Cita√ß√Ķes sobre C√≥cegas

7 resultados
Frases sobre c√≥cegas, poemas sobre c√≥cegas e outras cita√ß√Ķes sobre c√≥cegas para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Vi Jesus Cristo Descer à Terra

Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e √°rvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustra√ß√Ķes.
Nem sequer o deixavam ter pai e m√£e
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que n√£o era pai dele;
E o outro pai era uma pomba est√ļpida,

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Pró Pudor

Todas as noites ela me cingia
Nos braços, com brandura gasalhosa;
Todas as noites eu adormecia,
Sentindo-a desleixada a langorosa.

Todas as noites uma fantasia
Lhe emanava da fronte imaginosa;
Todas as noites tinha uma mania,
Aquela concepção vertiginosa.

Agora, há quase um mês, modernamente,
Ela tinha um furor dos mais soturnos,
Furor original, impertinente…

Todas as noites ela, ah! sordidez!
Descalçava-me as botas, os coturnos,
E fazia-me c√≥cegas nos p√©s…

Ora Até que Enfim

Ora at√© que enfim…, perfeitamente…
C√° est√° ela!
Tenho a loucura exatamente na cabeça.
Meu coração estourou como uma bomba de pataco,
E a minha cabe√ßa teve o sobressalto pela espinha acima…

Graças a Deus que estou doido!
Que tudo quanto dei me voltou em lixo,
E, como cuspo atirado ao vento,
Me dispersou pela cara livre!
Que tudo quanto fui se me atou aos pés,
Como a sarapilheira para embrulhar coisa nenhuma!
Que tudo quanto pensei me faz cócegas na garganta
E me quer fazer vomitar sem eu ter comido nada!

Graças a Deus, porque, como na bebedeira,
Isto é uma solução.
Arre, encontrei uma solu√ß√£o, e foi preciso o est√īmago!
Encontrei uma verdade, senti-a com os intestinos!

Poesia transcendental, já a fiz também!
Grandes raptos líricos, também já por cá passaram!
A organiza√ß√£o de poemas relativos √† vastid√£o de cada assunto resolvido em v√°rios ‚ÄĒ
Também não é novidade.
Tenho vontade de vomitar, e de me vomitar a mim…
Tenho uma n√°usea que, se pudesse comer o universo para o despejar na pia,

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Humorismo √© a arte de fazer c√≥cegas no racioc√≠nio dos outros. H√° duas esp√©cies de humorismo: o tr√°gico e o c√īmico. O tr√°gico √© o que n√£o consegue fazer rir; o c√īmico √© o que √© verdadeiramente tr√°gico para se fazer.

Se nos picarem, não sangramos? Se nos fizerem cócegas, não rimos? Se nos envenenarem não morremos? E, se nos ultrajarem, não nos vingaremos?

O Sofrimento do Hipócrita

Ter mentido √© ter sofrido. O hip√≥crita √© um paciente na dupla acep√ß√£o da palavra; calcula um triunfo e sofre um supl√≠cio. A premedita√ß√£o indefinida de uma a√ß√£o ruim, acompanhada por doses de austeridade, a inf√Ęmia interior temperada de excelente reputa√ß√£o, enganar continuadamente, n√£o ser jamais quem √©, fazer ilus√£o, √© uma fadiga. Compor a candura com todos os elementos negros que trabalham no c√©rebro, querer devorar os que o veneram, acariciar, reter-se, reprimir-se, estar sempre alerta, espiar constantemente, compor o rosto do crime latente, fazer da disformidade uma beleza, fabricar uma perfei√ß√£o com a perversidade, fazer c√≥cegas com o punhal, por a√ß√ļcar no veneno, velar na franqueza do gesto e na m√ļsica da voz, n√£o ter o pr√≥prio olhar, nada mais dif√≠cil, nada mais doloroso. O odioso da hipocrisia come√ßa obscuramente no hip√≥crita. Causa n√°useas beber perp√©tuamente a impostura. A meiguice com que a ast√ļcia disfar√ßa a malvadez repugna ao malvado, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e h√° momentos de enj√īo em que o hip√≥crita vomita quase o seu pensamento. Engolir essa saliva √© coisa horr√≠vel. Ajuntai a isto o profundo orgulho. Existem horas estranhas em que o hip√≥crita se estima. H√° um eu desmedido no impostor.

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O Espírito é a Arma da Diplomacia

Ser espirituoso √© metade de ser diplomata. (…) O esp√≠rito move tudo e n√£o responde por coisa alguma: ele √© a eloqu√™ncia da alegria, e o entrincheiramento das situa√ß√Ķes dif√≠ceis: salva uma crise fazendo sorrir: condensa em duas palavras a cr√≠tica de uma institui√ß√£o: disfar√ßa √†s vezes a fraqueza de uma opini√£o, acentua outras vezes a for√ßa de uma ideia: √© a mais fina salvaguarda dos que n√£o querem definir-se francamente: tira a intransig√™ncia √†s convic√ß√Ķes, fazendo-lhes c√≥cegas: substitui a raz√£o quando n√£o substitui a ci√™ncia, d√° uma posi√ß√£o no mundo, e, adoptado como um sistema, derruba um imp√©rio. E, sobretudo pelo indefinido que d√° √† conversa√ß√£o, ele √© a arma verdadeira da diplomacia.