Cita√ß√Ķes sobre Individualidade

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Frases sobre individualidade, poemas sobre individualidade e outras cita√ß√Ķes sobre individualidade para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Todo o Génio é um Degenerado

Sendo certo que todo o g√©nio √© um degenerado (nem superior, nem inferior, porque h√° s√≥ degenerados de uma esp√©cie, mau grado a absurda escapat√≥ria dos psiquiatras modern style), cert√≠ssimo √©, sem d√ļvida, que entre os g√©nios, os da intelig√™ncia assumem um relevo m√°ximo de degenera√ß√£o. Um chefe pol√≠tico, um grande general, s√£o, no que g√©nios, degenerados, porque s√£o desvios do tipo normal e originais na sua ac√ß√£o e na sua individualidade. Mas s√£o normais porque s√£o homens de ac√ß√£o, porque vivem no meio da vida, e n√£o se pode fazer isso sem uma certa adapta√ß√£o a ela. O mais revolucion√°rio dos g√©nios pol√≠ticos tem de se adpatar ao que quer destruir para o poder destruir. Tem de mergulhar na vida que quer substituir para poder agir sobre ela.
Não assim na esfera da inteligência e da emoção intelectualizada Рna da filosofia e na da arte, digo. Sobre ser original, o artista, o pensador é um inadaptado às formas normais da vida, por isso que nem age no sentido da actividade normal (porque é original), nem age no que age, age vulgarmente (porque, em lugar de ter uma acção vulgar, orienta a sua vida sobretudo para a sensação e para a inteligência e não para a acção,

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Sempre nos Reduzimos √†s Limita√ß√Ķes do Nosso Interlocutor

Ningu√©m pode ver acima de si. Com isso quero dizer: cada pessoa v√™ em outra apenas o tanto que ela mesma √©, ou seja, s√≥ pode conceb√™-la e compreend√™-la conforme a medida da sua pr√≥pria intelig√™ncia. Se esta for de tipo inferior, ent√£o todos os dons intelectuais, mesmo os maiores, n√£o lhe causar√£o nenhuma impress√£o, e ela perceber√° no possuidor desses grandes dons apenas os elementos inferiores da individualidade dela pr√≥pria, isto √©, todas as suas fraquezas, os seus defeitos de temperamento e car√°cter. Eis os ingredientes que, para ela, comp√Ķem o homem eminente, cujas capacidades intelectuais elevadas lhe s√£o t√£o pouco existentes, quanto as cores para os cegos. De facto, todos os esp√≠ritos s√£o invis√≠veis para os que n√£o o possuem, e toda a avalia√ß√£o √© um produto do que √© avaliado pela esfera cognitiva de quem avalia.
Disso resulta que nos colocamos ao mesmo nível do nosso interlocutor, pois tudo o que temos em excedência desaparece, e até mesmo a auto-abnegação exigida em tal atitude permanece irreconhecida por completo. Ora, se considerarmos o quanto a maioria dos homens é de mentalidade e inteligência inferiores, portanto, o quanto é comum, veremos que não é possível falar com ele sem,

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Fazer as Pazes

Para fazer as pazes √© preciso haver uma guerra. Mas, quando n√£o h√° uma guerra ou s√≥ a suspeita, ou ci√ļme, de haver uma amea√ßa, ou uma desaten√ß√£o, de a paz que encanta e apaixona, se tornar num h√°bito, as pazes ficam feitas e celebra-se essa felicidade.
O conflito e a diferen√ßa de personalidades – a identidade pessoal de cada um e quanto estamos dispostos a sacrificarmo-nos por defend√™-la – s√£o grossamente exagerados. √Č a necessidade de se achar que se √© diferente – nos afectos, nas necessidades – que provoca todos os mal-entendidos e a maior parte das infelicidades.
Muito ganharíamos Рse perdêssemos só o que temos de perder e amargar -, se partíssemos do princípio que somos todos iguais, homens e mulheres, eu e tu, eles e nós. E que é o pouco que nos diferencia e distancia, por muito caro que nos saia, que consegue o milagre de tornarmo-nos mais atraentes uns aos outros.
As guerras imaginadas são mil vezes melhores do que as verdadeiras. A ilusão da diferença (de personalidades, sexos, sexualidades, culturas Рe tudo o mais que arranjamos para chegar à ficção vaidosa que cada um é como é) passou a ser o que apreciamos ser a nossa nociva e dispensável individualidade.

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Aparentemente, uma pessoa pode progredir durante um certo tempo e ent√£o parar. Quando ela p√°ra? Quando deixa de ter individualidade.

Prejudicar com o que se tem de Melhor

As nossas forças levam-nos por vezes tão longe que não podemos continuar a suportar as nossas fraquezas e disso perecemos: bem nos sucede prever esse resultado, mas não lhe podemos introduzir nenhuma modificação. Usamos então a dureza contra o que seria necessário poupar em nós memos, e a nossa grandeza faz a nossa barbárie.
Esta experi√™ncia, que acabamos por pagar com a vida, simboliza a ac√ß√£o dos grandes homens nos outros e no seu tempo: √© com aquilo que t√™m de melhor, com aquilo que s√£o os √ļnicos a poder fazer, que arruinam grande n√ļmero de seres fracos, incertos, sem vontade pr√≥pria, ainda em mudan√ßa, √© com aquilo que t√™m de melhor em si pr√≥prios que se tornam nocivos. Pode at√© acontecer que s√≥ prejudiquem porque aquilo que h√° de melhor nele s√≥ pode ser absorvido, esvaziado de um trago, de qualquer maneira, por seres que ali afogam a sua raz√£o e a sua individualidade, como se fosse num licor excessivamente forte: est√£o de tal modo embriagados que n√£o poder√£o deixar de partir os membros em todos os caminhos em que a sua embriaguez os fulminar√°.

A Tirania Intelectual do N√ļmero

¬ęUma das mais estranhas ideias do vulgo, previu Henry Maine, √© que o sufr√°gio universal pode promover e promover√° progresso, criando novas ideias, novas inven√ß√Ķes, novas artes. Mas as probabiblidades s√£o para que s√≥ produza uma forma nociva de conservantismo¬Ľ. Temos de admitir, com os ingleses ricos em preconceitos, que a democracia √© hostil ao g√©nio e √† arte. Porque ela s√≥ d√° valor ao que cabe dentro da compreens√£o dos esp√≠ritos m√©dios; quando v√™ erguer-se o pal√°cio de um cinema, julga tratar-se do P√°rtenon; ¬ęse dependesse da assembleia ateniense nunca o mundo teria a Acr√≥pole¬Ľ (Plutarco, Vida de P√©ricles).
A tirania intelectual do n√ļmero pode tornar-se t√£o torturante como a dos monarcas; em alguns estados americanos o conhecimento acima de um certo limite j√° √© considerado coisa perigosa. A desconfian√ßa que a democracia tem da individualidade decorre da teoria da igualdade; desde que todos s√£o iguais, basta a contagem dos narizes para a descoberta da verdade ou a santifica√ß√£o de um costume. E a democracia n√£o √© apenas uma filha da era da m√°quina que governa por meio de ¬ęm√°quinas¬Ľ; ainda encerra em si a potencialidade da mais terr√≠vel das m√°quinas – a compuls√£o dos ignorantes contra a diferen√ßa,

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A personalidade tem medo e, por conseguinte, n√£o permitir√° que voc√™s se fundam com todas as situa√ß√Ķes em que √© necess√°rio fundirem-se. E parece absolutamente l√≥gico que a personalidade tenha medo. A individualidade, por√©m, nunca tem medo da fus√£o, porque ela faz parte da vossa natureza. E n√£o h√° como perd√™-la.

A Sociabilidade é Proporcional à Vulgaridade

O homem inteligente aspirar√°, antes de tudo, √† aus√™ncia de dor, √† serenidade, ao sossego e ao √≥cio, logo, procurar√° uma vida tranquila, modesta e o menos conflituosa poss√≠vel; por conseguinte, ap√≥s travar algum conhecimento com aqueles que chamamos de homens, escolher√° o reatraimento e, no caso de um grande esp√≠rito, at√© a solid√£o. Pois, quanto mais algu√©m tem em si mesmo, menos precisa do mundo exterior e menos tamb√©m os outros lhe podem ser √ļteis. Por isso, a emin√™ncia do esp√≠rito conduz √† insociabilidade. Sim, se a qualidade da sociedade pudesse ser substitu√≠da pela quantidade, valeria a pena viver at√© no grande mundo, mas infelizmente cem n√©scios empilhados n√£o d√£o um √ļnico homem razo√°vel. J√° aquele que est√° no outro extremo, assim que a necessidade lhe permitir recobrar o √Ęnimo, procurar√° passatempo e companhia a qualquer pre√ßo, e a tudo se acomodar√° facilmente, de nada fugindo a n√£o ser de si.
Pois √© na solid√£o, onde cada um est√° entregue a si mesmo, que se mostra o que ele tem em si mesmo. Nela, sob a p√ļrpura, o simpl√≥rio suspira, carregando o fardo irremov√≠vel da sua m√≠sera individualidade, enquanto o mais talentoso povoa e vivifica com os seus pensamentos o ambiente mais ermo.

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Os Laços Afetivos

Criar intimidade entre si e outra pessoa não implica perder a sua noção de Eu nem diluir-se no outro. Para criar efetivamente laços com outra pessoa, ambos têm de manter a sua integridade e individualidade. Caso contrário, o resultado será uma amálgama disfuncional. Para estabelecer uma analogia com o corpo humano, as células dos olhos criam uma ligação entre si para permitir a visão. Cada célula tem de se articular com todas as outras e isso implica que cada uma delas mantenha a sua estrutura e função individuais ao serviço da operação mais complexa da visão. Quando estabelecemos laços com outros, estamos simplesmente a ser aquilo que somos enquanto partilhamos um objetivo ou atividade comuns.

√Č t√£o simples quanto isso. Talvez saia com um grupo de pessoas para garantir um parecer favor√°vel na reuni√£o da tarde e entretanto desenvolva um sentimento de camaradagem e acabem por ir jantar fora e partilhar as vossas hist√≥rias. Esta √© uma experi√™ncia de cria√ß√£o de la√ßos afetivos. Ao contr√°rio de certos medos que possamos ter do que possa levar-nos a perder a identidade, a cria√ß√£o de la√ßos afetivos saud√°veis fortalece a nossa confian√ßa e autoestima.

A Individualidade das Nossas Sensa√ß√Ķes

Nesta era metálica dos bárbaros só um culto metodicamente excessivo das nossas faculdades de sonhar, de analisar e de atrair pode servir de salvaguarda à nossa personalidade, para que se não desfaça ou para nula ou para idêntica às outras.
O que as nossas sensa√ß√Ķes t√™m de real √© precisamente o que t√™m de n√£o nossas. O que h√° de comum nas sensa√ß√Ķes √© que forma a realidade. Por isso a nossa individualidade nas nossas sensa√ß√Ķes est√° s√≥ na parte err√≥nea delas. A alegria que eu teria se visse um dia o sol escarlate.

A Felicidade Pertence aos que se Bastam a si Próprios

Cada um deve ser e proporcionar a si mesmo o melhor e o m√°ximo. Quanto mais for assim e, por conseguinte, mais encontrar em si mesmo as fontes dos seus deleites, tanto mais ser√° feliz. Com o maior dos acertos, diz Arist√≥teles: A felicidade pertence aos que se bastam a si pr√≥prios. Pois todas as fontes externas de felicidade e deleite s√£o, segundo a sua natureza, extremamente inseguras, prec√°rias, passageiras e submetidas ao acaso; podem, portanto, estancar com facilidade, mesmo sob as mais favor√°veis circunst√Ęncias; isso √© inevit√°vel, visto que n√£o podem estar sempre √† m√£o.
Na velhice, ent√£o, quase todos se esgotam necessariamente, pois abandonam-nos o amor, o gracejo, o prazer das viagens, o prazer da equita√ß√£o e a propens√£o para a sociedade. At√© os amigos e parentes nos s√£o levados pela morte. √Č quando, mais do que nunca, importa saber o que algu√©m tem em si mesmo. Pois isso se conservar√° por mais tempo. Mas tamb√©m em cada idade isso √© e permanece a √ļnica fonte genu√≠na e duradoura da felicidade. Em qualquer parte do mundo, n√£o h√° muito a buscar: a mis√©ria e a dor preenchem-no, e aqueles que lhes escaparam s√£o espreitados em todos os cantos pelo t√©dio.

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Ode Marítima

Sozinho, no cais deserto, a esta manh√£ de Ver√£o,
Olho pro lado da barra, olho pro Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atr√°s de si a orla v√£ do seu fumo.
Vem entrando, e a manh√£ entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de tr√°s dos navios que est√£o no porto.
H√° uma vaga brisa.
Mas a minh’alma est√° com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele est√° com a Dist√Ęncia, com a Manh√£,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.

Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente,

Os paquetes que entram de manh√£ na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.

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Personalidade e Individualidade

Todas as sociedades se t√™m esfor√ßado por nos iludir e persuadir-nos a concentrar a nossa aten√ß√£o na personalidade como se ela fosse a nossa individualidade. A personalidade √© aquilo que nos √© dado pelos outros. A individualidade √© aquilo com que nascemos e √© a natureza do nosso eu: n√£o pode ser-nos dada por ningu√©m, nem pode ser-nos tirada por ningu√©m. A personalidade pode ser dada e tirada. Consequentemente, quando nos identificamos com a nossa personalidade, come√ßamos a ter medo de perd√™-la, e sempre que surge uma fronteira al√©m da qual temos de nos fundir, a nossa personalidade recolhe-se. √Č incapaz de ir al√©m dos limites do que conhece. Trata-se de uma camada muito fina, que nos √© imposta. No amor profundo, evapora-se. Numa grande amizade, √© imposs√≠vel discerni-la.

A morte da personalidade nunca é absoluta em nenhum tipo de comunhão.
E n√≥s identificamo-nos com a personalidade: os nossos pais, professores, vizinhos e amigos disseram-nos que somos assim, todos moldaram a nossa personalidade e lhe deram uma forma, fazendo de n√≥s algo que n√£o somos e que nunca poderemos ser. Por isso, somos infelizes, vivendo enclausurados nesta personalidade. √Č a nossa pris√£o. No entanto, tamb√©m temos medo de sair dela,

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N√≥s pensamos que vivemos em uma sociedade heterossexual porque a maioria dos homens est√° fixada nas mulheres como objetos sexuais; mas, de fato, n√≥s vivemos em uma sociedade homossexual porque todas as transa√ß√Ķes cr√≠veis de poder, autoridade, e autenticidade realizam-se entre homens; todas as transa√ß√Ķes baseadas em igualdade e individualidade realizam-se entre homens. Homens s√£o reais; portanto, todo relacionamento real acontece entre homens; toda comunica√ß√£o real acontece entre homens; toda reciprocidade real acontece entre homens; toda mutualidade real acontece entre homens.

A Individualidade N√£o Se Deixa Representar

Conselho ao intelectual: N√£o deixes que te representem. A fungibilidade das obras e das pessoas e a cren√ßa da√≠ derivada de que todos t√™m de poder fazer tudo revelam-se no seio do estado vigente como grilh√Ķes. O ideal igualit√°rio da representatividade √© uma fraude, se n√£o for sustentado pelo princ√≠pio da revogabilidade e da responsabilidade do rank and file. O mais poderoso √© justamente o que menos faz, o que mais se pode encarregar daquele a que se dedica e sua vantagem arrecada. Parece colectivismo e fica-se apenas pela demasiado boa opini√£o de si mesmo, pela exclus√£o do trabalho, gra√ßas √† disposi√ß√£o do trabalho alheio.
Na produ√ß√£o material est√° solidamente implantada a substituibilidade. A quantifica√ß√£o dos processos laborais diminui tendencialmente a diferen√ßa entre o encargo do director geral e o do empregado de uma esta√ß√£o de servi√ßo. √Č uma ideologia miser√°vel pensar que, nas actuais condi√ß√Ķes, para a admininstra√ß√£o de um trust se requer mais intelig√™ncia, experi√™ncia e prepara√ß√£o do que para ler um man√≥metro. Mas enquanto na produ√ß√£o material h√° um apego tenaz a esta ideologia, o esp√≠rito da que lhe √© contr√°ria cai na submiss√£o. Tal √© a cada vez mais ruinosa doutrina da universitas litterarum, da igualdade de todos na rep√ļblica das ci√™ncias,

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Indulgência com os Outros

Para sobreviver por este mundo afora, √© conveniente levar consigo uma grande provis√£o de precau√ß√£o e indulg√™ncia. Pela primeira seremos protegidos de danos e perdas, pela segunda, de disputas e querelas. Quem tem de viver entre os homens n√£o deve condenar, de maneira incondicionada, individualidade alguma, nem mesmo a pior, a mais mesquinha ou a mais rid√≠cula, pois ela foi definitivamente estabelecida e ofertada pela natureza. Deve-se, antes, tom√°-la como algo imut√°vel que, em virtude de um princ√≠pio eterno e metaf√≠sico, tem de ser como √©. Quanto aos casos mais lament√°veis, deve-se pensar: ¬ę√Č preciso que haja tamb√©m tais tipos no mundo.¬Ľ Do contr√°rio, comete-se uma injusti√ßa e desafia-se o outro a uma guerra de vida ou morte, j√° que ningu√©m pode mudar a sua pr√≥pria individualidade, isto √©, o seu car√°cter moral, as suas faculdades de conhecimento, o seu temperamento, a sua fisionomia, etc. Ora, se condenarmos o outro em toda a sua ess√™ncia, ent√£o nada lhe restar√° a n√£o ser combater em n√≥s um inimigo mortal, pois s√≥ lhe reconhecemos o direito de existir sob a condi√ß√£o de tornar-se uma pessoa diferente da que invariavelmente √©.
Portanto, para vivermos entre os homens, temos de deixar cada um existir como é,

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A Libertação para a Individualidade

Esta liberta√ß√£o para a individualidade n√£o foi um grande sucesso. Para um historiador, tem todo o interesse. Mas para algu√©m consciente do sofrimento, √© pavoroso. Cora√ß√Ķes que n√£o encontram verdadeira gratifica√ß√£o, almas sem alimento. Falsidades, ilimitadas. Desejos, ilimitados. Possibilidades, ilimitadas. Exig√™ncias imposs√≠veis feitas a realidades complexas, ilimitadas. Regresso a formas de religiosidade grosseira e infantil, a mist√©rios, totalmente inconscientes, claro ‚ÄĒ espantoso. Orfismo, mitra√≠smo, manique√≠smo, gnosticismo.

. Sammler (discurso da personagem Sr. Sammler)’

Um dia será o mundo com sua impersonalidade soberba versus a minha extrema individualidade de pessoa, mas seremos um só

Os Elementos Fixadores da Personalidade

Os res√≠duos ancestrais formam a camada mais profunda e mais est√°vel do car√°cter dos indiv√≠duos e dos povos. √Č pelo seu ‚Äúeu‚ÄĚ ancestral que um ingl√™s, um franc√™s, um chin√™s, diferem t√£o profundamente.
Mas a esses remotos atavismos sobrep√Ķem-se elementos suscitados pelo meio social (casta, classe, profiss√£o, etc.), pela educa√ß√£o e ainda por muitas outras influ√™ncias. Eles imprimem √† nossa personalidade uma orienta√ß√£o assaz constante. Ser√° o ‚Äúeu‚ÄĚ, um pouco artificial, assim formado, que exteriorizaremos cada dia.
Entre todos os elementos formadores da personalidade, o mais activo, depois da ra√ßa, √© o que determina o agrupamento social ao qual pertencemos. Fundidas no mesmo molde pelas id√©ias, as opini√Ķes e as condutas semelhantes que lhes s√£o impostas, as individualidades de um grupo: militares, magistrados, padres, oper√°rios, marinheiros, etc., apresentam numerosos car√°cteres id√™nticos.
As suas opini√Ķes e os seus ju√≠zos s√£o, em geral, vizinhos, porquanto sendo cada grupo social muito nivelador, a originalidade n√£o √© tolerada nele. Aquele que se quer diferenciar do seu grupo tem-no inteiramente por inimigo.
Essa tirania dos grupos sociais, na qual insistiremos, n√£o √© in√ļtil. Se os homens n√£o tivessem por guia as opini√Ķes e a maneira de proceder daqueles que os cercam,

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