Cita√ß√Ķes de Ant√≥nio Ramalho Eanes

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Ant√≥nio Ramalho Eanes para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

A democracia representativa est√° em crise, porque ela √© s√≥ e pouco representativa. √Č muito fechada √†s elites que se cooptam e se reproduzem, n√£o se abre convenientemente √† sociedade civil e aos cidad√£os, que devem ser obrigados a participar na decis√£o sobre as grandes quest√Ķes.

Na pr√°tica, os partidos t√™m privilegiado as √°reas de diverg√™ncia, de combate e diferencia√ß√£o, esquecendo as outras. Um pa√≠s que carece de altera√ß√Ķes profundas deve procurar, em determinadas quest√Ķes essenciais, a concerta√ß√£o e o consenso.

A sociedade civil est√° menos participativa, e, portanto, menos capaz de defender as suas posi√ß√Ķes e interesses perante o poder, mais incapaz de fiscalizar o poder.

Responsabilizo inteiramente Salazar por n√£o ter sido capaz de ler a situa√ß√£o geopol√≠tica determinada pelo fim da II Guerra Mundial, em que as col√≥nias n√£o tinham cabimento. Salazar n√£o percebeu isso e acabou por nos condenar √† descoloniza√ß√£o ingl√≥ria que produzimos. √Č o primeiro e grande respons√°vel por isso.

O direito √† vida √© fundamental. Isto n√£o quer dizer que seja contra a despenaliza√ß√£o do aborto ‚Äď eu sou pela despenaliza√ß√£o. Mas sendo o aborto um problema da consci√™ncia de cada um, que a sociedade n√£o deve penalizar, a sociedade n√£o pode deixar de dizer que reprova a sua pr√°tica, social e moralmente.

Logo que passei a exercer actividade partid√°ria, vi que n√£o tinha nem predisposi√ß√£o nem condi√ß√Ķes ‚Äď ou, se quiser, qualidades ‚Äď para dirigir um partido.

Com toda a sinceridade e distanciação que a vida me ensinou, devo dizer que nunca se está preparado para bem governar uma organização, seja ela a família, uma unidade, uma empresa, um país.

A guerra é, por força da sua natureza, uma situação de excessos, em que o homem revela aquilo que tem de melhor e de pior. Isso muitas vezes nem depende propriamente de um comando incorrecto, mas de um medo incontrolável. O homem quando tem medo e quer sobreviver é capaz de tudo. Incluindo actos que são perfeitamente inaceitáveis.

Nunca se faz uma reforma contra os indiv√≠duos que v√£o dar-lhe realiza√ß√£o E nunca se faz uma reforma contra o pa√≠s. S√≥ se faz uma reforma utilizando um m√©todo capaz. (…) Quando o estudo √© feito por um grupo que a sociedade civil reconhece e que tem compet√™ncia e isen√ß√£o, criam-se condi√ß√Ķes imediatas de aceita√ß√£o e de discuss√£o.

Um povo que vive mal no presente e a quem não dizem que vai viver melhor no futuro não consegue manter a unidade nacional e a coesão. E um povo sem unidade não é um povo, não é uma comunidade de partida e destino comuns.

Costuma dizer-se que o povo sabe o que quer e nunca se engana. N√£o √© verdade. Mas um povo muito velho como o nosso acaba por ter, por raz√Ķes de cultura e de subconsciente colectivo, uma grande sabedoria. Em alturas dif√≠ceis e complicadas, essa sabedoria manifesta-se.

Não posso admitir que se olhe para o desemprego como se fosse uma realidade abstracta. O desemprego são desempregados! E um desempregado, sobretudo de longa duração, é um homem que, pouco a pouco, perde a sua autodignidade, perde respeito por si e pelos outros. Num jovem é muito pior: sente que lhe estão a roubar o futuro. E daqui resulta ou a desistência, a passividade, ou a evasão perversa, ou a revolta. Em muitos países as grandes revoltas foram feitas pela juventude, que não aceita que lhe roubem o futuro!

Na pol√≠tica internacional, infelizmente, como diziam Rousseau e Kant, as rela√ß√Ķes ainda permanecem no estado de natureza ‚Äď √© a for√ßa que as rege.

Eu diria que a democracia, hoje, está mais normalizada. A democracia representativa só é democracia crescente quando procura implicar cada vez mais os cidadãos na acção política. E sabemos que a participação dos portugueses é muito pequena.

Sou, em absoluto, contra a pena de morte. Decide-se que um homem falhou definitivamente. Mas quem tem o direito de dizer que um homem falhou assim? Ningu√©m! A mais bela defini√ß√£o de Homem ‚Äď a de Rousseau ‚Äď √© que ele √© um ser perfect√≠vel, capaz, pela sua pr√≥pria natureza, de se aperfei√ßoar sempre, por mais nefasto que tenha sido o seu passado. Al√©m disso, o homem tem direitos naturais que ningu√©m pode retirar. E o direito b√°sico, primeiro, √© o direito √† vida. Digo mesmo que n√£o h√° uma democracia real onde h√° pena de morte, onde o Estado assassina, legalmente, cidad√£os.

A p√°tria n√£o √© a entidade pela qual valer√° a pena morrer, mas pela qual vale a pena viver ‚Äď pelos filhos, pelos netos, nossos e dos outros.