Sonetos sobre Cemitérios de Charles Baudelaire

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Sonetos de cemitérios de Charles Baudelaire. Leia este e outros sonetos de Charles Baudelaire em Poetris.

O Azar

Com peso tal, nĂŁo me ajeito;
Dá-me, Sísifo, vigor!
Embora eu tenha valor,
A Arte Ă© larga e o Tempo Estreito.

Longe dos mortos lembrados,
A um obscuro cemitério,
Minh’alma , tambor funĂ©reo,
Vai rufar trechos magoados.

— Há muitas jóias ocultas
Na terra fria, sepulturas
Onde nĂŁo chega o alviĂŁo;

Muita flor exala a medo
Seus perfumes no degredo
Da profunda solidĂŁo

Tradução de Delfim Guimarães

Uma Gravura Fantástica

Um vulto singular, um fantasma faceto,
Ostenta na cabeça horrível de esqueleto
Um diadema de lata, – Ăşnico enfeite a orná-lo
Sem espora ou ping’lim, monta um pobre cavalo,

Um espectro também, rocinante esquelético,
Em baba a desfazer-se como um epitético,
Atravessando o espaço, os dis lá vão levados,
O Infinito a sulcar, como dragões alados.

O Cavaleiro brande um gládio chamejante
Por sobre as multidões que pisa rocinante.
E como um gran-senhor, que seus reinos visite,

Percorre o cemitério enorme, sem limite,
Onde jazem, no alvor d’uma luz branca e terna,
Os povos da HistĂłria antiga e da moderna.

Tradução de Delfim Guimarães