Cita√ß√Ķes de Octavio Paz

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Frases, pensamentos e outras cita√ß√Ķes de Octavio Paz para ler e compartilhar. Os melhores escritores est√£o em Poetris.

A palavra quando é criação desnuda. A primeira virtude da poesia tanto para o poeta como para o leitor é a revelação do ser. A consciência das palavras leva à consciência de si: a conhecer-se e a reconhecer-se.

O que p√Ķe o mundo em movimento √© a intera√ß√£o das diferen√ßas, suas atra√ß√Ķes e repuls√Ķes; a vida √© pluralidade, morte √© uniformidade.

Silêncio

Assim como do fundo da m√ļsica
brota uma nota
que enquanto vibra cresce e se adelgaça
at√© que noutra m√ļsica emudece,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, aguda torre, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recorda√ß√Ķes, esperan√ßas,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desvanece:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios emudecem.

Tradução de Luis Pignatelli

Movimento

Se tu √©s a √©gua de √Ęmbar
eu sou o caminho de sangue
Se tu és o primeiro nevão
eu sou quem acende a fogueira da madrugada
Se tu és a torre da noite
eu sou o cravo ardendo em tua fronte
Se tu és a maré matutina
eu sou o grito do primeiro p√°ssaro
Se tu és a cesta de laranjas
eu sou o punhal de sol
Se tu és o altar de pedra
eu sou a mão sacrílega
Se tu és a terra deitada
eu sou a cana verde
Se tu és o salto do vento
eu sou o fogo oculto
Se tu és a boca da água
eu sou a boca do musgo
Se tu és o bosque das nuvens
eu sou o machado que as corta
Se tu és a cidade profunda
eu sou a chuva da consagração
Se tu és a montanha amarela
eu sou os braços vermelhos do líquen
Se tu és o sol que se levanta
eu sou o caminho de sangue
Tradução de Luis Pignatelli

Só erra quem produz. Mas, só produz quem não tem medo de errar. As massas humanas mais perigosas são aquelas em cujas veias foi injetado o veneno do medo. Do medo da mudança.

O amor √© uma tentativa de penetrar no √≠ntimo de outro ser humano, mas s√≥ pode ter sucesso se a rendi√ß√£o for m√ļtua.

Destino de Poeta

Palavras? Sim, de ar,
e no ar perdidas.
Deixa-me perder entre palavras,
deixa-me ser o ar nuns l√°bios,
um sopro vagabundo sem contornos
que o ar desvanece.

Também a luz em si mesma se perde.

Tradução de Luis Pignatelli

Certeza

Se é real a luz branca
desta l√Ęmpada, real
a m√£o que escreve, s√£o reais
os olhos que olham o escrito?

Duma palavra à outra
o que digo desvanece-se.
Sei que estou vivo
entre dois parênteses.

Tradução de Luis Pignatelli

A palavra √© o pr√≥prio homem. Somos feitos de palavras. Elas s√£o nossa √ļnica realidade ou, pelo menos, o √ļnico testemunho de nossa realidade.

IRMANDADE Sou homem: duro pouco e é enorme a noite. Mas olho para cima: as estrelas escrevem. Sem entender compreendo: Também sou escritura e neste mesmo instante alguém me soletra.

Os pr√©mios domesticam o escritor independente, cortam as asas do inspirado, castram o rebelde…

A solid√£o √© o fundo √ļltimo da condi√ß√£o humana. O homem √© o √ļnico ser que se sente s√≥ e que procura um outro.