Passagens sobre Navios

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É InĂștil Tudo

Chega através do dia de névoa alguma coisa do esquecimento,
Vem brandamente com a tarde a oportunidade da perda.
Adormeço sem dormir, ao relento da vida.

É inĂștil dizer-me que as açÔes tĂȘm conseqĂŒĂȘncias.
É inĂștil eu saber que as açÔes usam conseqĂŒĂȘncias.
É inĂștil tudo, Ă© inĂștil tudo, Ă© inĂștil tudo.

Através do dia de névoa não chega coisa nenhuma.

Tinha agora vontade
De ir esperar ao comboio da Europa o viajante anunciado,
De ir ao cais ver entrar o navio e ter pena de tudo.

NĂŁo vem com a tarde oportunidade nenhuma.

Última Página

Vou deixar este livro. Adeus.
Aqui morei nas ruas infinitas.
Adeus meu bairro pĂĄgina branca
onde morri onde nasci algumas vezes.

Adeus palavras comboios
adeus navio. De ti povo
não me despeço. Vou contigo.
Adeus meu bairro versos ventos.

NĂŁo voltarei a Nambuangongo
onde tu meu amor nĂŁo viste nada. Adeus
camaradas dos campos de batalha.
Parto sem ti Pedro Soldado.

Tu Rapariga do PaĂ­s de Abril
tu vens comigo. Não te esqueças
da primavera. Vamos soltar
a primavera no PaĂ­s de Abril.

Livro: meu suor meu sangue
aqui te deixo no cimo da pĂĄtria
Meto a viola debaixo do braço
e viro a pĂĄgina. Adeus.

MĂŁe

mĂŁe
terminou o tempo
de sorrir
desculpa-me a morte
das plantas

tatuei a tua antiga
imagem loura
em todos os pulsos
que anjos inclinam de existires

perdi-me noite na planĂ­cie
branca
sobrevivente das madrugadas
da memĂłria

trocaram-me os dias
e as ruas de ancas
verticais
e nas minhas mĂŁos incompletas
trouxe-te um naufrĂĄgio
de flores cansadas
e o Ășnico jardim de amor
que cultivei de navios ancorados ao espaço

A Casa do Homem

Imagine uma pessoa que nĂŁo tem lugar. Anda perdido, desorientado. E imagine outra pessoa que Ă© filho de famĂ­lia, tem os pais, os irmĂŁos, a casa. A casa Ă© muito importante. Vai sempre seguro de si porque tem um sĂ­tio de acolhimento se as coisas lhe falharem. Digamos a casa, digamos o lugar, digamos o sĂ­tio. Tal como o Ulisses volta a casa. Ele quer voltar ao recolhimento, Ă  segurança, ao aconchego. O aconchego do ventre da mĂŁe. A casa do homem Ă© o ventre da mĂŁe. Onde ele estĂĄ e nĂŁo precisa de fazer nada, tem tudo. E Ă© feliz. E quando o Ulisses vem moribundo e fala na morte, surge a ideia de tĂșnel que Ă© o nascimento do feto, uma reminiscĂȘncia. Por exemplo, o filme falado termina com o comandante que vĂȘ a casa a destruir-se, porque a casa dele Ă© o navio. Mas hĂĄ o lado Ă©tico: o capitĂŁo deve ser o Ășltimo a deixar o barco, e ele tem um passageiro e nĂŁo pode ir lĂĄ substitui-lo. Este Ă© o grande drama. Ele vĂȘ arruinar todo o sistema, toda a sua vida, que estĂĄ concentrada na sua casa. É essa a tragĂ©dia que o mundo sofre agora.

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Vénus

I

À flor da vaga, o seu cabelo verde,
Que o torvelinho enreda e desenreda…
O cheiro a carne que nos embebeda!
Em que desvios a razĂŁo se perde!

PĂștrido o ventre, azul e aglutinoso,
Que a onda, crassa, num balanço alaga,
E reflui (um olfato que se embriaga)
Como em um sorvo, murmura de gozo.

O seu esboço, na marinha turva…
De pé flutua, levemente curva;
Ficam-lhe os pĂ©s atrĂĄs, como voando…

E as ondas lutam, como feras mugem,
A lia em que a desfazem disputando,
E arrastando-a na areia, co’a salsugem.

II

Singra o navio. Sob a ĂĄgua clara
VĂȘ-se o fundo do mar, de areia fina…
_ ImpecĂĄvel figura peregrina,
A distĂąncia sem fim que nos separa!

Seixinhos da mais alva porcelana,
Conchinhas tenuemente cor de rosa,
Na fria transparĂȘncia luminosa
Repousam, fundos, sob a ĂĄgua plana.

E a vista sonda, reconstrui, compara,
Tantos naufrågios, perdiçÔes, destroços!
_ Ó fĂșlgida visĂŁo, linda mentira!

RĂłseas unhinhas que a marĂ© partira…
Dentinhos que o vaivĂ©m desengastara…

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A amizade Ă© um navio suficientemente grande para levar duas pessoas com tempo bom, mas apenas uma com tempo mau.