevi-o.
Com Berry, Cliff ou Wonder bem veria.
Com ele fez escola a ecologia
e a escola fez o samba em que folio.

Veado ou pica-pau, ele os compacta;
met√°fora, se abstrata, ele a concreta;
com síntese a internet ele retrata.

√Č √°gil, presto, esperto, pois poeta;
agílimo, da raça expressa a nata;
agudo, mas dulcíssimo: ultra-esteta!

Este é o Prólogo

Deixaria neste livro
toda minha alma.
Este livro que viu
as paisagens comigo
e viveu horas santas.

Que compaix√£o dos livros
que nos enchem as m√£os
de rosas e de estrelas
e lentamente passam!

Que tristeza t√£o funda
é mirar os retábulos
de dores e de penas
que um coração levanta!

Ver passar os espectros
de vidas que se apagam,
ver o homem despido
em Pégaso sem asas.

Ver a vida e a morte,
a síntese do mundo,
que em espaços profundos
se miram e se abraçam.

Um livro de poemas
é o outono morto:
os versos s√£o as folhas
negras em terras brancas,

e a voz que os lê
é o sopro do vento
que lhes mete nos peitos
‚ÄĒ entranh√°veis dist√Ęncias. ‚ÄĒ

O poeta é uma árvore
com frutos de tristeza
e com folhas murchadas
de chorar o que ama.

O poeta é o médium
da Natureza-m√£e
que explica sua grandeza
por meio das palavras.

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Supreme Convulsion

O equilíbrio do humano pensamento
Sofre tamb√©m a s√ļbita ruptura,
Que produz muita vez, na noite escura,
A convulsão meteórica do vento.

E a alma o obnóxio quietismo sonolento
Rasga; e, opondo-se à Inércia, é a essência pura,
√Č a s√≠ntese, √© o transunto, √© a abreviatura
Do todo o ubiq√ľit√°rio Movimento!

Sonho, – liberta√ß√£o do homem cativo –
Ruptura do equilíbrio subjetivo,
Ah! foi teu beijo convulsionador

Que produziu este contraste fundo
Entre a abund√Ęncia do que eu sou, no Mundo,
E o nada do meu homem interior!

As Montanhas

II

Agora, oh! deslumbrada alma perscruta
O puerpério geológico interior,
De onde rebenta, em contra√ß√Ķes de dor,
Toda a sublevação da crusta hirsuta!

No curso inquieto da terr√°quea luta
Quantos desejos férvidos de amor
N√£o dormem, recalcados, sob o horror
Dessas agrega√ß√Ķes de pedra bruta?!

Como nesses relevos orográfícos,
Inacessíveis aos humanos tráficos
Onde sóis, em semente, amam jazer,

Quem sabe, alma, se o que ainda n√£o existe
Não vive em gérmen no agregado triste
Da síntese sombria do meu Ser?!

O Conceito e a Imagem

Entre a imagem e o conceito, nenhuma síntese. Tampouco essa filiação, sempre dita, jamais vivida, pela qual os psicólogos fazem o conceito emergir da pluralidade das imagens. Quem se entrega com todo o seu espírito aos conceitos, com toda a sua alma às imagens, sabe bem que os conceitos e as imagens se desenvolvem em linhas divergentes da vida espiritual.

Todo o Mal Provém não da Privação mas do Supérfluo

Ser feliz √©, afinal, n√£o esperar muito da felicidade, ser feliz √© ser simples, desambicioso, √© saber dosear as aspira√ß√Ķes at√© √†quela medida que p√Ķe o que se deseja ao nosso alcance. Pegando de novo em Tolstoi, que vem sendo em mim um padr√£o tutelar, lembremos de novo um dos seus her√≥is, o pr√≠ncipe Pedro Bezoukhov (do romance ‘Guerra e Paz’). As circunst√Ęncias fizeram-no conviver no cativeiro com um s√≠mbolo da sabedoria popular, um tal Karataiev. Pois esse companheirismo desinteressado e genu√≠no, esse encontro com a vida crua mas desmistificadora, n√£o s√≥ modificaram o pr√≠ncipe Pedro como lhe revelaram o que ele precisava de saber para atingir o que n√≥s, pobres humanos, debalde perseguimos: a coer√™ncia, a pacifica√ß√£o interior, que s√£o correctivos da desventura.
Tolstoi salienta-nos que Pedro, ap√≥s essa viv√™ncia, apreendera, n√£o pela raz√£o mas por todo o seu ser, que o homem nasceu para a felicidade e que todo o mal prov√©m n√£o da priva√ß√£o mas do sup√©rfluo, e que, enfim, n√£o h√° grandeza onde n√£o haja verdade e desapego pelo ef√©mero. Isto, ali√°s, nos √© repetido por outra figura de Tolstoi, a princesa Maria, ao acautelar-nos com esta s√≠ntese desoladora: ¬ęTodos lutam, sofrem e se angustiam,

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Mera mudança não é crescimento. Crescimento é a síntese de mudança e continuidade, e onde não há continuidade não há crescimento.

Confiss√£o Social

Ninguém tem qualquer interesse em saber isto; mas se eu tivesse de me confessar socialmente, a síntese do meu desespero era esta: que cheguei, em matéria de descrença no homem, à saturação.
E, contudo, este perdido, este condenado, merece-me uma ternura tal, que não há tolice que faça, asneira que invente, mentira que diga que me deixem indiferente. Tenho por força de olhar, reparar, ouvir, e comentar com toda a paixão de que sou capaz.

Cont√°gio Mental

O cont√°gio mental representa o elemento essencial da propaga√ß√£o das opini√Ķes e das cren√ßas. A sua for√ßa √©, muitas vezes, bastante consider√°vel para fazer agir o indiv√≠duo contra os seus interesses mais evidentes. As inumer√°veis narra√ß√Ķes de mart√≠rios, de suic√≠dios, de mutila√ß√Ķes, etc., determinados por cont√°gio mental fornecem uma prova disso.
Todas as manifesta√ß√Ķes da vida ps√≠quica podem ser contagiosas, mas s√£o, especialmente, as emo√ß√Ķes que se propagam desse modo. As ideias contagiosas s√£o s√≠nteses de elementos afectivos.
Na vida comum, o cont√°gio pode ser limitado pela ac√ß√£o inibidora da vontade, mas, se uma causa qualquer – violenta mudan√ßa de meio em tempo de revolu√ß√£o, excita√ß√Ķes populares, etc. – v√™m paralis√°-la, o cont√°gio exercer√° facilmente a sua influ√™ncia e poder√° transformar seres pac√≠ficos em ousados guerreiros, pl√°cidos burgueses em terr√≠veis sect√°rios. Sob a sua influ√™ncia, os mesmos indiv√≠duos passar√£o de um partido para outro e empregar√£o tanta energia em reprimir uma revolu√ß√£o quanto em foment√°-la.
O contágio mental não se exerce somente pelo contacto direto dos indivíduos. Os livros, os jornais, as notícias telegráficas, mesmo simples rumores, podem produzi-lo.
Quanto mais se multiplicam os meios de comunicação tanto mais se penetram e se contagiam. A cada dia estamos mais ligados àqueles que nos cercam.

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O Desejo do Homem é Contrário à Sua Unidade

Houve tempo em que o homem inventou o amor cort√™s para n√£o perder a intimidade das mulheres. Elas estavam a ser atra√≠das pela formid√°vel influ√™ncia da Igreja que as recebia permitindo-lhes uma personalidade est√°vel. As mulheres amam essa personalidade est√°vel que Freud soube preservar nas suas rela√ß√Ķes com Marta, a mulher de toda a sua vida. Ler a correspond√™ncia de Freud com Marta √© muito salutar neste mundo a abarrotar de esgotamentos nervosos e falsas ou reais confid√™ncias. Um dos seus clientes (Schonberg) causava-lhe grande preocupa√ß√£o. Um dia, a cunhada, vendo o doente cumprimentar uma senhora, disse: ¬ęO facto de ele ser outra vez bem educado com as mulheres √© tamb√©m um √≠ndice de melhoria¬Ľ. Freud n√£o deixa de referir isto, que corresponde a uma personalidade vener√°vel. As mulheres acham que √© sinal de normalidade serem tratadas com cortesia. O desejo n√£o lhes diz nada, comparado com uma palavra doce e conveniente. Isto n√£o √© uma s√≠ntese do comportamento dos homens e das mulheres. Mas sim uma certeza – o que n√£o pro√≠be toda a esp√©cie de averbamentos necess√°rios √† verdade.

Nietzsche, imoralista por definição, disse que não há nada mais contrário ao gosto do que o homem que deseja.

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O Desespero de Ser Português

Deus, d√°-me for√ßa para delinear, para perceber a s√≠ntese total da psicologia e da hist√≥ria psicol√≥gica da na√ß√£o portuguesa! Todos os dias os jornais me trazem not√≠cias de factos que s√£o humilhantes, para n√≥s, Portugueses. Ningu√©m pode conceber como eu sofro com eles. Ningu√©m pode imaginar o profundo desespero, a enorme dor que perante isto se apodera de mim. Oh, como eu sonho com aquele Marqu√™s de T√°vora que poderia vir redimir a na√ß√£o ‚ÄĒ um salvador, um verdadeiro homem, grande e dominador que nos endireitaria. Mas nenhum sofrimento pode igualar aquele que me leva a perceber que isto n√£o √© mais do que um sonho.

Eu nunca sou feliz, nem nos meus momentos egoístas nem nos meus momentos não egoístas. A minha consolação é ler Antero de Quental. Finalmente, em mim, o espírito de Lutero. Oh, como eu compreendo o profundo sofrimento que era o seu.
Devo escrever o meu livro. Tremo de pensar qual possa ser a verdade. Ainda que seja má tenho que escrevê-lo. Queira Deus que a verdade não seja má!
Gostaria de ter escrito isto num melhor estilo, mas a minha capacidade para escrever desapareceu.

Maritain disse que o mundo precisava mais de metaf√≠sica do que de carv√£o. Podemos dizer hoje que o mundo precisa mais de poesia do que de petr√≥leo. A poesia √© de fato a emo√ß√£o reelaborada na tranquilidade. √Č, assim, a s√≠ntese da emo√ß√£o e da paz.

As Oscila√ß√Ķes da Personalidade

Pretender que a nossa personalidade seja m√≥vel e suscept√≠vel de grandes mudan√ßas √©, por vezes, no√ß√£o um pouco contr√°ria √†s id√©ias tradicionais atinentes √† estabilidade do ‚Äúeu‚ÄĚ. A sua unidade foi durante muito tempo um dogma indiscut√≠vel. Factos numerosos vieram provar quanto esta ideia era fict√≠cia.
O nosso ‚Äúeu‚ÄĚ √© um total. Comp√Ķe-se da adi√ß√£o de inumer√°veis ‚Äúeu‚ÄĚ celulares. Cada c√©lula concorre para a unidade de um ex√©rcito. A homogeneidade dos milhares de indiv√≠duos que o comp√Ķem resulta somente de uma comunidade de ac√ß√£o que numerosas coisas podem destruir.
√Č in√ļtil objectar que a personalidade dos seres parece, em geral, bastante est√°vel. Se ela nunca varia, com efeito, √© porque o meio social permanece mais ou menos constante. Se subitamente esse meio se modifica, como em tempo de revolu√ß√£o, a personalidade de um mesmo indiv√≠duo poder√° transformar-se por completo. Foi assim que se viram, durante o Terror, bons burgueses reputados pela sua brandura tornarem-se fan√°ticos sanguin√°rios. Passada a tormenta e, por conseguinte, representando o antigo meio e o seu imp√©rio, eles readquiriram sua personalidade pacifica. Desenvolvi, h√° muito tempo, essa teoria e mostrei que a vida dos personagens da Revolu√ß√£o era incompreens√≠vel sem ela.
De que elementos se comp√Ķe o ‚Äúeu‚ÄĚ,

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Que Todos os Dias Sejam Dias de Amor

Jo√£o Brand√£o pergunta, prop√Ķe e decreta:
Se h√° o Dia dos Namorados, por que n√£o haver o Dia dos Amorosos, o Dia dos Amadores, o Dia dos Amantes? Com todo o fogo desta √ļltima palavra, que circula entre o carnal e o sublime?
E o Dia dos Amantes Exemplares e o Dia dos Amantes Plat√īnicos, que tamb√©m s√£o exemplares √† sua maneira, e dizem at√© que mais?
Por que não instituir, ó psicólogos, ó sociólogos, ó lojistas e publicitários, o Dia do Amor?
O Dia de Fazê-lo, o Dia de Agradecer-lhe, o de Meditá-lo em tudo que encerra de mistério e grandeza, o Dia de Amá-lo? Pois o Amor se desperdiça ou é incompreendido até por aqueles que amam e não sabem, pobrezinhos, como é essencial amar o Amor.
E mais o Dia do Amor Tranq√ľilo, t√£o raro e vestido de linho alvo, o Dia do Amor Violento, o Dia do Amor Que N√£o Ousava Dizer o Seu Nome Mas Agora Ousa, na arrebenta√ß√£o geral do s√©culo?
Amor Complicado pede o seu Dia, n√£o para tornar-se pedestre, mas para requintar em sua complica√ß√£o cheia de v√īos fora do hor√°rio e da visibilidade. Amor √† Primeira Vista,

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A síntese do espírito de finura pode transformar-se na essência da não-verdade.

A Temporalidade

A temporalidade √© evidentemente uma estrutura organizada, e esses tr√™s pretensos “elementos” do tempo, passado, presente , futuro, n√£o devem ser considerados como uma colec√ß√£o de “dados” cuja soma deve ser feita – por exemplo, como uma s√©rie infinita de “agora”, alguns dos quais ainda n√£o s√£o, outros que n√£o s√£o mais -, mas como momentos estruturados de uma s√≠ntese original. Sen√£o encontraremos, em primeiro lugar, este paradoxo: o passado n√£o √© mais, o futuro ainda n√£o √©, quanto ao presente instant√Ęneo, todos sabem que ele n√£o √© tudo, √© o limite de uma divis√£o infinita, como o ponto sem dimens√£o.

N√£o h√° outra forma de arte que se aproxime mais da vida do que o cinema. E o cinema √© tamb√©m uma s√≠ntese de todas as artes ‚Äď como a pr√≥pria vida, que cont√©m em si todos os aspectos ‚Äď, seja a escultura, a pintura ou a pr√≥pria m√ļsica.