Passagens sobre Individualidade

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Frases sobre individualidade, poemas sobre individualidade e outras passagens sobre individualidade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Faltam-nos hoje n√£o apenas mestres da vida interior, mas simplesmente da vida, de uma vida total, de uma exist√™ncia digna de ser vivida. Faltam cart√≥grafos e testemunhas do cora√ß√£o humano, dos seus infindos e √°rduos caminhos, mas tamb√©m dos nossos quotidianos, onde tudo n√£o √© e √© extraordinariamente simples. Falta-nos uma nova gram√°tica que concilie no concreto os termos que a nossa cultura tem por inconcili√°veis: raz√£o e sensibilidade, efic√°cia e afetos, individualidade e compromisso social, gest√£o e compaix√£o, espiritualidade e sentidos, eternidade e instante. Ser√° que do instante dos sentidos podemos fazer uma m√≠stica? N√£o tenhamos d√ļvidas: o que est√° dito permanece ainda por dizer.

O Que Mais Contribui para a Felicidade

J√° reconhecemos em geral que aquilo que somos contribui muito mais para a felicidade do que aquilo que temos ou representamos. Importa saber o que algu√©m √© e, por conseguinte, o que tem em si mesmo, pois a sua individualidade acompanha-o sempre e por toda a parte, e tinge cada uma das suas viv√™ncias. Em todas as coisas e ocasi√Ķes, o indiv√≠duo frui, em primeiro lugar, apenas a si mesmo. Isso j√° vale para os deleites f√≠sicos e muito mais para os intelectuais. Por isso, a express√£o inglesa to enjoy one’s self √© bastante acertada; com ela, dizemos, por exemplo, he enjoys himself at Paris, portanto, n√£o ¬ęele frui Paris¬Ľ, mas ¬ęele frui a si em Paris¬Ľ. Entretanto, se a individualidade √© de m√° qualidade, ent√£o todos os deleites s√£o como vinhos deliciosos numa boca impregnada de fel.
Assim, tanto no bem quanto no mal, tirante os casos graves de infelicidade, importa menos saber o que ocorre e sucede a alguém na vida, do que a maneira como ele o sente, portanto, o tipo e o grau da sua susceptibilidade sob todos os aspectos. O que alguém é e tem em si mesmo, ou seja, a personalidade e o seu valor,

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Cada Indivíduo é Único

A vida √©, intrinsecamente, uma tremenda aceita√ß√£o inconsciente. Aceitou totalmente os seus olhos? Aceitou totalmente o seu corpo? Aceitou totalmente a vida que leva? Esta ideia de aceita√ß√£o total que nos √© imposta torna-nos infelizes, porque est√° continuamente a fazer compara√ß√Ķes. H√° sempre algu√©m que tem uns olhos mais bonitos, um corpo mais forte e que possui mais conhecimentos. E a pessoa sente-se sempre inferior e esta inferioridade vai-nos corroendo o cora√ß√£o. Tornamo-nos cada vez mais infelizes, mas o motivo foi criado desnecessariamente por n√≥s. N√£o h√° necessidade de nos compararmos com os outros, porque n√£o existe ningu√©m com quem nos possamos comparar.
Cada indiv√≠duo √© √ļnico. E seja o que for, √© dessa maneira que a exist√™ncia quer que esse indiv√≠duo seja. Desfrute disso.
Substitua a palavra ¬ęaceita√ß√£o¬Ľ, porque n√£o √© uma palavra muito feliz. Aceita√ß√£o √© uma coisa que tem de se fazer, n√£o h√° alternativa. H√° pessoas mais bonitas, h√° pessoas mais ricas, h√° pessoas mais fortes. E o que √© que podemos fazer? Aceitar.
Eu n√£o ensino a aceita√ß√£o desta maneira. A minha ideia de aceita√ß√£o √© completamente diferente da de todas as religi√Ķes.
Eu proclamo a sua unicidade.
Cada um de n√≥s √© apenas aquela pessoa particular e n√£o existe ningu√©m –

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Individualismo e Individualidade

H√° uma grande diferen√ßa entre o individualismo e a individualidade. O individualismo √© uma caracter√≠stica doentia da personalidade, ancorada na incapacidade de aprender com os outros, na car√™ncia de solidariedade, no desejo de atender em primeiro, segundo e terceiro lugar aos pr√≥prios interesses. Em √ļltimo lugar, ficam as necessidades dos outros.

A individualidade, por sua vez, est√° ancorada na seguran√ßa, na determina√ß√£o, na capacidade de escolha. √Č, portanto, uma caracter√≠stica muito saud√°vel da personalidade. Infelizmente, desenvolvemos frequentemente o individualismo e n√£o a individualidade.

N√≥s pensamos que vivemos em uma sociedade heterossexual porque a maioria dos homens est√° fixada nas mulheres como objetos sexuais; mas, de fato, n√≥s vivemos em uma sociedade homossexual porque todas as transa√ß√Ķes cr√≠veis de poder, autoridade, e autenticidade realizam-se entre homens; todas as transa√ß√Ķes baseadas em igualdade e individualidade realizam-se entre homens. Homens s√£o reais; portanto, todo relacionamento real acontece entre homens; toda comunica√ß√£o real acontece entre homens; toda reciprocidade real acontece entre homens; toda mutualidade real acontece entre homens.

O Amor a Dois

O amor a dois só funciona se as individualidades se amarem a elas próprias em primeiro lugar.

E quem pensar o contrário ou é infeliz ou tem os dias contados para ser solteiro outra vez.

Existem três tipos de relacionamento a dois:

1 – Cada um dos dois vive primeiro para o outro e s√≥ depois para si mesmo, ou seja, o que interessa s√£o as vontades do parceiro e nunca as suas, o que torna as coisas esquisitas, pois nenhum vive a sua verdade nem se respeita em momento algum, porque vivem ambos com medo de se perder. Deve ser enfadonho e, muitas vezes, confuso. √Č do g√©nero, eu quero uma coisa que n√£o vou ter para dar ao outro, no entanto vou receber algo parecido com aquilo que queria mas n√£o √© bem a mesma coisa, o que √© normal, pois mais ningu√©m al√©m de n√≥s sabe o que nos sabe melhor e quando nos sabe bem.

2 – As duas pessoas vivem em fun√ß√£o da mesma. Pior ainda. √Č que se no exemplo acima ainda existe alguma energia, embora desfasada, a ser trocada de um para o outro, aqui nem isso.

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O Homem de Ideias

N√£o √© l√≠cito dizer que tem ideias aquele que as foi buscar a outro, que envergou um sistema j√° pronto, que n√£o o construiu ele mesmo a pouco e pouco, √† medida que se ia alargando e aprofundando a sua vis√£o do mundo; para ¬ęter ideias¬Ľ √© necess√°rio um trabalho de autoforma√ß√£o, de modela√ß√£o cont√≠nua da alma, uma assimila√ß√£o que n√£o cessa de tudo o que uma determinada personalidade encontra de assimil√°vel no que a cerca, ou passado ou presente; a ideia surge da vida pr√≥pria e n√£o da vida dos outros; o homem que tem individualidade (√© muito dif√≠cil ser indiv√≠duo), ou a busca, pode inserir no seu pensamento fragmentos de pensamento alheio, mas apenas insere aqueles que, como algarismos num n√ļmero, mudam de valor conforme a posi√ß√£o; inventa uma coluna vertebral que s√≥ a ele pertence e caracteriza, depois procura o que se lhe pode adaptar sem desarmonia nem contradi√ß√£o.
Faz como o caracol que se não instala na concha de outro caracol; fabrica-a e aumenta-a ao mesmo ritmo que se fabrica e aumenta o corpo que a enche; os Eremitas são bichos traiçoeiros. Aprender ideias não tem valor senão quando nos serve para formar ideias; se apenas as queremos usar não merecemos nem a confiança nem a consideração de ninguém;

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Feministas têm uma visão das mulheres, até das mulheres, como seres humanos individuais; e esta visão aniquila o sistema de polaridade de gênero em que os homens são superiores e poderosos. Esta não é uma noção burguesa de individualidade; não é uma noção auto-indulgente de individualidade; ela é o reconhecimento que cada ser humano vive uma vida separada em um corpo separado e morre sozinho.

A personalidade tem medo e, por conseguinte, n√£o permitir√° que voc√™s se fundam com todas as situa√ß√Ķes em que √© necess√°rio fundirem-se. E parece absolutamente l√≥gico que a personalidade tenha medo. A individualidade, por√©m, nunca tem medo da fus√£o, porque ela faz parte da vossa natureza. E n√£o h√° como perd√™-la.

O Carácter dos Homens é Pouco Flexível

√Č apenas a experi√™ncia que nos ensina quanto o car√°cter dos homens √© pouco flex√≠vel, e durante muito tempo, como as crian√ßas pensamos poder, atrav√©s de sensatas representa√ß√Ķes, atrav√©s da prece e da amea√ßa, atrav√©s do exemplo, atrav√©s dum apelo √† generosidade, levar os homens a deixarem a sua maneira de ser, a mudarem a sua conduta e a desistirem da sua opini√£o, a aumentar a sua capacidade; o mesmo se passa quanto √† nossa pr√≥pria pessoa. √Č preciso que as experi√™ncias venham ensinar-nos o que queremos, o que podemos: at√© essa altura ignor√°mo-lo, n√£o temos car√°cter; e √© preciso mais do que uma vez que rudes fracassos venham relan√ßar-nos na nossa verdadeira via. – Enfim, aprendemo-lo, e chegamos a ter aquilo que o mundo chama car√°cter, isto √© o car√°cter adquirido. A√≠ existe, portanto, apenas um conhecimento, o mais perfeito poss√≠vel da nossa pr√≥pria individualidade: √© uma no√ß√£o abstracta, e por consequ√™ncia clara das qualidades imut√°veis do nosso car√°cter emp√≠rico, do grau e da direc√ß√£o das nossas for√ßas, tanto espirituais como corporais, em suma, do forte e do fraco em toda a nossa individualidade.

Todo o Génio é um Degenerado

Sendo certo que todo o g√©nio √© um degenerado (nem superior, nem inferior, porque h√° s√≥ degenerados de uma esp√©cie, mau grado a absurda escapat√≥ria dos psiquiatras modern style), cert√≠ssimo √©, sem d√ļvida, que entre os g√©nios, os da intelig√™ncia assumem um relevo m√°ximo de degenera√ß√£o. Um chefe pol√≠tico, um grande general, s√£o, no que g√©nios, degenerados, porque s√£o desvios do tipo normal e originais na sua ac√ß√£o e na sua individualidade. Mas s√£o normais porque s√£o homens de ac√ß√£o, porque vivem no meio da vida, e n√£o se pode fazer isso sem uma certa adapta√ß√£o a ela. O mais revolucion√°rio dos g√©nios pol√≠ticos tem de se adpatar ao que quer destruir para o poder destruir. Tem de mergulhar na vida que quer substituir para poder agir sobre ela.
Não assim na esfera da inteligência e da emoção intelectualizada Рna da filosofia e na da arte, digo. Sobre ser original, o artista, o pensador é um inadaptado às formas normais da vida, por isso que nem age no sentido da actividade normal (porque é original), nem age no que age, age vulgarmente (porque, em lugar de ter uma acção vulgar, orienta a sua vida sobretudo para a sensação e para a inteligência e não para a acção,

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Sempre nos Reduzimos √†s Limita√ß√Ķes do Nosso Interlocutor

Ningu√©m pode ver acima de si. Com isso quero dizer: cada pessoa v√™ em outra apenas o tanto que ela mesma √©, ou seja, s√≥ pode conceb√™-la e compreend√™-la conforme a medida da sua pr√≥pria intelig√™ncia. Se esta for de tipo inferior, ent√£o todos os dons intelectuais, mesmo os maiores, n√£o lhe causar√£o nenhuma impress√£o, e ela perceber√° no possuidor desses grandes dons apenas os elementos inferiores da individualidade dela pr√≥pria, isto √©, todas as suas fraquezas, os seus defeitos de temperamento e car√°cter. Eis os ingredientes que, para ela, comp√Ķem o homem eminente, cujas capacidades intelectuais elevadas lhe s√£o t√£o pouco existentes, quanto as cores para os cegos. De facto, todos os esp√≠ritos s√£o invis√≠veis para os que n√£o o possuem, e toda a avalia√ß√£o √© um produto do que √© avaliado pela esfera cognitiva de quem avalia.
Disso resulta que nos colocamos ao mesmo nível do nosso interlocutor, pois tudo o que temos em excedência desaparece, e até mesmo a auto-abnegação exigida em tal atitude permanece irreconhecida por completo. Ora, se considerarmos o quanto a maioria dos homens é de mentalidade e inteligência inferiores, portanto, o quanto é comum, veremos que não é possível falar com ele sem,

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Fazer as Pazes

Para fazer as pazes √© preciso haver uma guerra. Mas, quando n√£o h√° uma guerra ou s√≥ a suspeita, ou ci√ļme, de haver uma amea√ßa, ou uma desaten√ß√£o, de a paz que encanta e apaixona, se tornar num h√°bito, as pazes ficam feitas e celebra-se essa felicidade.
O conflito e a diferen√ßa de personalidades – a identidade pessoal de cada um e quanto estamos dispostos a sacrificarmo-nos por defend√™-la – s√£o grossamente exagerados. √Č a necessidade de se achar que se √© diferente – nos afectos, nas necessidades – que provoca todos os mal-entendidos e a maior parte das infelicidades.
Muito ganharíamos Рse perdêssemos só o que temos de perder e amargar -, se partíssemos do princípio que somos todos iguais, homens e mulheres, eu e tu, eles e nós. E que é o pouco que nos diferencia e distancia, por muito caro que nos saia, que consegue o milagre de tornarmo-nos mais atraentes uns aos outros.
As guerras imaginadas são mil vezes melhores do que as verdadeiras. A ilusão da diferença (de personalidades, sexos, sexualidades, culturas Рe tudo o mais que arranjamos para chegar à ficção vaidosa que cada um é como é) passou a ser o que apreciamos ser a nossa nociva e dispensável individualidade.

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Aparentemente, uma pessoa pode progredir durante um certo tempo e ent√£o parar. Quando ela p√°ra? Quando deixa de ter individualidade.

Prejudicar com o que se tem de Melhor

As nossas forças levam-nos por vezes tão longe que não podemos continuar a suportar as nossas fraquezas e disso perecemos: bem nos sucede prever esse resultado, mas não lhe podemos introduzir nenhuma modificação. Usamos então a dureza contra o que seria necessário poupar em nós memos, e a nossa grandeza faz a nossa barbárie.
Esta experi√™ncia, que acabamos por pagar com a vida, simboliza a ac√ß√£o dos grandes homens nos outros e no seu tempo: √© com aquilo que t√™m de melhor, com aquilo que s√£o os √ļnicos a poder fazer, que arruinam grande n√ļmero de seres fracos, incertos, sem vontade pr√≥pria, ainda em mudan√ßa, √© com aquilo que t√™m de melhor em si pr√≥prios que se tornam nocivos. Pode at√© acontecer que s√≥ prejudiquem porque aquilo que h√° de melhor nele s√≥ pode ser absorvido, esvaziado de um trago, de qualquer maneira, por seres que ali afogam a sua raz√£o e a sua individualidade, como se fosse num licor excessivamente forte: est√£o de tal modo embriagados que n√£o poder√£o deixar de partir os membros em todos os caminhos em que a sua embriaguez os fulminar√°.

A Tirania Intelectual do N√ļmero

¬ęUma das mais estranhas ideias do vulgo, previu Henry Maine, √© que o sufr√°gio universal pode promover e promover√° progresso, criando novas ideias, novas inven√ß√Ķes, novas artes. Mas as probabiblidades s√£o para que s√≥ produza uma forma nociva de conservantismo¬Ľ. Temos de admitir, com os ingleses ricos em preconceitos, que a democracia √© hostil ao g√©nio e √† arte. Porque ela s√≥ d√° valor ao que cabe dentro da compreens√£o dos esp√≠ritos m√©dios; quando v√™ erguer-se o pal√°cio de um cinema, julga tratar-se do P√°rtenon; ¬ęse dependesse da assembleia ateniense nunca o mundo teria a Acr√≥pole¬Ľ (Plutarco, Vida de P√©ricles).
A tirania intelectual do n√ļmero pode tornar-se t√£o torturante como a dos monarcas; em alguns estados americanos o conhecimento acima de um certo limite j√° √© considerado coisa perigosa. A desconfian√ßa que a democracia tem da individualidade decorre da teoria da igualdade; desde que todos s√£o iguais, basta a contagem dos narizes para a descoberta da verdade ou a santifica√ß√£o de um costume. E a democracia n√£o √© apenas uma filha da era da m√°quina que governa por meio de ¬ęm√°quinas¬Ľ; ainda encerra em si a potencialidade da mais terr√≠vel das m√°quinas – a compuls√£o dos ignorantes contra a diferen√ßa,

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A Sociabilidade é Proporcional à Vulgaridade

O homem inteligente aspirar√°, antes de tudo, √† aus√™ncia de dor, √† serenidade, ao sossego e ao √≥cio, logo, procurar√° uma vida tranquila, modesta e o menos conflituosa poss√≠vel; por conseguinte, ap√≥s travar algum conhecimento com aqueles que chamamos de homens, escolher√° o reatraimento e, no caso de um grande esp√≠rito, at√© a solid√£o. Pois, quanto mais algu√©m tem em si mesmo, menos precisa do mundo exterior e menos tamb√©m os outros lhe podem ser √ļteis. Por isso, a emin√™ncia do esp√≠rito conduz √† insociabilidade. Sim, se a qualidade da sociedade pudesse ser substitu√≠da pela quantidade, valeria a pena viver at√© no grande mundo, mas infelizmente cem n√©scios empilhados n√£o d√£o um √ļnico homem razo√°vel. J√° aquele que est√° no outro extremo, assim que a necessidade lhe permitir recobrar o √Ęnimo, procurar√° passatempo e companhia a qualquer pre√ßo, e a tudo se acomodar√° facilmente, de nada fugindo a n√£o ser de si.
Pois √© na solid√£o, onde cada um est√° entregue a si mesmo, que se mostra o que ele tem em si mesmo. Nela, sob a p√ļrpura, o simpl√≥rio suspira, carregando o fardo irremov√≠vel da sua m√≠sera individualidade, enquanto o mais talentoso povoa e vivifica com os seus pensamentos o ambiente mais ermo.

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Os Laços Afetivos

Criar intimidade entre si e outra pessoa não implica perder a sua noção de Eu nem diluir-se no outro. Para criar efetivamente laços com outra pessoa, ambos têm de manter a sua integridade e individualidade. Caso contrário, o resultado será uma amálgama disfuncional. Para estabelecer uma analogia com o corpo humano, as células dos olhos criam uma ligação entre si para permitir a visão. Cada célula tem de se articular com todas as outras e isso implica que cada uma delas mantenha a sua estrutura e função individuais ao serviço da operação mais complexa da visão. Quando estabelecemos laços com outros, estamos simplesmente a ser aquilo que somos enquanto partilhamos um objetivo ou atividade comuns.

√Č t√£o simples quanto isso. Talvez saia com um grupo de pessoas para garantir um parecer favor√°vel na reuni√£o da tarde e entretanto desenvolva um sentimento de camaradagem e acabem por ir jantar fora e partilhar as vossas hist√≥rias. Esta √© uma experi√™ncia de cria√ß√£o de la√ßos afetivos. Ao contr√°rio de certos medos que possamos ter do que possa levar-nos a perder a identidade, a cria√ß√£o de la√ßos afetivos saud√°veis fortalece a nossa confian√ßa e autoestima.

A Individualidade das Nossas Sensa√ß√Ķes

Nesta era metálica dos bárbaros só um culto metodicamente excessivo das nossas faculdades de sonhar, de analisar e de atrair pode servir de salvaguarda à nossa personalidade, para que se não desfaça ou para nula ou para idêntica às outras.
O que as nossas sensa√ß√Ķes t√™m de real √© precisamente o que t√™m de n√£o nossas. O que h√° de comum nas sensa√ß√Ķes √© que forma a realidade. Por isso a nossa individualidade nas nossas sensa√ß√Ķes est√° s√≥ na parte err√≥nea delas. A alegria que eu teria se visse um dia o sol escarlate.

A Felicidade Pertence aos que se Bastam a si Próprios

Cada um deve ser e proporcionar a si mesmo o melhor e o m√°ximo. Quanto mais for assim e, por conseguinte, mais encontrar em si mesmo as fontes dos seus deleites, tanto mais ser√° feliz. Com o maior dos acertos, diz Arist√≥teles: A felicidade pertence aos que se bastam a si pr√≥prios. Pois todas as fontes externas de felicidade e deleite s√£o, segundo a sua natureza, extremamente inseguras, prec√°rias, passageiras e submetidas ao acaso; podem, portanto, estancar com facilidade, mesmo sob as mais favor√°veis circunst√Ęncias; isso √© inevit√°vel, visto que n√£o podem estar sempre √† m√£o.
Na velhice, ent√£o, quase todos se esgotam necessariamente, pois abandonam-nos o amor, o gracejo, o prazer das viagens, o prazer da equita√ß√£o e a propens√£o para a sociedade. At√© os amigos e parentes nos s√£o levados pela morte. √Č quando, mais do que nunca, importa saber o que algu√©m tem em si mesmo. Pois isso se conservar√° por mais tempo. Mas tamb√©m em cada idade isso √© e permanece a √ļnica fonte genu√≠na e duradoura da felicidade. Em qualquer parte do mundo, n√£o h√° muito a buscar: a mis√©ria e a dor preenchem-no, e aqueles que lhes escaparam s√£o espreitados em todos os cantos pelo t√©dio.

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