Passagens de Octavio Paz

36 resultados
Frases, pensamentos e outras passagens de Octavio Paz para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

Se a liberdade e a democracia, não são termos equivalentes, mas são complementares: Sem liberdade, a democracia é despotismo, a democracia sem a liberdade é uma ilusão.

A solid√£o √© o fato mais profundo da condi√ß√£o humana. O homem √© o √ļnico ser que sabe que ele esta sozinho.

As massas humanas mais perigosas s√£o aquelas em cujas veias foi injectado o veneno do medo… do medo da mudan√ßa.

Teus Olhos

Teus olhos s√£o a p√°tria do rel√Ęmpago e da l√°grima,
silêncio que fala,
tempestades sem vento, mar sem ondas,
p√°ssaros presos, douradas feras adormecidas,
topázios ímpios como a verdade,
outono numa clareira de bosque onde a luz canta no ombro
duma √°rvore e s√£o p√°ssaros todas as folhas,
praia que a manh√£ encontra constelada de olhos,
cesta de frutos de fogo,
mentira que alimenta,
espelhos deste mundo, portas do além,
pulsação tranquila do mar ao meio-dia,
universo que estremece,
paisagem solit√°ria.

Tradução de Luis Pignatelli

Não é poeta aquele que não tenha sentido a tentação de destruir ou criar outra linguagem.

O dia abre os olhos e penetra em uma primavera antecipada. Tudo o que minhas m√£os tocam voa. O mundo est√° cheio de p√°ssaros.

O homem é uma criatura moral que envelhece, que morre e que não sabe para o que veio aqui.

Dia

De que céu caído,
oh insólito,
imóvel solitário na onda do tempo?
√Čs a dura√ß√£o,
o tempo que amadurece
num instante enorme, di√°fano:
flecha no ar,
branco embelezado
e espaço já sem memória de flecha.
Dia feito de tempo e de vazio:
desabitas-me, apagas
meu nome e o que sou,
enchendo-me de ti: luz, nada.

E flutuo, já sem mim, pura existência.

Tradução de Luis Pignatelli

A palavra quando é criação desnuda. A primeira virtude da poesia tanto para o poeta como para o leitor é a revelação do ser. A consciência das palavras leva à consciência de si: a conhecer-se e a reconhecer-se.

O que p√Ķe o mundo em movimento √© a intera√ß√£o das diferen√ßas, suas atra√ß√Ķes e repuls√Ķes; a vida √© pluralidade, morte √© uniformidade.

Silêncio

Assim como do fundo da m√ļsica
brota uma nota
que enquanto vibra cresce e se adelgaça
at√© que noutra m√ļsica emudece,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, aguda torre, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recorda√ß√Ķes, esperan√ßas,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desvanece:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios emudecem.

Tradução de Luis Pignatelli

Movimento

Se tu √©s a √©gua de √Ęmbar
eu sou o caminho de sangue
Se tu és o primeiro nevão
eu sou quem acende a fogueira da madrugada
Se tu és a torre da noite
eu sou o cravo ardendo em tua fronte
Se tu és a maré matutina
eu sou o grito do primeiro p√°ssaro
Se tu és a cesta de laranjas
eu sou o punhal de sol
Se tu és o altar de pedra
eu sou a mão sacrílega
Se tu és a terra deitada
eu sou a cana verde
Se tu és o salto do vento
eu sou o fogo oculto
Se tu és a boca da água
eu sou a boca do musgo
Se tu és o bosque das nuvens
eu sou o machado que as corta
Se tu és a cidade profunda
eu sou a chuva da consagração
Se tu és a montanha amarela
eu sou os braços vermelhos do líquen
Se tu és o sol que se levanta
eu sou o caminho de sangue
Tradução de Luis Pignatelli

Só erra quem produz. Mas, só produz quem não tem medo de errar. As massas humanas mais perigosas são aquelas em cujas veias foi injetado o veneno do medo. Do medo da mudança.