Passagens sobre Destino

688 resultados
Frases sobre destino, poemas sobre destino e outras passagens sobre destino para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Um Escritor é Uma Contradição

Um escritor √© uma coisa curiosa. √Č uma contradi√ß√£o e, tamb√©m, um contra-senso. Escrever tamb√©m √© n√£o falar. √Č calar. √Č gritar sem ru√≠do. Um escritor √©, muitas vezes, repousante: ouve muito. N√£o fala muito porque √© imposs√≠vel falar a algu√©m de um livro que se escreveu e, sobretudo, de um livro que se est√° a escrever.
√Č imposs√≠vel. √Č o oposto do cinema, o oposto do teatro e de outros espect√°culos. √Č o oposto de todas as leituras. √Č o mais dif√≠cil de tudo. √Č o pior. Porque um livro √© o desconhecido, √© a noite, √© fechado, √© assim. √Č o livro que avan√ßa, que cresce, que avan√ßa em direc√ß√Ķes que julg√°vamos ter explorado, que avan√ßa em direc√ß√£o ao seu pr√≥prio destino e ao do seu autor, ent√£o aniquilado pela sua publica√ß√£o: a sua separa√ß√£o dele, do livro sonhado, como da crian√ßa rec√©m-nascida, sempre a mais amada.

LXII

Torno a ver-vos, ó montes; o destino
Aqui me torna a p√īr nestes oiteiros;
Onde um tempo os gab√Ķes deixei grosseiros
Pelo traje da C√īrte rico, e fino.

Aqui estou entre Almendro, entre Corino,
Os meus fiéis, meus doces companheiros,
Vendo correr os míseros vaqueiros
Atr√°s de seu cansado desatino.

Se o bem desta choupana pode tanto,
Que chega a ter mais preço, e mais valia,
Que da cidade o lisonjeiro encanto;

Aqui descanse a louca fantasia;
E o que té agora se tornava em pranto,
Se converta em afetos de alegria.

Se Pudesses Estar Comigo Vinte e Quatro horas do Dia

Se pudesses estar comigo durante as vinte e quatro horas do dia, observar cada gesto meu, dormir comigo, comer comigo, trabalhar comigo, tudo isto n√£o poderia ter lugar. Quando me vejo afastado de ti, penso em ti constantemente e isso d√° cor a tudo o que eu diga ou fa√ßa. Se soubesses o qu√£o fiel te sou! N√£o apenas fisicamente, mas mentalmente, moralmente, espiritualmente. Aqui n√£o h√° qualquer tenta√ß√£o para mim, absolutamente nenhuma. Estou imune a Nova Iorque, aos meus velhos amigos, ao passado, a tudo. Pela primeira vez na minha vida, estou completamente centrado em outro ser… Em ti. Sinto-me capaz de dar tudo, sem ter medo de ficar exaurido ou de me ver perdido. Quando ontem escrevi no meu artigo que ¬ęse eu nunca tivesse ido para a Europa…¬Ľ, n√£o era a Europa que tinha em mente, mas sim tu.

Mas n√£o posso dizer isso ao mundo num artigo. Tu √©s a Europa. Pegaste em mim, um homem despeda√ßado, e tornaste-me completo. E n√£o hei-de desintegrar-me ‚ÄĒ n√£o existe o menor perigo disso. Mas agora vejo-me mais sens√≠vel, mais receptivo a qualquer sinal de perigo. Se te persigo loucamente, se te imploro para ouvires, se fico √† tua porta e espero por ti,

Continue lendo…

Só Chegamos a Ser uma Parte Mínima do que Poderíamos Ser

A actividade de comprar conclui em decidir-se por um objecto; mas √© tamb√©m antes uma elei√ß√£o, e a elei√ß√£o come√ßa por perceber as possibilidades que oferece o mercado. De onde resulta que a vida, no seu modo ¬ęcomprar¬Ľ, consiste primeiramente em viver as possibilidades de compra como tais. Quando se fala de nossa vida s√≥i esquecer-se disto, que me parece essencial√≠ssimo: a nossa vida √© em todo o instante e antes que nada consci√™ncia do que nos √© poss√≠vel. Se em cada momento n√£o tiv√©ssemos √† nossa frente mais que uma s√≥ possibilidade, careceria de sentido cham√°-la assim. Seria apenas pura necessidade. Mas ai est√°: esse estranh√≠ssimo facto da nossa vida possui a condi√ß√£o radical de que sempre encontra ante si v√°rias sa√≠das, que por serem v√°rias adquirem o car√°cter de possibilidades entre as quais havemos de decidir. Tanto vale dizer que vivemos como dizer que nos encontramos num ambiente de determinadas possibilidades. A este √Ęmbito costuma chamar-se ¬ęas circunst√Ęncias¬Ľ.

Toda a vida √© achar-se dentro da ¬ęcircunst√Ęncia¬Ľ ou mundo. Porque este √© o sentido origin√°rio da id√©ia (mundo). Mundo √© o repert√≥rio das nossas possibilidades vitais. N√£o √©, pois, algo √† parte e alheio √† nossa vida,

Continue lendo…

Rimance

Onde é que dói na minha vida,
para que eu me sinta t√£o mal?
quem foi que me deixou ferida
de ferimento t√£o mortal?

Eu parei diante da paisagem:
e levava uma flor na m√£o.
Eu parei diante da paisagem
procurando um nome de imagem
para dar à minha canção.

Nunca existiu sonho t√£o puro
como o da minha timidez.
Nunca existiu sonho t√£o puro,
nem também destino tão duro
como o que para mim se fez.

Estou caída num vale aberto,
entre serras que não têm fim.
Estou caída num vale aberto:
nunca ninguém passará perto,
nem terá notícias de mim.

Eu sinto que n√£o tarda a morte,
e só há por mim esta flor;
eu sinto que n√£o tarda a morte
e não sei como é que suporte
tanta solid√£o sem pavor.

E sofro mais ouvindo um rio
que ao longe canta pelo ch√£o,
que deve ser límpido e frio,
mas sem dó nem recordação,
como a voz cujo murm√ļrio
morrer√° com o meu cora√ß√£o…

Continue lendo…

Porto inseguro

A liberdade bate à minha porta,
t√£o carente de mim, pedindo abrigo.
Quero ampar√°-la e penso que consigo
detê-la, mas seria tê-la morta.

Livre para pairar num céu sem peias,
na solid√£o de um v√īo sem destino,
por que perder, nos olhos de √°guia, o tino,
vindo a quem se agrilhoa sem cadeias?

Deusa das asas! Seu vagar escapa
a meus sentidos, seu desejo alcança
tudo que a mim se esconde atr√°s da capa.

V√° embora daqui! Siga seu rumo!
Sou prisioneiro, um órfão da esperança
e arrasto um v√īo cego em ch√£o sem prumo.

Velho Cego, Choravas

Velho cego, choravas quando a tua vida
era boa, e tinhas em teus olhos o sol:
mas se tens já o silêncio, o que é que tu esperas,
o que é que esperas, cego, que esperas da dor?

No teu canto pareces um menino que nascera
sem pés para a terra e sem olhos para o mar
como os das bestas que por dentro da noite cega
– sem dia ou crep√ļsculo – se cansam de esperar.

Porque se conheces o caminho que leva
em dois ou três minutos até à vida nova,
velho cego, que esperas, que podes esperar?

Se pela mais torpe amargura do destino,
animal velho e cego, n√£o sabes o caminho,
eu que tenho dois olhos to posso ensinar.

Tradução de Rui Lage

Soneto Com Estrambote Enviesado

Alfaiate de mim costuro a roupa
que cabe ao figurino que me coube.

Só meu verso protege essa amargura
desfiada de dia ao sol veloz,
para à noite tecer nova textura,
novelo de silêncio ao rés da voz.

Enxoval construído nessa usura
solitária de andaimes, num retrós
de linha vertical, que se pendura
na pênsil teia atada, fio em foz

desse rio agulha que me costura
ao rendilhado de √°guas tropicais,
que sabe de saudades no meu cais.

Viageiro de uma sanha que me traz
sempre de volta ao tear do meu destino
na seda depressiva me assassino.

A Escolha Inteligente

Uma vida bem sucedida depende das escolhas que fizermos. Temos de saber o que √© ou n√£o importante para n√≥s. A escolha inteligente implica um sentido realista dos valores e um sentido realista das propor√ß√Ķes. Este processo de escolha – de aceita√ß√£o por um lado e de rejei√ß√£o pelo outro – come√ßa na inf√Ęncia e continua pela vida fora. N√£o podemos ter tudo o que ambicionamos. O homem de neg√≥cios que procura o sucesso financeiro tem muitas vezes de abandonar os seus interesses de ordem desportiva ou cultural. Os que preferem servir os interesses espirituais, culturais ou pol√≠ticos da sociedade – sacerdotes, escritores, artistas, militares, homens de estado e funcion√°rios p√ļblicos em geral – t√™m quase sempre de relegar para segundo plano o bem-estar financeiro.
Com uma vida limitada não podemos ser ou fazer tudo. Estamos constantemente a ter de escolher com que e com quem passar o nosso tempo. Cultivar amizades toma tempo. Às vezes temos de recusar encontros e desapontar muitas pessoas para termos tempo de alcançar os nossos fins. Todos os dias temos de escolher entre as coisas que estão à venda. Não podemos ter o mundo inteiro, tal como uma criança não pode comprar todos os rebuçados da doçaria se tiver apenas um tostão.

Continue lendo…

Amor, que alcança a coisas mais humildes
Trabalho, que se faz feliz, pelas coisas que ele faz e traz
E fé, que voa sobre asas incansáveis.
Divinos Poderes que nesta trio repousam.
Suprema a sua conquista, com o tempo e o destino.
Amor, Trabalho e F√© – esses tr√™s s√£o os √ļnicos grandes.

O destino quis que a gente se achasse, na mesma estrofe e na mesma classe, no mesmo verso e na mesma frase.

Ode ao Destino

Destino: desisti, regresso, aqui me tens.

Em vão tentei quebrar o círculo mágico
das tuas coincidências, dos teus sinais, das ameaças,
do recolher felino das tuas unhas retracteis
Рah então, no silêncio tranquilo, eu me encolhia ansioso
esperando já sentir o próximo golpe inesperado.

Em v√£o tentei n√£o conhecer-te, n√£o notar
como tudo se ordenava, como as pessoas e as coisas chegavam
que eu, de soslaio, e disfarçando, observava                               [em bandos,
pura conter as palavras, as minhas e as dos outros,
para dominar a tempo um gesto de amizade inoportuna.

Eu sabia, sabia, e procurei esconder-te,
afogar-te em sistemas, em esperanças, em audácias;
descendo à fé só em mim próprio, até busquei
sentir-te imenso, exacto, magn√Ęnimo,
√ļnico mist√©rio de um mundo cujo mist√©rio eras tu.

Lei universal que a sem-razão constrói,
de um Deus ínvio caminho, capricho dos Deuses,
soberana essência do real anterior a tudo,
Providência, Acaso, falta de vontade minha,
superstição, metafísica barata, medo infantil, loucura,
complexos variados mais ou menos freudianos,
contradição ridícula não superada pelo menino burguês,
educação falhada,

Continue lendo…

Quanto mais dependeres do destino e mais te relacionares com gente dependente do destino, mais longe te encontras de sentir, da entrega e da vida na verdadeira aceção da palavra. Quanto mais do pior, menos do melhor. O teu destino é aquilo que tu pensas, aquilo que tu desejas para ti e te permites sentir, mas também pode ser aquilo que nunca ou jamais acreditarás vir a conquistar ou a sentir.

Pensar Portugal

Pensar Portugal √© pens√°-lo no que ele √© e n√£o iludirmo-nos sobre o que ele √©. Ora o que ele √© √© a inconsci√™ncia, um infantilismo org√Ęnico, o repentismo, o desequil√≠brio emotivo que vai da abjec√ß√£o e l√°grima f√°cil aos actos grandiosos e her√≥icos, a credulidade, o embasbacamento, a dif√≠cil assump√ß√£o da pr√≥pria liberdade e a paralela e c√≥moda entrega do pr√≥prio destino √†s m√£os dos outros, o mesquinho esp√≠rito de intriga, o entendimento e valoriza√ß√£o de tudo numa dimens√£o curta, a zanga f√°cil e a reconcilia√ß√£o f√°cil como se tudo fossem rixas de fam√≠lia, a tend√™ncia para fazermos sempre da nossa vida um teatro, o berro, o espalhafato, a desinibi√ß√£o tumultuosa, o despudor com que exibimos facilmente o que devia ficar de portas adentro, a grosseria de um novo-rico sem riqueza, o ego√≠smo feroz e indiscreto balanceado com o altru√≠smo, se houver gente a ver ou a saber, a inautenticidade vis√≠vel se queremos subir al√©m de n√≥s, a superficialidade vistosa, a improvisa√ß√£o de expediente, o arrivismo, a trafulhice e o gozo e a vaidade de intrujar com a nossa ¬ęesperteza saloia¬Ľ, o fatalismo, a crendice milagreira, a parolice. Decerto, temos tamb√©m as nossas virtudes. Mas, na sua maioria, elas t√™m a sua raiz nestas mis√©rias.

Continue lendo…

√Č imposs√≠vel que ocorram grandes transforma√ß√Ķes positivas no destino da humanidade se n√£o houver uma mudan√ßa de peso na estrutura b√°sica de seu modo de pensar.

Todos os nossos atos acabam retornando a n√≥s. Assim, se piorarmos o desempenho do nosso trabalho pensando ‚Äėeste assunto n√£o me diz respeito‚Äô, ao final nosso destino √© que ir√° piorar.