Poemas sobre Favoritos

5 resultados
Poemas de favoritos escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Vaidosa

Dizem que tu és pura como um lírio
E mais fria e insensível que o granito,
E que eu que passo aí por favorito
Vivo louco de dor e de martírio.

Contam que tens um modo altivo e sério,
Que és muito desdenhosa e presumida,
E que o maior prazer da tua vida,
Seria acompanhar-me ao cemitério.

Chamam-te a bela imperatriz das f√°tuas,
A déspota, a fatal, o figurino,
E afirmam que és um molde alabastrino,
E não tens coração, como as estátuas.

E narram o cruel martirológio
Dos que são teus, ó corpo sem defeito,
E julgam que é monótono o teu peito
Como o bater cadente dum relógio.

Porém eu sei que tu, que como um ópio
Me matas, me desvairas e adormeces,
√Čs t√£o loura e dourada como as messes

E possuis muito amor… muito amor-pr√≥prio.

Os Instantes Superiores da Alma

Os instantes Superiores da Alma
Acontecem-lhe – na solid√£o –
Quando o amigo – e a ocasi√£o Terrena
Se retiram para muito longe –

Ou quando РEla Própria Рsubiu
A um plano t√£o alto
Para Reconhecer menos
Do que a sua Omnipot√™ncia –

Essa Abolição Mortal
√Č rara – mas t√£o bela
Como Aparição Рsujeita
A um Ar Absoluto –

Revelação da Eternidade
Aos seus favoritos – bem poucos –
A Gigantesca subst√Ęncia
Da Imortalidade

Tradu√ß√£o de Nuno J√ļdice

Decepção à Regra

Sentar-me e
ver os outros passar é o
meu exercício favorito. Entretém.
N√£o esgota.
√Č gratuito. Neste meu jogo-do-n√£o
s√£o os outros que passam
(é aos outros que reservo a tarefa
de passar). Lavo daí os pés.
Escrevo de dentro da vida.
Pode até parecer que assim não
chego a lugar algum mas também quem
é que quer ir
ao sítio dos outros?

Desporto e Pedagogia

I

Diz ele que n√£o sei ler
Isso que tem? C√° na aldeia
N√£o se arranjam d√ļzia e meia
Que saibam ler e escrever.

II

P’ra escolas n√£o h√° bairrismo,
N√£o h√° amor nem dinheiro.
Por quê? Porque estão primeiro
O Futebol e o Ciclismo!

III

Desporto e pedagogia
Se os juntassem, como irm√£os,
Esse conjunto daria,
Verdadeiros cidad√£os!
Assim, sem darem as m√£os,
O que um faz, outro atrofia.

IV

Da educação desportiva,
Que nos prepara p’ra vida,
Fizeram luta renhida
Sem nada de educativa.

V

E o povo, espectador em altos gritos,
Provoca, gesticula, a direito e torto,
Crendo assim defender seus favoritos
Sem lhe importar saber o que é desporto.

VI

Interessa é ganhar de qualquer maneira.
Enquanto em campo o dever se atropela,
Faz-se outro jogo l√° na bilheiteira,
Que enche os bolsinhos aos que vivem dela.

VII

Convém manter o Zé bem distraído
Enquanto ele se entrega à diversão,

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Abertura

Eu abria o r√°dio
eu abria o aparelho
era uma flor branca que eu abria
de sopro
eu soprava e eu abria a flor
A flor tocava m√ļsica com as v√°rias m√£os
das pétalas
A flor tocava uma simbolização dum tempo
caído podre de espera de cor branca
O tempo espera-se em pintar-se
de branco
para cegar uma cor
mas a minha flor abria-se de
pétalas
e as v√°rias m√£os escreviam um
piano por cima de teclas gr√£os v√°rios
seguidos uns aos outros.
Era assim uma harmonia
entre flor
tempo a querer-se de cor branca em cegar
era assim umas teclas cantarem filhos de gr√£os
por dentro dos gr√£os mesmos
unidos que eram em dimens√£o de lado
era assim um cantar-me o tempo todo
n√£o era assim um cantar-me o tempo todo
era assim um pairar-me
o tempo todo em Nijinsky
o tempo em um fazer-me ballet pelo quarto inteiro
quando eu tinha aberta a cabeça que imagino
da m√ļsica
Abria a pétala favorita do harém
onde no centro um sult√£o da flor
no centro que era o amarelo da flor
abria a pétala favorita da flor
e ent√£o
e era ent√£o que me soava dentro da manh√£
do quarto
uma m√ļsica desfibrada de tempo ser√īdio
como se tudo me fosse em longe
como se a m√ļsica levasse longe
o céu.

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