Passagens sobre Barba

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Frases sobre barba, poemas sobre barba e outras passagens sobre barba para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Numa vida média de 50 anos, 80 a 100 dias são empregados pelos homens só no ato de fazer a barba. Ignora-se o que as mulheres fazem com esse tempo.

A Arte Est√° em Todo o Lado

N√≥s n√£o nos damos conta de como a arte nos trespassa de todo o lado. Anotar isso aos que vaticinam a morte da arte. Isto ao n√≠vel mais corriqueiro. Dispor os m√≥veis numa sala √© fazer arte. Ou olhar uma paisagem, p√īr uma flor na lapela, ou num vaso. Escolher uma gravata, uns sapatos. Provar um fato. Pentear-se. Fazer a barba ou apar√°-la quando comprida. Todas as coisas de cerim√≥nia t√™m que ver com a arte. E o corte das unhas.
Todo o jogo. Toda a verdade que releva da emo√ß√£o. √Äs vezes mesmo a escolha do papel higi√©nico. Mas mesmo a desordem. Bergson, creio, dizia que se tudo fosse desordenado, n√≥s acabar√≠amos por ler a√≠ uma ordem. E n√£o √© o que fazemos ao inventarmos as constela√ß√Ķes? Admitir a morte da arte √© admitir a morte do homem, que imp√Ķe essa arte a tudo o que v√™. Mas tenho de ir √† casa de banho. A ver se invento arte mesmo a√≠. (Mas quando disse ¬ęcasa de banho¬Ľ e n√£o ¬ęretrete¬Ľ, j√° a inventei.)

Pobre Tysica!

Quando ella passa √° minha porta,
Magra, livida, quazi morta,
E vae até á beira-mar,
Labios brancos, olhos pizados:
Meu coração dobra a finados,
Meu cora√ß√£o poe-se a chorar…

Perpassa leve como a folha,
E suspirando, √°s vezes, olha
Para as gaivotas, para o Ar:
E, assim, as suas pupillas negras
Parecem duas toutinegras,
Tentando as azas para voar!

Veste um habito cor de leite,
Saiinha liza, sem enfeite,
Boina maruja, toda luar:
Por isso, mal na praia alveja,
As mais suspiram com inveja:
¬ęNoiva feliz, que vaes cazar…¬Ľ

Triste, acompanha-a um Terra-Nova
Que, dentro em pouco, √° fria cova
A ir√° de vez acompanhar…
O ch√£o desnuda com cautella,
Que Boy conhece o estado d’ella:
Quando ella tosse, poe-se a uivar!

E, assim, sósinha com a aia,
Ao sol, se assenta sobre a praia,
Entre os b√©b√©s, que √© o seu logar…
E o Oceano, tremulo av√īzinho,
Cofiando as barbas cor de linho,
Vem ter com ella a conversar…

Fallam de sonhos, de anjos,

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Infinitude dos Amantes

Se até agora ainda não possuo todo o teu amor,
Querida, nunca o terei de todo.
N√£o posso soltar mais um suspiro, comover-me,
Nem suplicar a mais outra l√°grima que corra;
E todo o meu tesouro, que deveria comprar-te ‚ÄĒ
Suspiros, l√°grimas, juras e cartas ‚ÄĒ j√° gastei.
Porém, nada mais me poderá ser devido,
Além do proposto no negócio acordado:
Se ent√£o a tua d√°diva de amor foi parcial,
Que parte a mim, parte a outros, caberia,
Querida, nunca te possuirei totalmente.

Mas, se ent√£o me deste tudo,
Tudo seria apenas o tudo que ao tempo tinhas;
E se em teu coração, desde então, existe ou venha
A existir novo amor gerado por outros homens,
Cujos haveres estejam intactos e possam, em l√°grimas,
Em suspiros, em juras e cartas, exceder a minha oferta,
Este novo amor pode suscitar novos receios,
Dado que um tal amor n√£o foi jurado por ti.
Mas se foi, sendo as tuas d√°divas gerais,
O terreno ‚ÄĒ o teu cora√ß√£o ‚ÄĒ, √© meu, e o que quer
Que nele cresça, querida, pertence-me totalmente.

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Disputa em Família

I

Sai das nuvens, levanta a fronte e escuta
O que dizem teus filhos rebelados,
Velho Jeov√° de longa barba hirsuta,
Solitário em teus Céus acastelados:

¬ę ‚ÄĒ Cessou o imp√©rio enfim da for√ßa bruta!
N√£o sofreremos mais, emancipados,
O tirano, de m√£o tenaz e astuta,
Que mil anos nos trouxe arrebanhados!

Enquanto tu dormias impassível,
Top√°mos no caminho a liberdade
Que nos sorriu com gesto indefin√≠vel…

J√° prov√°mos os frutos da verdade…
√ď Deus grande, √≥ Deus forte, √≥ Deus terr√≠vel.
N√£o passas d’uma v√£ banalidade! ‚ÄĒ ¬Ľ

II

Mas o velho tirano solit√°rio,
De coração austero e endurecido,
Que um dia, de enjoado ou distraido,
Deixou matar seu filho no Calv√°rio,

Sorriu com rir estranho, ouvindo o v√°rio
Tumultuoso coro e alarido
Do povo insipiente, que, atrevido,
Erguia a voz em grita ao seu sacr√°rio:

¬ę ‚ÄĒ Vanitas vanitatum! (disse). √Č certo
Que o homem vão medita mil mudanças,
Sem achar mais do que erro e desacerto.

Muito antes de nascerem vossos pais
D’um barro vil,

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São todos iguais, Úrsula se lamentava. No começo são fáceis de criar, obedientes e sinceros, e parecem incapazes de matar uma mosca; mal aponta a barba se atiram à perdição.

O tempo, que a tradição mitológica nos pinta com alvas barbas, é, pelo contrário, um eterno rapagão; só parece velho àqueles que já o estão; em si mesmo traz a perpétua e versátil juventude.

O Espírito Negativo dos Filósofos

Ficam reduzidos a uma √ļnica frase bem sucedida os nossos grandes fil√≥sofos, os nossos maiores poetas, dizia ele, √© essa a verdade, lembramo-nos muitas vezes apenas daquilo a que se chama uma tonalidade filos√≥fica e mais nada, dizia ele, pensei. Estudamos uma obra grandiosa, a obra de Kant por exemplo, e essa obra fica, com o correr do tempo, reduzida √† pequena cabe√ßa de prussiano oriental, que √© a de Kant, e a um universo inteiramente vago, feito de noite e de n√©voa, que vai dar √† mesma incapacidade de todos os outros, dizia ele, pensei, Pretendia ser um universo de grandiosidade, e dele n√£o restou mais do que um pormenor ris√≠vel, assim dizia ele, pensei, e assim acontece com tudo. Aquilo a que chamamos grandeza n√£o passa, afinal, de algo que apenas nos comove por provocar o riso e a compaix√£o. O pr√≥prio Shakespeare confrange-nos com o seu rid√≠culo se tivermos um momento de lucidez, dizia ele, pensei. J√° h√° muito que os deuses figuram nas nossas canecas de cerveja adornados apenas duma barba, dizia ele, pensei. S√≥ o imbecil √© que venera, dizia ele, pensei. O chamado homem de esp√≠rito consome-se a produzir uma obra que ele considera digna de marcar uma √©poca,

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Valem Mais as Vidas do que os Livros

Defende Cleantes a opini√£o de que em nada nos interessam as ideias dos homens e que acima de tudo devemos p√īr o seu car√°cter, a honestidade e a firmeza, a independ√™ncia e a lisura do seu procedimento. Se de pol√≠tica tratamos, Cleantes, que, por defini√ß√£o, √© honesto, sentir-se-√° muito bem representado ou muito bem governado n√£o por aquele que, incluindo nos seus programas de elei√ß√£o ou nas suas declara√ß√Ķes ideias que perfeitamente se harmonizam com as dele, depois aparece apenas como um membro de toda a ra√ßa infinita dos que sobem por fora, mas por aquele que, tendo-o porventua irritado com a sua maneira de pensar, em seguida vem habitar a ilha min√ļscula dos que sobem por dentro. Se de dois candidatos que se apresentam, um est√° no partido contr√°rio ao nosso mas √© um honesto, seguro cidad√£o, e o outro se proclama correligion√°rio, mas nos deixa d√ļvidas sobre a integridade moral, diz Cleantes que ningu√©m deve hesitar: o nosso voto deve ir para o que d√° garantias de uma fiscaliza√ß√£o s√©ria dos neg√≥cios e n√£o deixar√° que se maltrate a Justi√ßa. Sobretudo se formos moralistas, isto √©, se acreditarmos que o mundo se salvar√° pela moral; e, como cumpre a moralistas,

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O Amor Limitado

Algum homem indigno de ser possuidor
De amor velho ou novo, sendo ele próprio falso ou fraco,
Pensou que a sua dor e vergonha seriam menores
Se a sua ira sobre as mulheres descarregasse.
E ent√£o uma lei nasceu:
Que cada uma um só homem conhecesse.
Mas s√£o assim as outras criaturas?

S√£o o sol, a lua, as estrelas proibidos por lei
De sorrir para onde lhes apetece, ou de esbanjar a sua luz?
Divorciam-se os p√°ssaros, ou s√£o censurados
Se abandonam o seu par, ou dormem fora uma noite?
Os animais n√£o perdem as suas pens√Ķes
Ainda que escolham novos amantes,
Mas nós fizémo-nos piores do que eles.

Quem j√° armou belos navios para ancorar nos portos,
Em vez de buscar novas terras, ou negociar com todos?
Ou construiu belas casas, plantou √°rvores e arbustos,
Apenas para as trancar, ou ent√£o deix√°-los cair?
O Bom não é bom, a não ser
Que mil coisas possua,
Mas arruína-se com a avidez.

Tradução de Helena Barbas

O C√Ęmbio do Amor

Amor, qualquer outro diabo que n√£o tu
Daria, por uma alma, algo em troca.
Na Corte, teus colegas, todos os dias,
Dão a arte da rima, da caça, ou do jogo,
Por aquelas que antes a si se pertenciam;
Somente eu, o que mais dei, nada tenho,
Mas ‚ÄĒ infeliz ‚ÄĒ por ser mais vil, sou aviltado.

Não peço agora permissão
Para fingir uma l√°grima, suspiro, jura;
N√£o te solicito para que obtenhas
Um non obstante sobre a lei natural;
Estas s√£o prerrogativas inerentes
A ti e aos teus; ninguém as deverá abjurar
A n√£o ser que fosse servo do Amor.

D√°-me a tua fraqueza, faz-me duplamente cego
Como tu e os teus, de olhos e mente.
Amor, nunca me deixes saber que isto
√Č amor, ou que o amor √© pueril;
N√£o me deixes saber que outros sabem
Que ela sabe de minha dor: que essa terna afronta
Me não torne em minha própria nova dor.

Mesmo se tu nada deres, ainda assim és justo,
Porque n√£o confiei nos teus primeiros sinais;
As vilas que resistem até que forte artilharia
As sujeitem,

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A Tempestade do Destino

Por vezes o destino √© como uma pequena tempestade de areia que n√£o p√°ra de mudar de direc√ß√£o. Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atr√°s de ti. Voltas a mudar de direc√ß√£o, mas a tempestade persegue-te, seguindo no teu encal√ßo. Isto acontece uma vez e outra e outra, como uma esp√©cie de dan√ßa maldita com a morte ao amanhecer. Porqu√™? Porque esta tempestade n√£o √© uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada que ver contigo. Esta tempestade √©s tu. Algo que est√° dentro de ti. Por isso, s√≥ te resta deixares-te levar, mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para n√£o deixar entrar a areia e, passo a passo, atravess√°-la de uma ponta a outra. Aqui n√£o h√° lugar para o sol nem para a lua; a orienta√ß√£o e a no√ß√£o de tempo s√£o coisas que n√£o fazem sentido. Existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados, a rodopiar em direc√ß√£o ao c√©u. √Č uma tempestade de areia assim que deves imaginar.
(…) E n√£o h√° maneira de escapar √† viol√™ncia da tempestade, a essa tempestade metaf√≠sica, simb√≥lica. N√£o te iludas: por mais metaf√≠sica e simb√≥lica que seja, rasgar-te-√° a carne como mil navalhas de barba.

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Barbeiro, n. (do Latim barbarus, selvagem, a partir de barba, a barba.) Um selvagem que nos faz esquecer a laceração da nossa cara, perante o tormento superior que é ter de ouvir a sua conversa.