Textos sobre Mesquinhez de Arthur Schopenhauer

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Textos de mesquinhez de Arthur Schopenhauer. Leia este e outros textos de Arthur Schopenhauer em Poetris.

A Dor e o Tédio São os Dois Maiores Inimigos da Felicidade

O panorama mais amplo mostra-nos a dor e o t√©dio como os dois inimigos da felicidade humana. Observe-se ainda: √† medida que conseguimos afastar-nos de um, mais nos aproximamos do outro, e vice-versa; de modo que a nossa vida, na realidade, exp√Ķe uma oscila√ß√£o mais forte ou mais fraca entre ambos. Isso origina-se do facto de eles se encontrarem reciprocamente num antagonismo duplo, ou seja, um antagonismo exterior ou oubjectivo, e outro interior e subjectivo. De facto, exteriormente, a necessidade e a priva√ß√£o geram a dor; em contrapartida, a seguran√ßa e a abund√Ęncia geram o t√©dio. Em conformidade com isso, vemos a classe inferior do povo numa luta constante contra a necessidade, portanto contra a dor; o mundo rico e aristocr√°tico, pelo contr√°rio, numa luta persistente, muitas vezes realmente desesperada contra o t√©dio. O antagonismo interior ou subjectivo entre ambos os sofrimentos baseia-se no facto de que, em cada indiv√≠duo, a susceptibilidade para um encontra-se em propor√ß√£o inversa √† susceptibilidade para o outro, j√° que ela √© determinada pela medida das suas for√ßas espirituais. Com efeito, a obtusidade do esp√≠rito est√°, em geral, associada √† da sensa√ß√£o e √† aus√™ncia da excitabilidade, qualidades que tornam o indiv√≠duo menos suscept√≠vel √†s dores e afli√ß√Ķes de qualquer tipo e intensidade.

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Insultar é uma Honra

Assim como ser insultado √© uma vergonha, insultar √© uma honra. Por exemplo, mesmo que a verdade, o direito e a raz√£o estejam do lado do meu advers√°rio, n√£o deixo de insult√°-lo; desse modo, todas as suas qualidades passam a ser desconsideradas, e o direito e a honra passam a estar do meu lado. Ele, pelo contr√°rio, perdeu provisoriamente a sua honra – at√© conseguir restabelec√™-la, n√£o mediante direito e raz√£o, mas por tiros e estocadas. Logo, a rudeza √© uma qualidade que, no ponto de honra, substitui ou se sobrep√Ķe sobre as outras. O mais rude tem sempre raz√£o: para qu√™ tantas palavras? Qualquer estupidez, insol√™ncia, maldade que algu√©m possa ter feito, uma rudeza retira-lhes essa caracter√≠stica e elas s√£o de imediato legitimadas. Se, numa discuss√£o ou conversa, outro indiv√≠duo mostra conhecimento mais correcto do assunto, um amor mais austero √† verdade, um ju√≠zo mais saud√°vel, mais entendimento que n√≥s, ou se em geral exibe m√©ritos intelectuais que nos deixam na sombra, ent√£o podemos de imediato suprimir semelhantes superioridades e a nossa pr√≥pria mesquinhez por elas revelada e sermos, por nosso turno, superiores, tornando-nos ofensivos e rudes.
Pois uma rudeza derrota todo o argumento e eclipsa qualquer espírito;

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Quem n√£o Ama a Solid√£o, n√£o Ama a Liberdade

Nenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças (high life), pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas.
Assim como o nosso corpo est√° envolto em vestes, o nosso esp√≠rito est√° revestido de mentiras. Os nossos dizeres, as nossas ac√ß√Ķes, todo o nosso ser √© mentiroso, e s√≥ por meio desse inv√≥lucro pode-se, por vezes, adivinhar a nossa verdadeira mentalidade, assim como pelas vestes se adivinha a figura do corpo.

Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomoda√ß√£o m√ļtua e uma temperatura; por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha ser√°. Cada um s√≥ pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto, n√£o ama a solid√£o, tamb√©m n√£o ama a liberdade: apenas quando se est√° s√≥ √© que se est√° livre.
A coerção é a companheira inseparável de toda a sociedade, que ainda exige sacrifícios tão mais difíceis quanto mais significativa for a própria individualidade. Dessa forma, cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exacta do valor da sua personalidade.

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