Passagens de Adam Smith

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A √ānsia de Protagonismo Social

Qual o sentido de tamanha azáfama neste mundo? Qual a finalidade da avareza e da ambição, da perseguição de riqueza, do poder e da proeminência? Satisfazer as necessidades da natureza? O salário do mais humilde trabalhador pode satisfazê-las. Quais serão então as vantagens desse grande objectivo da vida humana a que chamamos melhorar a nossa condição?
Ser observado, ser correspondido, ser notado com simpatia, complac√™ncia e aprova√ß√£o, s√£o tudo vantagens que podemos propor-nos retirar da√≠. O homem rico compraz-se na sua riqueza porque sente que ela faz recair as aten√ß√Ķes do mundo sobre si. O homem pobre, pelo contr√°rio, envergonha-se da sua pobreza. Sente que ela o coloca fora do horizonte dos seus semelhantes. Sentir que n√£o somos notados representa necessariamente uma desilus√£o para os desejos mais candentes da natureza humana. O homem pobre sai e volta a entrar despercebido, e permanece na mesma obscuridade seja no meio de uma multid√£o seja no recato do seu covil. O homem de n√≠vel e distin√ß√£o, pelo contr√°rio, √© visto por todo o mundo. Toda a gente anseia por v√™-lo. As suas ac√ß√Ķes s√£o objecto de aten√ß√Ķes p√ļblicas. Raro ser√° o gesto, rara a palavra que ele deixe escapar que passe despercebida.

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Boas estradas, canais e rios naveg√°veis, diminuindo a despesa de transporte, colocam as regi√Ķes remotas de um pa√≠s em um n√≠vel mais pr√≥ximo do daquelas nas vizinhan√ßas das cidades. Por causa disso, representam as maiores de todas as melhorias.

A Fragilidade da Posse

O que pode ser acrescentado √† felicidade do homem que goza de boa sa√ļde, n√£o tem d√≠vidas e est√° com a consci√™ncia limpa? Para algu√©m nessa condi√ß√£o, todos os acr√©scimos de fortuna podem ser justificadamente considerados sup√©rfluos; e, se ele muito se exaltar por causa deles, isso s√≥ poder√° ser fruto da mais fr√≠vola ligeirice. […] Mas, embora pouco se possa acrescentar a essa condi√ß√£o, muito se pode subtrair dela. Pois, ainda que o intervalo entre ela e o ponto mais extremo da prosperidade humana n√£o seja mais que uma ninharia, o intervalo entre ela e o fosso da mais profunda infelicidade √© imenso e prodigioso. A adversidade, em raz√£o disso, necessariamente deprime a mente do sofredor a um ponto muito mais baixo do seu estado natural do que a prosperidade √© capaz de faz√™-lo erguer-se acima deste.

√Č a Vaidade e n√£o o Prazer que nos Interessa

Qual a finalidade da avareza e da ambi√ß√£o, da busca de riqueza, poder e preemin√™ncia? Ser√° para suprir as necessidades da natureza? O sal√°rio do mais pobre trabalhador pode supri-las. Vemos que esse sal√°rio lhe permite ter comida e roupas, o conforto de uma casa e de uma fam√≠lia. Se examin√°ssemos a sua economia com rigor, constatar√≠amos que ele gasta grande parte do que ganha com conveni√™ncias que podem ser consideradas sup√©rfluas. […] Qual √©, ent√£o, a causa da nossa avers√£o √† sua situa√ß√£o, e por que os que foram educados nas camadas mais elevadas consideram pior que a morte serem reduzidos a viver, mesmo sem trabalhar, compartilhando com ele a mesma comida simples, a habitar o mesmo tecto modesto e a vestir-se com os mesmos trajes humildes? Por acaso imaginam que t√™m um est√īmago superior ou que dormem melhor num pal√°cio do que numa cabana? [… ] De onde, portanto, nasce a emula√ß√£o que permeia todas as diferentes classes de homens, e quais s√£o as vantagens que pretendemos com esse grande prop√≥sito da vida humana a que chamamos melhorar nossa condi√ß√£o? Ser notado, ser ouvido, ser tratado com simpatia e afabilidade e ser visto com aprova√ß√£o s√£o todas as vantagens que se pode pretender obter com isso.

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Todo indiv√≠duo est√° continuamente esfor√ßando-se para achar o emprego mais vantajoso para o capital que possa comandar. √Č sua pr√≥pria vantagem, de fato, e n√£o a da sociedade, que ele tem em vista. Mas o estudo de sua pr√≥pria vantagem, naturalmente, ou melhor, necessariamente, leva-o a preferir aquele emprego que √© mais vantajoso para a sociedade.

Pessoas do mesmo of√≠cio raramente se encontram, mesmo que em alegria ou divers√£o, mas se tiver lugar, a conversa acaba na conspira√ß√£o contra o p√ļblico, ou em qualquer artif√≠cio para fazer subir os pre√ßos.

O grande segredo da educação consiste em orientar a vaidade para os objetivos certos.

O consumo √© a √ļnica finalidade e o √ļnico prop√≥sito de toda produ√ß√£o.

Naqueles governos corruptos, em que h√° pelo menos suspeita geral de muita despesa desnecess√°ria e grande malversa√ß√£o da renda p√ļblica, as leis que pro√≠bem o contrabando s√£o muito pouco respeitadas.

O que pode ser acrescentado √† felicidade do homem que goza de boa sa√ļde, n√£o tem d√≠vidas e est√° com a consci√™ncia limpa?

Um homem enriquece empregando uma multidão de operários e torna-se pobre mantendo uma multidão de serviçais.

Proibir um grande povo, por√©m, de fazer tudo o que pode com cada parte de sua produ√ß√£o ou de empregar seu capital e ind√ļstria do modo que julgar mais vantajoso para si mesmo √© uma viola√ß√£o manifesta dos mais sagrados direitos da humanidade.

√Č o medo de perder seu emprego que restringe suas fraudes e corrige sua neglig√™ncia.

√Č injusto que toda a sociedade contribua para custear uma despesa cujo benef√≠cio vai a apenas uma parte dessa sociedade.

O Efeito Benéfico da Riqueza na Sociedade

Apesar do seu ego√≠smo e rapacidade, embora pensem apenas nos seus pr√≥prios interesses, embora o √ļnico fim que se prop√Ķem alcan√ßar a partir de milhares de empregados ao seu servi√ßo seja a gratifica√ß√£o dos seus pr√≥prios desejos v√£os e insaci√°veis, os ricos partilham com os pobres o produto de todos os seus progressos. S√£o guiados por uma m√£o invis√≠vel que os leva a fazer uma distribui√ß√£o dos bens necess√°rios √† vida praticamente equivalente √† que teria sido feita se a terra tivesse sido dividida por todos os seus habitantes em partes iguais, e assim, sem o pretenderem ou sem que o saibam, promover o interesse da sociedade, e proporcionar os meios para a multiplica√ß√£o da esp√©cie.

Todas as Nossas Paix√Ķes se Justificam a Si Pr√≥prias

Existem duas ocasi√Ķes distintas em que examinamos a nossa pr√≥pria conduta e buscamos v√™-la sob a luz em que o espectador imparcial a veria: primeiro, quando estamos prestes a agir; e, segundo, depois que agimos. Em ambos os casos os nossos ju√≠zos tendem a ser bastante parciais, mas eles tendem a tornar-se ainda mais parciais quando seria da maior import√Ęncia que n√£o fossem. Quando estamos prestes a agir, a veem√™ncia da paix√£o raramente nos permitir√° consider√°-la com a isen√ß√£o de uma pessoa neutra. As violentas emo√ß√Ķes que nesse momento nos agitam distorcem os nossos ju√≠zos sobre as coisas, mesmo quando buscamos colocar-nos na situa√ß√£o de outra pessoa. (…) Por essa raz√£o, como diz Malebranche, todas as nossas paix√Ķes se justificam a si pr√≥prias, e parecem razo√°veis e proporcionais aos seus objectos enquanto n√≥s estivermos a senti-las. (… ) A opini√£o que cultivamos do nosso pr√≥prio car√°cter depende inteiramente dos nossos ju√≠zos acerca da nossa conduta passada. Mas √© t√£o desagrad√°vel pensarmos mal de n√≥s mesmos que ami√ļde afastamos propositadamente o nosso olhar das circunst√Ęncias que poderiam tornar o julgamento desfavor√°vel. (…) Esse auto-engano, essa fraqueza fatal dos homens, √© a fonte de metade das desordens da vida humana. Se pud√©ssemos ver-nos como os outros nos v√™em,

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