Textos sobre Sentidos de Cesare Pavese

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Textos de sentidos de Cesare Pavese. Leia este e outros textos de Cesare Pavese em Poetris.

A Única Alegria Neste Mundo é a de Começar

A √ļnica alegria neste mundo √© a de come√ßar. √Č belo viver, porque viver √© come√ßar, sempre, a cada instante. Quando esta sensa√ß√£o desapaece – pris√£o, doen√ßa, h√°bito, estupidez – deseja-se morrer.
√Č por isso que quando uma situa√ß√£o dolorosa se reproduz de modo id√™ntico – parece id√™ntica – nada apaga o horror que tal coisa nos provoca.
O princ√≠pio acima enunciado n√£o √©, portanto, pr√≥prio de um viveur. Porque h√° mais h√°bito na experi√™ncia a todo o custo (cfr, o antip√°tico ¬ęviajar a todo o custo¬Ľ) do que na charneira normal aceite com o sentido do dever e vivida com entusiasmo e intelig√™ncia. Estou convencido de que h√° mais h√°bito nas aventuras de do que num bom casamento.
Porque o próprio da aventura é conservar uma reserva mental de defesa; é por isso que não existem boas aventuras. Só é boa aventura aquela em que nos abandonamos: o matrimónio, em suma, talvez até aqueles que são feitos no céu.
Quem não sente o perene recomeçar que vivifica a existência normal de um casal é, no fundo, um parvo que, por mais que diga, não sente, sequer, um verdadeiro recomeçar em cada aventura.
A lição é sempre a mesma: atirarmo-nos para a frente e saber suportar o castigo.

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O Sentido do Destino

O que verdadeiramente se passa não é que as coisas aconteçam a cada um segundo determinado destino, mas que cada um interpreta as coisas que lhe aconteceram, se tem capacidade para tal, dispondo-as em determinado sentido Рo que significa, segundo determinado destino.

Apenas nas Crises Atingimos as Nossas Profundezas

Tudo o que o nosso corpo faz, excepto o exerc√≠cio dos sentidos, escapa √† nossa percep√ß√£o. N√£o damos conta das fun√ß√Ķes mais vitais (circula√ß√£o, digest√£o, etc.). O mesmo se passa com o esp√≠rito: ignoramos todos os seus movimentos e transforma√ß√Ķes, as suas crises, etc., que n√£o sejam a superficial idea√ß√£o esquematizante.
Só uma doença nos revela as profundezas funcionais do nosso corpo. Do mesmo modo, pressentimos as do espírito quando estamos em crise.

Os Pr√°ticos e os Contemplativos

T√™m sentido de humor os que t√™m sentido pr√°tico. Quem descuida a vida, embevecido numa ing√©nua contempla√ß√£o (e todas as contempla√ß√Ķes s√£o ing√©nuas), n√£o v√™ as coisas com desprendimento, dotadas de livre, complexo e contrastante movimento, que forma a ess√™ncia da sua comicidade. O t√≠pico da contempla√ß√£o √©, pelo contr√°rio, determo-nos no sentimento difuso e vivaz que surge em n√≥s ao contacto com as coisas. √Č aqui que reside a desculpa dos contemplativos: vivem em contacto com as coisas e, necessariamente, n√£o lhes sentem as singularidades e caracter√≠sticas; sentem-nas, pura e simplesmente.
Os práticos Рparadoxo Рvivem distantes das coisas, não as sentem, mas compreendem o mecanismo que as faz funcionar. E só ri de uma coisa quem está distante dela. Aqui está, implícita, uma tragédia: habituamo-nos a uma coisa afastando-nos dela, quer dizer, perdendo o interesse. Daqui, a corrida afanosa.
Naturalmente, de um modo geral, ninguém é contemplativo ou prático de forma total, mas, como nem tudo pode ser vivido, resta sempre, mesmo aos mais experimentados, o sentimento de qualquer coisa.

Agimos Sempre no Sentido do Destino

No fundo, a sabedoria do destino √© a nossa pr√≥pria. Porque a acompanhamos com uma consci√™ncia incessante daquilo que, no fundo, nos √© permitido fazer. Podemos estar sujeitos a algumas tenta√ß√Ķes mas nunca nos enganamos. Agimos sempre no sentido do destino. As duas coisas formam uma s√≥.
Quem se engana é porque ainda não compreende o seu destino. Quer dizer, não compreende qual a resultante de todo o seu passado Рo qual lhe indica o futuro. Mas quer o compreenda ou não, indica-lho à mesma. Cada vida é aquilo que devia ser.