Passagens sobre Remédios

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Frases sobre rem√©dios, poemas sobre rem√©dios e outras passagens sobre rem√©dios para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Corro Após este Bem que não se Alcança

Oh como se me alonga de ano em ano
A peregrinação cansada minha!
Como se encurta, e como ao fim caminha
Este meu breve e v√£o discurso humano!

Minguando a idade vai, crescendo o dano;
Perdeu-se-me um remédio, que inda tinha;
Se por experiência se adivinha,
Qualquer grande esperança é grande engano.

Corro após este bem que não se alcança;
No meio do caminho me falece;
Mil vezes caio, e perco a confiança.

Quando ele foge, eu tardo; e na tardança,
Se os olhos ergo a ver se inda aparece,
De vista se me perde, e da esperança.

Os remédios e as doenças são da mesma espécie. Por isso de acordo com a lei mental da atração dos semelhantes, as doenças vêm espontaneamente ao encontro das pessoas que gostam de remédios.

As L√°grimas e os Homens

Vede que misteriosamente puseram as l√°grimas nos olhos a Natureza, a Justi√ßa, a Raz√£o, a Gra√ßa. A Natureza para rem√©dio; a Justi√ßa para castigo; a Raz√£o para arrependimento; a Gra√ßa para triunfo. Como pelos olhos se contrai a m√°cula do pecado, p√īs a Natureza nos olhos as l√°grimas, para que com aquela √°gua se lavassem as manchas: como pelos olhos se admite a culpa, p√īs a Justi√ßa nos olhos as l√°grimas para que estivesse o supl√≠cio no mesmo lugar do delito: como pelos olhos se concebe a ofensa, p√īs a Raz√£o nos olhos as l√°grimas, para que onde se fundiu a ingratid√£o, a desfizesse o arrependimento: e como pelos olhos entram os inimigos √† alma, p√īs a Gra√ßa nos olhos as l√°grimas, para que pelas mesmas brechas onde entraram vencedores, os fizesse sair correndo. Entrou Jonas pela boca da baleia pecador; sa√≠a Jonas pela boca da baleia arrependido. Raz√£o √© logo e Justi√ßa, e n√£o s√≥ Gra√ßa, sen√£o Natureza, que pois os olhos s√£o a fonte universal de todos os pecados, sejam os rios de suas l√°grimas a satisfa√ß√£o tamb√©m universal de todos; e que paguem os olhos por todos chorando, j√° que pecaram em todos vendo: Quo fonte manavit nefas,

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Os crimes da rep√ļblica, tornados poss√≠veis pela desgra√ßada incapacidade mon√°rquica e pela indiferen√ßa da maioria dos portugueses, est√£o agora dando o seu fruto, que, quando absolutamente maduro, ser√° a derrocada de tudo! (…) √Č uma profunda tristeza e por ora n√£o vejo o rem√©dio ao mal profundo que est√° matando o pa√≠s, pois, com m√°goa o digo, os portugueses est√£o-se parecendo com os macacos do Brasil quando caem num rio, p√Ķem as m√£os na cabe√ßa, v√£o para o fundo da √°gua e morrem afogados.

Esta Prosa Travada

P√Ķe-se a gente a ler estes Gides, estes Munthes, estes Malraux. E √© sempre a mesma sensa√ß√£o de plenitude. Sempre a mesma sensa√ß√£o de que, depois daquilo, n√£o vale a pena escrever uma palavra, de mais a mais nesta l√≠ngua de que o diabo ainda se serve para falar √† av√≥… Mas depois vem a revolta. Esta impotente revolta de todo o verdadeiro escritor portugu√™s que come√ßou por nascer atr√°s duma fraga e acaba por gastar a vida em Paio Pires, amanuense de secretaria. Metessem no bra√ßo dum Gide uma manga de alpaca, e eu queria ver… Ent√£o um homem nasce em Paris ou numa terra lavada da Su√©cia, tanto faz, mestres logo √† beira do ber√ßo, todas as civiliza√ß√Ķes na biblioteca do pai, uma vida inteira pelo mundo al√©m, e aqueles neur√≥nios, e aqueles sentidos n√£o h√£o-de reagir?! O mais bronco ser humano, quando fala com um Wilde, ouviu pelo menos falar o autor do De Profundis. Evidentemente √© preciso mais alguma coisa do que ir √† China e ter certa experi√™ncia para escrever A Condi√ß√£o Humana. Mas, sem um homem andar de avi√£o, como h√°-de um homem ganhar perspectivas de p√°ssaro e falar de po√ßos de ar?!
…E a gente n√£o tem outro rem√©dio sen√£o gastar as horas a fabricar esta prosa travada,

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LXIX

Se à memória trouxeres algum dia,
Belíssima tirana, ídolo amado,
Os ternos ais, o pranto magoado,
Com que por ti de amor Alfeu gemia;

Confunda-te a soberba tirania,
O ódio injusto, o violento desagrado,
Com que atr√°s de teu olhos arrastado
Teu ingrato rigor o conduzia.

E já que enfim tão mísero o fizeste,
Vê-lo-ás, cruel, em prêmio de adorar-te,
Vê-lo-ás, cruel, morrer; que assim quiseste.

Dir√°s, lisonjeando a dor em parte:
Fui-te ingrata, pastor; por mim morreste;
Triste remédio a quem não pode amar-te!

A Racionalidade como Solução de Todos os Males do Mundo

A racionalidade pode ser definida como o h√°bito de considerar todos os nossos desejos relevantes, e n√£o apenas aquele que sucede ser o mais forte no momento. (…) A racionalidade completa √©, sem d√ļvida, ideal inating√≠vel; por√©m, enquanto continuarmos a classificar alguns homens como lun√°ticos, √© claro que achamos uns mais racionais que outros. Acredito que todo o progresso s√≥lido no mundo consiste de um aumento de racionalidade, tanto pr√°tica como te√≥rica. Pregar uma moralidade altru√≠stica parece-me um tanto in√ļtil, porque s√≥ falar√° aos que j√° t√™m desejos altru√≠sticos. Mas pregar racionalidade √© um tanto diferente, porque ela nos ajuda, de modo geral, a satisfazer os nossos pr√≥prios desejos, quaisquer que sejam. O homem √© racional na propor√ß√£o em que a sua intelig√™ncia orienta e controla os seus desejos.
Acredito que o controle dos nossos actos pela intelig√™ncia √©, afinal, o que mais importa e a √ļnica coisa capaz de preservar a possibilidade de vida social, enquanto a ci√™ncia expande os meios de que dispomos para nos ferir e destruir. O ensino, a imprensa, a pol√≠tica, a religi√£o – numa palavra, todas as grandes for√ßas do mundo – est√£o actualmente do lado da irracionalidade; est√£o nas m√£os dos homens que lisonjeiam Populus Rex com o fito de desencaminh√°-lo.

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A Cultura Deve Ser Uma Descoberta Individual de Cada um de Nós

Não se deve intervir, não nos devemos meter nos problemas que cada um tem com a leitura. Não devemos sofrer por causa das crianças que não lêem, perder a paciência. Trata-se da descoberta do continente da leitura. Ninguém deve encorajar nem incitar outra pessoa a ir ver como ele é. Já existe excessiva informação no mundo acerca da cultura. Devemos partir sós para esse continente. Descobri-lo sozinhos. Operarmos sozinhos esse nascimento.
Por exemplo, em rela√ß√£o a Baudelaire, devemos ser os primeiros a descobrir o seu esplendor. E somos os primeiros. E, se n√£o formos os primeiros, nunca seremos leitores de Baudelaire. Todas as obras-primas do mundo deveriam ser encontradas pelas crian√ßas nos despejos p√ļblicos, e lidas √†s escondidas dos pais e dos mestres.
Por vezes, o facto de se ver algu√©m a ler um livro no metro, com grande aten√ß√£o, pode provocar a compra desse livro. Mas n√£o quanto aos romances populares. A√≠, ningu√©m se engana quanto √† natureza do livro. Os dois g√©neros nunca est√£o juntos nas mesmas m√£os. Os romances populares s√£o impressos em milh√Ķes de exemplares. Com a mesma grelha aplicada, em princ√≠pio, h√° uns cinquenta anos, os romances populares desempenham a sua fun√ß√£o de identifica√ß√£o sentimental ou er√≥tica.

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Posto me tem Fortuna em tal estado

Posto me tem Fortuna em tal estado,
E tanto a seus pés me tem rendido!
N√£o tenho que perder j√°, de perdido;
N√£o tenho que mudar j√°, de mudado.

Todo o bem pera mim é acabado;
Daqui dou o viver j√° por vivido;
Que, aonde o mal é tão conhecido,
Também o viver mais será escusado,

Se me basta querer, a morte quero,
Que bem outra esperança não convém;
E curarei um mal com outro mal.

E, pois do bem t√£o pouco bem espero,
Já que o mal este só remédio tem,
Não me culpem em querer remédio tal.

Amo-te, Portugal

Portugal,

Estou há que séculos para te escrever. A primeira vez que dei por ti foi quando dei pela tua falta. Tinha 19 anos e estava na Inglaterra. De repente, deixei de me sentir um homem do mundo e percebi, com tristeza, que era apenas mais um dos teus desesperados pretendentes.

Apaixonaste-me sem que eu desse por isso. Deve ter sido durante os meus primeiros 18 anos de vida, quando estava em Portugal e só queria sair de ti. Insinuaste-te. Não fui eu que te escolhi. Quando descobri que te amava, já era tarde de mais.

Eu n√£o queria ficar preso a ti; queria correr mundo. Passei a querer correr para ti – e foi para ti que corri, mal pude.

Teria preferido chegar √† conclus√£o que te amava por uma lenta acumula√ß√£o de raz√Ķes, emo√ß√Ķes e vantagens. Mas foi ao contr√°rio. Apaixonei-me de um dia para o outro, sem qualquer esp√©cie de aviso, e desde esse dia, que rem√©dio, l√° fui acumulando, lentamente, as raz√Ķes por que te amo, retirando-as uma a uma dentre todas as outras raz√Ķes, para n√£o te amar, ou n√£o querer saber de ti.

Custou-me justificar o meu amor por ti.

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Divertimento Enganador

Os homens, tendo podido curar-se da morte, da mis√©ria, da ignor√Ęncia, lembraram-se, para se tornarem felizes, de n√£o pensar nisso. Foi tudo quanto inventaram para se consolarem de t√£o poucos males. Consola√ß√£o riqu√≠ssima. N√£o se dirige a curar o mal. Esconde-o por um pouco. Escondendo-o, faz com que se pense em cur√°-lo. Por uma leg√≠tima desordem da natureza do homem, n√£o se acha que o t√©dio, que √© o seu mal mais sens√≠vel, seja o seu maior bem. Pode contribuir mais do que qualquer outra coisa para lhe fazer procurar a sua cura. Eis tudo. O divertimento, que ele olha como o seu maior bem, √© o seu √≠nfimo mal. Aproxima-o, mais do que todas as outras coisas, de procurar o rem√©dio para os seus males. Um e outro s√£o contraprova da mis√©ria, da corrup√ß√£o do homem, excepto da sua grandeza. O homem aborrece-se, procura aquela multid√£o de ocupa√ß√Ķes. Tem a ideia da felicidade que conquistou; felicidade que, encontrando em si, procura nas coisas exteriores. Contenta-se.

Eu tudo compreendo, tudo sei; tenho passado a vida a arrancar-me espinhos, que não há nada que não tenha passado em mim; e a ronda trágica desta vida tem dançado comigo todas as suas danças. E para tudo tenho encontrado remédio, e tenho-me arrastado sempre; embora cansada e esfarrapada, tenho-me deixado viver.

Os ricos enriquecem, os pobres empobrecem. E os outros, remediados, vão ficando sem remédio.

Meu Coração, vós Abristes

Meu coração, vós abristes
caminho a meus cuidados,
pera virem ser banhados
na √°goa de meus olhos tristes,
tristes, mal galardoados.
Necessário é que vamos
algum remédio buscar
para se a vida acabar:
êste o bem que dessejamos,
êste o nosso dessejar.

O amor √© o √ļnico rem√©dio que n√£o tem efeito colateral, mas √© a flor que mais rapidamente seca sob o calor das tens√Ķes.