A Profundidade da Nossa Separação

O homem est√° dividido dentro de si. A vida volta-se contra si pr√≥pria atrav√©s da agress√£o, do √≥dio e do desespero. Estamos habituados a condenar o amor-pr√≥prio; mas aquilo que pretendemos realmente condenar √© o oposto do amor-pr√≥prio. √Č aquela mistura de ego√≠smo e avers√£o por n√≥s pr√≥prios que permanentemente nos persegue, que nos impede de amar os outros e que nos pro√≠be de nos perdermos no amor com que somos eternamente amados. Aquele que √© capaz de se amar a si pr√≥prio √© capaz de amar os outros; aquele que aprendeu a superar o desprezo por si pr√≥prio superou o seu desprezo pelos outros.
Mas a profundidade da nossa separação reside, justamente, no facto de não sermos capazes de um grande amor, clemente e divino, por nós próprios. Pelo contrário, existe em cada um de nós um instinto de autodestruição, tão forte como o nosso instinto de autopreservação. Na nossa tendência para maltratar e destruir os outros existe uma tendência, visível ou oculta, para nos maltratarmos e nos destruirmos.
A crueldade para com os outros é sempre também crueldade para com nós próprios. Deste modo, o estado de toda a nossa vida é o distanciamento dos outros e de nós próprios,

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