Textos sobre √öltimos de Miguel Esteves Cardoso

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Textos de √ļltimos de Miguel Esteves Cardoso. Leia este e outros textos de Miguel Esteves Cardoso em Poetris.

Um Dia Bem Passado

De vez em quando acontece, um dia bem passado. Um dia que √© o contr√°rio da vida, porque desde o primeiro ao √ļltimo momento acordado, passa-se bem, como antigamente se dizia em Angola e c√°.
Um dia bem passado não pode ser planeado. Mas tem de ser protegido. Um dia bem passado é um dia que se passa quase às escondidas. Parece mais roubado do que um beijo Рe tem razão.
Um dia bem passado, como foi o √ļltimo dia de Setembro para a minha mulher e para mim, tem de meter pargos, lavagantes, ostras e beijinhos.
Na Praia das Ma√ß√£s, nos bon√≠ssimos restaurantes Neptuno e B√ļzio, as ostras s√£o sumptuosas. Mas n√£o as vendem √† d√ļzia e √† meia-d√ļzia, comme il faut. √Č ao peso, a granel, como eles as compram. √Č uma pr√°tica que irrita. Mas com toda a delicadeza, claro. Como uma p√©rola, formada pela irrita√ß√£o de um gr√£o de areia dentro de uma ostra. O peso de uma ostra (a concha mais a carne) nada diz sobre o peso do molusco. H√° ostras gordas e suculentas escondidas por conchas minimais e esguias e h√° ostras minimais e esguias escondidas por conchas gordas e suculentas.

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N√£o H√° Amor como o Primeiro

N√£o h√° amor como o primeiro. Mais tarde, quando se deixa de crescer, h√° o equivalente adulto ao primeiro amor ‚ÄĒ √© o primeiro casamento; mas n√£o √© igual. O primeiro amor √© uma chapada, um sacudir das ra√≠zes adormecidas dos cabelos, uma voragem que nos come as entranhas e n√£o nos explica. Electrifica-nos a capacidade de poder amar. Ardem-nos as √≥rbitas dos olhos, do impens√°vel calor de podermos ser amados. Atiramo-nos ao nosso primeiro amor sem pensar onde vamos cair ou de onde salt√°mos. Saltamos e ca√≠mos. Enchemos o peito de ar, seguramos as narinas com os dedos a fazer de mola de roupa, juramos fazer tr√™s ou quatro mortais de costas, e estatelamo-nos na √°gua ou no ch√£o, como patos disparados de um obus, com penas a esvoa√ßar por toda a parte.

H√° amores melhores, mas s√£o amores cansados, amores que j√° levaram na cabe√ßa, amores que sabem dizer ‚ÄúAlto-e-p√°ra-o-baile‚ÄĚ, amores que j√° d√£o o desconto, amores que j√° t√™m medo de se magoarem, amores democr√°ticos, que se discutem e debatem. E todos os amores d√£o maior prazer que o primeiro. O primeiro amor est√° para al√©m das categorias normais da dor e do prazer. N√£o faz sentido sequer.

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O Preço da Pressa

O castigo de ser feliz é o tempo passar depressa. O castigo de ser triste é o tempo não passar. A recompensa de não conseguir ser nem triste nem feliz, permanecendo indiferente, é o tempo passar devagar. Se todos os dias nascemos Рos que temos a sorte de amar, mais a suspeita de sermos, talvez, amados Рtodos os dias morremos cedo de mais.

Se me perguntassem quanto tempo passei com a Maria Jo√£o, nos √ļltimos 15 anos, eu teria muitas dificuldades em n√£o responder 15 dias ou at√© 15 minutos, por n√£o saber mostrar e justificar at√© esse pouco tempo que pass√°mos.

Ainda ontem acordámos às oito da manhã. Mas, às sete da tarde, apesar de termos passado o dia juntos, pareceu-nos que nos tinham roubado o dia inteiro; que tínhamos acabado de nos conhecermos.

Passo do amor à política, por amor ao meu país. A despedida do conhecido e comprovado José Sócrates deveria ter sido tão generosamente saudada como foi recebida a vitória do simpático mas inexperiente Passos Coelho.

O tempo, a ocasi√£o e a sorte parecem ser coisas parecidas – mas s√£o coisas muito diferentes. O ponto de vista,

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Temos de Ser Mais Humanos

Abram os olhos. Somos umas bestas. No mau sentido. Somos primitivos. Somos prim√°rios. Por nossa causa corre um oceano de sangue todos os dias. N√£o √© auscultando todos os nossos instintos ou encorajando a nossa natureza biol√≥gica a manifestar-se que conseguiremos afastar-nos da crueza da nossa condi√ß√£o. √Č lendo Plat√£o. E construindo pontes suspensas. √Č tendo ins√≥nias. √Č desenvolvendo paran√≥ias, conceitos filos√≥ficos, poemas, desequil√≠brios neuroqu√≠micos insan√°veis, frisos de portas, birras de amor, grafismos, sistemas pol√≠ticos, receitas de bacalhau, pormenores.

√Č engra√ßado como cada √©poca se foi considerando ¬ęde charneira¬Ľ ao longo da hist√≥ria. A pretens√£o de se ser definitivo, a arrog√Ęncia de ser ¬ęo √ļltimo¬Ľ, a vaidade de se ser futuro √©, h√° mil√©nios, a mesm√≠ssima cantiga.
Temos de ser mais humanos. Reconhecer que somos as bestas que somos e arrependermo-nos disso. Temos de nos reduzir à nossa miserável insensibilidade, à pobreza dos nossos meios de entendimento e explicação, à brutalidade imperdoável dos nossos actos. O nosso pé foge-nos para o chinelo porque ainda não se acostumou a prender-se aos troncos das árvores, quanto mais habituar-se a usar sapato.

A √ļnica atitude verdadeiramente civilizada √© a fraqueza, a curiosidade, o desespero, a experi√™ncia, o amor desinteressado,

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A Culpa é Sempre Nossa

Sempre admirei aqueles que nos fazem sentir culpados do que dantes nos julgáramos inocentes. A culpa é uma riqueza, à qual se vai acrescentando. O resultado oscila entre a lista telefónica e as Obras Completas mas pesa sempre.
Os grandes mestres s√£o os nossos pais e os nossos filhos – ambos mostram de onde veio a inspira√ß√£o para o pecado original. Ora se √© culpado por ter nascido e interrompido, ora se √© culpado por ter dado a nascer e n√£o se ter interrompido tanto quanto precisariam os nascidos.A culpa n√£o √© uma coisa que se tenha, como um pesco√ßo. √Č uma coisa que se transmite, como uma gripe. Tanto faz ser-se inocente ou culpado ¬ę√† partida¬Ľ, que tem aspas porque n√£o existe. Os malvados constipam-se tanto como os bonzinhos. Mas ambos s√£o vulner√°veis √† ideia que at√© fizeram por isso e merecem pagar.At√© com as l√Ęmpadas de casa de banho acontece. N√£o h√° dom√≠nio de banalidade que a culpa n√£o contamine. Tenho passado, nos √ļltimos anos, v√°rias semanas, dispersas no tempo, sem luz na casa de banho. Uso pilhas e a luz da lua, quando √© oferecida.Depois aparece o electricista que √© afoito e resolve tudo num segundo.

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A Portugalite

Entre as afec√ß√Ķes de boca dos portugueses que nem a pasta medicinal Couto pode curar, nenhuma h√° t√£o generalizada e galopante como a Portugalite. A Portugalite √© uma inflama√ß√£o nervosa que consiste em estar sempre a dizer mal de Portugal. √Č altamente contagiosa (transmite-se pela saliva) e at√© hoje n√£o se descobriu cura.

A Portugalite √© contra√≠da por cada portugu√™s logo que entra em contacto com Portugal. √Č uma doen√ßa n√£o tanto ven√©rea como venal. Para compreend√™-la √© necess√°rio estudar a rela√ß√£o de cada portugu√™s com Portugal. Esta rela√ß√£o √© semelhante a uma outra que j√° √© cl√°ssica na literatura. Suponhamos ent√£o que Portugal √© fundamentalmente uma meretriz, mas que cada portugu√™s est√° apaixonado por ela. Est√° sempre a dizer mal dela, o que √© compreens√≠vel porque ela trata-o extremamente mal. Chega at√© a julgar que a odeia, porque n√£o acha uma √ļnica raz√£o para am√°-la. Contudo, existem cinco sinais ‚ÄĒ t√≠picos de qualquer grande e arrastada paix√£o ‚ÄĒ que demonstram que os portugueses, contra a vontade e contra a l√≥gica, continuam apaixonados por ela, por muito afectadas que sejam as ¬ębocas¬Ľ que mandam.

Em primeiro lugar, estão sempre a falar dela. Como cada português é um amante atraiçoado e desgraçado pela mesma mulher,

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Ninguém Tem Pena das Pessoas Felizes

Ningu√©m tem pena das pessoas felizes. Os Portugueses adoram ter ang√ļstias, inseguran√ßas, d√ļvidas existenciais dilacerantes, porque √© isso que funciona na nossa sociedade. As pessoas com problemas s√£o sempre mais interessantes. N√≥s, os tontos, n√£o temos interesse nenhum porque somos felizes. Somos felizes, somos tonta√ßos, n√£o podemos ter gra√ßa nem salva√ß√£o. Muitos felizardos (a pr√≥pria palavra tem um soar repelente, rimador de ¬ęjavardo¬Ľ) v√™em-se obrigados a fingir a dor que deveras n√£o sentem, s√≥ para poderem ¬ębrincar¬Ľ com os outros meninos.
√Č assim. Chega um infeliz ao p√© de n√≥s e diz que n√£o sabe se h√°-de ir beber uma cerveja ou matar-se. E pergunta, depois de ter feito o invent√°rio das tristezas das √ļltimas 24 horas: ¬ęE tu? Sempre bem disposto, n√£o?¬Ľ. O que √© que se pode responder? Apetece mentir e dizer que nos morreu uma av√≥, que nos atrai√ßoou uma namorada, que nos atropelaram a cadelinha ali na estrada de Sines.
E, no entanto, as pessoas felizes tamb√©m sofrem muito. Sofrem, sobretudo, de ¬ęculpa¬Ľ. Se elas est√£o felizes, rodeadas de pessoas tristes, √© l√≥gico que pensem que h√° ali qualquer coisa que n√£o bate certo. As infelizes acusam sempre os felizes de terem a culpa.

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O Primeiro Amor Leva Tudo

√Č f√°cil saber se um amor √© o primeiro amor ou n√£o. Se admite que possa ser o primeiro, √© porque n√£o √©, o primeiro amor s√≥ pode parecer o √ļltimo amor. √Č o √ļnico amor, o m√°ximo amor, o irrepet√≠vel e incr√≠vel e antes morrer que ter outro amor. N√£o h√° outro amor. O primeiro amor ocupa o amor todo.
Nunca se percebe bem por que raz√£o come√ßa. Mas come√ßa. E acaba sempre mal ¬ęs√≥ porque acaba¬Ľ. Todos os dias parece estar mesmo a come√ßar porque as coisas v√£o bem, e o cora√ß√£o anda alto. E todos os dias parece que vai acabar porque as coisas v√£o mal e o cora√ß√£o anda em baixo.
O primeiro amor d√° demasiadas alegrias, mais do que a alma foi concebida para suportar. √Č por isso que a alegria d√≥i ‚ÄĒ porque parece que vai acabar de repente. E o primero amor d√≥i sempre de mais, sempre muito mais do que aguenta e encaixa o peito humano, porque a todo o momento se sente que acabou de acabar de repente. O primeiro amor n√£o deixa de parte ¬ęum √ļnico bocadinho de n√≥s¬Ľ. Nenhuma intelig√™ncia ou aten√ß√£o se consegue guardar para observ√°-lo.

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Os Nossos Verdadeiros Amores

Quando se √© novo √© sempre a somar. Somam-se amigos, emo√ß√Ķes, experi√™ncias, livros, canudos, s√≠tios, responsabilidades, preocupa√ß√Ķes e ambi√ß√Ķes, v√≠cios e prazeres que n√£o viciam.

At√© cada ano de vida que se viveu √© celebrado como se fosse uma proeza. √Č triunfalmente que se chega aos 6, 10, 14, 18 ou 22 anos. E com raz√£o. Ainda consigo lembrar-me que eram obra.

Depois, não sei a que a idade (é aquela em que nos deixamos de importar tanto com as coisas, daí nunca darmos por ela), começamos a compreender a alegria e a liberdade de subtrair coisas e pessoas que só nos pesam, roubando-nos tempo, paciência e a calma necessária para sobrevivermos e que se vão tornando, monstruosa e deliciosamente, cada vez maiores.

O tempo de subtrair √© cruel e frio e imensamente libertador. D√° vida aos √ļltimos anos de vida que temos. Sim, porque a vida acaba. A morte acontece e, irritantemente, dura para sempre. H√° quem diga que √© como o tempo antes de nascermos (at√© um g√©nio como Samuel Beckett caiu neste pensamento impreciso) mas n√£o √©. O tempo depois de morrermos √© sempre pior do que o tempo antes de nascermos.

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Aprender de Cor quem Amamos

Comportamo-nos como se as pessoas de quem gostamos fossem durar para sempre. Em vida não fazemos nunca o esforço consciente de olhar para elas como quem se prepara para lembrá-las. Quando elas desaparecem, não temos delas a memória que nos chegue. Para as lembrar, que é como quem diz, prolongá-las. A memória é o sopro com que os mortos vivem através de nós. Devemos cuidar dela como da vida.
Devemos tentar aprender de cor quem amamos. Tentar fixar. Armazen√°-las para o dia em que nos fizerem falta. S√£o pobres as maneiras que temos para o fazer, √© t√£o fraca a mem√≥ria, que todo o esfor√ßo √© pouco. Guard√°-las √© t√£o dif√≠cil. Eu tenho um pequeno truque. Quando estou com quem amo, quando tenho a sorte de estar √† frente de quem adivinho a saudade de nunca mais a ver, fa√ßo de conta que ela morreu, mas voltou mais um √ļnico dia, para me dar uma √ļltima oportunidade de a rever, olhar de cima a baixo, fazer as perguntas que faltou fazer, reparar em tudo o que n√£o vi; uma √ļltima oportunidade de a resguardar e de a reter. Funciona.

Ser Amigo

O cora√ß√£o de um amigo √© uma coisa que sempre quer. Ser amigo √© estar ao lado de quem n√£o tem raz√£o, contra qualquer inimigo que tenha, e apare√ßa, dizendo com toda a justi√ßa que o amigo n√£o a tem. N√£o √© suspender a raz√£o – √© us√°-la friamente, aplic√°-la, estar sempre consciente dela. E, contudo, n√£o diz√™-la, n√£o mostr√°-la, ficar sempre acima dela. Ser amigo √© ter raz√£o e n√£o querer saber dela. Ser amigo √© pensar duas vezes quando a √ļltima vez pertence ao que repensa o cora√ß√£o.

O amigo discordava dele. Dizia: Queres tu dizer que para se ser um bom amigo é preciso, às vezes, ser-se muito má pessoa? Sim, respondia ele, era isso que ele queria dizer. Porque ser amigo tem de ser uma coisa que custa. Às vezes é um trabalho, muitas horas, muitas dores; um trabalho que é o contrário do que seria natural, e do que apetece. Ser má pessoa para se ser um bom amigo (ou um bom português, ou um bom professor), é fazer fé que um outro fim faz valer o desconforto, faz valer o arrependimento, acaba por se abater sobre a vergonha. E sofrer bastante para que o outro nada sofra,

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Como Provar a Vida

Com a idade, como castigo dos excessos da juventude mas tamb√©m como consola√ß√£o, come√ßa-se a provar as coisas que dantes se consumiam sem pensar. At√© quase morrer de uma hepatite alc√≥olica eu bebia ¬ęwhiskey¬Ľ como se fosse √°gua: o ¬ęuisce beatha¬Ľ ga√©lico; a √°gua da vida. Agora, com o f√≠gado restaurado por anos de abstin√™ncia, apenas provo.
Suspeito que seja assim com todos os prazeres – at√© o de acordar bem disposto ou passar um dia sem dores ou respirar como se quer ou n√£o precisar de mais ningu√©m para funcionar. Parecem prazeres pequenos quando ainda temos prazeres maiores com os quais podemos compar√°-los. Mas tornam-se prazeres enormes quando s√£o os √ļnicos de que somos capazes.
Sei que a √ļltima felicidade de todos n√≥s ser√° repararmos no √ļltimo momento em que conseguimos provar a vida que vivemos e ach√°-la – n√£o tanto apesar como por causa de tudo – boa.

Amo-te, Portugal

Portugal,

Estou há que séculos para te escrever. A primeira vez que dei por ti foi quando dei pela tua falta. Tinha 19 anos e estava na Inglaterra. De repente, deixei de me sentir um homem do mundo e percebi, com tristeza, que era apenas mais um dos teus desesperados pretendentes.

Apaixonaste-me sem que eu desse por isso. Deve ter sido durante os meus primeiros 18 anos de vida, quando estava em Portugal e só queria sair de ti. Insinuaste-te. Não fui eu que te escolhi. Quando descobri que te amava, já era tarde de mais.

Eu n√£o queria ficar preso a ti; queria correr mundo. Passei a querer correr para ti – e foi para ti que corri, mal pude.

Teria preferido chegar √† conclus√£o que te amava por uma lenta acumula√ß√£o de raz√Ķes, emo√ß√Ķes e vantagens. Mas foi ao contr√°rio. Apaixonei-me de um dia para o outro, sem qualquer esp√©cie de aviso, e desde esse dia, que rem√©dio, l√° fui acumulando, lentamente, as raz√Ķes por que te amo, retirando-as uma a uma dentre todas as outras raz√Ķes, para n√£o te amar, ou n√£o querer saber de ti.

Custou-me justificar o meu amor por ti.

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A Tristeza dos Portugueses

Porque é que os portugueses são tristes? Porque estão perto da verdade. Quem tiver lido alguns livros, deixados por pessoas inteligentes desde o princípio da escrita, sabe que a vida é sempre triste. O homem vive muito sujeito. Está sujeito ao seu tempo, à sua condição e ao seu meio de uma maneira tal que quase nada fica para ele poder fazer como quer. Para se afirmar, como agora se diz, tão mal.
Sobre n√≥s mandam tanto a sa√ļde e o dinheiro que temos, o s√≠tio onde nascemos, o sangue que herd√°mos, os h√°bitos que aprendemos, a ra√ßa, a idade que temos, o feitio, a disposi√ß√£o, a cara e o corpo com que nascemos, as verdades que achamos; mandam tanto em n√≥s estas coisas que nos d√£o que ficamos com pouco mais do que a vontade. A vontade e um cora√ß√£o acordado e est√ļpido, que pede como se tudo pud√©ssemos. Um cora√ß√£o cego e est√ļpido, que n√£o v√™ que n√£o podemos quase nada.
Aí está a razão da nossa tristeza permanente. Cada homem tem o corpo de um homem e o coração de um deus. E na diferença entre aquilo que sentimos e aquilo que acontece, entre o que pede o coração e não pode a vida,

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