Cita√ß√Ķes sobre Solid√£o

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Frases sobre solid√£o, poemas sobre solid√£o e outras cita√ß√Ķes sobre solid√£o para ler e compartilhar. Leia as melhores cita√ß√Ķes em Poetris.

Adeus

A ti, que em astros desenhei nos céos,
A ti, que em nuvens desenhei nos ares,
A ti, que em ondas desenhei nos mares,
A ti, bom anjo! o derradeiro adeus!

Parto! Se um dia (que √© possivel fl√īr!)
Vires ao longe negrejar um vulto,
Sou eu que aos olhos d’esta gente occulto
O nosso immenso desgraçado amor.

Talvez as féras ao ouvir meus ais,
As brutas selvas, as montanhas brutas,
Concavas rochas, solitarias grutas,
Mais se condoam, se commovam mais!

E l√° d’aquellas solid√Ķes se aqui
Chegar gemido que uma pedra estala,
Que um cedro vibra, que um carvalho abala,
Sou eu que o solto por amor de ti…

De ti! que em folha que varrer o ar,
Em rama, em sombra que bandeie a aragem,
De fito sempre n’essa cara imagem
Verei, sorrindo, sentirei passar!

De ti, que em astros desenhei nos céos!
De ti, que em nuvens desenhei nos ares!
De ti, que em ondas desenhei nos mares,
E a quem envio o derradeiro adeus!

Desculpem eu ser eu. Quero ficar só! grita a alma do tímido que só se liberta na solidão. Contraditoriamente quer o quente aconchego das pessoas.

Solid√£o

Cai chuva, chora.
Chora, chora.
Solid√£o, solid√£o!

J√° n√£o canta o p√°ssaro.
Calou-se a voz, a alegre, a rara.
A que se ouvia solit√°ria.
Cai chuva.

N√£o sou freira e estou num convento.
A paz, o sil√™ncio, a chuva, os claustros…
Ser freira!

O sequestro, cantar, rezar.
Cai chuva, rude e sem dor.
Tu n√£o choras.
Sou eu que choro.

Que é do pássaro, como cantava?
Voltou, voltou. Pia!
Bendito p√°ssaro, onde est√°s?
Acompanha-me, j√° n√£o chove.
Solid√£o, melancolia.

Mendiga

Na vida nada tenho e nada sou;
Eu ando a mendigar pelas estradas…
No silêncio das noites estreladas
Caminho, sem saber para onde vou!

Tinha o manto do sol… quem mo roubou?!
Quem pisou minhas rosas desfolhadas?!
Quem foi que sobre as ondas revoltadas
A minha taça de oiro espedaçou?!

Agora vou andando e mendigando,
Sem que um olhar dos mundos infinitos
Veja passar o verme, rastejando…

Ah, quem me dera ser como os chacais
Uivando os brados, rouquejando os gritos
Na solid√£o dos ermos matagais!…

LIX

Lembrado estou, ó penhas, que algum dia,
Na muda solid√£o deste arvoredo,
Comuniquei convosco o meu segredo,
E apenas brando o zéfiro me ouvia.

Com l√°grimas meu peito enternecia
A dureza fatal deste rochedo,
E sobre ele uma tarde triste, e quêdo
A causa de meu mal eu escrevia.

Agora torno a ver, se a pedra dura
Conserva ainda intacta essa memória,
Que debuxou ent√£o minha escultura.

Que vejo! esta é a cifra: triste glória!
Para ser mais cruel a desventura,
Se fará imortal a minha história.

A Humildade é a Base da Sociedade

A humildade oferece a todos, mesmo ao que se desespera na solid√£o, a rela√ß√£o mais forte com o semelhante, e, na realidade, imediatamente, mas, com certeza, s√≥ no caso da humildade completa e duradoura. Ela √© capaz disso por ser ao mesmo tempo a verdadeira linguagem da ora√ß√£o e a mais s√≥lida das liga√ß√Ķes. A rela√ß√£o com o semelhante √© a rela√ß√£o da prece; a rela√ß√£o consigo mesmo, a rela√ß√£o do esfor√ßo para alcan√ßar algo; a energia para esse esfor√ßo √© extra√≠da da ora√ß√£o.

Podes conhecer outra coisa que não seja a fraude? Fosse ela um dia obstruída, tu de modo nenhum poderias olhar para lá a não ser que quisesses tranformar-te numa estátua de sal.

Conseguir Escrever

O of√≠cio de escritor √© talvez o √ļnico que se torna mais dif√≠cil √† medida que mais se pratica. A facilidade com que me sentei a escrever aquele conto n√£o se pode comparar com o trabalho que me d√° agora escrever uma p√°gina. Quanto ao meu m√©todo de trabalho, √© bastante coerente com isto que vos estou a dizer. Nunca sei quanto vou poder escrever nem o que vou escrever. Espero que me ocorra alguma coisa e, quando me ocorre uma ideia que ache boa para a escrever, ponho-me a dar-lhe voltas na cabe√ßa e deixo-a ir amadurecendo. Quando a tenho terminada (e √†s vezes passam muitos anos, como no caso de Cem Anos de Solid√£o, que passei dezanove anos a pensar), quando a tenho terminada, repito, ent√£o sento-me a escrev√™-la e √© a√≠ que come√ßa a parte mais dif√≠cil e a que mais me aborrece. Porque o mais delicioso da hist√≥ria √© conceb√™-la, ir arredondando-a, dando-lhe voltas e mais voltas, de maneira que na altura de nos sentarmos a escrev√™-la j√° n√£o nos interessa muito, ou pelo menos a mim n√£o me interessa muito; a ideia que d√° voltas.

O Pai

Terra de semente inculta e bravia,
terra onde n√£o h√° esteiros ou caminhos,
sob o sol minha vida se alonga e estremece.

Pai, nada podem teus olhos doces,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as faces.

Escureceu-me a vista o mal de amor
e na doce fonte do meu sonho
outra fonte tremida se reflecte.

Depois… Pergunta a Deus porque me deram
o que me deram e porque depois
conheci a solidão do céu e da terra.

Olha, minha juventude foi um puro
bot√£o que ficou por rebentar e perde
a sua doçura de seiva e de sangue.

O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de a beijar… E o outono.
Pai, nada podem teus olhos doces.

Escutarei de noite as tuas palavras:
… menino, meu menino…

E na noite imensa
com as feridas de ambos seguirei.

Tradução de Rui Lage

Deus criou o homem e, n√£o o achando bastante solit√°rio, deu-lhe uma companheira para o fazer sentir melhor a sua solid√£o.

Realidade

Por causa de um livro
vieste ao meu encontro.
Era Ver√£o, n√£o sabias de nada
nem isso interessava. Palavras
amavam-se fora de ti,
no atropelo das emo√ß√Ķes.
L√° chegaria a primeira vez,
o encontro apressado num lugar
p√ļblico. Desfeito o erro
ao toque da pele, n√£o sei
se havia medo, a paix√£o queria-me
no lugar exacto do teu coração.
Palavras enrolam-se na sombra
da vida a dor do sentimento.

Atingido o espírito, o tempo
da inf√Ęncia, a realidade. Em ti
a solid√£o que o prazer
n√£o mata. Quero a beleza
dos versos revelada.
Alguns anos passaram sobre
a nossa história que não acabou.
A tarde envelhece e escrevo isto
sem saber porquê.

Protesto

Não é no teu corpo que se imola
para a ceia dos meus sentidos
a v√≠tima n√ļbil, a √°urea mola
que cinge o amor recente aos idos.

Mas é também no teu corpo que corre
o sangue que o meu sangue socorre.

Não é no teu corpo que se ergue
a guerra fria dos meus nervos.

nem nasceram tuas transparências
para a cegueira dos meus dedos.

Mas é também no teu corpo insano
que perscruto meu desconforto humano.

Não é no teu corpo, nos teus olhos
de fauno, que colho as minhas ditas,
nem o jasmim de tua boca flore
para a vis√£o que me solicita.

Mas √© tamb√©m no teu corpo √ļnico
que o amor √† forma do Amor re√ļno.

Não é no teu corpo que concentro
minha sede (esta sede ferina
que morre de seu farto alimento
e vive de quanto se elimina)

Mas é também teu corpo a medida
destas √°guas sobre a minha ferida.

Não é no teu corpo, mas é tanto
no teu corpo meu √ļltimo ref√ļgio,

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Que Hei De Fazer De Mim, Neste Quarto Sozinho

Que hei de fazer de mim, neste quarto sozinho
Apavorado, lancinado, corrompido
A solid√£o ardendo em meu corpo despido
E em volta apenas trevas e a imagem do carinho!

Defendido, a me encher como um rio contido
E eu s√≥, e eu sempre s√≥! √ď mis√©ria, √≥ pudor!
Vem, deita comigo, branco e r√°pido amor
Risca de estrelas cruéis meu céu perdido!

Lança uma virgem, se lança, sobre esse quarto
Fá-la que monte no teu sórdido inimigo
E que o asfixie sob o seu p√ļbis farto

Mas que prazer é o teu, pobre alma vazia
Que a um tempo ordenha l√°grimas contigo
E outras enxugas, fiéis lágrimas de agonia!

Recusa

a Alberto de Serpa

Serei sempre um poeta provinciano.
Um poeta triste, esquivo,
Com medo de apertar a m√£o aos poetas da cidade
E de me sentar com eles
À mesa do Café.
N√£o falarei de minha poesia.
N√£o rimarei minha ang√ļstia
Com a solenidade de suas quest√Ķes.
A poesia n√£o est√° na discuss√£o.
A poesia n√£o est√° no n√£o estar com este ou com aquele.
A poesia est√° em matar esta morte
Que anda dentro de nós
Para que a vida renasça.
A poesia está em gritar do alto dos arranha-céus
E das planuras e concavidades sertanejas
Que o mundo vai acabar
Que o mundo est√° maduro para o sangue
Que o mundo perverso e caótico vai vagar.
Serei sempre um poeta provinciano.
Um poeta esquivo defendendo sua solid√£o
De todos os truques de todos os ódios de todas as invejas.
Os poetas rendilheiros n√£o perdoar√£o.
Os poetas vaidosos v√£o barafustar
E exigir a expuls√£o imediata
Do √ļltimo vendilh√£o do Templo,
Em nome da religi√£o,
Em nome da estética,
Em nome da dignidade amarfanhada,

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A minha inf√Ęncia de menina sozinha de-me duas coisas que parecem negativas, e, foram sempre positivas para mim:sil√™ncio e solid√£o.

Acendem-se as Luzes

Acendem-se as luzes
nas ruas da cidade.

Ainda h√° claridade
ao alto das cruzes
da igreja da praça
e para l√° dos telhados
j√° meio esfumados
na mesma cor baça
do casario velho
que recobre a encosta
e mal entremostra
as cores de Botelho,
sobranceiro à massa
fluida e movente
das cordas de gente
por onde perpassa
um ar de alegria
que é do tempo quente
e deste andar contente
que no fim do dia
leva para casa,
a paz das varandas,
o √°lcool das locandas,
tanta vida rasa
minha semelhante.
Solid√£o povoada
que a tarde cansada
suspende um instante
ao acender das luzes.

Em cada olhar uma rosa
de propósito formosa
para que a uses.

Voto de Natal

Acenda-se de novo o Presépio no Mundo!
Acenda-se Jesus nos olhos dos meninos!
Como quem na corrida entrega o testemunho,
passo agora o Natal para as m√£os dos meus filhos.

E a corrida que siga, o facho n√£o se apague!
Eu aperto no peito uma rosa de cinza.
Dai-me o brando calor da vossa ingenuidade,
para sentir no peito a rosa reflorida!

Filhos, as vossas m√£os! E a solid√£o estremece,
como a casca do ovo ao latejar-lhe vida…
Mas a noite infinita enfrenta a vida breve:
dentro de mim não sei qual é que se eterniza.

Extinga-se o rumor, dissipem-se os fantasmas!
O calor destas m√£os nos meus dedos t√£o frios?
Acende-se de novo o Presépio nas almas.
Acende-se Jesus nos olhos dos meus filhos.

Namoro II

Ai se eu disser que as tremuras
Me d√£o nas pernas, e as loucuras
Fazem esquecer-me dos prantos
Pensar em juras

Ai se eu disser que foi feitiço
Que fez na saia dar ventania
Mostrar-me coisas t√£o belas
Ter fantasia
E sonhar com aquele encontro
Sonhar que n√£o diz que n√£o

Tem um jeito de senhora
E um olhar desmascarado
De céu negro ou céu estrelado, ou Sol
Daquele que a gente sabe.
O seu balanço gingado
Tem os mistérios do mar
E a certeza do caminho certo
que tem a estrela polar.

Não sei se faça convite
E se quebre a tradição
Ou se lhe mande uma carta
Como ouvi numa canção
Só sei que o calor aperta
E ainda n√£o estamos no ver√£o.

Quanto mais o tempo passa
Mais me afasto da raz√£o
E ela insiste no passeio à tarde
Em tom de provocação
Até que num dia feriado
P’ra curtir a solid√£o
Fui consumir as tristezas
P’r√≥ baile do Sr. Jo√£o

N√£o sei se foi por magia
Ou seria maldição
Dei por mim rodopiando
Bem no meio do sal√£o
Acabei no tal convite
Em jeito de confiss√£o
E a resposta foi t√£o doce
Que a beijei com emoção
Só que a malta não gritou
Como ouvi numa canção

A solidão mostra o original, a beleza ousada e surpreendente, a poesia. Mas a solidão também mostra o avesso, o desproporcionado, o absurdo e o ilícito.