Textos sobre Lagoas

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Textos de lagoas escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Felicidade e Cultura

A vis√£o das imedia√ß√Ķes da nossa inf√Ęncia comove-nos: a casa de campo, a igreja com as sepulturas, a lagoa e o bosque… √© sempre com padecimento que voltamos a ver isso. Apodera-se de n√≥s a compaix√£o para com n√≥s pr√≥prios, pois por que sofrimentos n√£o pass√°mos, desde ent√£o! E ali continua a estar tudo t√£o calmo, t√£o eterno: s√≥ n√≥s estamos mudados, t√£o agitados; at√© tornamos a encontrar algumas pessoas, nas quais o tempo n√£o meteu dente mais do que num carvalho: camponeses, pescadores, habitantes da floresta… s√£o os mesmos. Como√ß√£o, compaix√£o consigo pr√≥prio, √† vista da cultura inferior, √© sinal de cultura superior; donde se conclui que, por interm√©dio desta, a felicidade, em todo o caso, n√£o foi acrescida. Justamente, quem quiser colher da vida felicidade e deleite s√≥ tem que se desviar sempre da cultura superior.

O Amor na Lama

– Esteban, o homem n√£o poderia fazer grandes obras sem trabalhos pequenos; na maqueta do carpinteiro est√° todo o edif√≠cio do arquiteto, n√£o h√° profiss√Ķes grandes e pequenas: alegro-me que tenhas decidido ficar connosco na carpintaria, mas conv√©m que te lembres disso. N√£o te esque√ßas de que Deus tamb√©m se senta numa cadeira e come a uma mesa e dorme numa cama. Como qualquer um. Pode prescindir dos ret√°bulos, das est√°tuas e dos livros que lhe dedicam, incluindo a B√≠blia, mas n√£o da cadeira, da mesa e da cama. ‚ÄĒ O meu tio esfor√ßava-se muito. Queria que eu me sentisse bem na profiss√£o. Que come√ßasse a gostar dela. Acreditava que eu vivia como um fracasso a decis√£o de ter abandonado a Escola de Belas–Artes. Intu√≠a certamente que eu precisava de desenvolver a minha autoestima. Mas tudo isso me parecia mera ret√≥rica ‚ÄĒ e era-o ‚ÄĒ, a verdade √© que por essa altura j√° tinha come√ßado a sair com Leonor e era ela quem eu amava, aprendia a gostar de mim atrav√©s dela. Descobria o meu corpo em cada palmo do corpo dela, e o meu corpo ganhava valor porque lhe pertencia, era o seu complemento: acreditava que partilh√°vamos dois corpos que jamais poderiam separar-se e viver cada um por si.

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Um Povo Resignado e Dois Partidos sem Ideias

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macamb√ļzio, fatalista e son√Ęmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de mis√©rias, sem uma rebeli√£o, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem j√° com as orelhas √© capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, n√£o se lembrando nem donde vem, nem onde est√°, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e √© bom, e guarda ainda na noite da sua inconsci√™ncia como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em sil√™ncio escuro de lagoa morta. [.]

Uma burguesia, c√≠vica e politicamente corrupta at√© √† medula, n√£o descriminando j√° o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem car√°cter, havendo homens que, honrados na vida √≠ntima, descambam na vida p√ļblica em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a inf√Ęmia, da mentira a falsifica√ß√£o, da viol√™ncia ao roubo, donde provem que na pol√≠tica portuguesa sucedam, entre a indiferen√ßa geral, esc√Ęndalos monstruosos, absolutamente inveros√≠meis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfreg√£o de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdica√ß√£o un√Ęnime do Pa√≠s.

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