Cita√ß√Ķes sobre Crescentes

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Frases sobre crescentes, poemas sobre crescentes e outras cita√ß√Ķes sobre crescentes para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Um Infinito Domingo à Tarde

Regra geral, um ser humano agora vive tanto que acaba por arrastar muito mais penas do que as que lhe dizem respeito, e isso acaba por notar-se-lhe no rosto. Uma das consequ√™ncias da crescente longevidade do habitante das sociedades desenvolvidas, em que, por outro lado, n√£o se costuma pensar demasiado, √© que, contrariamente ao que sucedia h√° algumas d√©cadas, os velhos de hoje t√™m tempo para assistir √† devasta√ß√£o da vida dos filhos, veem-nos praticamente envelhecer, fracassar, cansar-se da luta. Antes, na hora da morte dos pais, os filhos eram ainda fortes, tinham projetos, mulheres bonitas, um futuro aparentemente luminoso. Agora √© f√°cil que um av√ī contemple antes de morrer o div√≥rcio do neto (v√™-o aos domingos sentar-se √† mesa na casa da fam√≠lia, sem um c√™ntimo, com a camisa amarrotada), enquanto no mundo anterior a este, por raz√Ķes de tempo, o neto n√£o era mais do que uma crian√ßa que √†s vezes ia buscar √£ escola, a quem dava a m√£o no regresso a casa e ajudava a conseguir nos alfarrabistas os cromos que lhe faltavam na sua cole√ß√£o de futebolistas. Hoje, o velho que morre n√£o abandona um mundo em marcha cheio de projetos e promessas, como sucedia dantes,

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Duas coisas que me enchem a alma de crescente admiração e respeito, quanto mais intensa e frequentemente o pensamento dela se ocupa: o céu estrelado sobre mim e a lei moral dentro de mim.

Crep√ļsculo

Alada, corta o espaço uma estrela cadente.
As folhas fremem. Sopra o vento. A sombra avança.
Paira no ar um languor de mística esperança
e de doc√ļra triste, inexprimivelmente.

À surdina da luz irrompe, de repente,
o coro vesperal das cigarras. E mansa,
E marmórea, no céu, curvo e claro, balança,
entre nuvens de opala, a concha do crescente.

Na alma, como na terra, a noite nasce. √Č quando,
da rec√īndita paz das horas esquecidas,
v√£o, ao luar da saudade, os sonhos acordando…

E, na torre do peito, em pl√°cidas batidas,
melancolicamente o coração chorando,
plange o r√©quiem de amor das ilus√Ķes perdidas.

Duas coisas me enchem a alma de crescente admiração e respeito, quanto mais intensa e frequentemente o pensamento delas se ocupa: o céu estrelado sobre mim e a lei moral dentro de mim.

Memória

I

Na cristalina, líquida presença,
crescente lua no abismo enquanto
o mar se cala, desconheço a margem
onde me espera no desejo
esguio do poente a deusa branca…

À ínfima visão dum lírio encosto
o meu solu√ßo! O espa√ßo √© grande…
N√£o invoco o lugar mas a verdade
surge aqu√©m da espera…

Gaivotas sussurrantes, deixo a m√ļsica
morrer, pegadas frescas, desperdícios
quentes na relva da minha alma…

II

Quando se oculta julgando a noite
indefesa enorme, a fugidia
estrela me ilumina e desce!

Vem até mim, quebrada a natural
cad√™ncia do seu mundo, e cresce… cresce…
Tent√°culos de luz me envolvem. Comovido,
aperto em minhas m√£os o elanguescente
ardor do seu chegar…

III

Reconquisto agora o teu rosto, um horizonte,
silêncio de grito suspenso, labirinto,
mais desfeito
no h√°lito das nuvens…

Me surges t√£o sem ti
que envolve o dia a espessura deste longe…
E afogo assim na √≠ntima, na √ļnica
beleza do teu rasto,
o meu solu√ßo de √°gua…

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Como Trair o Seu Marido em Imaginação

Proponho-me ensinar-lhes como trair o seu marido em imaginação.
Acreditem-me: só as criaturas ordinárias traem o marido realmente. O pudor é uma condição sine qua non de prazer sexual. O entregar-se a mais de um homem mata o pudor.
Concedo que a inferioridade feminina precisa de macho. Acho que, ao menos se deve limitar a um macho só, fazendo dele, se disso precisar, centro de um círculo de raio crescente de machos imaginados.

A melhor ocasião para fazer isso é nos dias que antecedem os da menstruação. Assim:
Imaginam o seu marido mais branco de corpo. Se imaginam bem, senti-lo-√£o mais branco sobre si.
Retenham todo o gesto de sensualidade excessiva. Beijem o marido que lhes estiver em cima do corpo e mudem com a imaginação o homem num olhar belo que lhes estiver em cima da alma.
A essência do prazer é o desdobramento. Abram a porta da janela ao Felino em vós.
Como tracasser o marido.
Importa que o marido às vezes se zangue.
O essencial é começar a sentir a atracção pelas coisas que repugnam não perdendo a disciplina exterior.
A maior indisciplina interior junta √† m√°xima disciplina exterior comp√Ķe perfeita sensualidade.

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Dois Excertos de Odes

(Fins de duas odes, naturalmente)

I

Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lentejoulas r√°pidas
No teu vestido franjado de Infinito.

Vem, vagamente,
Vem, levemente,
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
Ao teu lado, vem
E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas,
Funde num campo teu todos os campos que vejo,
Faze da montanha um bloco só do teu corpo,
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo,
Todas as estradas que a sobem,
Todas as v√°rias √°rvores que a fazem verde-escuro ao longe.
Todas as casas brancas e com fumo entre as √°rvores,
E deixa só uma luz e outra luz e mais outra,
Na dist√Ęncia imprecisa e vagamente perturbadora,
Na dist√Ęncia subitamente imposs√≠vel de percorrer.

Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que v√™m ter conosco ao crep√ļsculo, √† janela,
Dos propósitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
Ao som europeu das m√ļsicas e das vozes longe e perto,

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Os Caminhos Desapareceram da Alma Humana

Caminho: faixa de terra sobre a qual se anda a pé. A estrada distingue-se do caminho não só por ser percorrida de automóvel, mas também por ser uma simples linha ligando um ponto a outro. A estrada não tem em si própria qualquer sentido; só têm sentido os dois pontos que ela liga. O caminho é uma homenagem ao espaço. Cada trecho do caminho é em si próprio dotado de um sentido e convida-nos a uma pausa. A estrada é uma desvalorização triunfal do espaço, que hoje não passa de um entrave aos movimentos do homem, de uma perda de tempo.
Antes ainda de desaparecerem da paisagem, os caminhos desapareceram da alma humana: o homem j√° n√£o sente o desejo de caminhar e de extrair disso um prazer. E tamb√©m a sua vida ele j√° n√£o v√™ como um caminho, mas como uma estrada: como uma linha conduzindo de uma etapa √† seguinte, do posto de capit√£o ao posto de general, do estatuto de esposa ao estatuto de vi√ļva. O tempo de viver reduziu-se a um simples obst√°culo que √© preciso ultrapassar a uma velocidade sempre crescente.

Os Amantes

Encheram profunda taça e envolveram-se em fervor.
Ficou-lhes na boca ‚ÄĒ presa ao crescente desejo
de mais beberem, de mais conhecerem ‚ÄĒ o sabor
da outra Vida maior, onde os levara o ensejo
de ultrapassarem a carne. Em solid√£o limitados,
num barco sem dia a dia, compromissos ou tratados,
singram velozes sem tempo, definidos pela estrela
que lhes indica, serena e nitidamente, o norte.

Encheram de novo a taça; incha mais a panda vela.
E para serem iguais, apenas lhes falta a Morte!

N√£o teria nada a objectar contra o crescente saber da Humanidade, se as pessoas com isso se tornassem mais sensatas.

O Machismo Portugu√™s e as Trai√ß√Ķes Amorosas

Na g√≠ria portuguesa, os palitos s√£o a vers√£o econ√≥mica, e mais moderna, dos cornos. Os cornos, √† semelhan√ßa do que aconteceu com os autom√≥veis e os computadores, tornaram-se demasiado volumosos e pesados para as exig√™ncias do homem de hoje. Da√≠ a crescente popularidade dos mais port√°teis e menos onerosos palitos. Contudo, visto que se vive presentemente um per√≠odo de transi√ß√£o, em que os novos palitos ainda se v√™em lado a lado com os tradicionais cornos, continuam a existir algumas sobreposi√ß√Ķes. Uma delas, herdada do antigamente, deve-se ao facto dos palitos n√£o se saldarem numa diminui√ß√£o proporcional de sofrimento. Ou seja, n√£o d√£o uma mera dor de palito ‚ÄĒ d√£o √† mesma, incontrovertivelmente, dor de corno. N√£o √© mais carinhoso, por isso, p√īr os ¬ępalitos¬Ľ a algu√©m ‚ÄĒ continua a ser exactamente o mesmo que p√īr os outros.

Tudo isto vem a prop√≥sito da forma at√≠pica, entre os povos latinos, que assume o machismo portugu√™s. N√£o se trata do machismo triunfalmente dominador, g√©nero ¬ęAqui quem manda sou eu!¬Ľ, do brutamontes que n√£o d√° satisfa√ß√Ķes √† mulher. N√£o ‚ÄĒ o machismo portugu√™s, imortalizado pelo fado ¬ęN√£o venhas tarde¬Ľ, √© um machismo apolog√©tico, todo ¬ędesculpa l√° √≥ Mafalda¬Ľ, que alcan√ßa os seus objectivos de uma maneira mais eficaz.

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O Construtor

O construtor, antes de levantar a primeira pedra do dia, contempla e considera as suas feridas que enfraquecem a vontade de construir, com a sua pr√≥pria subst√Ęncia de cinzas e sangue petrificado, a habita√ß√£o em que a f√©nix poder√° renascer com todo o esplendor original de um astro. Nada mais lhe resta do que lan√ßar-se a um trabalho para o qual a disposi√ß√£o ainda n√£o surgiu, mas que poder√° despertar os impulsos da constru√ß√£o solar e abrir o horizonte luminoso e tranquilo de um rio em torno da morada. A constru√ß√£o est√° envolta numa espessa bruma e n√£o h√° nela sinais de figuras ou formas, porque essa n√©voa √© o pr√≥prio nada da confus√£o inicial e do fim de toda a constru√ß√£o como possibilidade de vida e de renovo. √Č do obscuro fundo da retina que surge um t√©nue raio cintilante que penetra na massa nebulosa da constru√ß√£o e a faz palpitar e estremecer. O construtor poder√° ent√£o discernir algumas linhas de for√ßa, algumas estruturas e bases numa crescente e sincopada clarifica√ß√£o. Haver√° um momento em que ele sentir√° que o edif√≠cio dan√ßa porque tudo se duplica e se reflecte e se anima. De algum modo, √© j√° a f√©nix que resplandece no fulgor da edifica√ß√£o e na plenitude do ser e do olhar na sua m√ļtua cria√ß√£o.

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O Espectáculo é a Ideologia por Excelência

O espect√°culo (da sociedade de consumo) √© a ideologia por excel√™ncia, porque exp√Ķe e manifesta na sua plenitude a ess√™ncia de qualquer sistema ideol√≥gico: o empobrecimento, a submiss√£o e a nega√ß√£o da vida real. O espect√°culo √©, materialmente, ¬ęa express√£o da separa√ß√£o e do afastamento entre o homem e o homem¬Ľ. O ¬ęnovo poderio do embuste¬Ľ que se concentrou a√≠ tem a sua base na produ√ß√£o onde surge ¬ęcom a massa crescente de objectos… um novo dom√≠nio de seres estranhos aos quais o homem se submete¬Ľ. √Č grau supremo duma expans√£o que necessariamente se coloca contra a vida.

¬ęA necessidade de dinheiro √© portanto a verdadeira necessidade produzida pela economia pol√≠tica, e a √ļnica necessidade que ela produz¬Ľ (Manuscritos econ√≥mico-filos√≥ficos). O espect√°culo estende por toda a vida social o princ√≠pio que Hegel, na Realphilosophie de Iena, concebe quanto ao dinheiro; √© ¬ęa vida do que est√° morto movendo-se em si pr√≥pria¬Ľ.

A Ideia de Moral Universal

Muito antes de o homem estar maduro para ser confrontado com uma atitude moral universal, o medo dos perigos da vida levaram-no a atribuir a v√°rios seres imagin√°rios, n√£o palp√°veis fisicamente, o poder de libertar as for√ßas naturais que temia ou talvez desejasse. E ele acreditava que esses seres, que dominavam toda a sua imagina√ß√£o, eram feitos fisicamente √† sua imagem, mas eram dotados de poderes sobre-humanos. Estes foram os precursores primitivos da ideia de Deus. Nascidos inicialmente dos medos que enchiam a vida di√°ria dos homens, a cren√ßa na exist√™ncia de tais seres, e nos seus poderes extraordin√°rios, teve uma influ√™ncia t√£o forte nos homens e na sua conduta que √© dif√≠cil de imaginar por n√≥s. Por isso, n√£o surpreende que aqueles que se empenharam em estabelecer a ideia de moral, abarcando igualmente todos os homens, o tenham feito associando-a intimamente √† religi√£o. E o facto de estas pretens√Ķes morais serem as mesmas para todos os homens pode ter tido muito a ver com o desenvolvimento da cultura religiosa da esp√©cie humana desde o polite√≠smo at√© ao monote√≠smo.
A ideia de moral universal deve, assim, a sua potência psicológica original àquela ligação com a religião. No entanto, noutro sentido,

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Duas coisas povoam a mente com uma admira√ß√£o e respeito sempre novos e crescentes…o c√©u estrelado por cima e a lei moral dentro de n√≥s.

O Dil√ļvio

H√° muitos dias j√°, h√° j√° bem longas noites
que o estalar dos vulc√Ķes e o atroar das torrentes
ribombam com furor, quais rábidos açoites,
ao crebro rutilar dos coriscos ardentes.

Pradarias, vergéis, hortos, vinhedos, matos,
tudo desapar’ceu ao rude desabar
das constantes, hostis, raivosas cataratas,
que fizeram da Terra um grande e torvo mar.

À flor do torvo mar, verde como as gangrenas,
onde homens e le√Ķes b√≥iam agonizantes,
imprecando com f√ļria e ang√ļstia, erguem-se apenas,
quais monstros colossais, as montanhas gigantes.

√Č a√≠ que, ululando, os homens como as feras
refugiar-se v√£o em tr√°gicos cardumes,
O mar sobe, o mar cresce. e os homens e as panteras,
crianças e reptis caminham para os cumes.

Os fortes, sem haver piedade que os sujeite,
arremessam ao ch√£o pobres velhos cansados.
e as mães largam. cruéis, os filhinhos de leite,
que os que seguem depois pisam, alucinados.

Um sinistro pavor; crescente e sufocante,
desnorteia, asfixia a turba pertinaz:
ouvem-se urros de dor, e os que v√£o adiante
lançam pedras brutais aos que ficam pra trás.

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Interpretar o Progresso

Sup√Ķe-se que o progresso social consiste na maior e mais variada produ√ß√£o dos objectos necess√°rios √† satisfa√ß√£o das nossas necessidades, na crescente seguran√ßa pessoal e da propriedade e na amplitude concedida √† liberdade de ac√ß√£o. Todavia, o progresso social, rigorosamente entendido, consiste nas transforma√ß√Ķes de estrutura do organismo social, causa donde derivam as consequ√™ncias que se observam. A ideia comum √© teleol√≥gica. Os fen√≥menos consideram-se apenas na sua rela√ß√£o com a felicidade humana; e pensa-se que s√≥ devem reputar-se progressivas aquelas transforma√ß√Ķes que, directa ou indirectamente, tendem a aumentar esta felicidade, fazendo, por conseguinte, depender o seu car√°cter, na rela√ß√£o a que nos circunscrevemos, da referida tend√™ncia. N√£o obstante, para bem se compreender o progresso, devemos investigar a natureza de tais transforma√ß√Ķes, com absoluta independ√™ncia da nossa individualidade.

Esta é a Cidade

Esta é a Cidade, e é bela.
Pela ocular da janela
foco o sémen da rua.
Um formigueiro se agita,
se esgueira, freme, crepita,
ziguezagueia e flutua.

Freme como a sede bebe
numa avidez de garganta,
como um cavalo se espanta
ou como um ventre concebe.

Treme e freme, freme e treme,
friorento voo de libélula
sobre o charco imundo e estreme.
Barco de incógnito leme
cada homem, cada célula.
√Č como um tecido org√Ęnico
que n√£o seca nem coagula,
que a si mesmo se estimula
e vai, num medido p√Ęnico.

Aperfeiçoo a focagem.
Olho imagem por imagem
numa comoção crescente.
Enchem-se-me os olhos de √°gua.
Tanto sonho! Tanta m√°goa!
Tanta coisa! Tanta gente!
São automóveis, lambretas,
motos, vespas, bicicletas,
carros, carrinhos, carretas,
e gente, sempre mais gente,
gente, gente, gente, gente,
num tumulto permanente
que não cansa nem descança,
um rio que no mar se lança
em caudalosa corrente.

Tanto sonho! Tanta esperança!
Tanta m√°goa! Tanta gente!