Cita√ß√Ķes sobre Desilus√£o

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Frases sobre desilus√£o, poemas sobre desilus√£o e outras cita√ß√Ķes sobre desilus√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Meu Coração é um Enorme Estrado

Conclus√£o a sucata !… Fiz o c√°lculo,
Saiu-me certo, fui elogiado…
Meu coração é um enorme estrado
Onde se exp√Ķe um pequeno anim√°lculo…

A microsc√≥pio de desilus√Ķes
Findei, prolixo nas min√ļcias f√ļteis…
Minhas conclus√Ķes pr√°ticas, in√ļteis…
Minhas conclus√Ķes te√≥ricas, confus√Ķes…

Que teorias h√° para quem sente
O cérebro quebrar-se, como um dente
Dum pente de mendigo que emigrou ?

Fecho o caderno dos apontamentos
E faço riscos moles e cinzentos
Nas costas do envelope do que sou…

Quando alguém se entrega ao ofício de ensinar, com uma fé conspícua e soberana, acreditem que a desilusão vive nele, como as ondinas num lago, como no elemento que as criou.

Viajar, num sentido profundo, √© morrer. √Č deixar de ser manjerico √† janela do seu quarto e desfazer-se em espanto, em desilus√£o, em saudade, em cansa√ßo, em movimento, pelo mundo al√©m.

Musa Consolatrix

Que a m√£o do tempo e o h√°lito dos homens
Murchem a flor das ilus√Ķes da vida,
Musa consoladora,
√Č no teu seio amigo e sossegado
Que o poeta respira o suave sono.

N√£o h√°, n√£o h√° contigo,
Nem dor aguda, nem sombrios ermos;
Da tua voz os namorados cantos
Enchem, povoam tudo
De íntima paz, de vida e de conforto.

Ante esta voz que as dores adormece,
E muda o agudo espinho em flor cheirosa,
Que vales tu, desilus√£o dos homens?
Tu que podes, ó tempo?
A alma triste do poeta sobrenada
√Ä enchente das ang√ļstias;
E, afrontando o rugido da tormenta,
Passa cantando, alcíone divina.

Musa consoladora,
Quando da minha fronte de mancebo
A √ļltima ilus√£o cair, bem como
Folha amarela e seca
Que ao chão atira a viração do outono,
Ah! no teu seio amigo
Acolhe-me, ‚ÄĒ e ter√° minha alma aflita,
Em vez de algumas ilus√Ķes que teve,
A paz, o √ļltimo bem, √ļltimo e puro!

O amor rom√Ęntico √© como um traje, que, como n√£o √© eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que form√°mos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor rom√Ęntico, portanto, √© um caminho de desilus√£o. S√≥ o n√£o √© quando a desilus√£o, aceite desde o pr√≠ncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.

H√° cada vez mais gente cheia de certezas. t√™m teorias para tudo… sem se darem conta, erguem assim as pr√≥prias desgracŐßas, porque assim criam as suas sempre grandes ilus√Ķes a que se seguem, invariavelmente, as terr√≠veis desilus√Ķes.

Sonhos Prometedores

Tenho mais pena dos que sonham o prov√°vel, o leg√≠timo e o pr√≥ximo, do que dos que devaneiam sobre o long√≠nquo e o estranho. Os que sonham grandemente, ou s√£o doidos e acreditam no que sonham e s√£o felizes, ou s√£o devaneadores simples, para quem o devaneio √© uma m√ļsica da alma, que os embala sem lhes dizer nada. Mas o que sonha o poss√≠vel tem a possibilidade real da verdadeira desilus√£o. N√£o me pode pesar muito o ter deixado de ser imperador romano, mas pode doer-me o nunca ter sequer falado √† costureira que, cerca da nove horas, volta sempre a esquina da direita. O sonho que nos promete o imposs√≠vel j√° nisso nos priva dele, mas o sonho que nos promete o poss√≠vel intromete-se com a pr√≥pria vida e delega nela a sua solu√ß√£o. Um vive exclusivo e independente; o outro submisso das conting√™ncias do que acontece.

Os Expectantes

Entre as defini√ß√Ķes da ilha planet√°ria em que nos encontramos desterrados, uma das mais apropriadas seria: uma grande sala de espera. Uma ter√ßa parte da vida √© anulada numa semimorte, outra gasta em fazer mal a n√≥s mesmos e aos outros e a √ļltima esboroa-se e consome-se na expectativa. Esperamos sempre alguma coisa ou algu√©m – que vem ou n√£o, que passa ou desilude, que satisfaz ou mata. Come√ßa-se, em crian√ßa, a esperar a juventude com impaci√™ncia quase alucinada; depois, quando adolescente, espera-se a independ√™ncia, a fortuna ou porventura apenas um emprego e uma esposa. Os filhos esperam a morte dos pais, os enfermos a cura, os soldados a passagem √† disponibilidade, os professores as f√©rias, os universit√°rios a formatura, as raparigas um marido, os velhos o fim. Quem entrar numa pris√£o verificar√° que todos os reclusos contam os dias que os separam da liberdade; numa escola, numa f√°brica ou num escrit√≥rio, s√≥ encontrar√° criaturas que esperam, contando as horas, o momento da sa√≠da e da fuga. E em toda a parte – nos parques p√ļblicos, nos caf√©s, nas salas – h√° o homem que espera uma mulher ou a mulher que espera um homem. Exames, concursos, noivados, lotarias, semin√°rios,

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O Amor é o Caminho que nos Leva à Esperança

O amor √© o caminho que nos leva √† esperan√ßa. E esta n√£o √© uma esp√©cie de consola√ß√£o, enquanto se esperam dias melhores. Nem √© sobretudo expectativa do que vir√°. Esperar n√£o significa projetar-se num futuro hipot√©tico, mas saber colher o invis√≠vel no vis√≠vel, o inaud√≠vel no aud√≠vel, e por a√≠ fora. Descobrir uma dimens√£o outra dentro e al√©m desta realidade concreta que nos √© dada como presente. Todos os nossos sentidos s√£o implicados para acolher, com espanto e sobressalto, a promessa que vem, n√£o apenas num tempo indefinido futuro, mas j√° hoje, a cada momento. A esperan√ßa mant√©m-nos vivos. N√£o nos permite viver macerados pelo des√Ęnimo, absorvidos pela desilus√£o, derrubados pelas for√ßas da morte. Compreender que a esperan√ßa floresce no instante √© experimentar o perfume do eterno.

A Vida é uma Montanha Russa

A vida n√£o √© uma linha reta em que algu√©m conquistado ou algo adquirido √© uma seguran√ßa para todo o sempre; a vida √© uma montanha russa e, de vez em quando, sim, √© preciso ficares de pernas para o ar. Tudo passa, tu ficas. Sou t√£o assertivo relativamente a este tema porque sei que √© a depend√™ncia que gera o apego, ou seja, se as pessoas forem independentes √© imposs√≠vel serem apegadas. √Č o ego que as vincula √† ideia de que n√£o s√£o suficientemente boas para dependerem de si mesmas e √© contra esta terr√≠vel armadilha que √© preciso lutar.

Uma m√£e que dependa do bem–estar do filho e que viva para ele √© uma mulher que n√£o encontrar√° for√ßas para lhe esticar o bra√ßo quando ele cair e precisar de uma verdadeira m√£e, pois ser√£o sempre dois a sofrer da mesma epidemia, da mesma dor, da mesma frustra√ß√£o ou desilus√£o; um homem que use e abuse da estabilidade profissional e financeira que conquistou e que dependa disso para, pensa ele, ser o que √©, √© algu√©m que mais tarde ou mais cedo, e num daqueles loopings da vida em que o que era j√° n√£o √©,

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Talvez desilus√£o seja o medo de n√£o pertencer mais a um sistema. No entanto se deveria dizer assim: ele est√° muito feliz porque finalmente foi desiludido.

O Amor Português não é um Fenómeno Ternurento

Do carinho e do mimo, toda a gente sabe tudo o que h√° a saber ‚ÄĒ e mais um bocado. Do amor, ningu√©m sabe nada. Ou pensa-se que se sabe, o que √© um bocado menos do que nada. O mais que se pode fazer √© procurar saber quem se ama, sem querer saber que coisa √© o amor que se tem, ou de que s√≠tio vem o amor que se faz.

Do amor √© bom falar, pelo menos naqueles intervalos em que n√£o √© t√£o bom amar. Todos os pa√≠ses h√£o-de ter a sua pr√≥pria cultura amorosa. A portuguesa √© excepcional. Nas culturas mais parecidas com a nossa, √© muito maior a diferen√ßa que se faz entre o amor e a paix√£o. Faz-se de conta que o amor √© uma coisa ‚ÄĒ mais tranquila e pura e duradoura ‚ÄĒ e a paix√£o √© outra ‚ÄĒ mais do√≠da e complicada e ef√©mera. Em Portugal, por√©m, n√£o gostamos de dizer que nos ¬ęenamoramos¬Ľ, e o ¬ęenamoramento¬Ľ e outras palavras que contenham a palavra ¬ęamor¬Ľ s√£o-nos sempre um pouco estranhas. Quando n√≥s nos perdemos de amores por algu√©m, dizemos (e nitidamente sentimos) que nos apaixonamos. Aqui, sabe-se l√° por que atavismos atl√Ęnticos,

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O Sucesso para um Grande Amor

Estou contente porque a minha querida n√£o tem ainda o afecto exclusivo e √ļnico que h√°-de sentir um dia por um homem, apesar de todas as suas teorias que h√°-de ver voar, voar para t√£o longe ainda!… E no entanto, elas s√£o t√£o verdadeiras! Ainda assim, minha querida J√ļlia, uma das coisas melhores da nossa vida de t√£o prosaico s√©culo, √© o amor, o grande e discutido amor, o nosso encanto e o nosso mist√©rio; as nossas p√©talas de rosa e a nossa coroa de espinhos. O amor √ļnico, doce e sentimental da nossa alma de portugueses, o amor de que fala J√ļlio Dantas, ¬ęuma ternura casta, uma ternura s√£¬Ľ de que ¬ęo peito que o sente √© um sacr√°rio estrela¬≠do¬Ľ, como diz Junqueiro; o amor que √© a raz√£o √ļnica da vida que se vive e da alma que se tem; a paix√£o delicada que d√° beijos ao luar e alma a tudo, desde o olhar ao sorriso, ‚ÄĒ √© ainda uma coisa nobre, bela e digna! Digna de si, do seu sentir, do seu grande cora√ß√£o, ao mesmo tempo violento e calmo. Esse amor que ¬ęem sendo triste, canta, e em sendo alegre, chora¬Ľ, esse amor h√°-de senti-lo um dia,

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Ser Amado

Às vezes, é preciso conseguirmos o que não se consegue: parar de amar por um momento, para se ser amado por quem se ama.
Seria bom podermos parar para nos sentirmos amados sem ser de volta, na confusão de duas pessoas a amarem-se. Se não amássemos quem amássemos, talvez pudéssemos receber o amor dela e saber como era.
Mas n√£o √© prov√°vel. Se n√£o a am√°ssemos, n√£o querer√≠amos saber. Ser amado seria um pedido, uma intromiss√£o, um desconforto √† espera de uma resposta nossa, de uma desilus√£o, de uma insensibilidade √†quele amor que n√£o queremos para nada, que nos apanhou e embara√ßa. Se calhar, na vida e na morte de quem ama e quem se ama, s√≥ se sente o n√£o ser amado e o j√° n√£o ser amado e, quando muito, o j√° ter sido amado. A aus√™ncia e a tristeza, por muito grandes que sejam, n√£o s√£o t√£o grandes como a presen√ßa, a alegria e a ang√ļstia do amor vivo, que ocupa os corpos todos e as almas todas.
√Č pena que enquanto se √© amado por algu√©m nunca pare√ßa que se √©. Amado, de certeza, incondicionalmente, como √© amado – tamb√©m sem saber –

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O Que Devemos Sentir

Todas as pessoas devem ter experimentado a sensa√ß√£o desagrad√°vel que se tem nas esta√ß√Ķes de caminho de ferro. Vamos despedir-nos de algu√©m. A pessoa j√° entrou no comboio, mas ele demora a partir. Ali ficam as duas pessoas, uma na plataforma e a outra √† janela, esfor√ßando-se por conversar, mas de repente n√£o t√™m nada para dizer.
Isto, evidentemente, resulta de n√£o podermos sentir o que queremos. A situa√ß√£o imp√Ķe-nos um determinado sentimento. E quem n√£o experimentou aquele tremendo al√≠vio quando o comboio finalmente parte?
Ou nos funerais. Quando algu√©m morre ou adoece, quando surgem as desilus√Ķes, espera-se sempre que sintamos determinadas coisas.
Em todas as situa√ß√Ķes, excepto as mais quotidianas, as mais neutras, h√° uma press√£o que se exerce sobre n√≥s, que nos dita a forma como devemos conduzir-nos, aquilo que devemos sentir, E se examinarmos bem o fen√≥meno, verificamos, n√£o raras vezes, que esses pap√©is nos s√£o atribu√≠dos por romances, filmes ou pe√ßas de teatro que vimos h√° muito tempo.
Quando somos realmente confrontados com situa√ß√Ķes invulgares (por exemplo, rivalidades que prev√≠amos e n√£o se verificam, e em vez disso se transformam num amor que nos deixa s√≥s), a primeira coisa a que nos agarramos s√£o esses padr√Ķes sentimentais livrescos.

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A desilusão de agora será a benção de amanhã. E a desilusão é a visita da verdade.