Frases sobre Corpo de Fernando Pessoa

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Frases de corpo de Fernando Pessoa. As mais belas frases e mensagens de Fernando Pessoa para ler e compartilhar.

Uma vontade de sono no corpo, um desejo de n√£o pensar na alma, e por cima de tudo uma transpar√™ncia l√ļcida do entendimento retrospectivo…

O corpo vive porque se desintegra, sem se desintegrar demais. Se n√£o se desintegrasse segundo a segundo, seria um mineral.

O amor rom√Ęntico √© como um traje, que, como n√£o √© eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que form√°mos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor rom√Ęntico, portanto, √© um caminho de desilus√£o. S√≥ o n√£o √© quando a desilus√£o, aceite desde o pr√≠ncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.

Uma espécie de anteneurose do que serei quando já não for gela-me o corpo e alma. Uma como que lembrança da minha morte futura arrepia-me dentro.

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.

Uma inquietação enorme fazia-me estremecer os gestos mínimos. Tive receio de endoidecer, não de loucura, mas de ali mesmo. O meu corpo era um grito latente. O meu coração batia como se falasse.

A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensibilidade como o obstáculo para a energia.

Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo.

√Č uma vontade de n√£o querer ter pensamento, um desejo de nunca ter sido nada, um desespero consciente de todas as c√©lulas do corpo e da alma. √Č o sentimento s√ļbito de se estar enclausurado na cela infinita. Para onde pensar em fugir, se s√≥ a cela √© tudo?

Tudo em nós é fluido e misto. Classificamos para compreender, mas vivemos, na mente como no corpo, inclassificavelmente.

Tudo em meu torno √© o universo nu, abstrato, feito de nega√ß√Ķes noturnas. Divido-me em cansado e inquieto, e chego a tocar com a sensa√ß√£o do corpo um conhecimento metaf√≠sico do mist√©rio das coisas.

Tudo vem de fora, e a mesma alma humana não é porventura mais que o raio de sol que brilha e isola do chão onde jaz o monte de estrume que é o corpo.

H√° um cansa√ßo da intelig√™ncia abstracta, e √© o mais horroroso dos cansa√ßos. N√£o pesa como o cansa√ßo do corpo, nem inquieta como o cansa√ßo do conhecimento e da emo√ß√£o. √Č um peso da consci√™ncia do mundo, um n√£o poder respirar da alma.

Nunca amamos ningu√©m. Amamos, t√£o-somente, a ideia que fazemos de algu√©m. √Č a um conceito nosso – em suma, √© a n√≥s mesmos – que amamos. Isso √© verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por interm√©dio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por interm√©dio de uma ideia nossa.

O mais horr√≠vel de tudo √© a minha incapacidade de formular, nem que seja dentro de mim, um qualquer sistema de vida ou filosofia. Chego a pensar que o meu corpo est√° habitado pela alma de algum poeta morto…